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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Sex | 26.10.18

Viagens | Um roteiro na Madeira #3

(continuação)

Dia 5 – Cabo Girão – Fajã dos Padres – Ribeira Brava – Ponta do Sol – Madalena do Mar – Mudas (Calheta) – Jardim do Mar – Paul do Mar – Ponta do Pargo

O dia de hoje será dedicado a percorrer a costa sul da ilha para oeste do Funchal, e a primeira paragem é no famoso Cabo Girão, um dos cabos mais altos da Europa: são 589 metros a pique sobre as fajãs e o mar, que desde há uns anos também podemos observar por baixo dos nossos pés através da plataforma de vidro construída no miradouro. Escusado será dizer que a vista que dali temos é fascinante. Sugiro depois descer até à Fajã dos Padres de teleférico, para conhecer este cantinho tranquilo e cheio de histórias.

Alguns quilómetros mais à frente, a Ribeira Brava é uma vila pacata e simpática. Tem ruas estreitas, uma área de esplanada junto à praia e ao forte – que se resume a uma torre circular –, uma igreja matriz, e um museu etnográfico que merece a visita.

 

Siga para a Ponta do Sol, famosa pelas suas temperaturas amenas mas também – e sobretudo! – por dela se falar na popular e divertida canção de Max, ele mesmo um madeirense. Por ser o local que beneficia de mais horas de sol na Madeira, é bastante escolhida como lugar de “veraneio”, apesar de a praia não ter qualquer tipo de areia mas sim enormes calhaus rolados.

Madalena do Mar (que é para mim a localidade com o nome mais bonito do país) é uma vila ainda mais pequena do que as suas vizinhas, mas tem um extensíssimo passeio marítimo ao longo da estreita faixa de pedras a que chamam praia, excelente para caminhar. É também a região da ilha onde se produz em maior quantidade a célebre banana da Madeira.

Desde que construíram uma marina e uma praia de areia clara na Calheta que esta localidade passou a atrair mais visitantes, mas a minha sugestão é que se dirija directamente para o Mudas – Museu de Arte Contemporânea da Madeira. Equilibrado numa falésia abrupta sobre o Atlântico, este edifício concebido pelo arquitecto madeirense Paulo David tem um ambiente muito especial onde imperam o sossego e a sobriedade, e é um exemplo feliz de como a arquitectura e a paisagem podem fundir-se e em conjunto contribuírem para a valorização de um local. Pela sua situação geográfica privilegiada, é também um miradouro de excelência sobre a Calheta e o mar.

Seguindo sempre junto à costa, a estrada leva-nos até Jardim do Mar e depois a Paul do Mar, duas localidades piscatórias que ainda preservam alguma da tranquilidade de quando eram de difícil acesso.

Se ainda lhe sobrar tempo e quiser sentir-se como que no fim do mundo, faça-se à estrada sinuosa que segue para a Fajã da Ovelha e vai até à Ponta do Pargo, o extremo oeste da ilha da Madeira, assinalado a rigor pelo farol que dá pelo mesmo nome.

49 Paul do Mar.jpg

 

Dia 6 – Encumeada – Paul da Serra –Levada do Risco e das 25 Fontes – Porto Moniz – Véu da Noiva – São Vicente

A minha sugestão para o último dia deste roteiro é percorrer um dos trilhos pedestres mais bonitos da ilha da Madeira, ao qual deram o nome de Levada do Risco e das 25 fontes. Para lá chegar, escolha a estrada que passa pela Encumeada e pelo Paul da Serra, e aproveite para parar quando e onde puder. Vai ter oportunidade de ver vacas a pastar nas encostas verdejantes – e quem sabe até encontrá-las trotando calmamente pelo meio da estrada – talvez ocultadas por vezes por farrapos de nuvens brancas que vão passando abaixo do nível da estrada, empurrados pela brisa.

Estacione no miradouro do Rabaçal e depois desça (dois quilómetros em estrada asfaltada) até à casa de abrigo onde tem início o trilho pedestre. Na realidade, a Levada do Risco e das 25 fontes inclui dois percursos devidamente assinalados, que totalizam 10 km de comprimento e nos levam até duas espectaculares quedas de água passeando ao lado de canais de cimento, criados pelo engenho humano para neles aprisionar a água das nascentes e levá-la até onde é mais precisa.

 

Depois de conhecer estas belezas do interior da Madeira, é altura de conhecer outras, bem diferentes, na costa norte da ilha. Do Rabaçal até Porto Moniz não vai demorar muito mais de meia hora, e depois vai poder descansar dentro de água nas esplêndidas piscinas naturais (já “remodeladas” para o efeito) alimentadas pela água do mar que salta sobre as rochas. Passeie pela marginal e pela outra zona de pequenas piscinas aninhadas entre as formações rochosas. Se for com crianças, o Centro de Ciência Viva é uma excelente opção para elas se divertirem, tal como o Aquário da Madeira, instalado no actual Forte de São João Baptista, reconstruído à imagem e com a pedra do anterior.

Para regressar ao Funchal siga pela estrada que acompanha a costa norte, entre túneis interrompidos por troços a céu aberto e com vista para o mar. Cerca de 11 km depois, pare no estacionamento junto ao miradouro para apreciar o Véu da Noiva, uma cascata que jorra abundante e directamente para o mar.

Antes do destino final, pare em São Vicente, localidade que também não é escassa em motivos de interesse, desde as grutas vulcânicas ao Núcleo Museológico Rota da Cal, passando pelo Jardim Indígena.

Este roteiro que sugiro é apenas um de tantos roteiros possíveis para conhecer as belezas naturais e construídas da encantadora ilha da Madeira. Muitos outros lugares há na ilha que não estão aqui mencionados e são igualmente merecedores de visita, por isso na sua viagem reserve tempo suficiente para apreciar com calma todas as surpresas – esperadas e inesperadas – que a Madeira vai certamente proporcionar-lhe.

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Publicado em Inominável nº 16

por Ana CB autora do blog Viajar. Porque sim

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