Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Era verdade quando me diziam que bom, bom era ser criança. Era verdade quando me diziam que não devia ter pressa para ser adulto, que ser adulto era uma treta e era muito melhor ser criança. Era verdade quando me diziam que ser adulto implicava ter muitas responsabilidades. Sim, era verdade.

 

Mas não era verdade quando me diziam que quando fosse adulto não poderia brincar. Posso. As brincadeiras já não são as mesmas mas continuamos a poder brincar. Aquelas brincadeiras com carrinhos ou com Barbies voltamos a ter quando temos um filho, o objecto em si depende do gosto dele mas seja com o que for reavivamos a memória e sentimo-nos felizes, nostálgicos.


Não era verdade quando me diziam que tinha de aproveitar a escola ao máximo quando era criança porque em adulto já não ia conseguir aprender nada. Aprendo todos os dias uma coisa nova, seja sobre contabilidade, uma palavra nova noutra língua ou até mesmo a lidar com um certo tipo de pessoa ou com uma situação. Há sempre coisas a aprender e nunca estamos velhos – isto foi uma das coisas que percebi em adulta e todos os dias tenho vontade de aprender ainda mais.


Não era verdade quando me diziam que a lei da vida era Estudar – Namorar – Trabalhar – Casar – Ter Filhos para ser feliz. Sou feliz e a minha vida foi mais Estudar e Namorar – Ter Filhos – Trabalhar.

street-1026246_1920.jpg

São coisas que acontecem e foi a melhor coisa que me aconteceu. Como devem calcular, sou bastante feliz assim. Há dias maus, claro, mas isso todos temos.Não era verdade quando me diziam que só com uma licenciatura ou algo mais alto é que iria conseguir emprego. Nem o 12º ano tenho concluído, e em pouco mais de um mês de procura arranjei emprego; como era em part-time, quando quis arranjar um segundo emprego arranjei-o em duas semanas. O meu irmão esteve quase dois anos à procura de emprego e já tinha a licenciatura tirada quando começou a procura, e digamos que a nota que teve não é nada má, o curso é dos que supostamente mais empregabilidade tem e a universidade é das melhores do país. Por isso, ter a licenciatura ou um grau académico mais elevado pode ajudar em alguns casos, mas nem sempre é o principal.

 

Não era verdade quando me diziam que devia falar sempre que achasse que algo não estivesse correcto. Há alturas em que mais vale ficarmos calados e fingirmos que não se passa nada, para não sairmos prejudicados de forma directa ou indirecta. Se não conseguirmos de forma alguma ignorar o que se passa, temos bom remédio: quem está mal, muda-se. Não era verdade quando me diziam que bastava querer e lutar para conseguir tudo o que queria, tudo o que sonhava. Pode haver casos que se consegue apenas por mérito próprio, mas agora entre adultos podemos ser sinceros, quem tem cunhas tem a vida muito mais facilitada e por vezes nada faz para conseguir o que muitos também tanto desejam e pelo qual trabalham durante anos sem ver resultado algum.

kids-143022_1920.jpg

E sim, também era verdade quando me diziam que só quando crescesse é que ia perceber o que era ter problemas a sério e perceber qual era a razão de tanta preocupação por parte dos adultos; muito sinceramente, preferia voltar ao tempo em que não fazia ideia do que se passava lá fora no mundo dos adultos e em que problema sério era a mãe chegar a casa e ver que tínhamos estado a jogar à bola dentro de casa ao encontrar algum objecto partido. Era tão bom ser criança. Era tão bom poder recuar nos anos e voltar a viver tudo de novo, com a única diferença de aproveitar ainda mais a infância que tive.

______________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 3
por A Miúda, autora do blog A Miuda

Siga-nos no Bloglovin
 

Reza a lenda que o amor nasceu na cozinha e que deve ser alimentado todos os dias. Nunca ouviste dizer? Pois bem, então parece que hoje sou eu que te vou contar algo novo, através do poema do amor. Para que o amor exista em pleno são necessários vários ingredientes para que ele continue a crescer forte e lindo como o conhecem; mas onde é que essas coisas existem? Na cozinha, está claro! Então, se queremos que o nosso amor se mantenha forte, devemos ter em atenção estes ingredientes: duas chávenas de compa-nheirismo - como é óbvio, para dançar o tango são precisas duas pessoas, aqui a coisa é igual, são necessários dois companheiros para que exista amor; duas colheres de compreensão, porque as pessoas são todas elas diferentes à sua maneira, com as suas manias e feitios, é preciso que ambos se compreendam um ao outro para que tudo esteja tranquilo; algumas pitadas de paciência, porque há dias melhores e piores e todos nós os temos. Se misturarem isto tudo, vão ver que encontram o ponto fulcral de uma relação, da base do amor: a amizade.


Uma vez que a amizade não anda sozinha, devemos juntar-lhe um pouco de generosidade, porque por vezes devemos deixar de lado os nossos interesses e pensar também no bem-estar do outro. Também nunca se deve esquecer do fermento do amor! Sabem o quão importante é preciso fazê-lo crescer, certo? Então não se podem esquecer desse ingrediente tão importante, pois o amor deve ser partilhado e exercitado todos os dias.
E como não há doce sem recheio, devemos colocar uma grande quantidade de ternura e alegria, que ajudarão o amor a crescer mais quentinho, com mais força e com grandes momentos de felicidade, onde se juntam os sorrisos e abraços, e todos aqueles carinhos que adoramos dar a quem gostamos. Por fim, devemos decorá-lo com muita paixão.

ingredientes_receita_de_amor_leonor_arrimar.jpg
É importante que as pessoas saibam cozinhar o amor, fazê-lo crescer, forte e saudável, cheio de todas aquelas coisas importantes que fortalecem uma relação: companheirismo, compreensão, paciência, amizade, generosidade, carinho e paixão. Não chega esta última para manter uma relação de pé, não chega a amizade para a manter de pé, apenas uma coisa não basta, para isso é preciso usar tudo isso e fazê-la crescer. Há quem encontre o amor e não o saiba segurar, porque grande parte das vezes apenas quer o amor e esquece-se do resto. Há quem encontre o amor, o faça crescer e trabalhe todos os dias para que ele esteja bem, porque o amor não é só ter alguém e tudo o resto aparece, não! As pessoas trabalham-no, educam-no, alimentam-no… e é tudo isso que importa quando encontramos a pessoa que nos completa, que é o nosso ombro amigo, que nos compreende e ama da mesma forma.
 

Vivam o vosso amor com todas as vossas forças, todos os vossos recursos, e não a dar metade do que podem. É um trabalho a dois, é um investimento a dois, por isso merece toda a nossa atenção e dedicação.  

______________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 2
por Vanessa , autora do blog Nuages Dans Mon Cafe

 

Siga-nos no Bloglovin
 

O amor tal como a vida é feita de escolhas. Podemos escolher entre a felicidade plena ou pela incerteza e pelo risco da paixão. Há pessoas que mesmo podendo optar pela tranquilidade de um sentimento maduro e estável, optam pela dúvida de um olhar correspondido e de um sorriso trocado. Não faz sentido, mas algumas pessoas não se adaptam a relações duradouras, a rotinas que quer queiramos quer não acabam por existir. É difícil escolher entre o calor que existe em todos os inícios de relação e o morno que se mantém quando já não existe aquele fogo da paixão, mas que aquece.

Uma paixão no meio de uma relação estável faz-nos reflectir sobre tudo o que nos envolve. Sobre o que queremos para a vida, quem temos a nosso lado, se está tudo correcto, se mudávamos alguma coisa. É uma armadilha, é uma forma de nós próprios sabermos o que realmente queremos. Se queremos uma relação estável ou se preferimos partir para outra à procura de coisas novas.
Escolher também significa abdicar de algo que não consideramos o melhor para aquele momento. Ao fazermos esta escolha, se escolhermos de forma errada, muita coisa pode mudar. E tanto podemos errar ao escolher ficar como partir.

Vamos-viver-felizes-para-sempre-(v2).jpg

Há relações que andam constantemente tremidas, mas em que nenhum dos dois dá o passo final porque acreditam num final feliz a dois que muito provavelmente não existirá; quando chegar ao final haverá o arrependimento de não ter aproveitado aquela paixão há uns meses/anos atrás, e que até poderia ser o melhor para ela. Há ainda outras relações que no futuro passam a ser mais agressivas, tanto a nível psicológico como físico, e em que a pessoa que é vítima teve em tempos a oportunidade de o largar mas não o fez por não conhecer aquele lado obscuro do suposto Homem da vida dela.


E vendo pelo outro prisma, também podemos errar ao partir para a aventura de uma nova relação. Se vamos a pensar que vamos para uma relação melhor podemos dar-nos mal, nem tudo o que parece é. Muitas pessoas, quando estão na fase do engate, fazem passar-se por alguém que não são e nós só nos apercebemos quando começamos a lidar diariamente com ela e a ver a verdadeira personalidade. Ou então se vamos  na ideia de uma relação duradoura podemos correr o risco da outra pessoa só querer uma curte, uma coisa de uma ou duas noites, ou uma amizade colorida em que não há compromisso a não ser na cama. Nesses casos, mesmo querendo voltar atrás pode já não ser possível, a outra pessoa pode já não estar disponível ou, simplesmente, não querer.


A escolha pode ser complicada mas tem de ser muito bem pensada, para se um dia a relação der para o torto a pessoa ter a consciência tranquila e poder dizer que não estava bem e não gostava do rumo que a sua vida estava a levar. Cada relação é diferente da outra, depende da própria pessoa e do que quer… Aquele homem que mexe comigo como ninguém, ou aquele homem que me entende e está sempre ao meu lado? Aquele homem em quem não consigo confiar, ou aquele homem bem-sucedido, gentil e que me faz rir?
A nossa felicidade depende das nossas escolhas e ninguém pode escolher por nós.

______________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 2
por A Miúda, autora do blog A Miuda

 

Siga-nos no Bloglovin
 

Imagem.jpg

Já todos sabemos a lengalenga do costume. O Natal é uma época de partilha, paz e felicidade. Não digo que é mentira, só digo que para alguns isso não é verdade.

O Natal é uma época muito bonita e familiar. É quando as famílias se juntam para conviver, comer e trocar prendas. Estejamos tanto a falar de família de sangue como de amigos que se vêem como família. É quando todos são amigos de todos, mesmo que tenham estado o ano inteiro de costas voltadas ou sem se lembrarem de que o outro existe; se o contacto está ali no telemóvel, então tem direito a receber pelo menos uma mensagem toda bonita e XPTO a desejar um Feliz Natal, como se fossem os melhores amigos e se falassem todos os dias. Ai, as mensagens… As mensagens podem dar uma grande dor de cabeça nesta época, é sempre difícil saber o que se vai escrever. Tem de ser um texto bonito, com aquele toque de magia natalícia, que deseje saúde, amor e paz a todo o mundo, tem de ter piada pelo menos numa frase, e por fim tem de ser uma mensagem geral. Tanto tem de dar para a mãe, como para a melhor amiga, como para aquela senhora que já foi nossa amiga em tempos mas que hoje em dia é referida por nós como “a vaca” ou outro animal qualquer de quatro patas do sexo feminino (excluindo as gatas). Como podem ver, há muitos critérios para se escrever um texto de Natal e por essa razão existem vários tipos diferentes de pessoas na hora de escrever mensagens. O primeiro tipo são aquelas pessoas que vão ao Google pesquisar as mensagens de Natal porque não têm criatividade para escrever uma mais original que a do ano anterior (que muito provavelmente também foi descoberta na internet). O segundo são as pessoas que esperam que alguém comece uma mensagem-corrente para reenviarem a mesma para todos os contactos – às tantas cada pessoa está a receber a mesma mensagem pelo menos 20 vezes. E o terceiro tipo são as pessoas que estão em minoria, vá-se lá saber como mas estas criam a sua própria mensagem sem recorrerem à criatividade de outras. Ah, já me esquecia de que existe um quarto tipo… Estes são aqueles casos em que as mensagens não são XPTO, são só a desejar um Feliz Natal e a dizer que têm de combinar qualquer coisa visto não se verem há muito tempo;  escusado será dizer que nunca mais se lembram de combinar nada, a não ser que passem na rua e voltem a falar no assunto, mas nem aí combinam.

Voltando ao tema principal… O Natal é uma época muito bonita, mas será para todas as pessoas? Aquelas pessoas que já não têm família acharão isto tudo assim tão bonito? E aqueles que tiveram de emigrar e estão longe da família, será assim tão bonito ver o Natal à distância através de um ecrã? Tenho quase a certeza de que não. Em relação ao último caso, acredito que a tecnologia facilite imenso e faça com que por momentos pareça que estão todos juntos, mas não é a mesma coisa. Falta o beijo suave, o abraço apertado. Sentem-se as saudades mais ainda do que no resto do ano. A família está ali toda reunida e nós sentados num sofá sozinhos com o tablet ou o smartphone à frente, a tentar participar na festa. Quando a chamada se desliga, a festa acaba muito mais rápido do que se estivéssemos presentes, fechamos os olhos e vêm as memórias dos outros Natais. De quando se era criança, adolescente e mesmo já adulto. Lembramo-nos de quem esteve presente em quase todos os Natais e hoje já não estava lá, ou estava mas de outra maneira. Lembramo-nos das perguntas feitas pelas tias quando éramos pequenos sobre os namorados e a escola. Lembramo-nos das prendas que recebemos e que demos, da mais engraçada à mais inesperada. Lembramo-nos daquele momento que ficou para a história porque o tio bebeu um bocadinho demais e ainda antes da meia-noite já dizia e fazia coisas sem nexo. Lembramo-nos das discussões que houve porque uma tia queria fazer tudo sozinha e a outra não deixava porque era muita coisa. Lembramo-nos de discussões familiares que houve e que quase iam arruinando uma noite de Natal, mas que ao fim de tantos anos percebe-se que se tratava de um pequeno pormenor e nos fazem rir. Rimo-nos sozinhos por um momento. Tantas recordações, tanto amor que sentimos. Depois abrimos os olhos e estamos sozinhos numa casa. Sem ninguém para abraçar, sem ninguém a quem agradecer por nos fazer tão feliz.

Será a época de Natal assim tão boa para estas pessoas que estão longe e desejariam tanto estar perto?

videoconferencia.jpg

texto d'A Miúda, autora do blog A Miuda e publicado na Inominável nº 1

Siga-nos no Bloglovin
 

4c004446aec8a69d5c3363b90ad8dae5.jpg

O Natal já não é como antigamente, bem o dizem os mais velhos. Antes as casas começavam a encher-se de alegria um mês ou 15 dias antes, iam chegando prendas (que se escondiam dos mais pequenos) e só quando a árvore de pinheiro verdadeiro era montada, no início de Dezembro, é que as prendas apareciam e diziam-lhes esta deu a vizinha da frente, esta deu a tia, etc.. Antes, na véspera de Natal rumávamos todos à casa da avó, os tios e os primos, tudo se juntava à volta de uma mesa com o bacalhau com batatas, cenoura e couve-flor de azeite e vinagre, e os incontáveis doces que todos faziam questão de trazer/fazer. As crianças só aguentavam até às 22h/23h, o que permitia que o Pai Natal chegasse, deixasse as prendas e na manhã seguinte houvesse gritos de alegria quando viam as prendas.

Hoje em dia o Natal incomoda toda a gente. Se os anúncios e os enfeites começam a aparecer no início de Novembro, já anda tudo stressado, porque ainda não é Natal e já falam disso. O Natal sempre foi assim, sempre chegou mais cedo através da TV para fazer as delícias dos meninos e das meninas que se babavam para os Legos, pistas de carros, jogos de tabuleiro, Barbies, Nenucos… e nessa altura nunca incomodou ninguém; agora é um ai jesus. Ninguém encontra tempo para passar o Natal em família, em grande número, ninguém pretende oferecer prendas sem ser aos mais pequenos, porque o Natal é das crianças. Nem se encontra tempo para comprar um pequeno chocolate só para fazer os mais velhos felizes e arrancar-lhes um sorriso. As pessoas estão cansadas e nem para a melhor altura do ano, a altura da família, elas encontram tempo e formas de partilhar essa época com os seus entes queridos.

O espírito natalício está pela hora da morte. As pessoas já não fazem por estar presentes neste dia, já não conseguem fazer-se presentes e não serem uma presença. Antigamente, os nossos entes afastados enviavam postais de Natal com vários dias de antecedência, só para terem a certeza de que chegavam, que sabiam notícias deles, que ao menos conseguiriam estar presentes quando não o poderiam estar devido às distâncias. Hoje em dia enviam-se SMS ou liga-se às pessoas a desejar um Feliz Natal junto dos seus, porque é mais fácil do que ver as pessoas. E os outros contentam-se, pois fulano lembrou-se de nós.

E as crianças? Poucas são aquelas que hoje em dia vivem num lar onde foram ensinados a acreditar no Pai Natal, um ser que vem da Lapónia no seu trenó puxado pelas renas, que a rena mais engraçada é o Rodolfo, e que entrega as prendas a todos os meninos exactamente às 0h do dia 25, porque ele tem o poder de parar o tempo. Os pais de hoje em dia já mataram o Natal desde a infância dos filhos, senão desde o seu nascimento, até porque para eles mesmos o Natal é só mais uma altura para a casa se encher de lixo, enfeites parvos, mais brinquedos e um desperdício de dinheiro, onde as famílias mais disfuncionais fazem um esforço para celebrar o nascimento de um Jesus em que nem eles próprios acreditam.

É esta a triste realidade do Natal nos dias de hoje. Um consumismo absurdo, porque é mais uma desculpa para irem às compras, mas nada de amor, família, compaixão e ajuda ao próximo. Se continuarmos a matar o Natal desta forma, o que será das crianças do futuro? Se não plantarmos estes pequenos valores nos mais pequenos, como é que eles podem alguma vez ser adultos com compaixão e reconhecer o Natal como uma altura de ajuda ao próximo, de amor pela família e amigos, de compaixão uns pelos outros, de alegria?

Recentemente foi feita uma publicidade interessante com crianças, em que lhes foi pedido para escreverem uma carta ao Pai Natal, o típico; então elas pediram todo o tipo de brinquedos e afins. Mas depois tiveram de escrever uma carta aos pais… é exactamente o contrário daquilo que a maioria dos pais pensa, que as crianças pediriam também brinquedos e outros objectos de entretenimento, mas não. As crianças pediram mais tempo para elas, mais presença da parte dos pais, mais amor, mais união entre eles, enfim… pediram mais pais e menos pessoas e brinquedos. As crianças de hoje em dia sofrem com a ausência dos pais e eles nem dão por isso, porque a sua carga horária é demasiada para poderem estar com os seus pequenos, para os ouvirem, para os conhecerem, para lhes ensinarem valores bastante importantes que eles nunca irão aprender na escola.

Neste Natal, à semelhança de antigamente, o meu desejo é que sejamos mais família, mais amor, mais compaixão e mais entreajuda, mas menos consumismo, menos futilidades e menos egoísmo. Os outros, que são nossos, precisam de nós.

 

Artigo de Vanessa autora do blog Nuages Dans Mon Cafe e publicado na Inominável nº 1

Siga-nos no Bloglovin
 

ciclistas1.png

Os ciclistas sempre foram mal vistos nas nossas estradas, assim como os ditos condutores dos Papa-Reformas ou Mata.Velhos, como lhes quiserem chamar, ou então os que seguem na sua máquina agrícola, se bem que o mais vulnerável é o ciclista; mas desde o início do ano existe uma nova lei que traz mais direitos aos ciclistas e mais deveres aos condutores de veículos a motor. Para mim não é nada de novo, sempre os interpretei como veículos frágeis e sempre tive imenso cuidado para manter uma distância segura e ceder a passagem em qualquer lugar, até mesmo quando eu sou o peão, mas mais à frente já passo a explicar.

Estava eu descansada a beber café, logo pela manhã, e aparece um senhor, fulo da vida porque tinha ficado “retido” atrás de um pelotão. Eles andam aos bandos, é uma vergonha - dizia ele - uma pessoa quer ir trabalhar e chega atrasado porque agora decidiu tudo ser ciclista! Só porque a lei está do lado deles, não quer dizer nada, malditos pá! Bom, mais parecia um discurso contra os impostos ou algo do género, mas não, eram apenas e só uns meros ciclistas a darem a sua voltinha pela fresca.

A lei mudou e, muito sinceramente, mudou para melhor e só têm de aceitar isso. Quando alguém vem todo stressado a conduzir atrás de mim ou me apita por algum motivo, eu costumo dizer: Está com pressa? Viesse mais cedo. Porque é verdade, as pessoas andam num tal stress que até um maldito ciclista os incomoda. A lei agora permite-lhes seguir aos pares, terem prioridade nas ciclovias, rotundas, cruzamentos, e que possam seguir pela faixa dos transportes públicos. Porém, a lei também diz que devemos ultrapassá-los com a distância de segurança de 1,5m, ou seja, mudamos de faixa para tal, mas há pessoas que eu vejo todos os dias a colocar os ciclistas em perigo, porque são preguiçosas e egoístas, mais nada.

Como eu dizia lá atrás, costumo ceder passagem aos ciclistas quando sou eu o peão e quero passar na passadeira; e porquê? Por duas razões: primeiro porque não quero estar a passar na passadeira, eles não pararem e virem contra mim ou passarem à rasca à minha frente ou nas minhas costas; a segunda é porque também costumo andar de bicicleta e compreendo que é meio chato ter de parar quando vamos bem embalados, e a preguiça é mãe de todos os vícios. Tudo bem, são vulneráveis, percebo perfeitamente isso, mas um peão é muito mais e, como tal, deveriam também compreender que têm esse dever, de parar, não é só ter direitos, e como eu gosto de prevenir, nem meto o pé quando avisto um.

Esta questão dos ciclistas tem muito que se lhe diga, compreendo perfeitamente os vários lados (ciclista, condutor e peão), tanto que a única coisa a que se pode apelar é ao bom senso: cada um faz a sua parte bem feita, previne magoar-se e magoar os outros. Eu sei que é pedir muito, mas não custa tentar, não é?

ciclistas2.png

Artigo de Vanessa autora do blog Nuages Dans Mon Cafe 

(in revista nº 0)

Siga-nos no Bloglovin
 

mendigo2.png

Quem vai frequentemente da IC 17 para a IC 22 sabe quem é. Está sempre por ali, mais para cima ou mais para baixo mas sempre perto daquela ponte. Dizem as pessoas que mora debaixo dela.

Lembro-me de o ver por ali já quando era pequena, sempre com o mesmo aspeto, sempre com as mesmas vestes – ou, pelo menos, sempre com aquele casaco grosso castanho-claro, que é a única peça de roupa que chama mais a atenção – faça chuva ou faça sol.

Quando comecei a perceber o que era aquele senhor e o porquê de estar sempre ali, estranhei. Não percebia que por vezes são as pessoas que são demasiado orgulhosas para deixarem que outras as ajudem, não percebia que aquilo para ele já era normal e era a sua casa, por muito que ele não gostasse.

Como diz o ditado popular, “primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Tornou-se hábito vê-lo por ali, agora se passa muito tempo sem o ver isso sim é que é estranho.

Nunca falei com ele, conheço-o apenas de vista e ele nem faz ideia de quem eu sou, mas ele é como se fosse um vizinho. Daqueles que vemos quase diariamente mas só ao longe, mora mesmo ali ao nosso lado mas nunca falamos. A diferença é que enquanto para ele aquele local é uma casa, para mim é apenas um local de passagem. E para sermos considerados vizinhos teríamos ambos de morar numa casa, numa casa a sério com parede e teto, que abrigasse do frio e da chuva.

Quem era este senhor antes disto? O que fazia e o que aconteceu para ter ficado assim, neste estado? São perguntas às quais não consigo responder mas que me deixam a pensar… Seria rico e ficou na miséria devido a negócios que deram para o torto? Ter-se-á envolvido no mundo das drogas que o deixou sem nada, tal era o vício? Terá sido, em tempos, apenas mais uma pessoa deste mundo que sobrevivia com o ordenado mínimo mas que perdeu o emprego e não teve outra solução? Há tantas hipóteses, e todas elas são possíveis.

E mais… Podem acontecer a qualquer um. A vida muda rápido e muitas vezes só damos conta quando já é difícil redimir a situação. Só reparamos quando chegam as cartas com a ameaça de despejo, quando passamos o cartão de crédito e este já não é aceite, quando nos vemos obrigados a ir pedir ajuda a um banco alimentar para termos o que comer. Pode acontecer a qualquer um, não é só a quem tem pouco dinheiro ou a quem está desempregado. Quem tem muito dinheiro nem sonha que isso pode acontecer, acha que os negócios correm sempre bem e se um corre mal, outros dez correm bem. É por esses pensamentos que há muitos ricos que caem todos os dias. Levam cortes, veem os preços a subir e, para começar, são obrigados a tirar os filhos dos colégios. Todos levamos cortes mas, como se diz, “quanto mais alto, maior é a queda”, e neste caso é exatamente a mesma coisa. Enquanto as pessoas que têm pouco dinheiro sabem que o dia de amanhã é incerto e se for preciso cortam em saídas e em férias, os outros, mesmo que cada vez tenham menos, continuam a vida como se os números se mantivessem ou subissem; podem cortar nas saídas em família, mas nas saídas com amigos nem pensar, não querem que os amigos achem que eles estão a ficar pobres, e se um amigo convida para ir a um restaurante onde cada pessoa paga pelo menos 50€, ele sugere um outro onde se paga pelo menos 70€, só mesmo para o amigo não desconfiar de nada e ainda achar que vai bem na vida, mesmo se o que lhe dava jeito era nem sequer ir jantar fora. Pode parecer exagero mas não é, cada vez há mais casos destes e estes são os casos que menos imaginamos a acontecer. Devemos começar a ter atenção, não só com o que se passa connosco mas com quem nos rodeia. Por vezes a outra pessoa pode estar em fase de negação e não querer aceitar que aquilo está mesmo a acontecer com ela e que se calhar precisa de ajuda para reorientar a vida.

As coisas podem sempre inverter-se. Tanto para o bem como para o mal. Pode ser que este senhor que agora é mendigo consiga ajuda por parte de alguma associação e a aceite, mudando assim a sua vida.

mendigo1.png

artigo escrito pel'A Miúda, autora do blog A Miuda

(in revista nº 0)

Siga-nos no Bloglovin
 

A(s) Revista(s)

(clique aqui)

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D