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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

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Era uma vez uma menina pequenina de cabelos cor de abóbora que tinha tantas sardas na cara quantas estrelas há no céu, e cujo nome era doce e pequeno, como ela: Ana.

A Ana, tal como todas as crianças, adorava a época natalícia e todas as coisas maravilhosamente divertidas que se fazem nessa altura e nos fazem ficar muito felizes. Vocês sabem do que estou a falar, não sabem? Enfeitar o pinheiro, decorar a casa, brincar na neve, fazer doces, escrever a carta ao pai Natal, embrulhar prendas, preparar surpresas, observar o céu… Sim. Observar o céu. A Ana fazia-o todas as noites, na esperança de avistar o trenó e as renas do Pai Natal nos seus treinos para a grande noite. Elas tinham que treinar, não acham? Para não se cansarem demasiado quando tivessem de dar a volta ao mundo em apenas 24 horas!

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Contudo, este ano algo de muito estranho se passava em casa da Ana. Faltava apenas um dia para o Natal, mas todos pareciam esquecer-se disso!

A árvore, montada a um canto da sala, estava nua, nua, despidinha da Silva, sem um único enfeite para a aquecer! Também não havia presépio, luzes nas janelas, azevinho sobre a lareira, nem coroa de Natal na porta.

Lá fora, no jardim, a neve que tinha caído há duas semanas começava a derreter e não havia um único boneco a alegrar o quintal, tal como o pai lhe tinha prometido que fariam os dois. E no ar não havia cheiro a doces, nem se ouviam cânticos natalícios. Nada de nada. Aquilo parecia os seus piores pesadelos, em que o Natal desaparecia da face da Terra!

Foi então que, decidida a mudar aquela situação, a Ana foi à procura da mãe.

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A mãe estava na sala, agarrada ao seu tablet, e mal olhou para a filha quando ela entrou.

- Mãe, não encontro o Natal aqui em casa. - disse a menina - Podes ajudar-me a procurá-lo?

- Agora não posso, querida. Estou a encomendar uns doces e prendas pela internet. Não teremos trabalho com nada. Não é maravilhoso?

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A Ana ficou triste. Não, não era nada maravilhoso! Ela queria fazer doces com a mãe e escolher o papel, cortar a fita-cola, fazer laços e postais de Boas Festas para enviar aos amigos. Doces encomendados e prendas que já vinham embrulhadas não tinham nada de Natal!

A Ana foi à procura do pai.

O pai estava no escritório, a falar para o ecrã do computador, enquanto agitava muito os braços, no ar.

- Pai, não encontro o Natal aqui em casa. - disse a Ana - Podes ajudar-me a procurá-lo?

O pai espreitou por cima do ecrã e disse:

- Podes esperar, querida? Agora estou a tratar de negócios.

A Ana não gostava nada da palavra “negócios”. “Negócios” era uma palavra que deixava os adultos doidos e muito parecidos com os piratas das histórias que ela gostava de ouvir. Se havia uma palavra contrária a “Natal”, era “negócios”.

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- Mas prometeste que fazias um boneco de neve comigo!

- Talvez mais tarde, fofinha. Talvez mais tarde. - respondeu o pai, que continuou a falar para o ecrã, como se Ana nem estivesse ali.

Cabisbaixa, ela foi à procura do irmão.

O irmão estava no quarto a jogar Playstation.

- Mano, não encontro o Natal cá em casa. Podes ajudar-me a procurá-lo?

- Agora não posso, Ana. Estou a tentar passar um nível importante! - disse ele, mordendo a língua, agarrado ao comando.

- Mas amanhã é Natal e nem temos a nossa árvore enfeitada! - reclamou a menina.

Sem lhe responder, o irmão continuou a jogar e ela saiu do quarto, sentindo-se muito zangada.

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Como era possível que ninguém quisesse enfeitar a árvore com ela, ou brincar na neve, ou preparar a ceia?! A mãe, o pai e o irmão conseguiam estar mais perdidos que o próprio Natal! Se houvesse alguma maneira de os trazer de volta… Foi então que naquele momento o vento começou a soprar forte nas árvores do jardim, nuvens escuras surgiram no céu e trovoadas ressoaram como mil tambores. Lá fora, uma enorme tempestade de neve ameaçava cobrir tudo de branco e foi então que um milagre aconteceu. A luz apagou-se! Nada acendia, nada ligava, nada respondia.

Sem saber o que fazer, toda a família se reuniu na sala.

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- E agora? O que vamos fazer? - perguntou a mãe.

- Tinha tanta coisa para tratar! - lamentou-se o pai.

- E eu estava mesmo a chegar ao fim daquele jogo! - reclamou o irmão.

- Podíamos procurar o Natal, todos juntos! - sugeriu a Ana.

Eles olharam para ela, confusos, e ela foi buscar um caixote de onde tirou fitas, laços e bolas douradas e vermelhas.

- Vamos começar a enfeitar a árvore! – sugeriu, e todos concordaram.

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Quando começaram a pendurar enfeites, ela começou a cantarolar músicas natalícias e todos a acompanharam.

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Não tardou a estarem todos na cozinha, a fazer filhoses e rabanadas, e a rirem-se das maluquices do pai. Como o fogão era a única coisa que funcionava, depressa a casa se inundou com o cheiro a fritos e canela – e toda a gente sabe que o cheiro a fritos de Natal é o único que faz toda a gente sorrir de contente.

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No fim, foram pendurar a coroa de azevinho na porta, e verificaram que a tempestade já tinha ido embora, deixando o jardim coberto de branco.

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- Vamos fazer um boneco de neve! - exclamou a Ana, com o coração a rebentar de alegria.

E assim foi. Era o boneco de neve mais torto de sempre, mas também o mais bonito, pois tinha sido feito pelos quatro.

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- Esta está a ser a melhor véspera de Natal de sempre! - disse ela, agarrada às pernas da mãe e do pai. Todos concordaram com ela. Há muito tempo que não se divertiam tanto, e naquele momento prometeram que nunca mais se iam perder dentro daqueles aparelhos que os levavam para longe uns dos outros, e nunca mais esqueceriam o Natal.

Quando se sentaram à mesa para cear, a Ana apenas lamentou a ausência de uma pessoa. Alguém de quem tinha muitas saudades. Foi então que ouviu uma batida na porta e levantou-se imediatamente, correndo para a abrir. Assim que a abriu, viu o sorriso mais caloroso de sempre e o que mais desejara ver naquela noite.

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- Avó! - e saltou-lhe para o colo.

- Minha querida Ana! - abraçou-a a avó - Ainda bem que cheguei a tempo de te abraçar e dar a tua prenda.

- A minha prenda?!

- Sim. Uma prenda especial, para uma menina especial, feita pela tribo das neves, Xirihbitatá.

- Oh! E o que é? - perguntou a Ana, curiosa e com um brilhozinho no olhar.

A avó sorriu e acariciou-lhe as sardas da cara, que eram tantas quanto as estrelas que pintalgavam o céu naquela noite.

E querem saber o que era, amiguinhos? Pois bem… isso fica para outra história, que um dia vos irei contar.

:)

 

História de Marta A. autora do blog Um dia acabo o Livro e publicado na Inominável nº 1

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Já todos sabemos a lengalenga do costume. O Natal é uma época de partilha, paz e felicidade. Não digo que é mentira, só digo que para alguns isso não é verdade.

O Natal é uma época muito bonita e familiar. É quando as famílias se juntam para conviver, comer e trocar prendas. Estejamos tanto a falar de família de sangue como de amigos que se vêem como família. É quando todos são amigos de todos, mesmo que tenham estado o ano inteiro de costas voltadas ou sem se lembrarem de que o outro existe; se o contacto está ali no telemóvel, então tem direito a receber pelo menos uma mensagem toda bonita e XPTO a desejar um Feliz Natal, como se fossem os melhores amigos e se falassem todos os dias. Ai, as mensagens… As mensagens podem dar uma grande dor de cabeça nesta época, é sempre difícil saber o que se vai escrever. Tem de ser um texto bonito, com aquele toque de magia natalícia, que deseje saúde, amor e paz a todo o mundo, tem de ter piada pelo menos numa frase, e por fim tem de ser uma mensagem geral. Tanto tem de dar para a mãe, como para a melhor amiga, como para aquela senhora que já foi nossa amiga em tempos mas que hoje em dia é referida por nós como “a vaca” ou outro animal qualquer de quatro patas do sexo feminino (excluindo as gatas). Como podem ver, há muitos critérios para se escrever um texto de Natal e por essa razão existem vários tipos diferentes de pessoas na hora de escrever mensagens. O primeiro tipo são aquelas pessoas que vão ao Google pesquisar as mensagens de Natal porque não têm criatividade para escrever uma mais original que a do ano anterior (que muito provavelmente também foi descoberta na internet). O segundo são as pessoas que esperam que alguém comece uma mensagem-corrente para reenviarem a mesma para todos os contactos – às tantas cada pessoa está a receber a mesma mensagem pelo menos 20 vezes. E o terceiro tipo são as pessoas que estão em minoria, vá-se lá saber como mas estas criam a sua própria mensagem sem recorrerem à criatividade de outras. Ah, já me esquecia de que existe um quarto tipo… Estes são aqueles casos em que as mensagens não são XPTO, são só a desejar um Feliz Natal e a dizer que têm de combinar qualquer coisa visto não se verem há muito tempo;  escusado será dizer que nunca mais se lembram de combinar nada, a não ser que passem na rua e voltem a falar no assunto, mas nem aí combinam.

Voltando ao tema principal… O Natal é uma época muito bonita, mas será para todas as pessoas? Aquelas pessoas que já não têm família acharão isto tudo assim tão bonito? E aqueles que tiveram de emigrar e estão longe da família, será assim tão bonito ver o Natal à distância através de um ecrã? Tenho quase a certeza de que não. Em relação ao último caso, acredito que a tecnologia facilite imenso e faça com que por momentos pareça que estão todos juntos, mas não é a mesma coisa. Falta o beijo suave, o abraço apertado. Sentem-se as saudades mais ainda do que no resto do ano. A família está ali toda reunida e nós sentados num sofá sozinhos com o tablet ou o smartphone à frente, a tentar participar na festa. Quando a chamada se desliga, a festa acaba muito mais rápido do que se estivéssemos presentes, fechamos os olhos e vêm as memórias dos outros Natais. De quando se era criança, adolescente e mesmo já adulto. Lembramo-nos de quem esteve presente em quase todos os Natais e hoje já não estava lá, ou estava mas de outra maneira. Lembramo-nos das perguntas feitas pelas tias quando éramos pequenos sobre os namorados e a escola. Lembramo-nos das prendas que recebemos e que demos, da mais engraçada à mais inesperada. Lembramo-nos daquele momento que ficou para a história porque o tio bebeu um bocadinho demais e ainda antes da meia-noite já dizia e fazia coisas sem nexo. Lembramo-nos das discussões que houve porque uma tia queria fazer tudo sozinha e a outra não deixava porque era muita coisa. Lembramo-nos de discussões familiares que houve e que quase iam arruinando uma noite de Natal, mas que ao fim de tantos anos percebe-se que se tratava de um pequeno pormenor e nos fazem rir. Rimo-nos sozinhos por um momento. Tantas recordações, tanto amor que sentimos. Depois abrimos os olhos e estamos sozinhos numa casa. Sem ninguém para abraçar, sem ninguém a quem agradecer por nos fazer tão feliz.

Será a época de Natal assim tão boa para estas pessoas que estão longe e desejariam tanto estar perto?

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texto d'A Miúda, autora do blog A Miuda e publicado na Inominável nº 1

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Sendo Os Inomináveis verdadeiros crentes no Espírito do Natal e os maiores fãs do dito (ou pelo menos a maioria dos Inomináveis), não podíamos deixar de vos trazer o nosso Postal de Natal.

 

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E lembrem-se: Natal é aquilo que nós quisermos que seja - e que os consumistas sejam muito felizes é o que desejamos! - e como tal aproveitem esta época da forma que vos der na real gana.
 
Feliz Natal
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Ahhh, o natal, a época mais conhecida do ano, todos os anos no dia 25 de dezembro trocam-se prendas, mas mesmo que a “tradição” diga que se devem abrir as prendas à meia-noite muitas crianças não conseguem esperar e acabam por as abrir antes.

Todos nós quando éramos mais novos acreditávamos no Pai Natal, até que a certa altura da nossa infância alguém decidiu informar-nos que o Pai Natal não existe, o que para muitas pessoas foi a pior altura do ano, mas para outros não, os que já eram um bocado mais velhos que as outras crianças.

Muita gente sabe que o natal já é celebrado há muito tempo, mas nem sempre foi como é hoje em dia; hoje em dia praticamente toda a gente celebra o natal, mas,o que algumas pessoas não sabem é que o natal é uma celebração cristã que começou a ser celebrada apenas por cristãos. Há medida que os anos passaram mais gente começou a celebrar o natal, até que de repente quase toda a gente o celebrava.

Sabemos que o natal celebra o nascimento de Jesus, mas na verdade o dia 25 de dezembro não coincide com o nascimento de Jesus, coincide com a festividade romana dedicada ao nascimento do deus sol invencível, o que não explica a troca de prendas.

No mundo romano, a Saturnália, festividade em honra ao deus Saturno, era comemorada de 17 a 22 de dezembro, era um período de alegria e troca de presentes; soa familiar? Isso já explica a troca de prendas, certo? Pois eu também acho.

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Artigo de Martim e publicado na Inominável nº 1

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Livros nunca são demais para quem os ama. Quando oiço, “não comprei um livro porque tens muitos” o meu coração chora lágrimas de papel. Eu fico eternamente agradecida quando recebo livros como presente. E só por acaso, apesar dos meus quatrocentos livros, acho que nunca falta espaço para mais um. Mais dois, cinco, dez.

Dou-vos três motivos para não deixarem de oferecer livros a quem gostar muito deles. Primeiro, há sempre mais um na lista de desejados. Lista perma-nentemente a crescer. Segundo, os livros estão com preços de fugir. É dinheiro que se poupa mais tarde. Terceiro, não há nada igual ao cheiro de um livro novo. A surpresa de um título novo, a descoberta de uma história por ler.

É fácil adivinhar o embrulho de um livro. Por isso, deixo-vos mais uma sugestão para surpreender e não cair no “ é sempre a mesma coisa”. Coloquem o livro dentro de uma caixa de cereais velha. Já fizeram isso comigo. Deviam ter visto os meus olhos quando dei com a caixa. Para além dos dias a olhar para aquela prenda debaixo da árvore e tentar descobrir o que seria. Também podem embrulhar o livro dentro de um cachecol. Facilmente vão induzir o presenteado em erro.

Posto isto, uma dedicatória na primeira página é sempre bem-vinda. Um marcador com uma singela frase “Bom Natal” também. Os livros são amor em forma rectangular. Não há como enganar na hora de presentear um amante de livros.

Texto de Cláudia Oliveira, autora dos blogs Cláudia Oliveira e A Mulher Que Ama Livros e dum canal no Youtube, e publicado na Inominável nº 1

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(para preenchimento on line clique na grelha) 

HORIZONTAIS: 1- Período das quatro semanas imediatamente anteriores à festa do Natal. 7- Seguir até. 9- Reduzo a pó. 10- Afasta. 12- Ceia na Noite de Natal. 14- Partícula apassivante. 15- Profissão de fé. 17- Queima. 19- Que me pertence. 20- ‘Noite de (...)’, canção de Natal. 22- Grande caixa com tampa plana. 24- Rebocar. 26- Preposição que designa posse. 27- Fatia de pão molhada em leite com açúcar e ovos, e frita em azeite ou manteiga (Fatia Dourada). 30- Leviano. 31- Fileira. 33- Plural (abrev.). 34- Entreabrir.

 

VERTICAIS: 1- Antes do meio-dia. 2- Que tem sabor agradável. 3- Adejo. 4- Redução das formas linguísticas “em” e “as” numa só. 5- Tomar uma coisa por outra. 6- Rezar. 7- Anos de vida. 8- Rádio (s.q.). 11- Inchação. 13- Despidos. 14- Deve ser tomada no princípio da refeição. 16- Escuta. 17- Atordoar. 18- Curado. 21- Estante para suporte de livros ou pautas de música, abertos para leitura. 23- Filtra. 25- Margens. 26- Daquele lugar. 28- Hora canónica, que se canta ou recita antes das vésperas (corresponde às 15 horas). 29- Oferecer. 30- Armada Portuguesa (sigla). 32- Atmosfera.

 

da autoria de Paulo Freixinho (Palavras Cruzadas) e publicado na Inominável nº 1

As soluções serão dadas a pedido

 

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O Natal já não é como antigamente, bem o dizem os mais velhos. Antes as casas começavam a encher-se de alegria um mês ou 15 dias antes, iam chegando prendas (que se escondiam dos mais pequenos) e só quando a árvore de pinheiro verdadeiro era montada, no início de Dezembro, é que as prendas apareciam e diziam-lhes esta deu a vizinha da frente, esta deu a tia, etc.. Antes, na véspera de Natal rumávamos todos à casa da avó, os tios e os primos, tudo se juntava à volta de uma mesa com o bacalhau com batatas, cenoura e couve-flor de azeite e vinagre, e os incontáveis doces que todos faziam questão de trazer/fazer. As crianças só aguentavam até às 22h/23h, o que permitia que o Pai Natal chegasse, deixasse as prendas e na manhã seguinte houvesse gritos de alegria quando viam as prendas.

Hoje em dia o Natal incomoda toda a gente. Se os anúncios e os enfeites começam a aparecer no início de Novembro, já anda tudo stressado, porque ainda não é Natal e já falam disso. O Natal sempre foi assim, sempre chegou mais cedo através da TV para fazer as delícias dos meninos e das meninas que se babavam para os Legos, pistas de carros, jogos de tabuleiro, Barbies, Nenucos… e nessa altura nunca incomodou ninguém; agora é um ai jesus. Ninguém encontra tempo para passar o Natal em família, em grande número, ninguém pretende oferecer prendas sem ser aos mais pequenos, porque o Natal é das crianças. Nem se encontra tempo para comprar um pequeno chocolate só para fazer os mais velhos felizes e arrancar-lhes um sorriso. As pessoas estão cansadas e nem para a melhor altura do ano, a altura da família, elas encontram tempo e formas de partilhar essa época com os seus entes queridos.

O espírito natalício está pela hora da morte. As pessoas já não fazem por estar presentes neste dia, já não conseguem fazer-se presentes e não serem uma presença. Antigamente, os nossos entes afastados enviavam postais de Natal com vários dias de antecedência, só para terem a certeza de que chegavam, que sabiam notícias deles, que ao menos conseguiriam estar presentes quando não o poderiam estar devido às distâncias. Hoje em dia enviam-se SMS ou liga-se às pessoas a desejar um Feliz Natal junto dos seus, porque é mais fácil do que ver as pessoas. E os outros contentam-se, pois fulano lembrou-se de nós.

E as crianças? Poucas são aquelas que hoje em dia vivem num lar onde foram ensinados a acreditar no Pai Natal, um ser que vem da Lapónia no seu trenó puxado pelas renas, que a rena mais engraçada é o Rodolfo, e que entrega as prendas a todos os meninos exactamente às 0h do dia 25, porque ele tem o poder de parar o tempo. Os pais de hoje em dia já mataram o Natal desde a infância dos filhos, senão desde o seu nascimento, até porque para eles mesmos o Natal é só mais uma altura para a casa se encher de lixo, enfeites parvos, mais brinquedos e um desperdício de dinheiro, onde as famílias mais disfuncionais fazem um esforço para celebrar o nascimento de um Jesus em que nem eles próprios acreditam.

É esta a triste realidade do Natal nos dias de hoje. Um consumismo absurdo, porque é mais uma desculpa para irem às compras, mas nada de amor, família, compaixão e ajuda ao próximo. Se continuarmos a matar o Natal desta forma, o que será das crianças do futuro? Se não plantarmos estes pequenos valores nos mais pequenos, como é que eles podem alguma vez ser adultos com compaixão e reconhecer o Natal como uma altura de ajuda ao próximo, de amor pela família e amigos, de compaixão uns pelos outros, de alegria?

Recentemente foi feita uma publicidade interessante com crianças, em que lhes foi pedido para escreverem uma carta ao Pai Natal, o típico; então elas pediram todo o tipo de brinquedos e afins. Mas depois tiveram de escrever uma carta aos pais… é exactamente o contrário daquilo que a maioria dos pais pensa, que as crianças pediriam também brinquedos e outros objectos de entretenimento, mas não. As crianças pediram mais tempo para elas, mais presença da parte dos pais, mais amor, mais união entre eles, enfim… pediram mais pais e menos pessoas e brinquedos. As crianças de hoje em dia sofrem com a ausência dos pais e eles nem dão por isso, porque a sua carga horária é demasiada para poderem estar com os seus pequenos, para os ouvirem, para os conhecerem, para lhes ensinarem valores bastante importantes que eles nunca irão aprender na escola.

Neste Natal, à semelhança de antigamente, o meu desejo é que sejamos mais família, mais amor, mais compaixão e mais entreajuda, mas menos consumismo, menos futilidades e menos egoísmo. Os outros, que são nossos, precisam de nós.

 

Artigo de Vanessa autora do blog Nuages Dans Mon Cafe e publicado na Inominável nº 1

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Ora dá cá um e a seguir dá outro,

depois dá mais um

que só dois é pouco

Ai eu gosto tanto e é tão docinho

E no entretanto dá mais um...

 

Muitos de nós associam esta quadra a uma canção da década de 80 do século passado e que se chama A Canção do Beijinho. Mas, na verdade, esta canção podia ser adaptada àquela que é a melhor prenda de Natal que se pode receber – livros.

Ora dá cá um livro e a seguir dá outro. Depois dá mais um livro que só dois é pouco.

Livros. São sempre poucos aqueles que recebemos, poucos os que lemos e tantos, mas tantos, os que gostávamos de ler.

Sou coleccionadora de livros. Gosto de os ler e gosto de os ter. São a melhor prenda de Natal, de anos, de Páscoa ou só porque sim. Desde que me lembro que os recebo no Natal – primeiro os livros infantis, depois os juvenis... Lembro-me de me oferecerem dois ou três livros da colecção Patrícia num Natal e de, quando chegou o Ano Novo, andar a perguntar se não havia mais livros para receber. É que já os tinha lido e queria mais. Queria sempre mais livros.

Qualquer pessoa gosta de abrir presentes. Tentar imaginar o que é, será que vamos gostar, o que terá este formato? No meu caso as dúvidas eram outras – que autor escolheram, será que é duma colecção nova? Enquanto outras crianças ficariam desiludidas – mais livros? – eu respondia – só estes?

Livros, a única prenda que traz outras prendas lá dentro.

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Texto de Magda L Pais, autora dos blogs Stone Art Books e StoneArt Portugal, participante no blog Aprender uma coisa nova por dia e publicado na Inominável nº 1

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O Natal: altura do ano em que todo o adulto anda com duas toneladas de stress em cima, ou por se estar a matar a trabalhar antes do dia de Natal, para nesse dia poder estar descansado com a família/amigos, ou por se estar a matar a tentar arranjar prendas para os que lhe interessam (ou as duas coisas). Aqueles com filhos mais novos têm três toneladas de stress, duas toneladas pelas razões referidas em cima e mais uma por causa das prendas dos miúdos.

Originalmente, o Natal era a celebração cristã do nascimento de Jesus Cristo, mas agora praticamente toda a gente celebra o Natal, cristão ou não. Porquê? Porque em muitos países o Natal é um feriado nacional, e mesmo não sendo cristão quem é que não gosta de um feriado? E quem é que não gosta de receber prendas, e ter uma desculpa válida para estar com os amigos e a família?

Mas falemos da altura mais irritante da história das alturas irritantes: os dias depois do Halloween, em Novembro, em que começam a aparecer anúncios relativos a coisas natalícias, com músicas de natal, com tudo muito vermelho e muito festivo. E nós, as pessoas sãs, ficamos a repensar em toda a nossa vida, a tentar perceber que deus ou deuses é que irritámos para merecermos uma tortura natalícia de um mês e meio, patrocinada pelas empresas e pelos génios que decidem criar esses anúncios que toda a gente odeia. É que se pusessem os anúncios numa altura em que as pessoas já começam a pensar de maneira festiva, por exemplo a partir do dia 10 de Dezembro, aí já se percebia, mas quer dizer, começarem os anúncios quando a ferida do fim do Halloween ainda está aberta, isso não meus queridos, isso não. É daquelas coisas que nos faz pensar seriamente em chegar ao pé das pessoas dos anúncios e usar as decorações de natal que eles nos estão a tentar vender para os estrangular com um espírito natalício e um alegre HOHOHO. (Se alguém disser que nunca pensou nisso, está a mentir e a entrar automaticamente para a lista dos meninos malcomportados do pai natal.).

No entanto, há desgraçados que sofrem mais do que nós aqui em Portugal. Olhem para os nossos vizinhos, os espanhóis. Eles trocam as prendas a 6 de Janeiro. Isso faz com que eles tenham dois meses completos de anúncios de Natal. Alguma vez se interrogaram porque é que não percebem nada do que eles dizem? A resposta é: eles estão tão saturados e irritados com os anúncios que já nem conseguem falar como deve ser. Pobrezinhos. As suas mentes estão fechadas a toda a interacção estrangeira, e por todos eles verem os mesmos anúncios, só eles se percebem a eles mesmos.

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Artigo de Maggie publicado na Inominável nº 1

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