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Revista Inominável

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Qui | 14.06.18

Diversidades | Faróis ConVida #2

(continuação)

O farol de Leça, impulsionado pelo naufrágio do paquete inglês “Veronese” em Janeiro de 1913, é uma torre cilíndrica com 46 metros de altura – o topo alcança-se subindo 213 degraus – colorida com finas riscas verdes, tendo entrado em funcionamento em Dezembro de 1926. Emite uma luz com um alcance de 28 milhas náuticas (cerca de 52 quilómetros), e entre 1926 e 1962 funcionou como Escola de Faroleiros.

Farol Leça Palmeira.png

O farol de Aveiro, com o título de “mais alto de Portugal” e no pódio do campeonato da Europa, possui 62 metros de altura pintados a riscas horizontais vermelhas e brancas, o que faz desta forma cónica da praia da Barra o mais imponente do país. São necessários 271 degraus de pedra e mais 20 de ferro para atingir o seu topo, de onde é emitida luz que alcança 23 milhas náuticas (cerca de 43 km). Esta estrutura construída em 1893 brinda o visitante com uma soberba paisagem sobre o mar e sobre a ria.

Farol Aveiro.jpg

No piso térreo existe uma exposição que permite recuar no tempo e, entre outros ensinamentos, reconhecer as diferentes fontes de energia que foram sendo utilizadas para o funcionamento da estrutura – azeite, petróleo, gás e, por último, a electricidade.

O Farol do Cabo da Roca está situado no ponto mais ocidental da Europa Continental e é, sem dúvida, por essa e outras razões, um dos mais emblemáticos da nossa costa. Edificado 165 metros acima do nível médio das águas do mar, emite luz com alcance de 26 milhas – aproximadamente 48 km – a partir de uma torre quadrangular com 22 metros.

Farol Cabo da Roca.JPG

Trata-se de um dos faróis mais antigos da costa portuguesa (entrou em funcionamento em 1772) e faz parte do grupo de seis mandados erigir por alvará pombalino de 1758.

Rodeado de paisagem deslumbrante, associado ao suave e meloso feitiço do local e ao Atlântico caído a seus pés, eterniza-se o local, poetizando Camões, que é “onde a terra se acaba e o mar começa”.

O farol de Santa Marta, em Cascais, é actualmente o único farol-museu de Portugal. Em 2006, a Marinha e a Câmara de Cascais iniciaram obras de remodelação e adaptação para que este farol incluísse também uma unidade museológica. Edificado no antigo Forte de Santa Marta, na ponta do Salmôdo, e inaugurado em Março de 1868, possui hoje uma torre quadrangular em alvenaria revestida com azulejos, branca com riscas azuis horizontais, e tem 20 metros de altura, que resultaram de uma ampliação de 8 metros ocorrida em 1936.

Farol Santa Marta.jpg

 

Já ouviram falar de “Uma aventura na falésia”, história juvenil de mistério das escritoras Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães? Conhecem o cenário da obra? Sim… têm razão: é o Cabo Espichel e o seu farol.

Construído em 1790 a uma cota de 168 metros, é um dos mais antigos de Portugal e está ligado ao esforço de farolizar toda a costa, conhecida como “costa negra” até à segunda metade do século XVIII.

O edifício em que assenta a óptica – lanterna cilíndrica vermelha – tem 32 metros de altura e assume a particularidade arquitectónica de ser uma torre hexagonal branca com edifício anexo. A luz que emana a partir do seu topo tem um alcance de 26 milhas náuticas e o farol encontra-se totalmente automatizado.

Farol Cabo Espichel.jpg

A história conta que já antes da construção do farol se acendia uma fogueira para guiar os marinheiros. Em 1428 já existia a ermida de Nossa Sra. do Cabo, e em 1430 a irmandade edificou um farolim, antecessor do actual farol. Em 1865 era alimentado por 17 candeeiros de azeite, que garantiam um alcance luminoso de 13 milhas marítimas. Em 1886 a iluminação passou a ser por incandescência de vapor de petróleo, e em 1926 por energia eléctrica.

Para além do seu peso na história e da singular arquitectura, esta obra de arte oferece do cimo da torre uma paisagem dominadora, poderosa e inesquecível: o promontorium barbaricum (nome conferido ao cabo por geógrafos da antiguidade, como Ptolomeu e Estrabão), o que por si só justifica a subida de 135 degraus de pedra e 15 de ferro.

A partir de 2011 o Farol do Cabo Espichel passou a estar aberto ao público, uma vez por semana – quartas-feiras, das 14 às 17 horas – para visitas guiadas, que dão a conhecer a missão dos faróis e as funções dos faroleiros, divulgando uma herança com grande valor histórico-cultural. As visitas não necessitam de marcação e são gratuitas.

(continua)

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Publicado em Inominável nº 14

por Eliseu Pimenta

 

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