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Revista Inominável

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Ter | 17.04.18

Diversidades | Valorização de Detritos - parte 1

Transformar naturalmente os resíduos domésticos em fertilizante

Numa época em que a educação ambiental é elemento de medição do grau de desenvolvimento das sociedades, todos nós já escutámos a expressão “compostagem”, que não é mais do que uma palavra moderna, estilizada e urbana que substitui a centenária e bucólica “estrumeira”, tão vulgar e valiosa no mundo rural dos meus avós… em tempos idos. Numa óptica da política dos três “erres” – Reduzir, Reciclar e Reutilizar – a compostagem permite reduzir a quantidade de resíduos orgânicos a expedir para os aterros sanitários, possibilita reciclar matéria orgânica e proporciona uma nova utilização.

A compostagem é um método de decomposição aeróbia (com presença obrigatória de oxigénio) de substratos orgânicos, em condições que permitam micro-organismos termófilos (o aumento da temperatura surge como resultado da libertação de calor na degradação biológica dos substratos). O resultado deste processo é um produto final suficientemente estabilizado que pode ser aplicado no solo sem impactos ambientais adversos, a que se dá o nome de composto. Há uma valorização da matéria orgânica, pois o composto pode ser utilizado como adubo, melhorando substancialmente a estrutura do solo, dado que possui organismos benignos e fungicidas naturais.

Não requerendo grandes conhecimentos, a compostagem doméstica é fácil, sustentável e o fertilizante adequa-se aos solos, sejam de hortas, de jardins, de quintais ou simplesmente para vasos ou floreiras. Por todas estas razões, não existem argumentos para que não a façamos, pese o facto de quem habite um 7º andar de um qualquer bloco de apartamentos tenha mais dificuldade em a concretizar.

Essencial a toda esta mecânica é o “compostor”, que é um equipamento ou estrutura que reproduz de um modo mais acelerado o que se passa na natureza, facilitando a decomposição dos vários resíduos orgânicos e obtendo-se genericamente “húmus”. Requer, pois, algum espaço para colocação do “caixote” – que pode ser adquirido em qualquer loja vocacionada para hortas/jardins ou simplesmente construído em ripado de madeira. Se o espaço livre para afectar ao processo for bastante, então tudo ainda está mais simplificado pois basta ir depositando a matéria orgânica uma sobre a outra num “monte” – não sendo, contudo, a forma que apresenta “melhor aspecto”.

compostores.jpg

Uma outra maneira de decompor os materiais orgânicos sem usar um compostor físico consiste em abrir um buraco na terra com cerca de 1 m de diâmetro e 35/40 cm de profundidade e aí colocar os resíduos, cobrindo-os de seguida com uma camada de terra ou folhas secas. É evidente que o volume de resíduos a tratar requer a existência de maior ou menor espaço.

Na seguinte tabela enumeram-se os resíduos que podem/devem ser compostados, bem como os materiais que não deverão entrar no processo de compostagem.

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(continua)

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Publicado em Inominável nº 13

por Eliseu Pimenta

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