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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Seg | 28.05.18

Por terras nascidas do mar | Fenómenos meteorológicos e tradições sem Tempo #1

Começo a escrever estas linhas ao som de assobios... mas não daqueles de cantarolar uma melodia engraçada e descontraída, não não... São assobios do vento que passa pelas frinchas das portas e janelas, a desvantagem de viver numa casa sem vizinhos do lado sul, com uma paisagem absolutamente maravilhosa... e exposta aos caprichos de um vento vindo desse quadrante, dando boleia a uma chuva sem piedade, que não nos permite pôr nem a ponta de uma unha do lado de fora da porta sem corrermos o risco de ficar sem ela! Quase me sinto a personagem feminina do “Monte dos Vendavais”, mas em modo menos poético porque ela não tinha de sair para ir à mercearia, ver o correio, pôr na rua o caixote da reciclagem, nem lutar contra umas portadas que não se queriam fechar... Aqui há montes, há vendavais, e neste momento uma depressão tropical - nome adequado de facto - pois é deprimente não poder sair de casa sem sentir que é uma ida não desejada ao ginásio para um treino de força.

Da mesma forma que o tempo aqui é generoso com as temperaturas, mesmo no Inverno, quando lhe dá para a má disposição não é para brincadeiras. Bem me avisaram que agora é que eu ia saber o que era vento... e é mesmo verdade! No entanto, prefiro isso às temperaturas gélidas que assolam a Europa...a meteorologia aqui por vezes sofre de alguma bipolaridade, mas ainda não endoideceu de todo! Não obstante o dia de hoje e outros semelhantes que dão o ar da sua graça de repente, temos sido abençoados com sol e temperaturas de Primavera. Esses momentos foram aproveitados para descobrir o (muito) que ainda há para descobrir. Enquanto tinha a visita materna fizemos o incontornável roteiro turístico pelas míticas lagoas e pelo mercado municipal, recheado de ananases regionais que, sem dúvida, têm uma outra doçura - o que acaba por ser uma desvantagem no sentido de que quando compramos um daqueles vulgarzitos vindos do Equador, e dos quais eu tanto gostava, agora não têm grande graça. Outra desvantagem é que estes são muito mais baratos que os da ilha, e de vez em quando lá temos que fazer uma opção pouco patriótica.

Tivemos também o fenómeno sísmico, mais de 300 abalos num dia em que foram sentidos poucos mais de 20. Nesse dia recebi bastantes telefonemas para saber se estava tudo bem, e foi assim que fiquei a saber do fenómeno, pois aqui não dão grande relevância a certos caprichos da natureza. Ia eu de carro a caminho de Ponta Delgada e nada sentira, nada ouvira, e as vacas continuavam deitadas e refasteladas, tranquilamente a ruminar a erva e – quem sabe? – alguns pensamentos sobre a actividade sísmica. Fui depois informada de que esta é de frequência diária e só muito raramente se faz sentir à superfície... acho bem! Agora que vim agraciar a ilha com a minha presença, acontecer um tsunami ou alguma má disposição vulcânica seria um péssimo sentido de humor por parte da Mãe Natureza!

(continua)

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Publicado em Inominável nº 13

por Inês Rocha, autora do blog Alquimia do Momento

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