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Revista Inominável

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Qui | 01.03.18

Dicas de Farmacêutica | Vacinar já não devia ser uma dúvida!

Se vacinar ainda é uma dúvida, algo está mal nas mensagens que têm sido passadas ao longo dos anos sobre este tema. Na grande maioria dos assuntos, sobretudo em termos de saúde, a desinformação é a principal responsável pela propagação do medo. Vamos mais uma vez esclarecer o que é e para que serve a vacinação, de modo a tentar que as pessoas nem sequer questionem este bem, em prol da saúde no mundo.

 

Dicas de Farmacêutica | Vacinar já não devia ser uma dúvida!

 

Vacina é um tipo de substância (vírus ou bactéria) que é introduzida no corpo de uma pessoa ou de um animal, de forma a criar imunidade a uma determinada doença. A imunidade criada através da vacina baseia-se na capacidade de reação do organismo aos agentes infecciosos ao produzir anticorpos que combatem esses agentes.

 

Quando uma pessoa ou animal são vacinados contra uma determinada doença, passam a ter imunidade em relação a essa doença. Mesmo que esta proteção (imunidade) não seja total, quem está vacinado tem sempre uma maior capacidade de resistência às respetivas doenças, com sintomas mais ligeiros e menos graves.

 

As vacinas têm uma função preventiva, normalmente são administradas a indivíduos saudáveis e os esquemas de vacinação começam logo na infância, de forma a que a proteção imunitária ocorra o mais cedo possível.

 

É de extrema importância que o Programa Nacional de Vacinação (PNV) seja cumprido e, felizmente, o nosso país tem sido um exemplo neste campo. Doenças como a difteria, a poliomielite, o sarampo ou a tosse convulsa já quase não fazem parte do nosso vocabulário devido à eficácia da vacinação. A principal função da vacinação é prevenir o aparecimento de doenças, muitas delas fatais.

 

Dicas de Farmacêutica | Vacinar já não devia ser uma dúvida!

 

Uma elevada cobertura vacinal traz benefícios pessoais mas também para toda a comunidade, evitando que algumas doenças se espalhem. A chamada imunidade de grupo é a que nos protege e aquela que nos transmite segurança.

 

Muito importante também é a erradicação de determinadas doenças devido à vacinação, isto é, o desaparecimento de uma dada doença numa dada região. Nisto, Portugal também é um bom exemplo. Foram oficialmente erradicadas de Portugal várias doenças: malária, varíola, poliomielite, difteria, raiva humana e, mais recentemente, a rubéola e o sarampo.

 

Como ouvi o pediatra Mário Cordeiro dizer sobre estes resultados, "nada podia ser mais explícito que vale a pena vacinar. Conseguimos controlar e erradicar estas doenças. É bom que não se esqueçam que há cerca de 20 anos Portugal teve um surto de sarampo em que morreram perto de 50 crianças. A memória não pode ser curta para não repetirmos o mesmo erro. Se não vacinarmos podemos voltar a ter o vírus. São as doenças que matam, não as vacinas. Estas são a melhor prevenção."

 

Convém não esquecer que enquanto o vírus ou bactéria circular no mundo, é necessário continuar a vacinar.

 

O Programa Nacional de Vacinação contempla as seguintes vacinas:

 

Dicas de Farmacêutica | Vacinar já não devia ser uma dúvida!

 

Dicas de Farmacêutica | Vacinar já não devia ser uma dúvida!

 

Atenção aos adultos! A vacina do tétano cai muitas vezes no esquecimento, mas deveria ser cumprido o plano. Aconselho uma consulta ao boletim de vacinas ou uma deslocação ao centro de saúde para verificar se a vacina está em dia!

 

Além da vacina do tétano, convém também lembrar a importância da vacina contra o HPV (Vírus do Papiloma Humano), que agora já faz parte do Plano Nacional de Vacinação mas apenas para raparigas. O HPV é uma das principais causas de cancro tanto em mulheres como em homens (já que para além do cancro do colo do útero, pode também causar outros cancros anogenitais, como os da vulva, vagina e ânus, e cancros da cabeça/pescoço), por isso deveria também ser dada aos rapazes.

 

Também são de extrema importância as vacinas da gripe, aconselhadas a determinados grupos (pessoas com mais de 65 anos, doentes crónicos e imunodeprimidos, grávidas e profissionais de saúde) e que devem ser feitas anualmente.

 

Além de todas estas vacinas, quando viajamos para determinados países (por exemplo, África, Ásia, América do Sul) devemos ir à consulta do viajante e levarmos as vacinas aconselhadas, sem hesitações e sem receios.

 

A opção de vacinar ou não vacinar não pode assentar em suposições e está longe de ser uma decisão individual, já que o indivíduo não vive sozinho, não é independente da comunidade. Vacinar deve ser uma obrigatoriedade, não uma opção!

 

Em resumo, os benefícios da imunização estão amplamente comprovados. A vacinação é responsável por erradicar por completo diversas doenças e por impedir anualmente milhões de mortes em todo o mundo. Vacinar já não devia ser uma dúvida! As vacinas não matam, mas as doenças podem matar!

 

 

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Publicado em Inominável nº 12

por Margarida de Sá, autora do blog Dicas de Farmacêutica

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