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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Depois de ter ficado assente que não vou à bola com o Sr. Cesar Millan e as suas teorias, resta-me deixar aqui um pouco das teorias das quais partilho e, além disso, alertar para um facto: treinar um cão pode ser um verdadeiro desafio, e muitas vezes ouvimos falar no treino positivo, tentamos fazê-lo, e terminamos a não conseguir associar aquilo que pretendíamos que o nosso peludo aprendesse. E, claro, ficamos frustrados e temos tendência a desistir.

Malta, calma. É preciso antes de mais ter muita paciência, perseverança, constância, e saber que o animal que temos à frente está a aprender a falar a nossa linguagem; para ele deve ser uma frustração ainda maior não entender o que é que o seu companheiro humano quer!

O ideal, claro, seria levar um cão a um bom centro de treino, mas nem todos os donos têm possibilidades financeiras para isso. Portanto, vou deixar alguns conselhos exequíveis e muito básicos para treinarem o vosso amigo peludo.

Primeiro é necessário entendermos a definição de reforço positivo, que envolve a adição de um estímulo de reforço na sequência de um comportamento. E esse estímulo positivo, e agradável, faz com que seja mais provável que o comportamento que desejamos se repita no futuro.

Há muitas coisas que pode escolher como reforço positivo; por exemplo, o mais usado são os biscoitos. Algo bem saboroso e que o seu peludo adore!

Tente quadradinhos de fiambre de frango ou de peru (nunca porco), croquetes, pequenos e que não sejam duros, isto para que o cão não perca muito tempo a mastigar e se distraia. Acho que dá para entender a ideia.

 

Mas, e os cães que não ligam a esse tipo de reforço? Sim, porque os há. Eu já tive um assim. Para esse cão o maior reforço que eu podia dar-lhe era dizer-lhe efusivamente (e eu consigo ser bem efusiva) “LINDO CÃO” e fazer-lhe uma festa no lombo. Este cão de que vos falo aprendeu de tudo comigo, incluindo levar compras, ir buscar o correio para eu não descer as escadas, e sempre que o carteiro tocava à porta! Enfim… Era só pensar em ensinar e ele aprendia, mas nem sempre é assim. A nossa empatia era muito forte e isso contribuiu para o sucesso do treino. Há treinadores que usam um brinquedo como estímulo positivo, por exemplo uma bola. Mas por regra eles não recusam um bom petisco!!!

 

Resolvida esta parte, vamos aos princípios básicos do treino positivo.

Independentemente da técnica usada (e existem pelo menos três, dentro desta onda do positivo) é pertinente que tenhamos a consciência de que o cão deve ser imediatamente recompensado assim que executar a “ordem” ou comando” por completo. Só em alguns treinos mais complexos é que o reforço é dado de forma mais contínua, mas aqui só estou a falar do treino mais básico.

E pelo amor de Deus, não tenha os petiscos que vai dar como recompensa à vista do cão!!! Senão vai ter o bicho em estado de vigilância às recompensas ou então a babar-se! Eu costumo usar uma carteira de colocar à cintura, assim tenho-os sempre à mão e eles não os veem; claro que sabem que os temos, mas isso também pode abonar a nosso favor.

É importante que as ordens sejam simples e sem falas pelo meio

Durante o treino, nada de falar em demasia, isso confunde o animal e prejudica o treino!

Use comandos de apenas uma palavra, por exemplo “senta”, “deita”, “fica”, “junto”, e por aí afora. E tente, por favor, não usar mais nenhuma palavra além do comando escolhido pera o treino. Mais uma vez exemplificando, não diga “Senta aqui lindo, isso, senta” em vez de “senta”. Claro, eu sei que querem ser uns queridos e evitar comandos à exército, mas os nossos patudos estão a aprender a nossa língua e o que queremos que eles façam, por isso é necessário usar linguagem básica e simples! Têm oportunidade para serem queridos depois.

O sucesso do treino está no número de repetições diárias, sem frustrações

A chave do sucesso está nas repetições diárias, e lembre-se, os animais só conseguem estar focados no treino entre 10 a 15 minutos; se sentir que ele perdeu o foco ou está cansado, pare com o treino. Mais valem 5 minutos bem feitos do que o animal não estar a responder aos comandos devido ao cansaço mental. Como vê, não é assim tanto tempo que tem de dispensar para o treino, e além disso verá que a vossa relação sairá reforçada.

Esta regra é MUITO IMPORTANTE: explique o seu método de treino ao resto da família e atuem todos da mesma forma. Não pode ter um membro da família a dizer para ele ficar quieto e afastado, isto quando estamos no horário de refeição humano, e por outro lado há uma pessoazinha a dar-lhe comida às escondidas! Por favor, sejam coerentes! E isso é válido para tudo! Não podemos ter um cão confuso a não saber o que fazer e a achar que os humanos são uns seres muito estranhos (não que isso até nem seja verdade…)

É também importante que não façam do vosso cão o bobo da corte! Imaginem, ele aprendeu a sentar-se! Ó que giro!!! Um cão treinado!!!! Então todos, e mais alguns, lhe dizem o comando “senta” e ele vai fazendo… e fazendo… e fazendo… Até se fartar! E depois temos uma situação em que necessitamos que ele obedeça ao comando e o patudo manda-nos bugiar, e com toda a razão.

 

O TREINO EXISTE PARA FACILITAR A NOSSA CONVIVÊNCIA COM OS NOSSOS PATUDOS E ENSINAR-LHES UM POUCO DA NOSSA LINGUAGEM E O QUE É ESPERADO DELE, NÃO PARA FAZER DELE UM PALHACINHO!

Quando eu percebia que alguém estava a dar alguma ordem ao meu cão sem ser necessário, acabava logo com a diversão! Houve uma altura em que o ensinei o “dá 5”, que era para ele bater com a pata na minha mão; a criançada percebeu que ele fazia isso e uma vez em que fomos à aldeia, quando dei por isso havia uma fila de crianças para ele “dar mais 5”!!! Tudo bem, era giro, mas ele não era o bobo da corte!

Ensinei-lhe o comando para ele cumprimentar quem fosse lá a casa, era engraçado e uma forma de interação, não um divertimento para humanos, ok?

E quem diz com esse comando, diz com outro também. Na rua toda a gente adorava mandá-lo sentar. Eu já estava cansada de dizer que só eu podia dar ordens, foi a desculpa que arranjei para não ser julgada como antipática. Não adiantava mesmo estar ali a explicar os princípios do treino!

Ordens e comandos são para serem feitos como o açúcar e o sal, é QB! Sempre que necessário. Por exemplo, quando precisamos que esteja quieto, dizemos um “senta” ou um “deita”. Além disso ele vai percebendo, consoante as situações em que nós usamos as ordens, como tem de se comportar em determinada situação. Eles aprendem e apreendem muito bem!

É também importante que não passemos para outro comando se o primeiro não estiver bem aprendido. Por exemplo, começamos com o “senta” e fazemos uma série de repetições, e ele ainda não percebeu. Está na hora de parar o treino e só no dia seguinte é que voltaremos a ele. Não vamos agora passar para o “deita”! Se ele ainda não aprendeu o “senta”, continuamos até que esteja compreendido e só depois passamos para outro comando.

Também é preciso saber que no início a recompensa em forma de petisco será sempre fornecida; depois, quando percebemos que a ordem foi entendida, começamos a diminuir o petisco, primeiro dando de forma aleatória, até deixarmos de dar. Mas, muita atenção, manter sempre o reforço verbal, como o “Muito bem” ou um afago. No entanto pode, de vez em quando, reforçar também com o petisco. Isso não é errado, e não é viciar o animal em petiscos. Afinal de contas, ele está a fazer o que queremos, não merece recompensa por isso?

Não dê ouvidos às más-línguas invejosas que dizem “Ah! Ele só faz o que tu lhe dizes porque lhe dás biscoitos”! Não, meus queridos, ele tem o biscoito porque ele percebe o que lhe digo, porque merece e se esforçou para entender o que eu quero. Deixemos para trás todas essas ideias antigas e ultrapassadas.

Além disso, e tal como disse, teremos sempre cães diferentes no treino.

Tal como já falei, tive um que se lhe dissesse “Que lindo cão!” era como se lhe tivesse dado todos os petiscos do mundo e mais alguns! Notava-se uma plena satisfação no cão, que não ligava aos biscoitos mas às minhas palavras e afagos. Neste momento, tenho um cão que vende a alma por petiscos, aliás por comida no geral, e quer lá saber se é lindo ou não!!! Claro que ele já obedece se não lhe der o petisco e só fizer o reforço oral, mas agradece efusivamente se a recompensa vier em forma de alimento. Qual o problema? Para mim, nenhum.

Aliás, com ele a hora de refeição coincidia com o tempo de treino, assim estava a treinar e a comer a medida do dia que lhe pertencia. Caso contrário, por esta altura eu não tinha um cão mas uma bola de gordura! Nesta fase, e com o treino já aprendido, volta e meia depois de uma ordem cumprida eu reforço com um petisco, ficamos os dois satisfeitos! Só tenho é de controlar para não dar alimento a mais.

Importante, malta, cuidado com o que vocês reforçam. Os nossos animais estão sempre a aprender e podemos estar a reforçar comportamentos que não queremos. Ora imagine, o seu cão ladra para lhe abra a porta; se você o fizer, o que acha que acabou de acontecer?

Acabou de lhe ensinar que se ele ladrar consegue o que quer! Acabou de reforçar o latido! Tcharam!!!

Outro muito comum: se o seu cão pula para cima de si para o cumprimentar quando chega a casa, e você o acarinha, conversa com ele enquanto está em pé, o que é que acabou de reforçar?

Acabou de reforçar o pular!!! Se com cães pequenos até pode ser pacífico, imagine com um Labrador grande e entusiasta!

É importante, principalmente no início, quando o patudo está a apreender tudo sobre o seu novo lar, que analise as suas ações. Leia sobre estes temas para poder perceber o que pode estar a fazer de errado, veja vídeos, muitos vídeos - aconselho os da Cláudia Estanislau (excelente treinadora e portuguesa) ou do brasileiro Tomás Szpigel, ambos têm muitos vídeos na internet. O Tomás tem um fórum sobre adestramento (no Brasil é assim que se diz). Leiam e procurem saber bastante sobre o tema, afinal o vosso amigo e a vossa convivência futura merecem.

Se por acaso decidir procurar um treinador, procure um que saiba que faz treino positivo, que saiba que irá tratar bem do seu cão. Peça opiniões. Em Portugal, felizmente, já vão existindo alguns em quem podemos confiar. Obviamente não são aqueles ex-GNR a quem o pessoal aqui no norte tinha o mau hábito de entregar os seus cães para treinar. Por favor, não façam isso. Nada contra a GNR, mas sim contra métodos de treino completamente obsoletos.

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Publicado em Inominável nº 16

 por Golimix autora do blog Eu tento, mas meu tento não consegue

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Mas vou tornar isto mais prático, só para perceberem melhor do que falo.

 

Imaginem um cão que fica possuído sempre que se liga o aspirador! Ladra e ataca-o como se aquilo fosse o Adamastor surgido do nada para lhe atazanar o sossego canino.

 

O que faria o Cesar Millan?

 

Tipicamente, nos episódios, vemo-lo a conversar com os donos para compreender a situação. E nada de pesquisar sobre a saúde do cão… Mas adiante, vamos supor que o cão até é saudável, excetuando a “tara” por aparelhos que sugam e fazem barulho. Portanto os donos queixam-se do seu patudo e dizem “ Ele ataca o aspirador como se fosse o fim do mundo! Nem parece o mesmo!”

 

E que vai o “encantador” fazer? Pega no aspirador, liga-o, e fica literalmente à espera que a “fera” ataque. Quando isso acontece (e note-se não é nenhuma surpresa, foi isso que os donos disseram que ia acontecer) o cão é castigado, confrontado, e ali Cesar mostra, na sua ideia arcaica, “quem é que manda ali”! No fundo é mais ou menos como alguém decidir nas minhas costas que eu devo fazer uma dieta, e colocam, entretanto, um belo éclair à minha frente; mas quando eu for pegar nele, levo um tabefe por tentar comê-lo. Ou então, um belo de um sermão que me coloca de cabeça baixa, a chorar e a pensar que sou a pior pessoa do mundo e arredores!!!

 

É lógico, sim senhor, e verdadeiro, que o que se pretende dizer ao cão é que não deve atacar o aspirador sempre que precisamos de limpar! E quem tem cão em casa necessita muito deste eletrodoméstico. Mas será que para lhe dizer (leia-se castigar) o que não deve fazer, o cão tem de primeiro que ter o comportamento errado? Parece-vos justo um método que incita o cão a falhar redondamente, já que é mais que certo que o patudo vai ter o comportamento que sempre teve até ali?

 

Existe uma outra abordagem! E é completamente oposta a esta e com resultados muito melhores para a mente do cão, prevenindo até problemas futuros.

 

Em vez de criarmos um contexto em que sabemos que o cão vai fazer errado (neste caso, atacar o aspirador), criamos um contexto em que o patudo tenha tendência para fazer o certo, promovendo, desta forma, comportamentos alternativos ao que queremos eliminar!

 

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Confusos? Eu já desconfundo.

 

Vamos lá voltar ao aspirador. O que é que existe no mundo que pode fazer com que um cão não queira atacar um aspirador? COMIDA!!! Os tipos são uns gulosos! E eu tenho o 1º lugar desse pódio da gulodice em casa!

 

Primeiro, o que vamos fazer, antes de colocar o aspirador a andar, é criar um contexto em que o cão só vê o aspirador, e até pode estar noutra divisão, mas nós estamos a atirar-lhe bocados de comida! E daqueles bocados irrecusáveis (género salsicha, fiambre, ou outro petisco super saboroso)

 

E agora alguém diz: “ Mas o cão só não está a ficar histérico com o aspirador porque há comida no chão!”. Certo. Só que neste caso a comida não é propriamente uma recompensa, e é por isso que pensar só em recompensa versus castigo é insuficiente.

 

O objetivo aqui é que, à medida que o cão estiver várias vezes num cenário que o estimula a atacar o aspirador, ele se aperceba que ficou igualmente bem sem ter a necessidade de atacar! E que aprenda que não é necessário que ele ataque para ficar satisfeito.

 

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Obviamente, deve ser avaliado o que leva o cão a atacar. E por vezes é uma coisa tão básica como isto: da primeira vez que os companheiros humanos aspiraram, era ele uma bolinha de pêlo pequerrucha, resolveu atirar-se ao aspirador em vez de fugir, resolveu “pegar o touro de frente”, e provavelmente todas as pessoas acharam piada ao ver aquele peludo pequenito a armar-se em galo de quinta! Mas isso pode ter sido o início e o potenciador deste problema todo! E nem tudo é assim simples, por isso precisamos da ajuda de quem saiba, não de quem prometa encantos e magias! Com as nossas energias passadas pela trela e sei lá que mais!

 

As técnicas de Cesar Millan são quase exclusivamente baseadas em duas práticas:

 

  • Inundação
  • Punição positiva

 

Na inundação, um animal é exposto a um medo (ou agressão) evocando estímulos e impedido de abandonar a situação até parar de reagir. Para dar um exemplo humano: a aracnofobia (o meu filho sofre disto!) seria tratada fechando/bloqueando uma pessoa num armário, libertando centenas de aranhas naquele armário e mantendo a porta fechada até que a pessoa pare de reagir! A pessoa pode ser curada com isso, lá isso pode, mas também pode ser severamente perturbada e teria passado por uma quantidade excessiva de stresse. As inundações, portanto, sempre foram consideradas um método de tratamento arriscado e cruel.

 

A punição positiva, como já expliquei ao longo do texto (mas admito que é um conceito difícil de entender, especialmente porque parece ser uma contradição) nada mais é do que a aplicação de um estímulo desagradável (género borrifo de água, dar esticões na trela, “toques” com o calcanhar no flanco do cão e por aí fora) sempre que surge um comportamento que se destina a ser eliminado ou reduzido. E se tal acontecer o tal comportamento indesejável desaparecer, passamos a ter um comportamento positivo (porque é o comportamento que queríamos). Quanto a mim, e depois de ler um pouco sobre o tema, acho preferível chamar-lhe punição por aplicação, e não punição positiva.

  

(continua)

 

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Publicado em Inominável nº 15

 por Golimix autora do blog Eu tento, mas meu tento não consegue

 

 

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Quando falo em treino ou adestramento de cães (ou até outros animais) as pessoas sorriem e dizem que já sabem do que falo e nomeiam-me logo o “Cesar Millan”, o homem que se auto designa como “encantador de cães”. Nada me consegue pôr mais furiosa do que isso!!!! Chego a ficar com os cabelos e pêlos em pé e pele de galinha!!!! Julgo que até se vê a sair fumo da minha cabeça!!!

 

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O senhor até pode ter algum jeito para cães, não sei, apenas sei que aquele programa é um show para lhe dar clientela e um risco elevado para quem tenta, erradamente, aplicar a sua metologia, mais do que discutível, nos seus animais!

 

Sei também aquilo que vejo, e esticar a trela no pescoço dos cães para eles não puxarem a mesma, e ir dando “trancadas” com os pés no flanco do animal não é de todo uma técnica que eu almejo aplicar a um animal de que eu gosto. E o Senhor Cesar Millan é profícuo em aplicar técnicas que de alguma forma magoam o animal e não são positivas.

 

A verdade é que vale a pena ouvir os especialistas em psicologia e comportamento canino mais credenciados e com experiência, tais como Ian Dunbar, ou Karen Pryor, e até a nossa portuguesa Claudia Estanislau (façam uma pesquisa sobre eles e ouçam/leiam um pouco do que falam).

 

É certo que, até começarmos a ler, a ouvir, e a ver mais sobre esta matéria “treino ou adestramento canino”, quem até foi confesso admirador do “encantador de cães”, Cesar Millan, passará pelo sentimento de desilusão ao perceber que o exemplo de uma das referências de muitos não deve, de todo, ser seguido!

 

Atualmente, e com todos os estudos e experiências realizados, a nova doutrina sobre comportamento e treino canino assenta no reforço positivo. Contrária ao castigo positivo (punição positiva) aplicado por Cesar Millan, que nada mais é do que a aplicação de um estímulo desagradável sempre que surge um comportamento que se destina a ser eliminado ou reduzido.

 

E o que é isto de reforço positivo?

 

Para já, convém dizer que existe a rejeição de tudo o que possa ser desagradável para o animal, mesmo que uma leve palmada, ou até ou o simples levantar do jornal (isso é um indutor de medo) ou até uma borrifadela de água, que pode à priori parecer inócua. E se queremos mudar ou introduzir um determinado comportamento, o cão (neste caso) é estimulado através de recompensas, tais como, biscoitos, festas, dar uma bola, o que resultar melhor para o animal em questão.

 

E agora os mais céticos e aguerridos defensores do senhor, cujo nome não vou voltar a pronunciar (J) dirão: mas se até existiu a tal mudança de comportamento ao ser executado isso de levantar o jornal, ou dar uma palmada no focinho, ou um toque no flanco, ou sei lá mais o quê… É verdade, sim senhor, que se pode suprimir um comportamento, mas além de não resolver as suas causas pode até degenerar num aumento da agressividade canina, ou o contrário, termos um cão com personalidade desequilibrada e medricas. Além disso, cá entre nós, acham mesmo que amedrontar e punir é a melhor forma de educar?

 

E só estou a falar de animais, hã?

 

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Existe outra vertente no show daquele cujo nome não desejo pronunciar: ele adota invariavelmente o mesmo método para lidar com problemas comportamentais, esquecendo que muitos deles até podem esconder um determinado problema de saúde. Isto para não falar da sua mais que obsoleta teoria da dominância! Os cães de hoje não têm comportamentos de alcateias e matilhas, onde existe o líder e todos têm de ser subjugados! Conceitos muito usados, como “submissão” ou “dominância”, que parece que não saem da cabeça das pessoas - qual caspa entranhada resistente a qualquer tipo de shampoo! - não servem para explicar o comportamento canino e até levam muitos donos a adotar uma postura autoritária ou até agressiva, pensando que estão a transmitir (e que devem fazê-lo) aos seus patudos a ideia de que são eles o líder da matilha.

 

O conceito de ensinar um cão com recompensa versus castigo é amplamente conhecido, chega até a ser intuitivo; se o cão é recompensado por fazer algo, esperamos que ele perceba que é para fazê-lo! E se, ao contrário, o cão é castigado por fazer outra coisa que não queremos, é certo que após o castigo ele até não volte a ter o dito comportamento “mau”!

 

E sabendo que na maioria das vezes em que pensamos em “treinar” o nosso patudo estamos, na realidade, a querer eliminar determinados comportamentos, este conceito é tremendamente redutor! Aprender, e em alguns casos “desaprender”, é um processo, não é uma transformação imediata que acontece só com uma nova e única associação entre comportamento-consequência! Não existem encantamentos nem magias neste âmbito dos comportamentos, mesmo dos nossos amigos animais, os tais ditos irracionais!

 

(continua)

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Publicado em Inominável nº 15

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Alimentação

 

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Dar de comer ao porquinho não é dar a chamada “lavagem” que os donos de suiniculturas dão aos porcos que criam!

 

Dê-lhe uma alimentação variada. Os porcos gostam de uma variedade de frutas e vegetais. Nunca alimente seu porquinho com comida destinada para porcos de criação para abate ou outros animais de explorações pecuárias.

 

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De resto, o seu animalzinho cor-de-rosa adora muitas festas, necessita muito de companhia, pois odeia ficar sozinho, adora um lugar quentinho e fofinho para dormir e só quer alguém que o ame. Tal como qualquer animal de estimação deste mundo.

 

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Atenção!!!

 

Tenha cuidado quando for adquirir um espécime destes. Há quem venda leitões como mini porcos, que na fase adulta se tornarão em grandes porcos de 500 kg!!! Na fase infantil é difícil distinguir um mini porco, que será mini a vida toda, de um leitão, que deixará de ser mini! Escolha, pois, um criador de confiança e peça para ver os progenitores!

 

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Publicado em Inominável nº 14

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Como o nosso porquinho não possui pêlos, aquela magnífica pele rosadinha pode ficar queimada pelo sol; não se esqueça de que deve usar um protector solar sempre que o levar a passear ao sol.

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Há algo muito importante e que as pessoas têm tendência a esquecer: pode ser-lhes difícil olhar para cima, por causa do formato do pescoço; então, lembre-se disso se espera que ele olhe para si. Mais vale “descer” ao seu nível.

 

 

Pode ter um mini porco num apartamento?

 

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É claro que seria bem melhor ele ter um local onde possa escavar, correr e brincar. Eles são muito activos e adoram brincar, ideais para quem tem crianças. Mas se não tiver espaço e estiver comprometido em atender às suas necessidades, pode colmatar essa falta de espaço com saídas à rua, exactamente como faz com um cão, com coleira e trela.

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Quanto ao cavar, se o porquinho tiver uma dieta variada e um espaço para pastar, sentirá menos vontade de o fazer. (Bem…. eu tive este problema de cavar com o meu cão. Penso agora que deve ter genes de porco.)

 

 

(continua amanhã...)

 

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Publicado em Inominável nº 14

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Os mini porquinhos são animais de estimação muito inteligentes, que podem ser treinados e ficarem obedientes. Apesar de treinados a estarem em casa e usarem coleiras como cães, não são canídeos e requerem cuidados específicos para os quais deve estar preparado.

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Primeiro, não se esqueça de verificar os regulamentos locais sobre os animais que pode possuir. Há cidades onde não é permitido ter um destes belos gorduchinhos.

 

Depois há que certificar-se de pode manter um porquinho saudável e feliz. Não ceda ao primeiro impulso!

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Porquinhos são muito sociáveis e isso requer que tenhamos tempo para interagir com eles. Além disso precisam de limites e treino, para que exista uma convivência saudável – isso, claro, respeitando o animal. Educar pela positiva e sem castigo!

 

Estes gorduchos quando aprendem algo não esquecem, e isso dá para o bem e para o mal… podem aprender a empurrar carpetes, abrir portões e outras coisas que tais. São muito curiosos e dados a travessuras. Mantenha-o ocupado com brinquedos interactivos e estimulantes, pode valer-se do que existe no mercado para cães. Será importante para ele possuir uma área livre onde possa exercitar o seu instinto de cavar.

 

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Pode ensiná-lo a atender pelo nome e a “ordens” simples como “não”, fora”, “senta”, e até a fazer os seus dejectos numa área que você escolher para o efeito! Nisto o seu treino não é muito diferente do usado para um cão, use petiscos e treino positivo.

 

 

(continua amanhã...)

 

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Publicado em Inominável nº 14

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Pois… parece que ando a dar ideias de animais de estimação mais “exóticos”! Mas, julgo eu, nem por isso menos amorosos.

 

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Desta vez trago o mini porquinho, isto porque dado o seu tamanho é mais fácil de possuir como animal de estimação. E esqueça a ideia de que chafurdam na lama e são pouco higiénicos! É exactamente ao contrário. Eles adoram um banho e não têm cheiro! E atenção: não largam pêlo! O que se traduz numa excelente opção para pessoas com alergias. Um mini porco, na fase adulta, não passa dos 25-35 kg e mede, geralmente, entre 30 a 40 cm de altura e 80 a 90 cm de comprimento – digamos que é o equivalente a um buldogue inglês

 

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Ao contrário do que se passa com outros animais de estimação, não existe uma raça específica, as características e as cores são variadas dependendo do cruzamento de diferentes tipos de porcos pequenos. Em média vivem cerca de 20 anos, mas podem chegar até aos 30 anos se forem bem cuidados. É, pois, um compromisso a longo prazo!

 

(continua amanhã...)

 

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Publicado em Inominável nº 14

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(continuação)

 

Saúde

Adoramos sempre os nossos animais e vê-los partir é uma tortura... 6 anos depois de o meu cão “Gaspar” (o que aparece na foto comigo) ser um idoso cansado que foi para o “céu dos cães”, ainda me dói quando penso que não o poderei abraçar mais e olhar para os seus olhos cor de mel.

E a notícia que tenho de vos dar não é agradável, as ratazanas têm uma esperança de vida muito curta, de dois até quatro anos, embora tenham existido alguns exemplares que viveram mais tempo. Deve fazer visitas a um veterinário para consultas de rotina, isso certamente poderá aumentar o seu tempo de vida. Esteja atento a qualquer sinal de doença, ninguém conhece melhor os nossos amigos do que nós. Até com o meu peixe eu consigo ver se algo não está bem! Seja zeloso, pois eles merecem!

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Além disso, limpe completamente a gaiola uma vez por semana (não use lixívia), retire os dejectos pelo menos de dois em dois dias.

Ao contrário dos humanos, neste caso dentes amarelos ou laranja são sinónimo de saúde; já os dentes brancos são um sintoma de insuficiência renal!

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Gostaria de vos passar tudo que aprendi, mas não consigo, deixo só o conselho para assistirem a um vídeo e darem uma “volta” por um blogue super interessante.

Conselhos para limpar a gaiola:

(Só uma nota quanto a este vídeo, eles colocam areia de gato no WC das ratazanas, mas não o faça, há produtos mais adequados para elas)

https://youtu.be/7Oy7gOknDjs 

Um blogue criado por portugueses sobre ratazanas; visitem, está excelente!

https://ratzforum.wordpress.com

e o Facebook:

https://www.facebook.com/RatzForum?fref=ts

 

E pronto, meus queridos leitores, garanto que fiquei com uma enorme vontade de ter uma ratazana, consigo vê-las de forma completamente diferente depois de tudo o que pesquisei! É muito importante que se desfaçam preconceitos contra esta doçura de animalzinho.

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Publicado em Inominável nº 13

por Golimix autora do blog Eu tento, mas meu tento não consegue

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(continuação)

 

E o alojamento?

É fácil perceber que, infelizmente, têm de estar confinadas a uma gaiola. Mas não é “encafuá-las” lá para esperarem que nós cheguemos a casa para as soltar. Meus amigos, elas são inteligentes, por isso a gaiola deve ter estímulos para que cresçam sãs.

Obviamente que quanto maior for a gaiola, melhor, já que são animais activos e com um porte que não é de desconsiderar. Aquelas gaiolas altas e com vários patamares, iguais às das chinchilas ou furões, são as que deve ter em mente.

Do que pesquisei, aconselham cerca de dois metros quadrados por ratazana como dimensão mínima. E mesmo assim é imprescindível que saiam da gaiola para se exercitarem e explorarem o meio ambiente. Não preciso de dizer outra vez que desde que esteja alguém a vigiá-las, não é?

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As gaiolas de rede metálica permitem uma boa ventilação e permitem que elas se exercitem a trepar. Mas, não é aconselhável que o chão seja em arame, já que podem ficar com as patas presas e desenvolverem úlceras.

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A gaiola deve estar dentro de casa ao abrigo de correntes de ar, com luz, mas sem luz directa! Ao contrário do que possam pensar, as ratazanas domésticas não são tão resistentes como os seus parentes selvagens e são facilmente afectadas pelas correntes de ar e pelo frio.

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Depois, é dedicarmo-nos à decoração interior de gaiolas e permitir que possuam o que lhes é essencial - um abrigo para dormir, espaço para brincarem e interagirem com escadas, cordas, túneis, plataformas. Não será preciso dizer que roedores roem, não é?

Por isso, todos os objectos de madeira serão roídos, e talvez alguns de plástico. Mas roer também contribui para que fiquem saudáveis. Deixem coisas que elas possam “desfazer” com os dentes à vontade! Massa em espiral também é uma boa opção para este efeito.

Quanto àquela rodinha típica para os ratos, muitas vezes algumas ratazanas não lhe vêem qualquer interesse, mas experimente para ver se o seu bichinho gosta; no entanto, opte por uma de superfície lisa e sem arame.

Alimentação

São animais omnívoros e os conselhos são para que lhes dê uma ração específica, que tem a forma de granulado, pois enquanto comem aproveitam e desgastam os dentes. Felizmente, já vão existindo à venda nas lojas de animais, mas não deixe de pesquisar sobre o melhor alimento para os seus companheiros roedores.

Mesmo assim, o seu cardápio deve ter alimentos frescos, tais como frutas e vegetais. Também pode dar-lhe sementes, tais como arroz com casca, aveia, alpista e sementes de abóbora e de linhaça.

 

Não lhe dê milho cru, pode fazer-lhes mal. Cuidado com as quantidades de sementes de girassol e os amendoins, dê pouca quantidade, já que são extremamente oleaginosos e acarretarão um ganho de peso perfeitamente dispensável!

Existem alimentos quem lhes são permitidos e outros que são proibidos, pois trarão problemas ao nosso animal. Pesquise e procure, quando tiver dúvidas sobre se lhe pode dar algo ou não.

Deixo apenas algumas ideias dos alimentos proibidos:

  • Citrinos, manga e ananás;
  • amendoim cru;
  • sementes de maçã e de papoila;
  • batata doce crua;
  • banana verde;
  • batata verde crua;
  • insectos; (Não lhe passe isso pela cabeça! Ok?)
  • bebidas gaseificadas (as ratazanas não conseguem arrotar);
  • alcaçuz;
  • tofu;
  • carne crua (pense que pode conter bactérias);
  • couve vermelha ou couve de Bruxelas crua;
  • ruibarbo;
  • espinafre;
  • comidas “peganhentas”, género manteiga de amendoim (pode causar-lhes asfixia);
  • algas.

(continua)

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Publicado em Inominável nº 13

por Golimix autora do blog Eu tento, mas meu tento não consegue

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(continuação)

Vamos saber mais?

Comportamento

A ratazana é sociável, e acho que já percebem que isso quer dizer que gostam de viver em grupo, por isso já sabe que deverá ter duas ou três. Se forem da mesma ninhada, há machos que convivem a vida toda sem problemas, embora na puberdade um deles vá manifestar-se como macho “alfa”. Há quem prefira, no entanto, ter só fêmeas. Ou então um macho e uma fêmea, sendo um deles esterilizado, senão terá muitos mais...

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Este animalzinho é muito curioso e devido à sua inteligência pode ser treinado para fazer as necessidades num local destinado para o efeito; inclusive, podem ensinar-lhe vários truques, e há até quem os ensine a andar com trela  - claro que adaptada à sua estrutura. Como vêem, não é assim tão diferente de um cão, apenas um pouco mais pequeno que o Chihuahua.

São animais nocturnos, bons nadadores, escavadores e trepadores! Verdadeiros acrobatas!

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 E agora pasmem: riem quando lhes fazemos cócegas!

Muitos associam a ratazana a sujidade, mas nada mais errado! São animais que passam cerca de um terço do tempo em que estão acordados a tratar da sua higiene, seja da própria ou dos elementos da sua pequena comunidade. Portanto, meus caros, são animais bem limpinhos!

Será também interessante dizer-vos que num grupo de ratazanas é estabelecida uma hierarquia, e pode existir a tendência para simularem lutas, saltando e perseguindo-se. Inclusive, podem até investir contra o pescoço umas das outras, mas quando as lutas são para valer elas geralmente atacam a parte traseira do corpo e ficam eriçadas, emitem guinchos estridentes.

Antes de adoptar uma ratazana esteja ciente do seguinte: é importante que estejam habituadas ao ser humano e ao ambiente doméstico. Tenha atenção a quem vai adoptar/adquirir este pequeno animal. Será tanto mais fácil a mudança para um novo ambiente, e a sua adaptação, quanto mais ela esteja sociabilizada com humanos. É normal que no início se mostre tímida e desconfiada, mas após esse período ela desenvolverá um grande apego com o seu companheiro humano; de facto, a ratazana precisa da presença e do seu afecto diário para desfrutar de um pleno estado de bem-estar. E sobretudo não o faça por impulso, pense bem, irá ter um ser vivo que depende da sua responsabilidade.

Como é lógico, animais com mau estado de saúde são para desconfiar, tenha atenção a:

  • Secreções nasais avermelhadas
  • Secreções oculares avermelhadas
  • Feridas abertas
  • Letargia
  • Respiração com dificuldade
  • Fezes aquosas

Se as ratazanas tiverem sido socializadas com humanos e gozarem de boa saúde, serão animais muito dóceis, que adoram um colinho e respondem com agrado dando pequenas lambidelas. Existem muitas fotos com ratazanas apoiadas nos ombros e aninhadas no colo dos seus humanos de estimação.

(continua)

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