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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qua | 20.06.18

Viagens | No Comboio Histórico do Douro #3

(parte #2)

Na paragem de 10 minutos no Pinhão a carruagem é invadida por um volumoso grupo de excursionistas seniores – percebemos agora porque é que estava tão vazia, e percebemos também que se acabou a tranquilidade, mais ainda quando os cantantes de serviço decidem durante prolongados minutos assentar arraiais no (já de si exíguo) espaço entre os bancos. Realmente, animação é coisa que não falta a bordo do comboio…

 

Pela janela vão passando rapidamente árvores e arbustos, uma estação de vez em quando, molhes com barquitos atracados, quintas e solares na outra margem, sempre tendo como nota dominante o azul do rio e o verde dos socalcos vinhateiros. Está sol e calor, e sabe bem o ventinho que entra pelas janelas abertas, mesmo que isso signifique um aumento exponencial do ruído da deslocação das vetustas carruagens.

No Douro, o movimento é mais que muito. Embarcações de recreio sobrem e descem o rio, e barcos de excursões dos mais variados tipos competem em velocidade com o comboio, respondendo na mesma moeda aos apitos de saudação lançados pela locomotiva.

A linha férrea do Douro tem uma única via, e só nalgumas estações ela se divide para permitir o cruzamento de comboios que se deslocam em direcções opostas. É por isso que na estação do Tua encontramos outro comboio histórico, a aguardar pacientemente a chegada do nosso: o MiraDouro, que circula habitualmente entre Porto-São Bento e a Régua mas desta vez veio até ao Tua por qualquer razão especial. As carruagens do MiraDouro são mais recentes, foram fabricadas na década de 40 pela Schindler, na Suíça, e só deixaram de estar no serviço regular da CP em 1977. Pelo design e pelas cores dá para perceber bem a diferença de idades entre as composições dos dois comboios.

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(continua)

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Publicado em Inominável nº 14

por Ana CB autora do blog Viajar. Porque sim

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