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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qua | 24.10.18

Viagens | Um roteiro na Madeira #1

Da primeira vez que estive na Madeira, a sensação ao sair do aeroporto foi de estranheza. Era Novembro, uma hora e meia antes em Lisboa estava praticamente Inverno mas no Funchal fazia sol, o ar estava ameno e o mar extremamente calmo. Havia vegetação por todo o lado, encostas cobertas de verde com salpicos de casas pelo meio, grandes folhas de bananeiras e palmeiras agitadas pela brisa suave, um ambiente a fazer lembrar os trópicos. E no entanto os carros tinham matrícula portuguesa, as placas de sinalização e os letreiros estavam em português, a maioria das casas tinham a traça das nossas casas… Estava em Portugal, mas ao mesmo tempo parecia-me que não estava.

Com o passar dos dias e o avolumar do encantamento em que a ilha me foi enredando, essa sensação começou a desvanecer-se – talvez porque me habituei, ou talvez porque fui reconhecendo a alma portuguesa em tantos pequenos pormenores – mas nunca desapareceu por completo. Nem nesses dias, nem quando voltei para uma estadia maior, e decerto continuará presente quando lá regressar. A Madeira é uma dose de beleza concentrada em forma de ilha, onde a paisagem e o clima variam a cada meia dúzia de quilómetros, por vezes drasticamente: já saí do Funchal com um sol radioso para ir encontrar montículos de neve no Pico do Areeiro, já quase voei com a ventania na Ponta de São Lourenço, para depois encontrar uma tarde quente e calma em Santana, e precisar de vestir um casaco na frescura de Ribeiro Frio.

Apesar dos seus meros 740 km2, não se pense que é possível conhecer toda a ilha em dois ou três dias. É verdade que vamos do Funchal a Porto Moniz em 50 minutos, por oposição às 4 horas que a viagem demorava até finais do século passado. A construção de dezenas de túneis a partir dos anos 80 – até essa década os 28 túneis construídos somavam cerca de 5 km de extensão; actualmente atingem um total de 100 km, distribuídos pelo impressionante número de 180 túneis – deu tanto aos habitantes locais como aos visitantes a possibilidade de ignorarem a orografia acidentada da ilha e moverem-se de um lado para o outro com mais facilidade e maior rapidez. Mesmo assim, a Madeira tem demasiados pontos de interesse, demasiada beleza para ser vista a correr. Por isso, fica aqui uma sugestão de roteiro por alguns dos lugares imperdíveis desta ilha.

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Dia 1 – Santa Cruz – Lido – Funchal

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 O ideal é alugar carro logo a partir do aeroporto de Santa Cruz e aproveitar para ir conhecer esta pequena mas bem simpática cidade e as suas ruas divididas entre a calçada à portuguesa e a típica calçada madeirense, feita de seixos e calhaus rolados. A praia das Palmeiras e a Igreja Matriz de São Salvador, a segunda maior igreja da ilha, são de visita obrigatória.

Se ficar na zona do Funchal onde se situa a maior parte dos hotéis, conhecida como Lido, depois de se instalar no hotel aproveite para dar um passeio a pé no parque junto ao complexo balnear, com os seus miradouros que oferecem diferentes perspectivas do mar e do ilhéu Gorgulho, o ex libris da zona.

Desça depois até ao centro da cidade. De caminho, no jardim do Casino Park Hotel cumprimente a estátua da Imperatriz Sissi, esculpida por Lagoa Henriques, e continue até chegar ao próprio Casino, que foi construído segundo uma ideia original de Oscar Niemeyer. Cruze o Parque de Santa Catarina, entre na Avenida Arriaga e vá conhecer o pequeno mas luxuriante Jardim Municipal. Siga até ao fundo da avenida para ver a Sé Catedral e depois faça uma pausa para comer um absolutamente de-li-ci-o-so e tenríssimo prego em bolo do caco (que, como toda a gente sabe, não é um bolo mas sim um tipo de pão) na esplanada do Apolo, ali mesmo ao lado. A seguir percorra a habitualmente movimentada Avenida do Mar até ao fundo e vire à esquerda para entrar na zona velha do Funchal, agora transformada em bairro trendy, cheio de restaurantes e bares e portas coloridas. Um óptimo sítio para terminar o dia.

 

Dia 2 – Mercado dos Lavradores – Jardim Botânico da Madeira – Eira do Serrado – Curral das Freiras

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Comece este dia de passeio num dos lugares mais emblemáticos do Funchal: o Mercado dos Lavradores. Os preços praticados são definitivamente só mesmo para turistas, mas o ambiente é um verdadeiro prazer para os sentidos, invadidos pela luz, cores, sons e cheiros deste espaço tão peculiar. Ainda na cidade, siga para o Jardim Botânico, outro local onde os sentidos vão continuar em festa. São 50.000 m2 de área ajardinada para percorrer entre cerca de 3.000 espécies vegetais, originárias de muitos pontos do globo e divididas em várias zonas distintas, com particular destaque para os jardins coreografados. Situado a uma cota que vai dos 150 aos 300 metros de altitude, o jardim oferece ainda a quem o visita algumas das vistas mais bonitas sobre a cidade do Funchal e o Atlântico.

O destino seguinte, apenas 12 quilómetros mais a norte, também nos oferece uma vista impressionante mas não sobre o mar. Imprópria para quem tiver vertigens, a varanda do miradouro da Eira do Serrado ergue-se no vazio a mais de 500 metros de altura sobre o vale onde se abriga a aldeia do Curral das Freiras, no coração montanhoso da ilha da Madeira. A paisagem é absolutamente soberba. Depois desça até à povoação, e se o tempo estiver convidativo aproveite para se refrescar na mais recente “descoberta” da ilha: o Poço dos Chefes, uma espécie de piscina natural criada na ribeira que passa junto à aldeia.

 

(continua)

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Publicado em Inominável nº 16

por Ana CB autora do blog Viajar. Porque sim

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