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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

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Sonhar pode ser singular

amar escreve-se a dois,

num diário ao deitar

perfumes nele gravar

para recordar depois;

 

Sinto-te parte de mim

numa história que escrevo,

ainda lhe falta um sim

ainda não tem um fim,

se tivesse, era segredo;

 

A seu tempo saberás

do enredo ficcionado,

num futuro sem passado.

A seu tempo saberás,

a meu lado.

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Publicado em Inominável nº 16

por Malik autor do blog Malik, uma outra forma de poesia | PORTUGAL

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Eu não canso de me repetir, 
pareço bobo porque sou fraco. 
Parece que os homens são mesmo 
essa eterna repetição uns dos outros. 

Sei que um dia serei outro de verdade,
mas por enquanto sou esse que não resiste
ao peso do mundo
e foge na primeira nesga de luz da manhã
que pincela as delicadas pétalas da Amarílis.
Quando eu for o outro que virá,
serei forte e não serei bobo.
Eu nunca mais me repetirei porque serei inédito
como a nesga de luz da manhã que pincela
as delicadas pétalas da amarílis.
Mas então não serei este,
não serei mais nada porque serei tudo.
E tudo estará completo: tão vazio quanto o sonho,
tão limpo quanto o canto, tão leve quanto o verso.

Porque nas asas da poesia entre Amarílis
o meu corpo desfeito terá alcançado
na praia distante a eterna calmaria.

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Publicado em Inominável nº 16

 por Baltazar autor do blog Depois eu conta | BRASIL

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DOABRE (*)

 

 

O rio de João Cabral é um corpo mutilado,

discurso de canal engordado sob gondola;

cabeça-nascentes do pensamento truncado,

é mão amputada dos dedos longos distante.

 

Salta em caldo engorda corpo represado.

Ou emagrece, se afina no curso seu tom;

uma silhueta na passarela disforme torta

consumida na pena serelepe dos homens.

 

Mas o mesmo rio grita sua fome de mello

de anas, de roseanas, de helenas e barones

de tantos outros que se encontram no rio

em meio curso do fio discurso e potável.

 

Na corredeira alarga as margens verdes

poesia ripária ou ripícola de mata ciliar

quando rompe os diques da leitura fácil

se abre caminho fluência do estagnado.

 

Oxumaré desfaz-se arco-íris na chuva

pra Logunedé pescar palavra e homens.

João Cabral, Exu de faca e pedra lâmina

de canavial, no estio abriu o rio pro mar.

 

Ora vejam no desenho da arquitetura,

ouçam no batuque dessa franca língua

árida: Oxum se ri de ser musa do amor

doura ser da riqueza prima meia-irmã.

 

Volta o rio à nascente auto falante,

Iemanjá limpa o mar, a foz fertiliza.

A mãe de muitos orixás é lugar de fala,

e dona da fertilidade 'doabre' caminhos.

 

 

 

(*) ou batuque inominável de franca língua árida

um diálogo com o poema " Rios sem discurso " do poeta João Cabral de Melo Neto

e uma homenagens aos orixás da mitologia iorubá.

 

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Publicado em Inominável nº 15

 por Baltazar autor do blog Depois eu conta | BRASIL

 

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SEM TI

 

O sol apagou-se

o céu fechou-se

a noite caiu,

ficou gélido o tempo

pelo afastamento

de quem de mim partiu.

 

Saíste desabrida

de orgulho vestida

e sem olhar para trás,

dei-te a minha vida

história perdida

que não sei onde jaz;

 

Já não estás nem perto

e não quero estar certo

do que isto causou,

mas vivendo sem ti

para o mundo morri

o amor me matou.

 

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Publicado em Inominável nº 15

por Malik autor do blog Malik, uma outra forma de poesia | PORTUGAL

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antes de ser potável fui chuva e orvalho
ates no capim,

estive no ipê e no carvalho

escorri por aí antes de ser rio

longe movi monjolos
e pás de moinhos

antes de ser potável fui musgo

fui lamaçal em cachoeira
no fundo das grotas fui redemoinho
a fome do bagre no barranco do rincão

no longo remanso fui leito de ribeirão

sou movimento, minério ancestral

mas antes de ser potável fui salobra, 
mansa deslizei lentamente 
e comi nos barrancos uns bocados

de terra nas beiras do rincão

sou potável, o sonho de ser oceano
do cântaro para mãos

o suor de quem trabalha

em terra firme naufrago ao contrário 
se para o céu deserto aberto evaporo

nesse azul do sem fim sou praia ensolarada
do alto, molécula a retornar para ciclo da vida
sem nunca deixar de ser no éter breve eterna.

 

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Publicado em Inominável nº 14

por Baltazar autor do blog Depois eu conta | BRASIL

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Preciso de ti agora.

Não como precisei ontem,

não como vou precisar amanhã,

agora... preciso de ti neste momento...

 

Fica comigo esta noite...

fica em mim, dentro e fora... em mim...

 

Que importa o amanhã se não estás agora?

Sinto que tenho de te sentir... agora,

sinto que me queres sentir... agora,

não como outrora, não...

de uma outra forma, bem mais profunda... agora.

 

E fica, sim fica em mim, fica em nós... agora,

e nunca, nunca mais sairás de mim...

Nunca mais irás embora...

 

Fica em mim, agora...

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 Publicado em Inominável nº 14

por Malik autor do blog Malik, uma outra forma de poesia | PORTUGAL

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Vocês já ouviram a história do lenhador e sua mulher pobre? 
Viviam felizes na sua miséria, no campo, mas sem filhos. 
O silêncio nas horas claras comia suas palavras, sua alegria.
Desejavam o campo fértil mas colhiam apenas pedras mudas.

 

Um dia encontraram à margem do lago 
uma criança bem pequena abandonada.
Chorava de fome, era linda, uma menina
tão pequena, desamparada ali deixada.

 

A mulher e o lenhador se encantaram,
para longe da margem do lago a levaram.
Cuidaram, alimentaram, vestiram seu corpo
com a mesma pobreza que dividiam
para vê-la crescer em formosura 
até que um dia...

 

A criança tornou-se essa jovem linda 
e no meio de um mistério disse que faria 
para a miséria do casal um belo vestido.
Como assim?
Costurar nada em nada não daria 
ao corpo o que cobrir
além de um véu de nuvem para o rosto.

 

O lenhador e sua mulher ouviram
da filha crescida a estranha condição:
Vocês não podem ver o acontecer, 
devo costurar longe dos seus olhos
e por nenhuma razão vejam como faço 
o que faço - cabisbaixa ela lhes dizia.

Assim os pais aceitaram sem acreditar 
que no dia seguinte ao estranho acordo 
veriam a casa cheia de roupas novas
e, para maior surpresa, feitas de ouro. 
Assim se deu, conforme se contou. 
A moça escondeu-se, teceu, cortou 
e costurou impressionantes vestimentas.

 

A alegria não podia ter fim.
Estamos ricos! dizia o lenhador à sua pobre mulher.
Nossa filha tece fios de ouro 
e faz roupas tão lindas que poderiam ser vendidas
além do lago, na outra margem muitos nos veriam, 
seríamos admirados, temos ouro mas nada de fartura.
Trocaremos algumas peças por comida,
outras por uma casa 'bem mais maior', 
então teremos a filha, as roupas 
e tudo que os outros não têm.

 

Até ali pensavam satisfeitos nunca observar 
de onde vinham os fios da magia.
Mas, como tudo que abastece parece
pedir razão que sustente o medo de não durar,
o casal decidiu espiar a jovem escondida 
esquecida em si mesma a tecer o nada ao nada 
criando o que em nenhum lugar havia.

 

Assim olharam o que não deviam 
esquecidos do acordo feito um dia.
No mesmo instante que viram
no puro silêncio a jovem que tecia
tudo se desfez 
com a mesma voracidade
com que a fome os comia. 

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Publicado em Inominável nº 13

por Baltazar autor do blog Depois eu conta | BRASIL

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Sinto-me vazio

talvez seja inverno

fui à janela, espreitei, mas não consegui perceber,

a solidão está a doer

como o calor do inferno

e eu sinto frio, muito frio...

 

Preciso talvez de viajar

mas não da forma que tenho vindo a fazer,

desta vez saindo mesmo do lugar

partir sem pensar em voltar

nenhum destino a alcançar

deixar a vida acontecer...

 

Não, não estou a divagar,

preciso apenas de me levantar, de me erguer

e sair...

perdendo-me... poder-me-ei encontrar...

 

Sinto-me vazio...

Está frio, muito frio...

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 Publicado em Inominável nº 13

por Malik autor do blog Malik, uma outra forma de poesia | PORTUGAL

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Se um poeta evapora
uma nuvem deságua
chorinho

no meu telhado
e refaz
barulhinho bom.


Canta, canta, canto
gota é lágrima
na bica da velha calha
que enche até a boca
uma duna de sal

na bilha vermelha.


No curvo e longo gargalho

do barro molhado
minha mão aquela nuvem recolhe

*

*

*

VAGA MÚSICA

VAGAROSA

VAGA

ONDA VAPOROSA

VAGO

NO RASO DEPOIS DA ONDA

ASSIM EVAPORO

*

*

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Publicado em Inominável nº 12

por Baltazar autor do blog Depois eu conta | BRASIL

 

 

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Trazia um vazio no peito

saudade meia sem jeito

algo jamais sentido,

demorei a compreender

que a lacuna a preencher

era amor nunca vivido;

 

Chegaste de azul vestida

entraste na minha vida

verdadeiro furacão,

sinfonia em sintonia

numa tranquila harmonia

alternando com paixão;

 

Se a lareira falasse

talvez o mundo corasse

ao saber o que ela viu,

corpos despidos de pudor

em loucas noites de amor

que o desejo construiu;

  

Era uma doce loucura

amor com tanta ternura

era um novo viver,

dois amantes entrelaçados

pela vida marcados

destinados a renascer.

 

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Publicado em Inominável nº 12

por Malik autor do blog Malik, uma outra forma de poesia | PORTUGAL

 

 

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