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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Seg | 18.06.18

Viagens | No Comboio Histórico do Douro #1

Viajar de comboio faz parte do imaginário de todos os viajantes, mesmo daqueles para quem entrar num comboio pertence à rotina das deslocações diárias casa-trabalho. Há qualquer coisa de relaxante nesta forma de deslocação. Talvez seja o som ritmado e peculiar das rodas a deslizarem sobre os carris, ou aquela oscilação típica que nos embala, ou ainda o efeito hipnótico da paisagem que desfila a alta velocidade perante os nossos olhos. O fascínio das viagens de comboio perdura desde os tempos das primeiras linhas férreas e sempre esteve muito além da sua utilidade prática como meio de transporte para cobrir mais rapidamente grandes distâncias antes da invenção dos aviões. Democráticos apesar da segregação em classes, foram desde o início utilizados tanto para transporte de mercadorias como de pessoas, e neste caso por pessoas de todas as condições socioeconómicas. Em constante evolução e renovação para se adaptarem ao progresso, os comboios continuam a ser populares em praticamente todo o mundo.

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Acompanhando a tendência da diversificação na oferta turística, a recuperação de máquinas e carruagens antigas para serem colocadas ao serviço de rotas ferroviárias particularmente atraentes também chegou a Portugal, e a CP começou há alguns anos a disponibilizar passeios em comboios históricos. O mais antigo e conhecido é o Comboio Histórico do Douro, e é nele que vou levar-nos em mais uma viagem.

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O Comboio Histórico do Douro funciona nos meses de Junho a Outubro aos sábados e domingos. Sai ao início da tarde da estação de Peso da Régua e acompanha o percurso do rio Douro até à estação de Tua, com uma breve paragem intercalar no Pinhão. A viagem para cada lado demora cerca de 80 minutos e o passeio inclui uma paragem de cerca de meia hora em Tua antes do regresso à Régua.

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A composição tem cinco carruagens históricas – três em madeira escura, duas pintadas de verde – que são puxadas pela locomotiva a vapor 0186, construída em 1925 pela Henschel & Sohn uma empresa que funcionou entre 1810 e 1957 em Kassel, na Alemanha. A 0186 foi uma de dez locomotivas que chegaram a Portugal nos anos 1924-25 como parte do pagamento da dívida da Alemanha causada pela Primeira Guerra Mundial. Pesa umas “meras” 98 toneladas e tem um esforço de tracção de quase 11 toneladas. É uma verdadeira preciosidade.

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Funcionando anteriormente a carvão mineral, em 2013 foi alterada para operar a diesel – a logística complicada e o fumo provocado pelos 1500 kg de carvão consumidos numa viagem de ida e volta entre a Régua e Tua foram substituídos pela simplicidade de abastecimento e o menor volume de 400 litros de gasóleo para o mesmo percurso.

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(continua)

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Publicado em Inominável nº 14

por Ana CB autora do blog Viajar. Porque sim

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