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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qui | 06.09.18

Por terras nascidas do mar | Comparações inevitáveis e montanha-russa hormonal #2

(continuação)

Os estorninhos estão presentes durante todo o ano mas os cagarros, ave mais ou menos da envergadura da gaivota, chegam na Primavera e o seu canto é algo impossível de descrever em palavras e de difícil reprodução, pois o seu som quase se assemelha ao de um desenho animado. Neste momento em que vos escrevo isto. alguns deles estão a fazer voos rasantes junto à minha casa e parece que os ouço aqui na minha janela... é maravilhoso! Lembro-me de uma noite, já quente, em que o único som era o da sua canção de encantamento, e havia um luar maravilhoso no céu estrelado a reflectir-se no mar aqui mesmo em frente, que por sua vez reflectia a dança circular da luz do farol... a verdadeira festa da natureza!

A minha vida mudou bastante em menos de um ano; depois da mudança de casa já aqui referida, o meu filho concluiu uma formação que era dada a 40km daqui, o que nos obrigou diariamente até ao inicio do Verão a fazer 80km, e a esperar pacientemente por três horas que a aula acabasse, valendo-nos para o fim o bom tempo e a praia para passear. Não foi bom para a minha azia e enjoos constantes, que ainda tenho até hoje, e deixo aqui o agradecimento público a quem inventou os maravilhosos comprimidos que aliviam esta última maleita, e com os quais não fui abençoada vinte anos atrás! Mas felizmente concluímos esta etapa com sucesso, e que teve de ser feita com sacrifício devido ao facto de o sistema de transportes não ser de todo o ideal, inviabilizando a independência de quem não tem a carta de condução... portanto aqui fica um conselho para quem se queira aventurar como nós aqui: se não tem carta e carro, nem previsão para tal, mude-se para Ponta Delgada (se puder suportar as rendas exorbitantes), ou para a Ribeira Grande que também é cidade. A menos, claro, que queiram levar uma vida absolutamente zen e stress free, com pouca agitação! Portanto o próximo e óbvio passo para o meu filho será a carta de condução, a bem da sanidade da família toda!

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O princípio do Verão trouxe também uma nova mudança para nós: acabámos por adoptar uma cadela que encontrámos na beira de uma estrada, e na iminência de ser atropelada. Assim, veio para casa dentro de uma mochila uma bolinha de pêlo com menos de 1kg, que quase causou uma apoplexia à gata que nos tinha adoptado e pilhava toda a comida das redondezas (lembram-se dela?). A chegada da pequena cadela foi uma bênção e um susto, porque passados poucos dias começou a sofrer ataques de epilepsia, e quase morreu nas nossas mãos num cenário de partir o coração, alterando ainda mais a minha montanha-russa hormonal. Felizmente conseguiu ser tratada, reagiu bem, e de uma bolinha com 1kg passou a uma cadela enérgica e estouvada que já vai nos seus 7kgs. A veterinária foi eficiente e atenta, e os preços praticados aqui são muito mais baixos que no continente, surpresa agradável no meio da aflição! Nós tivemos de ser enfermeiros em casa, e consideramos a experiência das noites mal dormidas e dos dias agitados um treino prévio à chegada do bebé, que já tem uma amiga sem o saber. Estrela é o seu nome, gosta de colo ainda, e de vez em quando abraça a barriga que acolhe o membro mais novo da “matilha”... trazendo consigo uma energia feminina para equilibrar a família, que vai ser abençoada com mais um elemento masculino!

 

(continua)

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Publicado em Inominável nº 15

por Inês Rocha, autora do blog Alquimia do Momento

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