Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Há três meses fui operada à coluna. Nada complicado, segundo o médico, hérnia discal cervical, entre a C5 e a C6.

E, perante isto, em que pensa a pessoa a quem vão abrir caminho pelo pescoço, logo ali abaixo do queixo, para remover um dos discos da coluna e colocar uma prótese? A pessoa pensa no avanço que vai dar aos montes de livros por ler (pilha não, a minha casa não teria altura para tal) durante a baixa.

Baixa por doença. Lá está, não se pode trabalhar até recuperar. Mas eu achei (achei mesmo) que leria a toda a hora, que colocaria em prática o desejo de qualquer viciado em livros. Os dias passaram… E todas as manhãs eu achava que podia ser esse o dia, mas não foi assim, o cansaço era demasiado para os meus próprios pensamentos, quanto mais para ler os pensamentos dos outros.

Colar cervical sempre. Olhar o mundo com altivez. Não pegar em pesos.

Não é fácil segurar o objecto livro (sim, contornei a regra dos pesos) mesmo usando um apoio, e contrariar a pressão do colar é tarefa impossível. Os braços não levantam o livro, a cabeça não inclina para baixo. Sim, eu sei que há e-readers para simplificar estas situações, e mesmo não gostando tenho um kobo para eventualidades deste género (prefiro que as eventualidades sejam viagens, mas…), no entanto a maquineta desapareceu. Obviamente que o encontrei já o médico me tinha libertado do colar. Não é sempre assim?

Bom, tudo isto parecem desculpas. Conversa para contornar o que interessa, ler. Infelizmente, nas primeiras semanas não o consegui fazer. Não só pelas dificuldades motoras descritas, mas também (acima de tudo, para ser honesta) pelo cansaço mental. Irónico. A vantagem que encontrei para enfrentar o sofrimento que me esperava não foi viável. Dias vazios numa casa cheia de livros. Todas as frases se tornaram difíceis. O esforço para entender não compensava. Experimentei audiobooks, ouvi podcasts (de livros, como é óbvio). A mente cheia de nada, as palavras eram códigos indecifráveis. Dormia, sempre na expectativa de acordar melhor. Olhem, esperando acordar viva, que um dia sem ler é uma espécie de morte. Mas acontecia o oposto. Chama-se recuperação.

IMG_3606.jpg

Ao fim de três semanas aventurei-me num romance de fácil entendimento (esperava eu). Estava animada, menos cansada, convenci-me que podia recomeçar. Optei pelo empurrão dócil de um best seller estrangeiro, daqueles que por cá preferimos, parece que o que vem de fora é sempre melhor. Não é. Mas ajudou-me. Era tão linear que parecia que reaprendia a ler, a juntar letras em palavras e palavras em sentidos. Resultava. Li uma história. Findo esse livro, do qual já não recordo nada (antes assim), senti-me acordada para a leitura. Finalmente.

Há ocasiões para todo o tipo de livros, espantei-me. Ou livros para enfrentar maleitas. Automediquei-me.

Li tudo o que pude durante o tempo que me restou em casa. Os livros ajudaram-me a voltar, mas eu preferia ter ficado a pôr a leitura em dia. Com saúde, claro.

__________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 16

por  Márcia Balsas  autora do blog  Planeta Marcia

Siga-nos no Bloglovin
 

Não, não venho divulgar ou fazer publicidade a canais do youtube, apesar de seguir vários, sobre livros pois claro. Chamam-lhe booktube, a comunidade de leitores que partilha opiniões (e divagações) sobre literatura (por vezes é apenas algo que imita a literatura).

booktubers001.jpg

 

Eu gosto do conceito. Tenho um preferido (nada de nomes, já sabem), que sigo religiosamente e ao qual dou muito boa nota no que refere à qualidade dos livros lidos, e também à apresentação e postura, que considero excelente. Não se trata, obviamente, de uma pessoa que ande nisto há dois dias.

 

Mas o que dizer de outros que terão mais talento para diferentes actividades, mas que se dedicam, com muita vontade (e pouca vocação) à apresentação de títulos que recebem das editoras? Nada contra (excepto a sensação de estarem nisso por causa dos livros à borla), mas sabem o que por vezes me parecem estes canais? Uma reunião de comadres (também há compadres, não pensem que eles se safam) a mandar recados uns aos outros sobre os mesmos livros. Em resumo, é uma comunidade booktube que não me interessa, e que me faz até duvidar se gostam dos livros que lêem ou se limitam a publicitar positivamente livros oferecidos.

 

Colocando esta malta de parte, há muita coisa positiva no booktube (nacional e internacional). Aprendo muito com os canais que, de forma desprendida, se dedicam aos livros por paixão pela leitura, e que querem, através desta, chegar a quem está do lado de lá da câmara. Gosto de leituras conjuntas, feitas com tempo, de clássicos da literatura por exemplo, mas também de títulos recentes, nem sempre fáceis de interpretar, e que uma opinião mais conhecedora pode ajudar no click que faltava. Eu gosto de aprender e de me desafiar, por isso tenho alguma dificuldade em perceber quem só lê livros simplistas de seguida, sem sair do registo meses e meses a fio. Não que eu não os leia, não é isso, até os trato pelo nome carinhoso de “pastilha-elástica”, porque cumprem o propósito de entreter. E não, não é preciso mergulhar sempre em livros densos. Por vezes apetece apenas relaxar.

 

Nem sempre é fácil escolher a próxima leitura, qualquer viciado em livros tem muitos por ler, e não é raro que, mesmo assim, a leitura seguinte ainda não exista no rol em stand-by. Canais, blogues e redes sociais podem ajudar (e ajudam) na selecção do “senhor que se segue”, mas é preciso que chamem a atenção pela diferença, mostrem a beleza de um livro escrito, por exemplo, há mais de cem anos, provem a sua actualidade e desafiem quem os vê, lê ou ouve a mergulhar fora do terreno pantanoso das edições em barda.

 

Há muitos livros excelentes, são publicadas obras de grande valor que ficam no fundo das pilhas e gavetas, ou que nem aparecem nos expositores. Admiro quem os divulga de forma descomprometida, apenas pelo prazer de dar leitores a um livro.

 

__________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 14

por  Márcia Balsas  autora do blog  Planeta Marcia

 

Siga-nos no Bloglovin
 

O coração bate mais forte, o sorriso abre, em alguns casos um grito. Quem não sentiu ainda a felicidade de encontrar um ou mais livros da lista de desejos em promoção? Seja desconto directo, em cartão, saldos, feira do livro ou leilão de usados, para o leitor viciado é dia de festa. Dá vontade de contar a toda a gente, partilhar com os amigos, fazer inveja nas redes sociais. E aquele livro baratinho, baratinho, quase descontinuado, do autor favorito, muito difícil de encontrar? Melhor ainda do que promoção, certo?

Pois é, pequenas coisas que só quem ama os livros entende. Mas será que, mesmo assim, ama os livros o suficiente? Ou ama mais aquele que respeita o preço de editor e prefere construir a sua biblioteca comprando numa livraria independente? É só pensar um pouco. Queremos um futuro onde os livros serão exclusivos das grandes superfícies? Um mundo sem a opinião do livreiro? Sem aquela conversa deliciosa de quem, como nós, quer ler e conhecer sempre mais?

O futuro não tem livrarias. Conseguem viver com isso?

Claro que todos já comprámos livros em hipermercados, mas conseguem imaginar não ter opção? Ficar uma eternidade à espera que apareça o funcionário para fazer uma pergunta, e depois de finalmente lhe falarmos, ele (ou ela) olha-nos como se fôssemos seres de outro planeta com linguagem encriptada? É um pouco melhor nas redes de livrarias, mas conto pelos (meus) dedos as vezes em que havia um verdadeiro livreiro atrás do balcão. Acreditem que me sobram muitos dedos.

É o sistema e as coisas são assim, podem dizer-me. Eu ganho mal e os livros são caros, tenho de aproveitar os descontos, sei que o estão a pensar. E entendo, acreditem. Mas somos nós, leitores que podemos mudar alguma coisa. São as nossas escolhas que podem fazer alguma diferença. Comprar livros onde eles devem ser vendidos é também respeitar os autores.

Sabem aquela livraria da minha infância? Já fechou. Era um espaço pitoresco com enormes estantes de madeira que cheiravam a óleo de cedro. A livreira estava sempre atrás de uns óculos (muito) graduados e parecia que toda a gente aparecia lá para lhe cortar a leitura (quem consegue não rir com esta situação?). Podíamos passear as mãos pelas prateleiras recheadas, fazer uma pilha e ler um pouco de cada livro até decidir, tudo ao som de música clássica, sentados numa poltrona.

Hoje é um bar. Fico triste quando passo por lá.

Anexo imagem #13.jpg

__________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 13

por  Márcia Balsas  autora do blog  Planeta Marcia

Siga-nos no Bloglovin
 

M+írcia.png

 

Já aqui escrevi sobre os Direitos Inalienáveis do Leitor e, por ser um tema para mim tão irresistível, não posso deixar de regressar a ele. Não me canso de recomendar o “pequeno” livro de Daniel Pennac, “Como um Romance”[1], bíblia de qualquer leitor que se preze.

 

Quando nos iniciamos na leitura, e seguindo a ideia de Pennac, é mais fácil que seja um livro mau a chegar até nós. Quem não se lembra das primeiras coisas que leu? Aposto que muitas das vossas primeiras leituras vos fazem hoje corar de vergonha, não? Mas na época eram livros extraordinários que queriam recomendar a toda a gente, certo? Comigo foi assim. Li muitos (demasiados) romances “industriais”, criados para satisfazer a necessidade das primeiras viagens de leitura. Não resisto a citar o autor: “…digamos que há aquilo a que chamo “literatura industrial”, que se contenta em reproduzir até ao infinito os mesmos tipos de descrições, debita estereótipos em série, faz comércio de bons sentimentos e de sensações fortes, utiliza todos os pretextos oferecidos pela actualidade para parir uma ficção de circunstância, faz “estudos de mercado” para vender, segundo a “conjuntura”, um tipo de produto que é suposto inflamar certo tipo de leitores. Estes, são os maus romances.” (Como um Romance, Asa, página 154).

 

Devo acrescentar que há muitos leitores que nunca chegam a sair deste estágio a que podemos chamar inicial. E qual é o mal? Nenhum. Ou não viesse eu reforçar um dos meus Direitos preferidos: O Direito de ler não importa o quê.

 

É normal que, com o tempo, o leitor perceba que os chamados “maus romances” são muito (demasiado) parecidos e, na maior parte dos casos, há que dar o próximo passo. Quem se apaixona pela leitura, e esta paixão pode surgir com qualquer tipo de livro, sentirá necessidade de arte, de criação, de originalidade, de dar um salto qualitativo. É assim quando a leitura deixa de ser um passatempo e cada livro escolhido nos aperta o coração por todos os outros que ficam em espera na estante. São os primeiros sinais de uma dependência que tende a tornar-se crónica e tem como efeitos secundários a agilidade de pensamento, a melhoria da qualidade da escrita, a necessidade constante de raciocinar, questionar e colocar em causa. Querer ler mais torna-se um desejo galopante e é incrível como novos títulos e autores vêm ter connosco, provocando palpitações e ansiedades. Crescem as listas de desejos e reduz o espaço livre. Compram-se novas estantes e em cada divisão da casa nasce uma zona de biblioteca.

 

Alguns leitores desenvolvem uma grande resistência a dar livros, mesmo significando isso a grande vantagem de se livrarem dos exemplares de que não gostam (e que poderão agradar a outros), para conseguirem espaço para os preferidos. Estes acumuladores, se continuarem a comprar compulsivamente, viverão um dia submersos em livros. E qual é o problema? Nenhum! Ler ensina-nos a ser livres, apura as nossas escolhas e promove a independência.

 

Leiam o que quiserem quando quiserem, mas leiam!

 

Anexo imagem #12.jpg

(foto: Gil Cardoso)

 

[1] Como um Romance, de Daniel Pennac; Ed. Asa, Tradução de Francisco Paiva Boléo

 

__________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 12

por  Márcia Balsas  autora do blog  Planeta Marcia

Siga-nos no Bloglovin
 

Escolher o próximo livro nem sempre é uma opção linear.
Eu sei, soa um pouco ridículo, afinal é só ir à estante e tirar um dos livros por ler.
Se estão para ler é porque a estante os recebeu por serem leituras desejadas, e o que importa a ordem de leitura se todos estão ali para o mesmo?

IMG_8635.jpg

Na estante das pessoas que compram livros à medida do seu ritmo de leitura esta questão é, realmente, descabida. Mas nas estantes (sim, várias estantes) das pessoas que acumulam livros porque não conseguem não o fazer, a escolha da próxima leitura implica toda uma decisão sobre prioridades.
E sim, esse drama existe na vida desta vossa amiga.


Muitas vezes é ainda durante a leitura em curso que a dúvida começa a assolar-me. À medida que o número de páginas restantes diminui, os olhares que lanço à estante deixam de ser meras observações (adorações, vá) para se converterem na angústia de decidir o senhor que se segue. Como optar? Como escolher apenas um, se a sofreguidão de ler todos assume contornos doentios? Respiro fundo e bebo um copo de água. Não serve de nada, mas mal não faz. Tento focar-me. A presente leitura ainda está em curso e não posso dispersar-me a ponto de não acompanhar convenientemente os desenvolvimentos. Não me faltava mais nada do que chegar à última página e não perceber o fim, porque me detive a orientar decisões sobre o livro seguinte no momento decisivo da trama. Já aconteceu. A decisão sobre o livro seguinte foi adiada. Voltei, claro, a reler o final do livro com a cabeça no lugar, isto é, no livro.


Mas, e para complicar um pouco, as minhas opções não se resumem aos livros da estante. Como leio sempre vários livros ao mesmo tempo (apesar de, sim, haver um que assume o papel do “principal”), pode dar-se o caso de, terminado um, seguir para outro já iniciado. E aqui volto à pescadinha de rabo na boca. Prosseguir para qual? Deito uma olhadela às lombadas na mesinha de cabeceira e, inevitavelmente, chego à conclusão que alguns dos livros moram lá há tempo demais. A situação assume contornos tais que às vezes já nem me lembro de que tratam tais livros. Pois é, eu assumo que deixo livros a meio, mas não é um processo fácil, é muitas vezes um desmame doloroso. Mas chega sempre o dia da limpeza.

Além dos livros por ler e dos livros a meio, tenho também os livros emprestados. Esses convém ler primeiro para fazer boa vizinhança e devolver aos donos o mais rápido possível. Imagino que se estejam a questionar para que quero eu livros emprestados. Já vos estou a ver desse lado a franzir as testas. Pois é uma pergunta válida para a qual eu tenho uma resposta perfeitamente lógica. Pelo menos na minha cabeça. Poupança é o motivo imediato. Para quê gastar dinheiro se posso ler sem comprar? É claro que é melhor ler um livro nosso, não exige tantas cautelas e pode-se sublinhar e fazer anotações (sim, eu pertenço a esse grupo de monstros). Mas essa não é a única razão para morarem livros emprestados cá em casa. Há pelo menos mais duas. Começo pelo “pedir um livro sem pensar”. Sou muitas vezes apanhada no calor do momento, significa que, quando alguém me fala de um livro com entusiasmo só há uma palavra que se forma na minha cabeça: “QUERO!” E verbalizo, ou seja, peço emprestado sem pensar que já há uma pilha de livros emprestados em casa. A outra razão é mais cruel. Acontece quando são os amigos que me obrigam a aceitar o empréstimo, os malvados! Na verdade, nem precisam de insistir por aí além, um simples “tens de ler” basta para me levar à certa.

 

Bom, mas com tantas hipóteses a ponderar a leitura seguinte continua por decidir. Chego a seleccionar um pequeno grupo de livros e leio o início de cada um deles. O que me agarrar ganha. Nem sempre se verifica esse agarramento, o que representa todo um outro drama. Deitar à sorte também é uma opção, assim como pedir a opinião do marido (enfim, mais ou menos como deitar à sorte).

 

Contudo, nem sempre me submeto a este processo cansativo. Vezes há em que um livro me escolhe. E isso, caros amigos leitores, é um processo milagroso que não posso explicar, mas que afianço ser garantia de uma leitura perfeita (ou perto disso).


Sobre os livros que nos escolhem guardo, acima de tudo, uma sensação de leveza e alívio por não ter de me consumir com decisões. E algumas histórias. Conto-vos da próxima vez.

______________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 6

por Márcia Balsas, autora do blog Planeta Marcia

Siga-nos no Bloglovin
 

Quando eu comecei a ler não havia redes sociais.
Fiz-me leitora na solidão das páginas, no isolamento que os livros merecem
e de que eu muitas vezes (ainda) preciso.
Encerrada a última página, ficava eu e o silêncio.
Nem sempre.

Muitas vezes ficava eu e as perguntas. Eu e as dúvidas. Eu e a vontade de saber se haveria mais alguém, uma pessoa que fosse, a sentir as palavras como eu. Ou a viver o oposto. A interpretar tudo ao contrário de mim.


Comecei a escrever no meu blogue para superar o vazio do fim dos livros. Comecei a escrever opiniões curtas com aquilo que me ficava a remoer a cabeça depois das leituras, o que imaginava que podia usar em conversas se tivesse com quem conversar sobre livros. Havia próximo de mim quem gostasse de livros e os lesse, claro, mas não ao ritmo a que eu lia. Não conhecia outras pessoas que partilhassem do meu entusiasmo e da minha vontade de ler sempre mais e mais. A leitura é uma actividade solitária e eu, apesar de alimentar bastante a solidão necessária para ler, comecei a sentir uma enorme necessidade de saber onde estavam os outros leitores como eu. Haveria mais alguém? Sim, esta questão é pertinente, quando se vive os livros como eu é inevitável não questionar se se terá algum problema. Uma obsessão literário-compulsiva, por exemplo. Sabe-se lá.


Então, de uma forma inesperada, que eu ainda hoje não consigo explicar, o meu blogue começou a ter interacção. E foi um comentário ou um e-mail que mudou para sempre a minha forma de viver as leituras. Dos blogues às redes sociais o caminho é curto, mas eu levei anos. Devo ter sido das últimas pessoas a ter facebook e goodreads e este é, na verdade, um caminho sem volta. A informação disponível é imensa e, de repente, há tanta gente que gosta de ler, que os primeiros tempos nas redes sociais parecem uma constante festa. A novidade, aliada às conversas sobre os livros que se leram, os que se lêem e os que se querem ler, encheram-me de vontade de falar e de amigos, que se somavam à velocidade a que eu os adicionava e era adicionada. O efeito imediato destes encontros foi uma redução do tempo dedicado a ler. O que é mau. E que eu sabia ser mau pois sentia a falta de ler em sossego. Sim, porque passei a ler na companhia dos amigos novos, sempre com uma necessidade estranha e inexplicável de contar a todos o que estava a ler.
E de saber.


A vontade de saber é talvez o que neste momento me leva mais às redes sociais. Sejamos francos, já não há surpresas. Já não compramos livros sem saber o tema, as opiniões da crítica e, mais importante, as opiniões das pessoas que seguimos e que mais valorizamos, por se aproximarem do que pensamos e por terem gostos semelhantes aos nossos.

IMG_4851.jpg
(foto de Gil Cardoso)

 

Hoje são editados livros todos os dias. Muitos. Para que a leitura não se torne uma doença (ainda mais) obsessiva, é necessária uma triagem atenta, seleccionar no meio da enxurrada de títulos aqueles que nos vão agradar e proporcionar a leitura perfeita (nunca encontrada, mas em constante busca), e evitar aqueles que nos vão fazer sentir que desperdiçámos tempo irrecuperável.
Podemos ser felizes a seguir opiniões nas redes sociais, podemos mesmo, mas é também muito possível cair em todo o tipo de embustes.
Desconfio sempre quando toda a gente acha determinado livro o máximo. Eu participo em comunidades de leitores e sei que não é possível todos gostarem do mesmo livro ou, os que gostam, gostarem da mesma forma. Acreditem, não acontece. E essa discussão é positiva, eu diria até saudável se não se cair no exagero nem no ridículo. Não, não é preciso andar à bulha por causa dos livros, mas enfim, também acontece.
A grande maioria dos blogues que partilha opiniões sobre livros anda a ler a mesma coisa. Pois é, basicamente novidades, aquelas que as editoras enviam para serem divulgadas. Eu sei, porque também já o fiz e não estou com isto a apontar o dedo a ninguém. Quero apenas dizer que cheguei à conclusão de que não evoluiria como leitora a consumir apenas o que me davam, sem procurar por mim coisas diferentes. E sim, continuo a receber alguns livros oferecidos, apenas os que quero mesmo ler, em troca de uma opinião sincera, que publico.


No geral os livros são rapidamente esquecidos. Se além de haver pouca diversidade na divulgação, se dá demasiado ênfase às novidades, um livro vive apenas uma curta infância após o nascimento. Se as redes sociais provocam um falatório interessante, que pode levar a que algumas obras atinjam um sucesso não imaginado, também atiram para segundo plano edições que deviam ser lidas. De qualquer modo, tanto os que são profusamente lidos, como os que passam ao lado do estrelato, são rapidamente esquecidos, sendo substituídos por outras novidades. E é assim que se faz do mercado um depósito de livros quase sem vida útil, a maioria quase mortos à nascença por não terem tempo de respirar. E livros que morrem deixam-me triste. Como não? Dá-me ganas de os salvar a todos, principalmente (e sem me preocupar em ser tendenciosa) aqueles que prefiro.


Após estes tempos a ler em sociedade (virtual) aprendi a escolher onde procurar informação. Com o tempo fui eliminando o que não me oferece credibilidade e valorizando cada vez mais o meu instinto. Tenho vindo a recuar na quantidade de informação que consumo, o que trouxe claras vantagens na quantidade de livros que tenho lido e na sua qualidade. Procuro melhor, tendo em conta os meus gostos e, de alguma forma, lendo nas entrelinhas de alguns pareceres que, inevitavelmente, descarto de imediato.


O que de melhor me trouxe a blogosfera e as redes sociais? Amigos. Reais, curiosamente. Daqueles a quem posso telefonar ou combinar um encontro para perguntar, cara a cara, “o que achaste do livro x?”. E conversas, muitas conversas boas sobre livros, sem ser nas mensagens privadas ou nos comentários.


Mas, mesmo tendo descoberto um mundo de leitores com quem partilhar o que penso dos livros, continuo sem saber qual é a leitura certa. E se calhar nunca saberei. Desconfio que, como em tantas coisas, nos livros também não há certezas. Seja como for, e porque o livro perfeito pode ser o próximo, não posso parar de ler.

______________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 5

por Márcia Balsas, autora do blog Planeta Marcia

 

Siga-nos no Bloglovin
 

Hoje é impossível ler um livro sem conhecer o rosto do autor ou autora. São uma espécie de pop stars das redes sociais e demais meios de comunicação, participam em eventos (literários e não só) e sessões fotográficas, aparecem constantemente para que os seus livros não sejam esquecidos no meio da avalanche literária. E eu pergunto-me, quando passeio na minha Feira, e os observo, sentados nas mesas, de caneta na mão, se o escritor, criatura que se isola, como um bicho no seu buraco, para fazer nascer palavras de ideias, gosta de estar naquela espécie de montra, competindo por leitores no meio da confusão de gente que compra livros pelos tops e pelas capas (nada contra mais uma vez, há capas que são belas obras de arte), com música (demasiado) alta, sem esquecer a voz roufenha da senhora (sempre a mesma) que anuncia a localização exacta (nem sempre) de tudo o que está a acontecer e do que ainda espera os visitantes.


Sim, eu visito a Feira ao fim-de-semana, ou de que forma saberia isto tudo senão por observar e participar da confusão? E continuarei a fazê-lo. Mas confesso que a minha Feira é melhor durante a semana. E sabem porquê? Porque consigo ver os livros em paz, sem empurrões e sofreguidões. Sim, o objectivo é ver os livros, às vezes até nos esquecemos disso, com tanta festa, tanto balão, tanta criança a correr e a gritar, que o que interessa são os livros!

 

Gosto de passear com calma nas tardes de semana, investigar escrupulosamente os caixotes dos descontos e ficar feliz quando aparece aquele livro fantástico por três euros. Não me importo se a edição é mais antiga ou se a capa está marcada pelo tempo, há descobertas que são as relíquias das minhas Feiras do Livro. Vejo com calma os livros do dia, dizendo olá a quem os vende, sorrindo a quem se cruza comigo, tomando notas das possibilidades desse dia, para mais tarde lapidar os excessos (ou o que tenho que considerar como tal por limitações orçamentais), e levar para casa os felizes seleccionados.


Por vezes a estadia prolonga-se. Nos últimos anos a Hora H anima as noites de semana das dez às onze, e grupos de leitores sedentos de descontos começam a chegar pelas nove e meia da noite. Marcam-se encontros, dividem-se famílias por causa das filas, há quem transporte os novos tesouros em malas de rodinhas, dado o peso das páginas resgatadas.

IMG_5120.jpg

 

A minha família de dois não fica em casa e parte para essa odisseia literária de lista no bolso. Prioridades estabelecidas, um guarda lugar na fila (coisa feia e tão portuguesa), enquanto o outro, habitualmente eu, procura os tesouros desejados. Torna-se mais divertido juntando famílias, as de sangue e as de coração, unidas pelo gosto da leitura e a paixão pelos livros. É uma hora que passa depressa, em que se corre e ri, que chega ao fim sem ter sido suficiente e que pede que se volte. E volta-se, claro, que as listas não têm fim, e nunca se regressa a casa de mãos a abanar.

 

Gosto da Feira solitária, em que sou dona do tempo e dos espaços que visito. Gosto de caminhar imaginando como será ler os livros que levo no saco, e de me sentar algures quando a curiosidade é tanta que começo a ler logo ali. E fico lendo, por vezes sentada na relva, mastigando palavras e levantando os olhos em observações pontuais. Tiro fotografias de memória e guardo no álbum da minha Feira traços de outros leitores. Há um velhinho desgrenhado com quem me cruzo todos os anos, normalmente à noite. É muito magro e corcunda, os cabelos não usam tesoura e evitam o pente, os dedos, tortos e retorcidos pela artrite, procuram livros que enchem um carrinho de compras que sobe (e desce) o Parque aos solavancos. Imagino-o a viver numa casa velha como ele, feita de livros. Estantes a abarrotar, livros no chão, nas escadas, livros a sair pelas janelas. Sigo-o e à chiadeira das rodas gastas, e continuo a procura infinita, a busca por novas descobertas, o prazer de olhar, tocar e escolher livros. Por vezes meto-me nas conversas de leitores indecisos, opino e sugiro, aconselho e ouço pareceres. Partilho o sorriso cúmplice da compra recente com rostos desconhecidos, contudo solidários no prazer imenso da aquisição de um livro novo.

 

Os meus passos atravessam as quatro estações do ano. Primavera, Verão, Outono e Inverno estão sempre presentes na Feira do Livro. Não há ano que não chova nem ano que não se sufoque nas tardes de sol. Não é estranho levar no saco um panamá e um leque, já cheguei a usar galochas e sandálias no mesmo ano. O vento também vai e no ano passado até houve um mini-tornado. Os livros não foram pelo ar (e ainda bem) mas já me aconteceu levar com um chapéu de sol na cabeça. Não é susto que se deseje, garanto.
Por todas estas razões e mais umas quantas que agora não lembro, espero ansiosa por mais uma Feira do Livro. Os planos são os mesmos, uma monótona rotina repetida ano após ano, que adoro. Quero voltar aos piqueniques com amigos, tertúlias de livros com o lanche que cada um leva e partilha. Estendemos a manta habitual e deixamos a tarde passar, veloz, pela conversa descontraída sobre as últimas leituras. Fazemos a pilha dos livros preferidos e aumentamos a pilha dos desejos em anotações nos cadernos. As listas imensas doem no tempo sempre escasso para ler, mas o prazer das linhas lidas, mesmo que poucas, enriquece-nos os dias, os meses, os anos.

IMG_6274.jpg

A Feira do Livro de Lisboa está quase a começar e eu já estou pronta. Desde o ano passado.

______________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 3

por Márcia Balsas, autora do blog Planeta Marcia

Siga-nos no Bloglovin
 

A minha Feira do Livro é só minha. Não façam essa cara que eu sei que chega para todos. Mas a Feira que eu guardo,  a Feira que eu espero sempre com ansiedade, aquela em que passeio, sozinha ou com amigos, a que trago para casa nos sacos de livros comprados e no coração, é minha. Só minha.

IMG_5270.jpg

A Feira nunca está realmente pronta a começar no primeiro dia. Ou porque ainda não chegaram os livros a algumas barraquinhas (agora diz-se stands mas eu não quero saber), ou porque não há multibanco, ou porque não há luz. Sim, lembro-me de um ano em que não havia luz, para compensar chovia copiosamente. Que fui para lá fazer, perguntam-me?  A sério? Ainda acham necessário fazer essa pergunta? Como não ir, se a Feira começou?

 

A Feira deixa-me saudades desde o dia em que termina. Padeço de sentimentos nostálgicos até ao primeiro dia da Feira seguinte. A melancolia da festa dos livros assalta-me muitas vezes, e, mesmo no dia mais frio do Inverno, sou levada pelo desejo de voltar ao Parque. Imagino o caminhar acima e abaixo, a animação nos rostos, os sorrisos conhecidos com quem me cruzo sempre, todos os anos.
O cheiro das farturas surpreende-me a memória, que a Feira tem prazeres além dos livros, e eu gosto de partilhar um doce com um amigo, no meio da partilha das pechinchas do dia. Com canela e muito açúcar, peço eu, com os olhos brilhantes da gulodice contida no resto do ano. Os cristais de açúcar colados aos lábios lembram-me que nenhuma fartura me sabe tão bem como aquela, que a Feira não pode acabar sem que ceda mais uma vez (e outra) ao pecado da gula, que só é amargo o sabor da fartura que ficou por comer, prometida, mas não cumprida. Esquecida por quem a havia de ter comido comigo.

IMG_5117.jpg

Gosto de ir logo no primeiro dia. Mas vendo bem, não é uma questão de gosto, é por não aguentar não ir. Como faltar, se a Feira já começou? No primeiro dia janta-se no meio dos livros, num ritual de amigos especiais, bebe-se a primeira ginja e fica-se até ao fim, a ver, lá do topo, a noite a cair no Parque. 

Agora, que a ansiedade desacelera a contagem decrescente, os dias que faltam são os que custam mais a passar, por serem cada vez menos. Preparo as listas de desejos, faço as contas aos meses de publicação e um cálculo aos possíveis descontos, e invento espaço para os livros que hão-de habitar as estantes.
Em 2016 teremos dezanove dias de Feira. Teremos três fins-de-semana de dias longos para assistir com mais tempo a lançamentos e todo o tipo de eventos. Em relação aos eventos, tenho que admitir que, se calhar, a diversidade começa a ser demais. Desde que vi, no ano passado, uma sessão de penteados em plena Feira, pergunto-me qual o interesse deste tipo de apresentações. Acho que não é preciso arranjar o cabelo em público para promover livros de penteados (nada contra livros de cabelos, até li um excelente este ano), ou levar a cozinha para o recinto em espetáculos de show cooking (lá vem o estrangeirismo, como se não tivéssemos nós vocabulário suficiente) para divulgar livros de receitas. E as sessões de autógrafos, claro, a par com os lançamentos dos livros são quase a nova Modalidade Olímpica. Nada contra, vou a todos os que posso, na Feira e fora dela, mas confesso, a título de segredo, e muito baixinho para que ninguém me ouça, que tenho saudades de desassociar o livro de quem o escreveu.

IMG_6315.jpg

 (continua)

______________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 3

por Márcia Balsas, autora do blog Planeta Marcia

Siga-nos no Bloglovin
 

capa Inferno.jpg

SINOPSE

«Procura e encontrarás.»


É com o eco destas palavras na cabeça que Robert Langdon, o reputado simbologista de Harvard, acorda numa cama de hospital sem se conseguir lembrar de onde está ou como ali chegou. Também não sabe explicar a origem de certo objeto macabro encontrado escondido entre os seus pertences. Uma ameaça contra a sua vida irá lançar Langdon e uma jovem médica, Sienna Brooks, numa corrida alucinante pela cidade de Florença. A única coisa que os pode salvar das garras dos desconhecidos que os perseguem é o conhecimento que Langdon tem das passagens ocultas e dos segredos antigos que se escondem por detrás das fachadas históricas.


Tendo como guia apenas alguns versos do Inferno, a obra-prima de Dante, épica e negra, vêem-se obrigados a decifrar uma sequência de códigos encerrados em alguns dos artefactos mais célebres da Renascença - esculturas, quadros, edifícios -, de modo a poderem encontrar a solução de um enigma que pode, ou não, ajudá-los a salvar o mundo de uma ameaça terrível…


Passado num cenário extraordinário, inspirado por um dos mais funestos clássicos da literatura, Inferno é o romance mais emocionante e provocador que Dan Brown já escreveu, uma corrida contra o tempo de cortar a respiração, que vai prender o leitor desde a primeira página e não o largará até que feche o livro no final.

(trailer oficial do filme)

Sem Título.png 

 ______________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 2
por Cláudia Oliveira, autora dos blogs Cláudia Oliveira e 
A Mulher Que Ama Livros 
e de um canal no Youtube

Siga-nos no Bloglovin
 

Estreia em Outubro deste ano o filme baseado no quarto livro de Dan Brown - Inferno - e, se outras razões não houvesse, será por esse motivo para vos falar sobre este livro.

Robert Langdon está de volta e, tendo por base a obra de Dante, terá de descobrir porque acordou numa cama de hospital em Florença sem qualquer memória dos últimos dias, mas com uma frase na memória: procura e encontrarás. Com a ajuda de Sienna Brooks, Robert terá de descobrir quem o tentou matar e, ao mesmo tempo, impedir um louco de libertar uma praga de dimensões globais.


Tal como nos anteriores livros de Dan Brown, os acontecimentos sucedem-se a uma velocidade vertiginosa, quase sem tempo para respirar, e há surpresas ao virar de cada página. Claro que para quem gosta deste género de livros, este é um bom exemplo, mas quem não gosta não vai ficar fã.

12f761_2b4884dc3365453888573cfe8c94f2ad.jpg

Aliás, tendo em mente que gosto imenso dos livros deste autor, a verdade é que a essência das histórias dos vários livros é a mesma. Diferenciam-nos, aos livros, os temas analisados (no caso do Inferno é o crescimento populacional e as suas consequências) e o local onde a acção se desenvolve (Florença e Veneza neste caso). Ainda assim, em qualquer um dos livros o prazer pela leitura é enorme, a distracção pura e simples está garantida e o suspense é permanente. 

 

Acresce ainda que, pelo trabalho de investigação que o autor faz e pelas explicações sobre os locais, a história, a arte – e neste livro específico, até sobre uma raça de cavalos – acabamos por aprender mais um pouco. E o saber nunca ocupou lugar!

São livros, qualquer um deles, que se adaptam bem ao cinema. Correu muito bem com o Código Da Vinci e com Anjos e Demónios, pelo que não há razão para recear que esta adaptação de Inferno corra mal até porque, tal como os anteriores, será realizado por Ron Howard, com argumento de David Koepp. No elenco podemos encontrar Tom Hanks como Robert Langdon, Felicity Jones como Sienna Brooks, Omar Sy como Christoph Bruder, Ben Foster como Bertrand Zobrist, Irrfan Khan como Harry "O Mestre" Sims, Sidse Babett Knudsen como Elizabeth Sinskey, Ana Ularu como Vayentha, e Jon Donahue como Richard.
As filmagens decorreram em Veneza, Itália, perto do Palazzio Vecchio e noutros lugares históricos da cidade, assim como perto da Ponte Vecchio, em Florença, e em Budapeste, Hungria.

(continua aqui)

______________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 2
por Magda L Pais, autora dos blogs Stone Art Books e StoneArt Portugal.

Participante no blog Aprender uma coisa nova por dia.

 

 

Siga-nos no Bloglovin
 

A(s) Revista(s)

(clique aqui)

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D