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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qui | 25.10.18

Viagens | Um roteiro na Madeira #2

(continuação)

 

Dia 3 – Machico – Prainha (Caniçal) – Ponta de S. Lourenço – Porto da Cruz – Santana – Ribeiro Frio

 

Do Funchal siga para leste até à cidade de Machico, primeira capital da Madeira e actualmente a segunda cidade mais populosa da ilha. O centro histórico é acolhedor e a zona junto ao mar é deveras agradável, com particular destaque para a praia de areia que foi criada há alguns anos.

Continuando para leste, a paisagem muda depois da passagem pelo Caniçal, trocando o verde pelas cores da terra árida. Vale a pena parar no miradouro da Prainha e descer até àquela que é uma das poucas praias de areia natural da Madeira, e uma das mais bonitas. A areia é muito escura, como é típico das areias de origem vulcânica, mas a praia está bem abrigada dos ventos fortes que normalmente assolam este extremo da ilha.

A estrada termina na Ponta de São Lourenço, zona que constitui reserva natural. O vento e o mar esculpiram aqui belíssimas formações rochosas, cujas cores quentes contrastam com o fantástico tom verde-azul escuro do mar. A vista mais fabulosa será provavelmente a que se tem do miradouro da Ponto do Rosto: vários ilhéus pontiagudos em dégradés de cinza e ferrugem, rodeados por um anel branco espumoso, projectando-se das águas encarquilhadas pela ventania.

Voltando para trás pela mesma estrada, o destino seguinte fica também na costa, mas já mais para norte. Porto da Cruz reconhece-se facilmente de longe pelos 580 metros de altura da Penha d’Águia, a escarpa inconfundível que limita a localidade pelo lado oeste. Tranquila, quase sonolenta, tem uma praia de calhau rolado que é sobretudo apreciada para a prática do surf, já que para nadar é mais convidativa a piscina do Complexo Balnear quase ali ao lado. Nos arredores cultiva-se cana-de-açúcar, transformada em mel de cana no engenho que funciona em Porto da Cruz desde 1927.

Continue para norte até Santana. Não sendo uma cidade particularmente atraente no seu todo – na minha opinião, claro… – é aqui que ainda podemos ver algumas “palhaças”, as casas triangulares com tecto de colmo tradicionais da Madeira, hoje mantidas apenas para fins turísticos. É também aqui que fica o Parque Temático da Madeira, bem concebido e interessante tanto para miúdos como para graúdos, onde se passam algumas horas agradáveis. Outro motivo de interesse é o Caminho para Todos, um percurso pedestre largo e protegido de apenas 2 km (mais outro tanto para voltar), acessível à maioria das pessoas, que começa no Pico das Pedras e vai até às Queimadas.

 Regresse ao Funchal pela estrada que passa por Ribeiro Frio. Este parque natural é mais uma das jóias da Madeira, um oásis verde e fresco com milhares de árvores diferentes. A primeira paragem obrigatória nesta estrada é para percorrer a Vereda dos Balcões, com menos de 3 km no total e de cujo miradouro é possível observar os vários picos da Madeira (incluindo o Ruivo e o do Areeiro). A segunda paragem faz-se um pouco mais abaixo, para conhecer o viveiro de trutas.

29 Ribeiro Frio.JPG

 

Dia 4 – Teleférico Funchal-Monte – Jardim Tropical Monte Palace – Senhora do Monte – Pico do Areeiro

O passeio de hoje começa novamente no Funchal e o primeiro destino é essa maravilha que dá pelo nome de Jardim Tropical Monte Palace. Em alternativa ao carro, sugiro que faça a subida no teleférico que parte do extremo leste da Avenida do Mar: 15 minutos de viagem à suavíssima velocidade de 4 metros por segundo, vendo a cidade a desfilar sob os nossos pés, substituída depois pelo verde da encosta, e sempre com o mar como cenário de fundo. Já no Jardim, prepare-se para passar várias horas a percorrer os 70.000 m2 daquele que é considerado um dos mais belos jardins do mundo, entre veredas, estufas e lagos, obras de arte, exposições, peixes e aves aquáticas, painéis de azulejo e um sem-fim de outros motivos de interesse e prazer para os sentidos.

Quando finalmente decidir (relutantemente, tenho a certeza) sair deste jardim, passe pela Igreja da Nossa Senhora do Monte, erigida ali mesmo ao lado no cimo de uma escadaria, cruze o parque e depois espreite o fontanário neoclássico de mármore com a pequena imagem da santa que se encontra abrigado sob as árvores do Largo da Fonte.

Para voltar ao Funchal pode optar novamente pelo teleférico, apanhar um autocarro perto do Largo da Fonte, ou então descer até ao Livramento nos célebres carrinhos de cesto (se achar que a experiência compensa o valor que pedem e a longa espera na fila) e depois fazer a pé ou de autocarro o resto do caminho. 

37 Funchal - Cestos.jpg

Aproveite o que lhe sobrar do dia para ir conhecer outro local emblemático da Madeira: o Pico do Areeiro. Com 1818 metros de altitude, é o terceiro pico mais alto da ilha, e o mais facilmente acessível de carro. Em dias de atmosfera limpa é possível ver dezenas de quilómetros da fabulosa paisagem em redor, e é também daqui que partem os famosos trilhos que nos levam ao Pico das Torres e ao Pico Ruivo. Antes de ir, convém perceber como é que está o tempo lá por cima, o que se consegue espreitando o link da webcam instalada no local: http://www.netmadeira.com/webcams-madeira/pico-do-arieiro.

 

(continua)

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Publicado em Inominável nº 16

por Ana CB autora do blog Viajar. Porque sim

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