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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qui | 13.09.18

Play it Sam! | Cinema em "carne e osso"

 

Após muitos números a falar da sétima arte pura e dura, creio ter chegado o momento de falar sobre cinema numa perspectiva mais urbana…

 

Lisboa, desde que me lembro, sempre teve muitos cinemas. Há 30/40 anos ir ao cinema era um acto de cultura. E tendo em conta as distâncias percorridas, maioritariamente em transportes públicos, ver um filme equivalia quase sempre a gastar um dia.

 

Se ainda por cima morássemos relativamente longe, havia que escolher uma matiné e mesmo assim na maioria das vezes chegava-se a casa já bem de noite.

 

Rebobinando muitos anos, relembro que o primeiro cinema de Lisboa em que entrei foi o Avis, na avenida Duque de Ávila ao Arco-Cego.

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Estaríamos aí pelos finais dos anos 60 e o edifício em causa actualmente já não existe. E lembro-me como se fosse hoje do filme que vi. Foi uma comédia francesa protagonizada por Bourvil, denominada “O Ás do Pedal”:

 

 

Entretanto o tempo passou tão célere que já só me vêm à memória os cinemas da Baixa lisboeta nos anos setenta. Num espaço de centenas de metros concentravam-se uma série de salas onde os filmes entravam e saíam da tela a grande velocidade.

 

Vindo do Marquês de Pombal, a meio da Avenida da Liberdade encontravam-se duas salas de cinema.

 

O São Jorge,

 

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cuja sala enorme foi nos anos 80 substituída por três mais pequenas; na sua reinauguração estive presente a ver este filme:

 

 

Defronte deste belo edifício, do outro lado da Avenida, numa esquina ergue-se o Cinema Tivoli. Uma obra de arte arquitectónica do início do século XX e onde vi muitos e bons filmes.

 

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Assumo aqui e agora que esta foi talvez a minha sala preferida de cinema durante muitos anos. Hoje está mais virada (e bem!) para o teatro. Mas seja como for, é um edifício marcante na capital.

 

Ao descermos a mesma Avenida até à Praça dos Restauradores encontraríamos mais duas belas salas de cinema, actualmente desmanteladas.

 

Uma dessas salas foi o Eden-Teatro,

 

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que depois de cinema foi uma loja de discos e mais recentemente uma Loja do Cidadão. Nesta sala vi o meu primeiro filme de Spielberg, que foi à época um enorme sucesso. Naquele Verão, a cabeça de um animal destacava-se no enormíssimo cartaz que tapava quase por completo a fachada. Falo, como calculam, de “O Tubarão” (não é obviamente o cartaz desta imagem),

 

 

Entretanto, do outro lado da praça erguia-se o Cinema Condes.

 

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Uma sala com três níveis de lugares, como quase todas as salas na altura, sendo que o 1º Balcão tinha umas cadeiras espectaculares. Todavia, o mais curioso é que foi no 2º Balcão desta sala que apanhei o maior susto da minha vida ao ver um filme, “Alien” de seu nome, e sinceramente nessa tarde tive, pela primeira vez na minha vida, medo numa sala de cinema…

 

Pegado a este edifício havia outra sala, o Odéon,

 

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onde também vi alguns filmes, estes de menor qualidade. Em frente, o Olympia, outra sala de filmes menores onde assumidamente nunca entrei.

 

Fora desta zona havia outros cinemas com salas gigantescas. Todos eles, entretanto, já encerraram as portas ou foram transformados noutros negócios.

 

São os casos do cinema Alvalade,

 

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do cinema Império,

 

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Ou do cinema Roxy na Almirante Reis,

 

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Todavia, houve uma sala que foi, durante muitos anos, um quase ex-libris da Capital. Chamava-se Monumental e fazia justiça ao seu nome,

 

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Nesta enorme sala, também já demolida para dar lugar a um edifício de escritórios e um Centro Comercial, vi outrossim fabulosos filmes, como este:

 

Recordo ainda outras salas onde o cinema de grande qualidade era destaque. Foi o caso do “Nimas” na Avenida 5 de Outubro,

 

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Ou do Quarteto, ali paredes meias com a Avenida dos Estados Unidos da América,

 

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Poderia ainda falar de muitas outras salas, como o Vox perto da avenida de Roma, o Europa em Campo de Ourique ou o Mundial perto da Fontes Pereira de Melo.

 

Hoje as salas de cinemas são pequenos nichos, na maioria vazias, sem graça e com demasiado som de pipocas. Sinceramente, ver um filme em casa não é cinema, é somente televisão.

 

Percorri tantas salas de cinema por esse país que por vezes perco-me nessas boas memórias. O Virgínia, na actual cidade de Torres Novas, é um dos exemplos de uma belas sala da sétima arte onde assisti a grandes películas.

 

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Tal como em Almada, onde vivi durante muitos anos, a Academia Almadense,

 

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 a Incrível Almadense,

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ou porque não falar do Ginásio de Corroios (do qual não consegui imagens) onde vi todos os filmes sempre depois da meia noite. Curiosamente lembro-me do último que lá vi, este…

 

 

 

A gente lê-se por aí!

 

 

 

Nota: agradeço ao autor do blogue http://restosdecoleccao.blogspot.com a autorização do uso da maioria das fotos que ilustram este texto.

 

  

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Publicado em Inominável nº 15

por José da Xã, autor do blog Lados AB

 

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