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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qui | 28.12.17

Animais & Mais | Pessoa de cães ou pessoa de gatos?

Até há dois anos, a quem me perguntasse eu diria que era uma “pessoa de cães”. Tive cães praticamente desde que nasci! E não passo por um na rua a que não faça festas, obviamente depois de avaliar se é seguro, embora já tenha feito algumas tolices.

Mas tive de aprender a lidar com gatos desde que uma amiga me pediu socorro para um gatinho encontrado junto ao estabelecimento dela e que parecia ferido e assustado.

 

 

Mal vi aquele pequeno, de cerca de 5-6 meses, todo encolhido, numa caixa de papelão, o meu coração apertou-se. Trouxe-o para casa, e depois é que começaram as atribulações… Um gato??!!! Mas que me deu! Eu não sei tratar de gatos! O que é preciso? Que areia lhe ponho? Que comida lhe dou? De que vacina necessita? Como é que habituo o cão ao gato e o gato ao cão? Que caixa de areia compro? Caixa aberta ou fechada? Onde dormem? Castrar ou não castrar?

 

Dediquei-me então a umas pesquisas rápidas e a perguntar a quem conhecia, e que sabia que possuíam felinos, o que fazer com a pequena criatura assustada que eu tinha em mãos. O que vou deixar aqui é o que fui aprendendo neste dois anos, e fruto não só da investigação por mim realizada, mas também da experiência.

 

Primeiro que tudo, antes até de ter um gato é importante adquirir um arranhador. É imprescindível ter esse objeto precioso em casa! Os gatos arranham, é da sua natureza, e é preferível que o façam num arranhador do que nos móveis. Se a casa tem dois pisos, coloque um no piso de cima e outro em baixo! Gaste mais dinheiro agora e lembre-se dos móveis, principalmente sofás e cadeirões, já que bichanos adoram afiar as unhas neles! O passo seguinte é educar o gato a arranhar no local certo… O que significa que o bichano deve estar confinado, no início, a um determinado espaço onde a probabilidade de fazer estragos é menor. Assim que o possamos vigiar e corrigir o seu comportamento, devemos dar-lhe liberdade pela casa. Claro que se perde um pouco de tempo no início com esta educação “onde posso ou não arranhar”, mas vai valer a pena.

 

 

Resulta muito bem colocar um spray de “catnip” no arranhador; contém uma substância, estimulante para muitos gatos, que se obtém a partir das folhas da Nepeta canaria. Não é aditiva e o seu efeito dura apenas uns minutos, mas é o suficiente para o nosso felino se interessar pelo arranhador. Também lhes despertará interesse se o gato vos vir a “arranhar” o dispositivo adquirido para o efeito. Vá... Quando pararem de rir eu explico!

Sim. Se nós humanos simularmos que estamos a arranhar no local que queremos que o gato o faça, ele terá mais propensão para o fazer também. Muitos dos seus comportamentos surgem por imitação.

 

De seguida devemos comprar um corta-unhas para gatos, e aprender a cortar as unhas corretamente - qualquer veterinário vos ensinará a fazê-lo; deve-se, então, realizar a manicura ao nosso felino amiúde, isto pelo menos enquanto ele não aprender a comportar-se. As unhas cortadas diminuem muito os estragos!

 

Bem, agora que temos os móveis salvaguardados é só ter um local para realizarem as suas necessidades felinas mais básicas. Existem muito WCs para gatos à venda no mercado, para todas as bolsas e gostos. Atualmente até existem uns que se limpam sozinhos! Por alguns euros pode conseguir a ScoopFree, e gastando mais um bocado a Litter Robot, ou ainda a Catit SmartSift, que são umas maravilhas da tecnologia e um pesadelo para qualquer bolsa modesta!

 

 

Eu tenho uma simples, fechada e com carvão activado no topo, dizem “eles” que absorve parte do odor, coisa em que estou tentada a não acreditar. Como a minha gata só faz o número 2 uma vez ao dia (que é o que cheira pior) e a horas mais ou menos certas é, para mim, mais fácil limpar. Pessoalmente, prefiro retirar todos os dias as suas necessidades da caixa de areia.

 

Também prefiro uma caixa de areia fechada, acaba por ser mais higiénico não ter à vista as necessidades, além de ser menos prazeroso olhar para a caixa aberta. Quanto à portinhola, para ela entrar no respetivo “aposento de necessidades” tive de a retirar. A bichana, que é uma picuinhas, não gostava nada de ser ver enclausurada ali e ficava piursa quando a porta lhe acertava no traseiro. Mas julgo que será uma questão de hábito.

 

Quanto à areia, aqui é que a porca torce o rabo! Neste caso, a gata!

Há tantas, mas tantas, que a escolher que até se fica tonto! Há sem cheiro, ou então com cheiro a pó de talco, a lavanda e sei lá que mais, existem areias finas, extrafinas ou grossas, aglomerantes ou normais, e a sílica, que não é bem uma areia mas faz as vezes da mesma. Ainda pode contar com um material de origem vegetal e biodegradável…. Enfim… mais uma vez, há para todos os gostos e preços!

 

 

O que é que eu uso?

 

 

Uso a economia aliada à higiene e facilidade de limpeza. Compro uma areia normal, geralmente de marca branca, embora existam umas melhores que outras - algumas largam mais pó, e essas risco logo da lista. Além da areia normal compro também aglomerante e misturo um saco de aglomerante (de 5 L) com metade da areia normal. O que acontece é que a aglomerante me facilita a retirada diária dos xixis e cocós, e as duas juntas enchem mais a caixa e permite que durem mais tempo até ficarem saturadas. Faço a limpeza total da caixa de areia sempre que noto isso, que é à volta de mais ou menos 15 dias, sempre para mais do que para menos. Não esqueço é que a profundidade de areia deve rondar os 3,5 cm, já que eles gostam de escavar.

 

Há, no entanto, quem diga maravilhas da sílica. Quando experimentei com o gato, este mandou-me ir dar uma curva e levar a sílica comigo! Além disso, o facto de não conseguir tirar a urina do bichano diariamente, porque é absorvida, causava-me uma certa impressão. Aquilo depois fica com uma cor amarelada nada agradável. Mas isso sou eu. O conselho é que experimentem de tudo, dependendo dos gatos que estão dispostos a ter, e vejam o que resulta melhor para vocês e para o vosso amigo de 4 patas.

Pronto, agora já temos arranhador, casa de banho, só falta a comida. Essa é outra história… Existe também uma enorme variedade, e depois da tontura com a escolha da areia a seguir ficará de certeza com dor de cabeça!

 

 

O que escolher para o meu gato comer?

Mais uma vez, tudo depende de ter ou não a carteira recheada. É óbvio que uma ração de melhor qualidade é o aconselhável, mas sem gastar muito pode obter uma aceitável. E, neste caso, vale a pena gastar mais um pouco. Isto porque o pêlo e a saúde do bichano estão em consideração. Com uma boa ração cairá menos pelo, e além disso ficará mais brilhante e sedoso; para gatos esterilizados podem evitar problemas renais e obesidade. Um certo número de coisas que temos de ter em consideração. Gasta-se mais na ração, mas poupa-se na conta do veterinário e em sacos de aspirador.

Quanto à comida húmida, o meu sério conselho é que a use como petisco. Há veterinários que aconselham a que se dê o equivalente a uma colher de café por dia. E colocando o que sobra de uma latinha no frigorífico, isso faz com que dê para pelo menos 3 dias. Para os gatos que conheço, a hora desse pitéu é o ponto alto do dia! Eles adoram! Mas cuidado porque não é uma alimentação adequada e deve ser muito regrada.

 

 

 

Os gatos precisam de vacinação?

Tenho uns vizinhos que sempre tiveram gatos e o que diziam é que eles não necessitam de vacinação. Ouvia aquela afirmação e nunca tentei confirmar a sua veracidade. Mas depois de praticamente me cair um peludo felino no colo essa preocupação tornou-se premente. Os gatos precisam de vacinas, sim!

Tal como para outros animais, a prevenção é sempre o melhor caminho! E há muitas maleitas que poderemos evitar se tivermos o boletim do nosso amigo em ordem. Uma das doenças que podemos prevenir é a FELV, ou vírus da leucemia felina, que assume uma importância primordial se o gato vai dar uns “passeiozinhos” ao bairro.

 

 

 

Esterilizar ou não esterilizar?

Infelizmente em Portugal não existem campanhas de esterilização e não há o hábito de esterilizar os animais. Embora exista já alguma tendência para a mudança, ela ainda não é a sério. Esterilizar um animal, principalmente um bichano que poderá dar os seus passeios, é um comportamento que todos deveríamos ter, já que reduz muito a probabilidade de termos animais abandonados. Não é a primeira vez que surgem gatinhos deitados ao lixo em sacos plásticos e que alguém descobre. Aqui há dias foram atirados para um quintal, também embrulhados num saco plástico! Há coisas que não entendo…

 

Uma veterinária que conheço dizia que tinha clientes que esterilizavam os seus gatos às escondidas dos maridos! Pergunto-me se os maridos dessas senhoras acharão que a castração se transmite, como uma virose!!

 

Seja como for, se não for um criador esterilize os seus animais.

É caro?

Para uma fêmea o preço não é pêra doce, mas se ela não sair de casa, você tiver uns bons ouvidos e não se importar com as suas lamúrias quando ela está com o cio, até compreendo que não o faça. Mas se é um felino que pode sair, por favor esterilize-o.

 

Nos gatos, diminui a chance de marcarem território, que é algo que possui um odor pestilento! E nas gatas evita o cio. Além disso, em ambos os géneros diminui a probabilidade de surgirem algumas patologias.

Por exemplo a piometra, inflamação no útero comum em felinas idosas, e que pode ser fatal se não for realizada a esterilização. Assim como diminui a possibilidade de alguns tumores, no útero e ovários.

 

Nos felinos, como lhes são removidos os testículos não terão tumores nessa região.

 

Os bichanos não mudam de personalidade por serem esterilizados, continuam a brincar e são os mesmos de sempre, apenas poderão ter um aumento do apetite, daí a escolha de uma ração adequada, e poderão ficar mais calmos. No entanto, existe um maior risco de infeções urinárias nos gatos, mas mais uma vez existem no mercado rações que ajudam a combater isso. E uma boa higiene da caixa de areia também é ideal.

Eu não notei nenhuma diferença nos meus animais antes e depois de esterilizados. E nenhum deles é obeso!

 

Não se esqueçam é de que as gatas podem ser esterilizadas a partir dos 6 meses e os gatos podem ser castrados aos 8/9 meses (no entanto, num animal mais precoce pode acontecer ser mais cedo).

 

 

Comprar uma caminha para o gato?

 

 

Nisso os gatos são muito diferentes dos cães. Os meus cães deitavam-se sempre na caminha que eu lhes arranjasse, e onde estivesse a caminha era onde se deitavam. Já os gatos é que escolhem o seu local preferido, e não adianta adquirir uma caminha toda “XPTO” que ele não quer saber! O que eu fiz foi deixá-lo escolher o seu local e depois fui introduzindo um almofadão confortável naquele local. Neste momento adora o almofadão e é lá que se deita. Mas se eu mudar a caminha de local ele já não quer saber dela, o que quer é o sítio que escolheu!

 

Quanto a habituar o gato ao cão e vice-versa a coisa saiu mais fácil do que eu pensava, e passados 5 dias já eram os melhores amigos. No entanto, nem todos os animais são assim tão pacíficos. O importante é nunca forçar a presença de um ao outro e deixar que ambos se conheçam ao seu ritmo e tenham pontos de fuga. Logicamente, deve travar-se desde cedo a perseguição, que não se trata, muitas vezes, mais do que curiosidade que os cães têm em relação aos gatos.

 

A verdade é que gatos são uma maravilha, e só quem os tem é que percebe o quando eles nos fazem bem. E melhor do que um gato é ter dois gatos! Sim, neste momento é a minha conta, e só não é mais porque aos que foram surgindo à minha porta lhes fui arranjando dono.

E já não posso dizer que sou uma pessoa de cães, até porque este está em minoria.

 

 

 

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Publicado em  Inominável nº 11

por Golimix autora do blog Eu tento, mas meu tento não consegue

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