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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Quando este texto for publicado já há muito que as férias são tão-somente uma mera e boa recordação. Não mais que isso.

 

Só que este texto foi escrito mesmo no fim da minha licença de Verão e deste modo, nesta altura, ainda estavam muito presentes alguns dos filmes que vi na última quinzena de Agosto.

 

À excepção de duas longas-metragens, todos as restantes foram revisitações…

 

Inicio pelo mais antigo.

 

Um filme que já havia referido num número anterior desta revista e que foi à época muito polémico. Falo do “Último Tango em Paris” do realizador Bernardo Bertolucci,

onde o actor americano Marlon Brando contracenou com a actriz francesa Maria Schneider (ambos já falecidos). Não obstante algumas opiniões muito favoráveis (foi nomeado para dois Óscares), o filme parece-me sofrível. Não só pela sua história pobre e pouco razoável, como pelas interpretações dos actores, que roçam o medíocre.

 

Recentemente, este mesmo filme esteve envolvido em polémica devido essencialmente às declarações do próprio realizador no que respeita a uma das cenas mais marcantes. O que não abona nada a seu favor…

 

O segundo filme foi outra revisitação: Indiana Jones e o Templo Perdido.

 

Uma película de 1981 (o segundo da saga Indiana Jones) e que revi com a mesma emoção como se fosse a primeira vez.

A verdade é que esta aventura, realizada por Steven Spielberg, acabou por ganhar alguns prémios cinematográficos, onde se inclui um Óscar, quase todos associados aos efeitos especiais.

 

Cinema é acima de tudo entretenimento e esta aventura, já com muitos anos, entretém verdadeiramente.

 

Temos agora a primeira estreia: “A Missão”. Um filme de 1986, que ganhou a Palma de Ouro de Cannes no mesmo ano e que eu andava para ver há anos.

 

A história passa-se na América do Sul semi-colonizada e envolve visões diferenciadas sobre a imposição da civilização aos nativos “Guaranis”. Com Robert de Niro, nos seus melhores tempos, e Jeremy Irons, este é um daqueles filmes duros mas imperdíveis.

Passemos agora para a comédia. Começo com o filme “Amigos Improváveis”, de 2011.

Um filme que se vê sempre com muito agrado e que conta o relacionamento entre um deficiente, estupidamente rico, e o seu secretário de origem africana, mas que vai tomando conta do patrão de uma maneira muito própria, quiçá mesmo pouco convencional.

 

Todavia, entre ambos nasce uma relação afectuosa e sincera, sem tabus e com algumas peripécias bem engraçadas. Uma excelente comédia à boa maneira francesa.

 

Termino com uma longa-metragem que originou paixões e ódios entre os espectadores. Nunca procurei ver o filme, todavia a oportunidade “pintou”, como dizem os nossos irmãos brasileiros e acabei por ver “As 50 Sombras de Grey”.

Um filme que tem um enredo curioso mas que perdeu muito do charme que poderia ter se fosse trabalhado como uma história de amor dos tempos modernos.

 

O filme desenrola-se ao redor dos segredos que cada um guarda dentro de si, sejam eles fantásticos ou horríveis, e na forma mais ou menos bizarra de expurgar esses mesmos segredos.

 

Reconheço que não é um tema fácil, especialmente quando envolve a sexualidade pessoal e a coragem com que assumimos este sentimento. Mas dificilmente reverei este filme e as suas sequelas.

 

Finalmente, concluo que vi muitos outros filmes, mas de qualidade assaz duvidosa e sem nada de realce a mostrar.

 

Mas é assim mesmo o cinema… imprevisível e imperdível!

 

Vejam bom cinema.

 

A gente lê-se por aí!

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Publicado em Inominável nº 16

por José da Xã, autor do blog Lados AB

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Após muitos números a falar da sétima arte pura e dura, creio ter chegado o momento de falar sobre cinema numa perspectiva mais urbana…

 

Lisboa, desde que me lembro, sempre teve muitos cinemas. Há 30/40 anos ir ao cinema era um acto de cultura. E tendo em conta as distâncias percorridas, maioritariamente em transportes públicos, ver um filme equivalia quase sempre a gastar um dia.

 

Se ainda por cima morássemos relativamente longe, havia que escolher uma matiné e mesmo assim na maioria das vezes chegava-se a casa já bem de noite.

 

Rebobinando muitos anos, relembro que o primeiro cinema de Lisboa em que entrei foi o Avis, na avenida Duque de Ávila ao Arco-Cego.

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Estaríamos aí pelos finais dos anos 60 e o edifício em causa actualmente já não existe. E lembro-me como se fosse hoje do filme que vi. Foi uma comédia francesa protagonizada por Bourvil, denominada “O Ás do Pedal”:

 

 

Entretanto o tempo passou tão célere que já só me vêm à memória os cinemas da Baixa lisboeta nos anos setenta. Num espaço de centenas de metros concentravam-se uma série de salas onde os filmes entravam e saíam da tela a grande velocidade.

 

Vindo do Marquês de Pombal, a meio da Avenida da Liberdade encontravam-se duas salas de cinema.

 

O São Jorge,

 

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cuja sala enorme foi nos anos 80 substituída por três mais pequenas; na sua reinauguração estive presente a ver este filme:

 

 

Defronte deste belo edifício, do outro lado da Avenida, numa esquina ergue-se o Cinema Tivoli. Uma obra de arte arquitectónica do início do século XX e onde vi muitos e bons filmes.

 

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Assumo aqui e agora que esta foi talvez a minha sala preferida de cinema durante muitos anos. Hoje está mais virada (e bem!) para o teatro. Mas seja como for, é um edifício marcante na capital.

 

Ao descermos a mesma Avenida até à Praça dos Restauradores encontraríamos mais duas belas salas de cinema, actualmente desmanteladas.

 

Uma dessas salas foi o Eden-Teatro,

 

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que depois de cinema foi uma loja de discos e mais recentemente uma Loja do Cidadão. Nesta sala vi o meu primeiro filme de Spielberg, que foi à época um enorme sucesso. Naquele Verão, a cabeça de um animal destacava-se no enormíssimo cartaz que tapava quase por completo a fachada. Falo, como calculam, de “O Tubarão” (não é obviamente o cartaz desta imagem),

 

 

Entretanto, do outro lado da praça erguia-se o Cinema Condes.

 

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Uma sala com três níveis de lugares, como quase todas as salas na altura, sendo que o 1º Balcão tinha umas cadeiras espectaculares. Todavia, o mais curioso é que foi no 2º Balcão desta sala que apanhei o maior susto da minha vida ao ver um filme, “Alien” de seu nome, e sinceramente nessa tarde tive, pela primeira vez na minha vida, medo numa sala de cinema…

 

Pegado a este edifício havia outra sala, o Odéon,

 

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onde também vi alguns filmes, estes de menor qualidade. Em frente, o Olympia, outra sala de filmes menores onde assumidamente nunca entrei.

 

Fora desta zona havia outros cinemas com salas gigantescas. Todos eles, entretanto, já encerraram as portas ou foram transformados noutros negócios.

 

São os casos do cinema Alvalade,

 

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do cinema Império,

 

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Ou do cinema Roxy na Almirante Reis,

 

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Todavia, houve uma sala que foi, durante muitos anos, um quase ex-libris da Capital. Chamava-se Monumental e fazia justiça ao seu nome,

 

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Nesta enorme sala, também já demolida para dar lugar a um edifício de escritórios e um Centro Comercial, vi outrossim fabulosos filmes, como este:

 

Recordo ainda outras salas onde o cinema de grande qualidade era destaque. Foi o caso do “Nimas” na Avenida 5 de Outubro,

 

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Ou do Quarteto, ali paredes meias com a Avenida dos Estados Unidos da América,

 

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Poderia ainda falar de muitas outras salas, como o Vox perto da avenida de Roma, o Europa em Campo de Ourique ou o Mundial perto da Fontes Pereira de Melo.

 

Hoje as salas de cinemas são pequenos nichos, na maioria vazias, sem graça e com demasiado som de pipocas. Sinceramente, ver um filme em casa não é cinema, é somente televisão.

 

Percorri tantas salas de cinema por esse país que por vezes perco-me nessas boas memórias. O Virgínia, na actual cidade de Torres Novas, é um dos exemplos de uma belas sala da sétima arte onde assisti a grandes películas.

 

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Tal como em Almada, onde vivi durante muitos anos, a Academia Almadense,

 

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 a Incrível Almadense,

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ou porque não falar do Ginásio de Corroios (do qual não consegui imagens) onde vi todos os filmes sempre depois da meia noite. Curiosamente lembro-me do último que lá vi, este…

 

 

 

A gente lê-se por aí!

 

 

 

Nota: agradeço ao autor do blogue http://restosdecoleccao.blogspot.com a autorização do uso da maioria das fotos que ilustram este texto.

 

  

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Publicado em Inominável nº 15

por José da Xã, autor do blog Lados AB

 

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Como se pode observar, o título contém ao mesmo tempo uma certeza e uma questão. Não sei se a afirmação corresponde à verdade ou, muito menos ainda, se a pergunta faz sentido.

Porém…

Tenho do cinema a imagem que reporta à minha infância: uma enorme sala com muita luz, cadeiras muito confortáveis, ecrãs enormíssimos, silêncio absoluto, luzes apagadas e eis o filme a passar na imensa tela.

O som quase tenebroso entrava por nós dentro e fazia-nos tremer dos pés à cabeça. O primeiro destes filmes foi “Ben-Hur”, que vi no cinema Tivoli em Lisboa e que fará em 2019 sessenta anos da sua estreia mundial:

https://youtu.be/4hrbRDAOF4k

Durante muitos anos este filme foi, por assim dizer, uma espécie de matriz, obviamente muito pessoal, no que ao cinema me dizia respeito. Mais tarde vi o celebérrimo “E Tudo o Vento Levou”, também ele sem dúvida imponente, mas ainda assim na altura considerei-o menos fantástico que a película que ganhou somente 11 Óscares.

https://youtu.be/uoSJcLmJLa4

Porém o filme de 1939, realizado por Victor Fleming e com Clark Gable e Vivian Leigh nos principais papéis, é ainda considerado por muitos cinéfilos como uma das melhores produções cinematográficas de Hollywood. Não pretendendo contrariar esta ideia, tenho pelo primeiro uma maior queda…

Paralelamente a estas duas películas há um outro filme, também ele uma grande produção de 1956 e que me encheu as medidas. Este filme recupera a vida de Moisés desde a sua partida do Egipto até à sua quase chegada à Palestina. Denominado “Os 10 Mandamentos”, este filme corresponde a mais de três horas e meia de um esplêndido desfiar de eventos bíblicos.

https://youtu.be/EiLmKxiTT3g

Já neste século o cinema recuperou este tipo de filmes. Não na sua essência, obviamente, mas na sua longevidade e na qualidade de produção. Falo por exemplo da saga do “Senhor dos Anéis”, já que esta trilogia soma mais de nove horas de bom cinema. Se bem que eu não aprecie este tipo de histórias, reconheço ter sido uma enormíssima aposta.

https://youtu.be/IUerKBZHnBs

https://youtu.be/l5A4R0Db4DI

https://youtu.be/Q9wZCGjBxyU

Entretanto, há pouco tempo vi a versão de “Ben-Hur” de 2016.

https://youtu.be/3BmeR9GYdDU

Fiquei claramente muito desiludido com esta nova versão. A história assemelha-se à primeira, mas está obviamente muito longe do filme realizado por William Wyler. E em todos os aspectos…

A grandiosidade do filme de 1959 nunca foi posta em causa por esta nova versão. Nem no enredo, nem nas actuações dos actores, nem na imponência das imagens e muito menos na banda sonora.

E a este propósito, e a mero título de exemplo, puxarei para aqui a música da celebérrima entrada para a corrida das quadrigas do filme original:

https://youtu.be/k6TUgccyzNs

Uma peça musical fantástica composta pelo galardoado Miklós Rózsa, como todas as restantes músicas de Ben-Hur. Todavia aquela em especial, amigos leitores… tem tudo aquilo de que o que o cinema necessita.

Regressando então aos tempos modernos, talvez encontremos também em “Interstellar

https://youtu.be/zSWdZVtXT7E

a mesma força e impetuosidade que se consegue observar nos filmes mais antigos.

O cinema será, na sua génese, a arte da imagem em movimento. Mas será só isso?

Vejam bom cinema.

A gente lê-se por aí!

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Publicado em Inominável nº 14

por José da Xã, autor do blog Lados AB

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Normalmente quem aprecia cinema tem sempre um ou mais filmes preferidos, daqueles de que se gosta só porque sim, independentemente de serem boas ou más películas. Ou é a história, ou uma personagem, um actor, ou tão-somente uma imagem que perdurou.

 

Depois há aqueles filmes que numa determinada altura vimos e achámos menos interessantes, mas que agora passados muitos anos até se tornaram num clássico… nem que seja só para o próprio.

 

Certamente que também não escapo a estes gostos claramente pessoais. Por isso venho neste número falar de alguns filmes que vi faz tanto tempo, que deixaram em mim uma boa referência, e que passaram nos grandes ecrãs essencialmente nos anos 70 e 80.

 

Este espaço temporal tem outrossim uma razão de ser, pois foi nesta altura que acordei para o gosto pela sétima arte. Alguns dos filmes que aqui apresentarei serão, quiçá, pouco conhecidos, não obstante alguns deles até terem sido premiados. Daí também nunca perceber muito bem as escolhas televisivas, especialmente da televisão em canal aberto. Mas enfim, este não é certamente assunto para hoje.

 

Começo então de forma cronológica com Um dia de cão, um filme de 1975

do realizador Sidney Lumet, com Al Pacino no papel principal. A história baseia-se num assalto a um banco, por parte de um jovem que procura dinheiro para que a namorada possa ser operada. Muito suspense e um desempenho fantástico de Pacino. Muito bom!

 

Salto para o ano de 1976, quando Brian de Palma faz Obsessão.

 

Uma história de amor aparentemente simples, mas que rapidamente se torna num drama psicológico com contornos bem estranhos e que faz deste filme uma obra fantástica. Imperdível!

 

Em 1978 Billy Wilder, quase em final de carreira, escreve e realiza O segredo de Fedora.

A história baseia-se essencialmente na explicação do “elixir da Juventude”. Será que ele existe mesmo?

Pode, pelo tema, parecer à primeira vista uma obra menor, mas esta película tem todos os ingredientes de um belíssimo filme: argumento, realização e bons actores. Marcante!

 

Damos agora um salto até 1983, quando um dos meus realizadores preferidos contracena com a mulher, Anne Bancroft, no filme “To be or not to be”.

Mel Brooks participa nesta longa-metragem como um actor de teatro, num dos poucos filmes realizados pelo coreógrafo Alan Johnson.

A acção decorre na Polónia ocupada pelo Terceiro Reich com momentos hilariantes e muito bem conseguidos. Uma comédia que é um primor!

 

Em 1985, numa breve crítica que escrevi para um jornal entretanto desaparecido, dizia logo no início: “Um Lugar no Coração é mais que as interpretações dos actores”.

Não foram inocentes os dois Óscares conseguidos por este filme. O realizador Robert Benton pegou numa história simples, mas com arte e engenho conseguiu apresentar-nos uma obra muito boa. O enredo baseia-se na luta de uma mulher pela manutenção da sua casa após a morte do marido. Todavia, neste filme surge um John Malkovich muito novo num papel de um cego, quase brilhante. Já para não falar de Danny Glover, outra presença de alto nível. Portanto, mais um filme simplesmente fantástico.

 

Poderia ainda referir muitas outras películas desta época como: “Excalibur” ou “Terra Sangrenta”, só para referir alguns que me vieram à memória, assim de supetão.

 

Mas oportunidades não faltarão para falar deles.

 

Vejam bom cinema.

 

A gente lê-se por aí!

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Publicado em Inominável nº 13

por José da Xã, autor do blog Lados AB

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Já viram os filmes que eu recomendei em Junho? Gostaram?
(Estou já a assumir que quem leu o meu derradeiro texto foi a correr ver os filmes que aqui indiquei, o que logicamente me parece pouco provável…)
Como não gosto das coisas pela metade, passemos de seguida a outros filmes para mim marcantes e dos quais guardo óptimas recordações.

Começo naturalmente pelo Casablanca, que foi durante muitos anos o meu “Filme”. Ele tinha tudo o que eu gostava no cinema: uma história, drama, paixão, amor, suspense, boa música, grande realização e acima de tudo fantásticos actores!

Todavia, o tempo haveria de colocar no meu caminho outras longas-metragens que me encheram superlativamente. Começo então pela Europa, onde nos anos 70 um realizador alemão teve o seu auge. Chamava-se Rainer Werner Fassbinder. No entanto, é em 1980 que realiza Lili Marleen, um filme para mim mítico, já que foi o primeiro que vi daquele realizador. Muitos outros se seguiram, todavia aquele… deixou cunho na minha memória.

No entanto, os anos 60 e 70 estão carregados de muitos e bons filmes. Desde “2001 – Odisseia no Espaço” de Stanley Kubrick, a “O Bom, o Mau e o Feio” de Sergio Leone, passando pelo “Leopardo” de Luchino Visconti, a verdade é que foram duas décadas com filmes fantásticos. A escolha entre eles torna-se assim quase impossível.

Mas antes destes anos, mais propriamente em 1959, precisamente o ano em que nasci, é apresentado Ben-Hur, um filme mítico vencedor de 11 Óscares da Academia Americana. Esta longuíssima metragem marcou-me pela imponência. Lembro-me de que o vi pela primeira vez no antigo cinema Tivoli e foi para mim marcante. Um filme que jamais esquecerei. Saliento que revi-o diversas vezes na televisão mas, ou é da idade ou do local, a verdade é que já não sinto o mesmo efeito de outrora.

Passemos então aos anos doirados dos “The Beatles”. Desta década surgiu, entre muitos, um filme que foi primeiramente visionado pelo meu pai em Angola aquando da sua vida militar, do qual ainda guardo o bilhete do cinema (imagine-se!!!), e que muitos anos mais tarde vi, não no cinema, mas na televisão. Refiro-me obviamente a Lawrence da Arábia. Entre vários “monstros” do cinema, como Anthony Quinn e Omar Sharif, que se apresentavam já como actores consagrados, Peter O’Toole foi o actor perfeito para a longa-metragem, dando ao enredo a pujança que este merecia. Uma obra-prima que ganhou um número infindável de prémios.

Os anos 70 trazem consigo tantos e bons filmes que tenho uma natural dificuldade em escolher entre “Taxi Driver”, “Tubarão”, ou “O Caçador”. Podia também aqui trazer “Apocalipse Now” ou simplesmente falar de “Rocky”. No entanto, opto por Voando sobre um ninho de cucos, um filme que não deixa ninguém indiferente. O realizador Milos Forman dá a Jack Nicholson a hipótese de brilhar e este não se faz rogado, arrecadando o Óscar para melhor actor. Um momento de cinema ímpar.

Como já falei dos anos oitenta, passo directamente e para terminar para o filme que vejo nem que seja os segundos da pena a cair. Chama-se Forrest Gump e neste filme Tom Hanks torna-se finalmente uma verdadeira estrela de cinema. Não é que nos filmes anteriores deste actor com origens lusas ele não tivesse representado ao mais alto nível. Porém, neste filme Tom ultrapassou a fronteira da mediania para se tornar um grande actor.

Creio que com esta carteira de filmes muitos de vós vão ter com que se entreter durante algum tempo.
Pelo menos até ao próximo número.
A gente lê-se por aí!

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Publicado em Inominável nº 5
por José da Xã, autor dos blogs LadosAB e José da Xã 
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O cinema como arte tem de tudo um pouco: romance, drama, ficção científica, suspense e obviamente comédia. E é curiosamente no riso que encontramos os primeiros grandes  sucessos do cinema. Desde muito cedo que o grande écran encontrou no humor uma forma de expressão ideal para passar mensagens.

O grande pioneiro terá sido Max Linder, logo seguido pelo eterno Charlie Chaplin. Todavia, o criador da simpática figura do Charlot teve ainda o especial condão de usar o humor como forma de intervenção. Muitos são os filmes onde aquela personagem exibe a sociedade da época através de um prisma humorístico, mas repleto de profundo sarcasmo.
Vieram outros, como Buster Keaton, que foi provavelmente um dos impulsionadores da verdadeira comédia do cinema. No pequeno filme que segue perceberão como nasceu a maioria das piadas que ainda hoje se usam! Na verdade, naquele tempo de cinema mudo, as expressões faciais e corporais eram deveras importantes.

Como é do conhecimento geral, o século XX trouxe à história mundial demasiados eventos terríveis. Duas guerras mundiais, crises financeiras, divisões do Mundo… enfim, um rol de péssimos acontecimentos. Talvez por isso (ou não!) as comédias tiveram obviamente muito sucesso. Era claramente necessário elevar a moral do povo.

E se alguns o fizeram com grande mérito, onde música, dança e algumas situações embaraçosas se misturam num cocktail quase perfeito, houve quem fizesse da comédia uma (quase) filosofia de vida. Olhemos então para o caso dos Irmãos Marx que com um conjunto de filmes fabulosos, misturando diversos tipos de personagens, conseguiram dar ao humor, até então supostamente um género menor, o realce e o valor dos grandes e bons filmes.
O excerto infra faz parte do filme “Uma noite na ópera” e a cena é simplesmente brilhante.

Entretanto nasciam as duplas de actores cómicos que tiveram enorme relevância. Primeiro foi a dupla Laurel e Hardy (Bucha e Estica), e mais tarde Abbot e Costello.

O cinema havia encontrado uma fórmula de grande sucesso. E os filmes cómicos surgiram uns atrás dos outros. Actores como o mexicano Cantinflas e o italiano Totò, a que se juntam Dean Martin e Jerry Lewis (mais uma dupla de sucesso), fizeram as delícias das multidões. Também Danny Kaye ou Bob Hope surgiram em filmes cómicos, já num pós-guerra. Sem esquecer Walter Matthau e Jack Lemmon.

A maioria destes actores cómicos, que o cinema idolatrou, foram muito mais tarde inspiradores de novos actores e realizadores.
Dentro destes últimos, Mel Brooks será quiçá o mais brilhante de todos os realizadores/actores. Dos diversos filmes destaco obviamente “Balbúrdia no Oeste”, com algumas partes de humor tipicamente nonsense. Aquele realizador fez um sem número de filmes, quase todos muito bons, de humor muito refinado e inteligente.

Os anos oitenta foram novamente pródigos em boas comédias. Uma delas foi mesmo premiada com Óscares. Trata-se da película “Quem tramou Roger Rabbit?”.

Uma mistura invulgar mas bem conseguida entre desenho animado e cinema de Hollywood.

Mas o futuro da comédia e do humor haveria de mudar. No mesmo ano de Roger Rabbit surge uma das comédias mais engraçadas dos últimos trinta anos e que dá pelo nome “Onde para a polícia?” tendo Leslie Nielsen como protagonista.

Uma comédia brilhante que teve grande sucesso originando duas sequelas, no entanto com menos êxito.
Os anos 90 trazem-nos dois filmes muito apreciados pelos amantes do bom humor. Trata-se de “Ases pelos ares”. Filmes bem conseguidos especialmente pelo seu humor também de nonsense e muita referência com graça a outros filmes.

Actualmente, o humor no cinema parece ter-se tornado fundamental. E não há realizador que não o use para ilustrar algumas partes dos seus filmes.

Mesmo Roberto Benigni no seu “A vida é bela” não deixou que o humor estivesse ausente no meio da trama e do drama. Deixa assim, nas palavras do seu filho Giosué, a grande frase:
“Ganhámos! Mil pontos! É de morrer a rir!”

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Publicado em Inominável nº 3
por José da Xã, autor dos blogs LadosAB e José da Xã 
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Este é, por assim dizer, a primeira de muitas películas que Hollywood teve o cuidado de nos oferecer durante todos estes anos, onde o amor foi tratado e vivido de forma muito dramática. Quase dando razão ao belo soneto de Luís de Camões:

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer

Deixemos por agora a poesia e regressemos ao cinema. E a outra história de amor… também ela mal resolvida. Chamo aqui o filme do qual retirei o nome deste espaço: Casablanca.

De 1942, este drama romântico tem tudo para ser um dos melhores filmes do mundo (encontra-se no top 10 mas em lugares diferenciados, variando conforme a entidade promotora). Não foi unicamente a presença de Bogart ou de Ingrid Bergman que deram a excelência à película. Mas a sua história, onde o drama de um amor conflituoso é elevado a tal êxtase que marca qualquer espectador. O excerto da parte final do filme, e que aqui deixo, reflecte o verdadeiro drama de quem (muito) ama.

Dando um ligeiro salto no tempo aterramos em 1951, onde sob a direcção de John Houston surge “The African Queen”. Com dois intérpretes fantásticos, novamente Humphrey Bogart e desta vez Katharine Hepburn, esta é uma daquelas histórias de amor que ninguém quer esquecer. E eu muito menos, pois adoro o filme.

O ano de 1961 traz-nos, a meu ver, um dos filmes mais fantásticos de Hollywood: “West Side Story”. Com música do maestro Leonard Bernstein, esta película atravessou todas as fronteiras que a idade costuma colocar, tornando-se um verdadeiro clássico.

Mais tarde, em 1966, pelas mãos do realizador francês Claude Lelouch surge uma longa-metragem que comoveu a sétima arte… e não só. Com um nome simples - “Um homem e uma mulher” - este filme, para além de ter sido marcante para a época, relata uma história de amor e amizade de forma muito peculiar. Conta também com uma música simplesmente inesquecível. Ora oiçam…

Poderia escrever um número infindável de páginas com referências a filmes onde o amor é o tema central. Dramas, comédias, musicais… enfim, um ror de películas fantásticas e sublimes.

Desde “Serenata à Chuva” com Gene Kelly, ou “Shall we Dance” com Fred Astaire e Ginger Rodgers, passando por “Os homens preferem as Loiras” com Marilyn Monroe, ou “Grease” com John Travolta e Olivia Newton-John, até terminarmos quiçá em “Cinema Paraíso” ou em “A vida é Bela”, ou porque não “O Carteiro de Pablo Neruda”, todos eles apresentam-se como óptimos exemplos de que o amor é a razão principal da existência do ser humano…

No entanto, vou referir somente um… “Forrest Gump” de seu nome. A história sincera do amor de um jovem - Forrest – com um ligeiro défice de inteligência, por uma jovem – Jenny – e que atravessa todo o filme, é o exemplo acabado de… “All you need is love”.

Termino assim com as palavras que são do próprio Forrest: “I’m not a smart man but I know what love is!”

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Publicado em Inominável nº 2
por José da Xã, autor dos blogs LadosAB e José da Xã 
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Alguém será capaz de imaginar o cinema sem o tema do amor? Alguém conseguirá calcular quantos filmes se fizeram sob a capa de um dos sentimentos mais incondicionais da natureza humana?

Só na Índia, um dos países com maior produção cinematográfica do mundo, as histórias de amor apresentadas no grande “écran” sucedem-se. Naturalmente, são as enormíssimas comunidades espalhadas pelo mundo as grandes consumidoras deste tipo de cinema, quase sempre acompanhado de músicas e danças. Um dos filmes mais célebres é o Sholay e remonta a 1975, sendo um excelente exemplo do que acabei de escrever.

Mas o amor como grande impulsionador do cinema está outrossim presente na indústria cinematográfica ocidental. E desde os primórdios. Actores como Douglas Fairbanks, Rudolfo Valentino e obviamente Charlie Chaplin usaram o amor, com todas as suas venturas e desventuras, como tema residente dos filmes que realizaram, produziram e em que participaram. Eis então uma curta-metragem com mais de 100 anos onde o maior de todos os actores de cinema surge na sua tão característica figura de Charlot. O filme chama-se “The Tramp” e deve ser visto na sua totalidade para que entendam toda a mensagem.

Conforme decorria o século XX, mais se acentuavam as longas-metragens sobre o tema do amor. Um dos melhores filmes de Hollywood (neste momento está em 4º lugar em algumas listas!) tem como base para além de uma guerra (outro dos frequentes temas no cinema!), uma história de amor. Falo de “E Tudo o Vento Levou”. Um longuíssimo filme que tem marcado gerações. Uma longa-metragem que todos nós, provavelmente, já vimos. No meu caso mais que uma vez.

 (continuação)

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Publicado em Inominável nº 2
por José da Xã, autor dos blogs LadosAB e José da Xã 
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Desde aquele tempo mundialmente conturbado até aos dias de hoje muita coisa mudou na sétima arte, especialmente a forma como esta se dedicou a mostrar o Natal: uma época de paz e harmonia, e onde palavras como solidariedade, amizade ou família parecem fazer sentido.

Todavia, nos últimos vinte, trinta anos surgiu uma espécie de “praga” cinematográfica a que deram o pomposo nome de “Comédias Românticas”. Uma “espécie” de sétima arte claramente muito pobre mas à qual a maioria dos actores não nega a sua presença. E que conta com imenso público!

Entretanto, no dealbar dos anos noventa, e destoando um pouco das matrizes já conhecidas para as películas de Natal, surgiu um filme a que baptizaram de “Home Alone”. O estrondoso sucesso das aventuras de Kevin, ao tentar defender a sua casa contra dois ladrões na véspera do dia de Natal foi tal que, ainda hoje, não há estação de televisão que não exiba o filme durante as festas natalícias. Tornou-se quiçá tradição…

Talvez a faixa musical deste filme não seja o seu prato forte, porém fica no ouvido aquele som melodioso de uma caixa de música antiga.

Seguiram-se-lhe algumas réplicas desta película, mas apenas uma delas foi concebida com os mesmos actores (mas sem o mesmo impacto e sucesso) e passada também na época natalícia. Trata-se justamente de “Home Alone 2”.

Mas das festas que se aproximam não conta unicamente o Natal. Há outrossim o Ano Novo. E aqui as nossas televisões variam na escolha dos seus filmes para exibirem madrugada fora. Desde o “Ghostbusters” ao “Back to the Future” e passando pelas “Aventuras de Indiana Jones”, tudo é possível nas longas noites de um novo ano.

Não se esqueçam de que o cinema não é só a arte de colocar em imagens sentimentos, mas vê-los placidamente desfilar na nossa frente.

Bom… em forma de conclusão convido-vos a que a época que se aproxima seja muitíssimo bem aproveitada. Deste modo, procurem bons filmes, boas músicas e tenham assim umas Festas Felizes.

A gente lê-se por aí!

 

Texto de José da Xã autor dos blogs LadosAB e José da Xã. Participante nos blogs O Bom, o Mau e o FeioA Três Mãos e És a nossa Fé! e publicado na Inominável nº 1

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Alguém imagina a época natalícia sem luzes, pinheiros, Pai Natal ou prendas? Certamente que não! Também eu partilho desta certeza! Mas acrescento àquelas premissas… o cinema!

Ora, é desta relação fraterna e muito próxima que vos venho aqui falar!

A época do Natal sempre foi, para o cinema, um manancial de ideias e razões para lançar comercialmente muito dos seus filmes. Naturalmente, alguns de notória qualidade, mas a maioria nem tanto.

A Walt Disney Company é uma das grandes produtoras americanas de filmes de, para e sobre o Natal. Na sua maioria em desenho animado, o que acarreta logo consigo uma áurea doce e imaginativa. As nossas crianças que o digam…

Mas neste espaço não se fala somente de cinema mas outrossim de música. Tal como já havia referenciado em artigo anterior, a música foi desde os primórdios uma parte integrante do cinema. E claro está que o Natal é uma das musas obrigatórias.

Num contexto mais pessoal e quando relembro o meu lhano passado, encontro neste um filme que me marcou. Essencialmente por ter sido o primeiro que vi num grande ecrã, era eu um mero gaiato!

Quem não conhece esta história bem romântica? Pois é… incrivelmente (ou talvez não!!!) este é o meu filme de Natal!

Regressando ao assunto que aqui me trouxe, reconheço que o cinema tem muitos e bons exemplos de longas-metragens com referência à época natalícia. Desde já, o primeiro de que me lembro é “The Christmas Carol”, de 1938. Um filme baseado num conto de Charles Dickens e que veio a originar muitas outras versões, algumas bem recentes!

Em 1942 é exibido “Holiday Inn”, com Bing Crosby e Fred Astaire e onde aquele canta uma das mais belas músicas de Natal, composta por Irving Berlin e que todos seguramente conhecem: “White Christmas”. Uma vez mais a boa música colocada ao dispor da sétima arte. Um filme a preto e branco e que nunca vi passar nas televisões.

Dois anos mais tarde, em plena Segunda Guerra Mundial, Vincent Minnelli realiza “Meet me in St. Louis” onde a sua futura mulher, Judy Garland, cantaria entre outras canções a celebérrima “Have Yourself a Merry Little Christmas”. Mais uma fantástica referência ao Natal, e que ainda hoje perdura.

Texto de José da Xã autor dos blogs LadosAB e José da Xã. Participante nos blogs O Bom, o Mau e o FeioA Três Mãos e És a nossa Fé! e publicado na Inominável nº 1

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