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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Seg | 19.11.18

Musicalizando | Bárbara Bandeira

Bárbara nasceu a 23 de junho de 2001, em Azeitão, e é atualmente uma das jovens artistas mais populares em Portugal, com centenas de milhares de seguidores que não lhe poupam elogios.

Filha do cantor português Rui Bandeira e da instrutora brasileira Siara Holanda, Bárbara tem, assim, dupla nacionalidade.

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O pai terá, por certo, sido a sua maior influência e referência musical ao longo da sua vida, mas Bárbara tem também como inspirações artistas como Demi Lovato, Jennifer Hudson ou Selena Gomez.

Foi aos dez anos que participou no programa da TVI "Uma Canção para Ti". Em 2014, concorreu ao programa "The Voice Kids Portugal", onde integrou a equipa do mentor Anselmo Ralph.

Durante a sua participação acabou por tornar-se popular, através de redes sociais como o Twitter ou o Instagram.

Mas foi em novembro de 2015 que começou a delinear o seu percurso musical, com o lançamento do seu primeiro single, "Crazy".

Cerca de dois anos depois Bárbara volta a surpreender o público em geral, e os seus fãs em particular, com o tema "És Tu”, que fez parte da banda sonora da novela da SIC “Espelho d'Água”.

Ainda em 2017 lançou o single "A Última Carta", que viria a integrar o primeiro EP da artista.

No entanto, poder-se-á afirmar que o ano de 2018 está a ser o ano de Bárbara Bandeira.

Nomeada para os Globos de Ouro na categoria de Revelação do Ano, Bárbara foi a grande vencedora, levando para casa o seu primeiro Globo de Ouro com apenas 16 anos.

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Em Junho editou o seu EP "Cartas", que na semana de lançamento foi diretamente para o número 2 do Top Nacional de Vendas. Ainda em 2017 lançou o single "A Última Carta", que viria a integrar o primeiro EP da artista. 

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Deste EP fazem parte os singles "A Última Carta", "Friendzone",

"Nem Sequer Doeu",

"E se Eu" e "Como Sou".

Com música de Bárbara Bandeira, Agir e Klasszic, e letras de Bárbara, João Direitinho e Agir, os temas que compõem o EP falam, maioritariamente, de relações que chegaram ao fim.

Com um verão repleto de concertos, em vários palcos um pouco por todo o país, tanto em festas populares como em festivais de verão, como o Meo Marés Vivas, Bárbara já marcou a sua posição no panorama musical português, e tem tudo para ser uma das grandes referências das próximas gerações de artistas.

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Publicado em Inominável nº 16

 por Marta Segão, autora do blog Marta O meu canto e participante no blog Clube de gatos

Sex | 16.11.18

Tanto mar entre nós... | Escrever

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Sonhar pode ser singular

amar escreve-se a dois,

num diário ao deitar

perfumes nele gravar

para recordar depois;

 

Sinto-te parte de mim

numa história que escrevo,

ainda lhe falta um sim

ainda não tem um fim,

se tivesse, era segredo;

 

A seu tempo saberás

do enredo ficcionado,

num futuro sem passado.

A seu tempo saberás,

a meu lado.

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Publicado em Inominável nº 16

por Malik autor do blog Malik, uma outra forma de poesia | PORTUGAL

Qua | 14.11.18

Diversidades | Por terras do Oeste Cisterciense #2

Publicado em Inominável nº 16

por Eliseu Pimenta

Seg | 12.11.18

Diversidades | Por terras do Oeste Cisterciense #1

"Desde os períodos nebulosíssimos da Idade da Pedra habitam os homens as terras de Alcobaça"

Manuel Vieira Natividade

Conta-nos a História que muito do trabalho dos nossos antepassados é pedra angular da nossa actual condição. Por vezes, por desconhecimento, desinteresse ou simplesmente porque o passado é “passado” e como tal não determinante para o amanhã, não entendemos o que somos, como somos e porque somos. De outra forma, quiçá mais sublime, quem devia entender a História muitas vezes não tem a chave para a descodificar, e ao olhar apenas se apercebe do material que a compõe, que muitas vezes é apenas pedra amorfa e inerte: os olhos não vêem o que o coração não sente; aquilo de que nos privam pela incompreensão não se alimenta de emoção.

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Normalmente vivemos sobre um passado que muitas vezes desconhecemos ou ignoramos em parte, mas que será sempre uma herança que nos acompanhará, muitas vezes de forma dissimilada ou invisível. É sobre uma dessas dádivas que vos quero deixar alguns apontamentos, nomeadamente sobre a zona de Alcobaça que, tal como muitas outras localidades, deve o seu topónimo à passagem dos Árabes pela Península Ibérica, que ocorreu no início do século VIII.

Em meados do século XII, D. Afonso Henriques conquista Alcobaça. Se para a conquista e defesa destas terras contou sobretudo com a colaboração das Ordens Religiosas Militares, nomeadamente os Templários, para as povoar e desenvolver economicamente recorreu aos monges beneditinos da Ordem de Cister. Nesse sentido, D. Afonso Henriques fez carta de doação e couto (terreno com gestão própria, imune à administração central) ao abade de Claraval, D. Bernardo, com fins económicos e políticos. Se no primeiro aspecto D. Afonso Henriques pretendia promover o desenvolvimento agrícola da região, aproveitando os vastos conhecimentos e experiência dos monges de Cister nesse campo, no segundo visava o reconhecimento papal do título de rei, que já usava oficialmente. Atendendo ao enorme prestígio que o abade Bernardo de Claraval tinha junto do Papa Eugénio III, de quem era conselheiro, a doação à Ordem de Cister de um território com as dimensões dos Coutos de Alcobaça não deixaria de causar boa imagem ao chefe da Igreja Católica.

Após a chegada dos primeiros monges da Ordem de Cister vindos da abadia de Claraval (França), deu-se início à construção do Mosteiro, que viria a ser o maior e mais belo exemplar da arquitectura religiosa cisterciense medieval em toda a Europa.

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A tarefa empreendida pelos monges de Cister no seu vastíssimo domínio, que abrangia treze vilas e três portos de mar e que, mais tarde, foi conhecido pela designação de Coutos de Alcobaça, realizou-se em várias vertentes, nomeadamente, no chamamento de colonos vindos de fora, na assistência e protecção dos habitantes da região, no cultivo da terra e na criação de gado, na abertura de estradas e na construção de pontes que facilitassem a comunicação com a costa atlântica. O desenvolvimento de pequenas indústrias, para além da construção do Mosteiro, foram também tarefas prioritárias.

Para além das terras, a Ordem de Cister era frequentemente contemplada com importantes doações em dinheiro e jóias, como verificamos nos testamentos de D. Afonso Henriques, D. Afonso III, D. Dinis e D. Pedro I.

Assim, nos finais do século XIII estes Coutos abrangiam toda a região que vai de S. Pedro de Moel à Lourinhã e, para o interior, até à Serra dos Candeeiros e Rio Maior, ocupando a totalidade dos seus domínios, no nosso país, uma extensão superior a 60 mil hectares.

Marco limites coutos de cister.jpg

Os Coutos de Alcobaça ocupavam então as vilas de Alcobaça, Alfeizerão, Aljubarrota, Alvorninha, Cela, Évora de Alcobaça, Maiorga, Paredes, Pederneira, Salir de Matos, Santa Catarina, São Martinho do Porto e Turquel, sendo quatro destas vilas portos de mar, nomeadamente, Salir, Pederneira, Cós e Alfeizerão.

No século XIV, as terras de Alcobaça eram as que se encontravam mais povoadas e com um maior desenvolvimento económico. O período que decorre até ao reinado de D. João I foi o mais rico e mais feliz de toda a sua história, apesar da violenta crise económica social e política que se instalou no nosso país a partir de meados do século XIV. Esta crise, em contraste com a crescente riqueza e poderio dos Coutos, leva à alteração do comportamento moral e social dos monges, cada vez mais afastados dos antigos princípios de pureza, trabalho e humildade. Tal atitude contribuiu para que se tornassem impopulares e sobretudo incómodos, sob o ponto de vista da administração real.

Em 1495, aproveitando a crescente fraqueza do Mosteiro de Alcobaça – os monges deixaram de cultivar as terras, ficando estas ao cuidado dos colonos e, para fazerem face às despesas exorbitantes da vida luxuosa que levavam, desbarataram as riquezas do mosteiro – e a nova política tendente à centralização do poder real, as vilas dos Coutos começaram a reivindicar a sua autonomia municipal. Assim, em 1514 sete vilas recebem Foral Real do rei D. Manuel I, nomeadamente Alfeizerão, Alvorninha, Évora de Alcobaça, Cós, Pederneira, Maiorga e Cela, ficando os domínios da Ordem de Cister reduzidos praticamente à “cerca” do Mosteiro.

Mais tarde, para acabar com os abusos dos abades perpétuos, o rei D. João III passou o governo do Mosteiro para os chamados Abades Comendatários (estes eram nomeados pelo rei, e portanto estranhos à Ordem). Apesar desta alteração, a maioria destes Abades desejava apenas enriquecer às custas do Mosteiro, não revelando qualquer outro interesse pelo futuro da Ordem de Cister em Portugal. Por isso, retomaram a política de extorsão e violência, o que levou muitos colonos a abandonar a região, deixando os próprios frades reduzidos à miséria. Os nobres e as outras Ordens Religiosas vão, a pouco e pouco, conseguindo do Rei a doação de muitas terras pertencentes aos Coutos, doação esta originada num descontentamento geral.

(continua)

Publicado em Inominável nº 16

por Eliseu Pimenta

Sex | 09.11.18

Anexo | Na saúde e na doença

Há três meses fui operada à coluna. Nada complicado, segundo o médico, hérnia discal cervical, entre a C5 e a C6.

E, perante isto, em que pensa a pessoa a quem vão abrir caminho pelo pescoço, logo ali abaixo do queixo, para remover um dos discos da coluna e colocar uma prótese? A pessoa pensa no avanço que vai dar aos montes de livros por ler (pilha não, a minha casa não teria altura para tal) durante a baixa.

Baixa por doença. Lá está, não se pode trabalhar até recuperar. Mas eu achei (achei mesmo) que leria a toda a hora, que colocaria em prática o desejo de qualquer viciado em livros. Os dias passaram… E todas as manhãs eu achava que podia ser esse o dia, mas não foi assim, o cansaço era demasiado para os meus próprios pensamentos, quanto mais para ler os pensamentos dos outros.

Colar cervical sempre. Olhar o mundo com altivez. Não pegar em pesos.

Não é fácil segurar o objecto livro (sim, contornei a regra dos pesos) mesmo usando um apoio, e contrariar a pressão do colar é tarefa impossível. Os braços não levantam o livro, a cabeça não inclina para baixo. Sim, eu sei que há e-readers para simplificar estas situações, e mesmo não gostando tenho um kobo para eventualidades deste género (prefiro que as eventualidades sejam viagens, mas…), no entanto a maquineta desapareceu. Obviamente que o encontrei já o médico me tinha libertado do colar. Não é sempre assim?

Bom, tudo isto parecem desculpas. Conversa para contornar o que interessa, ler. Infelizmente, nas primeiras semanas não o consegui fazer. Não só pelas dificuldades motoras descritas, mas também (acima de tudo, para ser honesta) pelo cansaço mental. Irónico. A vantagem que encontrei para enfrentar o sofrimento que me esperava não foi viável. Dias vazios numa casa cheia de livros. Todas as frases se tornaram difíceis. O esforço para entender não compensava. Experimentei audiobooks, ouvi podcasts (de livros, como é óbvio). A mente cheia de nada, as palavras eram códigos indecifráveis. Dormia, sempre na expectativa de acordar melhor. Olhem, esperando acordar viva, que um dia sem ler é uma espécie de morte. Mas acontecia o oposto. Chama-se recuperação.

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Ao fim de três semanas aventurei-me num romance de fácil entendimento (esperava eu). Estava animada, menos cansada, convenci-me que podia recomeçar. Optei pelo empurrão dócil de um best seller estrangeiro, daqueles que por cá preferimos, parece que o que vem de fora é sempre melhor. Não é. Mas ajudou-me. Era tão linear que parecia que reaprendia a ler, a juntar letras em palavras e palavras em sentidos. Resultava. Li uma história. Findo esse livro, do qual já não recordo nada (antes assim), senti-me acordada para a leitura. Finalmente.

Há ocasiões para todo o tipo de livros, espantei-me. Ou livros para enfrentar maleitas. Automediquei-me.

Li tudo o que pude durante o tempo que me restou em casa. Os livros ajudaram-me a voltar, mas eu preferia ter ficado a pôr a leitura em dia. Com saúde, claro.

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Publicado em Inominável nº 16

por  Márcia Balsas  autora do blog  Planeta Marcia

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