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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Bárbara nasceu a 23 de junho de 2001, em Azeitão, e é atualmente uma das jovens artistas mais populares em Portugal, com centenas de milhares de seguidores que não lhe poupam elogios.

Filha do cantor português Rui Bandeira e da instrutora brasileira Siara Holanda, Bárbara tem, assim, dupla nacionalidade.

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O pai terá, por certo, sido a sua maior influência e referência musical ao longo da sua vida, mas Bárbara tem também como inspirações artistas como Demi Lovato, Jennifer Hudson ou Selena Gomez.

Foi aos dez anos que participou no programa da TVI "Uma Canção para Ti". Em 2014, concorreu ao programa "The Voice Kids Portugal", onde integrou a equipa do mentor Anselmo Ralph.

Durante a sua participação acabou por tornar-se popular, através de redes sociais como o Twitter ou o Instagram.

Mas foi em novembro de 2015 que começou a delinear o seu percurso musical, com o lançamento do seu primeiro single, "Crazy".

Cerca de dois anos depois Bárbara volta a surpreender o público em geral, e os seus fãs em particular, com o tema "És Tu”, que fez parte da banda sonora da novela da SIC “Espelho d'Água”.

Ainda em 2017 lançou o single "A Última Carta", que viria a integrar o primeiro EP da artista.

No entanto, poder-se-á afirmar que o ano de 2018 está a ser o ano de Bárbara Bandeira.

Nomeada para os Globos de Ouro na categoria de Revelação do Ano, Bárbara foi a grande vencedora, levando para casa o seu primeiro Globo de Ouro com apenas 16 anos.

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Em Junho editou o seu EP "Cartas", que na semana de lançamento foi diretamente para o número 2 do Top Nacional de Vendas. Ainda em 2017 lançou o single "A Última Carta", que viria a integrar o primeiro EP da artista. 

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Deste EP fazem parte os singles "A Última Carta", "Friendzone",

"Nem Sequer Doeu",

"E se Eu" e "Como Sou".

Com música de Bárbara Bandeira, Agir e Klasszic, e letras de Bárbara, João Direitinho e Agir, os temas que compõem o EP falam, maioritariamente, de relações que chegaram ao fim.

Com um verão repleto de concertos, em vários palcos um pouco por todo o país, tanto em festas populares como em festivais de verão, como o Meo Marés Vivas, Bárbara já marcou a sua posição no panorama musical português, e tem tudo para ser uma das grandes referências das próximas gerações de artistas.

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Publicado em Inominável nº 16

 por Marta Segão, autora do blog Marta O meu canto e participante no blog Clube de gatos

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Sonhar pode ser singular

amar escreve-se a dois,

num diário ao deitar

perfumes nele gravar

para recordar depois;

 

Sinto-te parte de mim

numa história que escrevo,

ainda lhe falta um sim

ainda não tem um fim,

se tivesse, era segredo;

 

A seu tempo saberás

do enredo ficcionado,

num futuro sem passado.

A seu tempo saberás,

a meu lado.

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Publicado em Inominável nº 16

por Malik autor do blog Malik, uma outra forma de poesia | PORTUGAL

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Publicado em Inominável nº 16

por Eliseu Pimenta

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"Desde os períodos nebulosíssimos da Idade da Pedra habitam os homens as terras de Alcobaça"

Manuel Vieira Natividade

Conta-nos a História que muito do trabalho dos nossos antepassados é pedra angular da nossa actual condição. Por vezes, por desconhecimento, desinteresse ou simplesmente porque o passado é “passado” e como tal não determinante para o amanhã, não entendemos o que somos, como somos e porque somos. De outra forma, quiçá mais sublime, quem devia entender a História muitas vezes não tem a chave para a descodificar, e ao olhar apenas se apercebe do material que a compõe, que muitas vezes é apenas pedra amorfa e inerte: os olhos não vêem o que o coração não sente; aquilo de que nos privam pela incompreensão não se alimenta de emoção.

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Normalmente vivemos sobre um passado que muitas vezes desconhecemos ou ignoramos em parte, mas que será sempre uma herança que nos acompanhará, muitas vezes de forma dissimilada ou invisível. É sobre uma dessas dádivas que vos quero deixar alguns apontamentos, nomeadamente sobre a zona de Alcobaça que, tal como muitas outras localidades, deve o seu topónimo à passagem dos Árabes pela Península Ibérica, que ocorreu no início do século VIII.

Em meados do século XII, D. Afonso Henriques conquista Alcobaça. Se para a conquista e defesa destas terras contou sobretudo com a colaboração das Ordens Religiosas Militares, nomeadamente os Templários, para as povoar e desenvolver economicamente recorreu aos monges beneditinos da Ordem de Cister. Nesse sentido, D. Afonso Henriques fez carta de doação e couto (terreno com gestão própria, imune à administração central) ao abade de Claraval, D. Bernardo, com fins económicos e políticos. Se no primeiro aspecto D. Afonso Henriques pretendia promover o desenvolvimento agrícola da região, aproveitando os vastos conhecimentos e experiência dos monges de Cister nesse campo, no segundo visava o reconhecimento papal do título de rei, que já usava oficialmente. Atendendo ao enorme prestígio que o abade Bernardo de Claraval tinha junto do Papa Eugénio III, de quem era conselheiro, a doação à Ordem de Cister de um território com as dimensões dos Coutos de Alcobaça não deixaria de causar boa imagem ao chefe da Igreja Católica.

Após a chegada dos primeiros monges da Ordem de Cister vindos da abadia de Claraval (França), deu-se início à construção do Mosteiro, que viria a ser o maior e mais belo exemplar da arquitectura religiosa cisterciense medieval em toda a Europa.

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A tarefa empreendida pelos monges de Cister no seu vastíssimo domínio, que abrangia treze vilas e três portos de mar e que, mais tarde, foi conhecido pela designação de Coutos de Alcobaça, realizou-se em várias vertentes, nomeadamente, no chamamento de colonos vindos de fora, na assistência e protecção dos habitantes da região, no cultivo da terra e na criação de gado, na abertura de estradas e na construção de pontes que facilitassem a comunicação com a costa atlântica. O desenvolvimento de pequenas indústrias, para além da construção do Mosteiro, foram também tarefas prioritárias.

Para além das terras, a Ordem de Cister era frequentemente contemplada com importantes doações em dinheiro e jóias, como verificamos nos testamentos de D. Afonso Henriques, D. Afonso III, D. Dinis e D. Pedro I.

Assim, nos finais do século XIII estes Coutos abrangiam toda a região que vai de S. Pedro de Moel à Lourinhã e, para o interior, até à Serra dos Candeeiros e Rio Maior, ocupando a totalidade dos seus domínios, no nosso país, uma extensão superior a 60 mil hectares.

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Os Coutos de Alcobaça ocupavam então as vilas de Alcobaça, Alfeizerão, Aljubarrota, Alvorninha, Cela, Évora de Alcobaça, Maiorga, Paredes, Pederneira, Salir de Matos, Santa Catarina, São Martinho do Porto e Turquel, sendo quatro destas vilas portos de mar, nomeadamente, Salir, Pederneira, Cós e Alfeizerão.

No século XIV, as terras de Alcobaça eram as que se encontravam mais povoadas e com um maior desenvolvimento económico. O período que decorre até ao reinado de D. João I foi o mais rico e mais feliz de toda a sua história, apesar da violenta crise económica social e política que se instalou no nosso país a partir de meados do século XIV. Esta crise, em contraste com a crescente riqueza e poderio dos Coutos, leva à alteração do comportamento moral e social dos monges, cada vez mais afastados dos antigos princípios de pureza, trabalho e humildade. Tal atitude contribuiu para que se tornassem impopulares e sobretudo incómodos, sob o ponto de vista da administração real.

Em 1495, aproveitando a crescente fraqueza do Mosteiro de Alcobaça – os monges deixaram de cultivar as terras, ficando estas ao cuidado dos colonos e, para fazerem face às despesas exorbitantes da vida luxuosa que levavam, desbarataram as riquezas do mosteiro – e a nova política tendente à centralização do poder real, as vilas dos Coutos começaram a reivindicar a sua autonomia municipal. Assim, em 1514 sete vilas recebem Foral Real do rei D. Manuel I, nomeadamente Alfeizerão, Alvorninha, Évora de Alcobaça, Cós, Pederneira, Maiorga e Cela, ficando os domínios da Ordem de Cister reduzidos praticamente à “cerca” do Mosteiro.

Mais tarde, para acabar com os abusos dos abades perpétuos, o rei D. João III passou o governo do Mosteiro para os chamados Abades Comendatários (estes eram nomeados pelo rei, e portanto estranhos à Ordem). Apesar desta alteração, a maioria destes Abades desejava apenas enriquecer às custas do Mosteiro, não revelando qualquer outro interesse pelo futuro da Ordem de Cister em Portugal. Por isso, retomaram a política de extorsão e violência, o que levou muitos colonos a abandonar a região, deixando os próprios frades reduzidos à miséria. Os nobres e as outras Ordens Religiosas vão, a pouco e pouco, conseguindo do Rei a doação de muitas terras pertencentes aos Coutos, doação esta originada num descontentamento geral.

(continua)

Publicado em Inominável nº 16

por Eliseu Pimenta

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Há três meses fui operada à coluna. Nada complicado, segundo o médico, hérnia discal cervical, entre a C5 e a C6.

E, perante isto, em que pensa a pessoa a quem vão abrir caminho pelo pescoço, logo ali abaixo do queixo, para remover um dos discos da coluna e colocar uma prótese? A pessoa pensa no avanço que vai dar aos montes de livros por ler (pilha não, a minha casa não teria altura para tal) durante a baixa.

Baixa por doença. Lá está, não se pode trabalhar até recuperar. Mas eu achei (achei mesmo) que leria a toda a hora, que colocaria em prática o desejo de qualquer viciado em livros. Os dias passaram… E todas as manhãs eu achava que podia ser esse o dia, mas não foi assim, o cansaço era demasiado para os meus próprios pensamentos, quanto mais para ler os pensamentos dos outros.

Colar cervical sempre. Olhar o mundo com altivez. Não pegar em pesos.

Não é fácil segurar o objecto livro (sim, contornei a regra dos pesos) mesmo usando um apoio, e contrariar a pressão do colar é tarefa impossível. Os braços não levantam o livro, a cabeça não inclina para baixo. Sim, eu sei que há e-readers para simplificar estas situações, e mesmo não gostando tenho um kobo para eventualidades deste género (prefiro que as eventualidades sejam viagens, mas…), no entanto a maquineta desapareceu. Obviamente que o encontrei já o médico me tinha libertado do colar. Não é sempre assim?

Bom, tudo isto parecem desculpas. Conversa para contornar o que interessa, ler. Infelizmente, nas primeiras semanas não o consegui fazer. Não só pelas dificuldades motoras descritas, mas também (acima de tudo, para ser honesta) pelo cansaço mental. Irónico. A vantagem que encontrei para enfrentar o sofrimento que me esperava não foi viável. Dias vazios numa casa cheia de livros. Todas as frases se tornaram difíceis. O esforço para entender não compensava. Experimentei audiobooks, ouvi podcasts (de livros, como é óbvio). A mente cheia de nada, as palavras eram códigos indecifráveis. Dormia, sempre na expectativa de acordar melhor. Olhem, esperando acordar viva, que um dia sem ler é uma espécie de morte. Mas acontecia o oposto. Chama-se recuperação.

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Ao fim de três semanas aventurei-me num romance de fácil entendimento (esperava eu). Estava animada, menos cansada, convenci-me que podia recomeçar. Optei pelo empurrão dócil de um best seller estrangeiro, daqueles que por cá preferimos, parece que o que vem de fora é sempre melhor. Não é. Mas ajudou-me. Era tão linear que parecia que reaprendia a ler, a juntar letras em palavras e palavras em sentidos. Resultava. Li uma história. Findo esse livro, do qual já não recordo nada (antes assim), senti-me acordada para a leitura. Finalmente.

Há ocasiões para todo o tipo de livros, espantei-me. Ou livros para enfrentar maleitas. Automediquei-me.

Li tudo o que pude durante o tempo que me restou em casa. Os livros ajudaram-me a voltar, mas eu preferia ter ficado a pôr a leitura em dia. Com saúde, claro.

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Publicado em Inominável nº 16

por  Márcia Balsas  autora do blog  Planeta Marcia

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Diabetes é uma doença que afeta cerca de 13,3% da população portuguesa, com idade compreendida entre os 20 e os 79 anos. Trata-se de uma “epidemia” a nível global pois, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, o número de adultos com Diabetes quadruplicou em quatro anos, chegando a 422 milhões de casos.

 

Em Portugal e no mundo, combater a Diabetes é um dos grandes desafios desta década.

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Quando falamos de Diabetes, referimo-nos a dois tipos:

  • Diabetes Tipo 1

Neste caso, o pâncreas não produz insulina. Todas as pessoas podem desenvolver este tipo de diabetes, mas ela ocorre geralmente em crianças e adultos abaixo dos 30 anos de idade. Normalmente são pessoas magras e o tratamento passa sempre por administração de insulina.

 

  • Diabetes Tipo 2

Neste caso, a insulina produzida pelo pâncreas não é suficiente ou não age de forma adequada para diminuir o nível de açúcar no sangue. É o tipo de diabetes mais comum, aparecendo com mais frequência nos adultos (acima dos 40 anos) e em pessoas que têm familiares com diabetes tipo 2. Está muito relacionado com a obesidade, aparecendo cada vez mais em gente mais jovem. O tratamento envolve o consumo de diferentes classes de medicamentos e a mudança do estilo de vida.

Ser diabético não é tarefa fácil, mas ser médico de diabéticos também é uma difícil missão. A diabetes não dói e por esse motivo, até chegarem os primeiros sintomas (geralmente relacionados com as complicações da doença), não é fácil convencer os doentes a fazer o tratamento e, sobretudo, a mudar o estilo de vida. Nesta doença em particular, o doente tem de ser um parceiro na decisão do tratamento a seguir e as diferentes decisões devem ser sempre partilhadas.

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O diabético, quando lhe é diagnosticada a doença, acha sempre que é o “fim do mundo” e que está condenado até ao fim da vida a uma dieta monótona e sem sabor. Tal não corresponde à verdade, pois o segredo está em saber escolher, preparar, cozinhar e combinar os vários alimentos, de forma a ter uma alimentação equilibrada. A vida sedentária também é inimiga da diabetes e a prática de exercício físico é fundamental.

Sabe-se que há uma relação estreita entre o consumo de açúcar e a Diabetes tipo 2 e os docinhos devem ser eliminados ou reduzidos na dieta. Segundo as recomendações, nas pessoas saudáveis o consumo de açúcar por dia não deve ultrapassar as 6 colheres de chá. Se pensarmos que um refrigerante pode equivaler a 10 colheres de chá de açúcar, podemos imaginar os exageros praticados neste campo...

Outra tarefa de que os diabéticos não gostam nada é das várias picadas diárias nos dedos para saberem os seus valores de glicémia.

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Esta parte está já a ser resolvida e os novos sensores (FreeStyle Libre) já permitem que muitos diabéticos (sobretudo os tipo 1) saibam os seus valores sem recorrer às picadas. Medir os níveis de glicose sem picar os dedos todos os dias, sem tiras de teste e sem sangue é o sonho de qualquer pessoa portadora desta doença. Este sonho já é uma realidade.

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Quando falamos da Diabetes, temos de falar de Pré-Diabetes e de Prevenção. Afinal, o que é a pré-diabetes? Não é propriamente o diagnóstico de uma doença, mas é um alerta para o risco de vir a contrair diabetes tipo 2 nos próximos anos. E quando falamos de anos, podem ser dois, cinco ou até dez anos.

Uma pessoa é considerada de alto risco para progressão à diabetes (pré-diabético) quando apresenta alterações no metabolismo da glicose, isto é, níveis elevados de glicose de jejum ou hemoglobina glicosilada (HbA1c), além de tolerância diminuída à glicose. Segundo a ADA (American Diabetes Association), valores de glicemia em jejum entre 100 e 125 mg/dL, glicemia medida 2 horas após a ingestão de 75 gramas de glicose anidra entre 140 e 199 mg/dL, e hemoglobina glicosilada entre 5,7 e 6,4%, aumentam significativamente o risco de progressão para diabetes, principalmente em pessoas obesas, sedentárias e com história familiar positiva.

A carga genética e a idade não são fatores modificáveis, por isso, contra esses nada podemos fazer. Mas mudar o estilo de vida está ao alcance de todos: exercício físico e alimentação equilibrada são fulcrais para prevenir a diabetes e fazer com que os pré-diabéticos fiquem assim apelidados toda a sua vida.

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Combater a Diabetes, sobretudo através de programas de prevenção, é um dos grandes desafios dos próximos anos. Saiba os seus valores e opte por um estilo de vida saudável!

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Publicado em Inominável nº 16

por Margarida de Sá, autora do blog Dicas de Farmacêutica

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Eu não canso de me repetir, 
pareço bobo porque sou fraco. 
Parece que os homens são mesmo 
essa eterna repetição uns dos outros. 

Sei que um dia serei outro de verdade,
mas por enquanto sou esse que não resiste
ao peso do mundo
e foge na primeira nesga de luz da manhã
que pincela as delicadas pétalas da Amarílis.
Quando eu for o outro que virá,
serei forte e não serei bobo.
Eu nunca mais me repetirei porque serei inédito
como a nesga de luz da manhã que pincela
as delicadas pétalas da amarílis.
Mas então não serei este,
não serei mais nada porque serei tudo.
E tudo estará completo: tão vazio quanto o sonho,
tão limpo quanto o canto, tão leve quanto o verso.

Porque nas asas da poesia entre Amarílis
o meu corpo desfeito terá alcançado
na praia distante a eterna calmaria.

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Publicado em Inominável nº 16

 por Baltazar autor do blog Depois eu conta | BRASIL

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O tempo perguntou ao tempo

quanto tempo o tempo tem!

o tempo respondeu ao tempo

que o tempo tem tanto tempo

quanto tempo o tempo tem.

 

O tempo tem graça. Tão depressa passa por nós sem darmos conta, assim num instantinho, como demora um tempo desgraçado a passar.

Ainda ontem, ia jurar que tinha sido ontem ou, vá lá, no máximo anteontem, estava na maternidade, prontinha para o parto da minha filha mais velha. Prontinha prontinha não, que uma coisa era querer que a gaiata nascesse e outra era não quer que usassem agulhas para me meterem o soro e/ou a anestesia…

Mas dizia eu (a ver se não me distraio de novo) que a minha Maggie nasceu ontem. Ou anteontem, no máximo dos máximos. Passou um instantinho e… bem, e já está no décimo segundo ano, e estamos a iniciar os trâmites necessários para que ela cumpra o seu desejo: ir estudar em Inglaterra. Nasceu ontem e amanhã está na Universidade. Porque não se iludam. Pode parecer que falta um ano mas vai ser outro instantinho.

Pensando melhor…

Se calhar foi mesmo anteontem que a Maggie nasceu já que o Martim, o meu filho mais novo, nasceu ontem. Sim, é exactamente assim. Primeiro a Maggie, anteontem, depois o Martim, ontem. Mas é que ele já está no décimo ano… como é possível que tenham passado tantos anos em apenas algumas horas? Não sei como, mas a realidade é que passaram.

Diz que a Inominável faz 3 anos. Como 3 anos? Já se passaram 13140 dias desde que recebi um email da Alface a dizer que tinha tido uma ideia idiota? Como pode ter passado tanto tempo e eu nem sequer me apercebi. É verdade que acabei por ter de sair do projecto, com muita pena minha (mas os meus dias ainda não começaram a ter mais horas, que isso sim era de valor) mas três anos?... não pode mesmo ser.

Ainda agora eu só lia. Muito, lia muito, lia e guardava as opiniões para mim. E, de repente, assim, sem dar por isso… já se passaram quase 11 anos desde que alguém me criou o meu primeiro blog (na Blogspot, depois eu é que o mudei para o Sapo) e, vejam só, já fez três anos que nasceu o meu blog destinado exclusivamente ao meu passatempo preferido, a leitura.

O tempo… esse malandro que passa num instante, sem darmos por ele. Mas que, noutras alturas em que queríamos que ele passasse mais depressa, demora mais tempo do que desejamos, já que só queríamos que doesse menos.

 

Mas por mais que a vida

Não cure as feridas

O tempo irá curar por si

(retirado da música O Tempo de Marco Rodrigues)

 

Passaram-se três anos desde que o meu pai teve o AVC que viria a mudar a sua vida. Para pior. Cada dia que passa – e estes dias passam tão devagar – noto o meu pai mais debilitado, a precisar de mais ajuda. As idas quase constantes aos médicos, às urgências dos hospitais, à terapia, ajudam mas o tempo, esse que deveria ajudar a curar, não está pelos ajustes e, em vez disso, traz mais e mais problemas.

Os meus avós maternos, os meus segundos pais, aqueles cuja história de amor me abriu o caminho da escrita (e eu que achava que só gostava de ler) já morreram. Ele há quase 16 anos, ela há coisa de dez anos. Confesso, não sei há quanto tempo morreram. É um tempo que não passa. Já não dói tanto como doía inicialmente mas posso dizer-vos que, no dia a seguir, já eles tinham morrido há tempo a mais do que aquele que eu gostaria. E o mesmo com a minha tia, aquela que me viu nascer e com quem estive, no hospital, até ao último momento da vida dela. Ainda não tinha sido o funeral e eu já pensava que a minha tia tinha morrido há demasiado tempo.

O tempo. O tempo que passa, que cura as feridas, que nos faz velhos enquanto vemos os filhos a crescer. E assim, sem dar tempo ao tempo, já passou demasiado tempo desde que comecei a escrever esta crónica, sendo mais que tempo de a acabar para esta edição que comemora aquele que espero seja o terceiro aniversário de muitos que ainda estão para vir.

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Publicado em Inominável nº 16
por Magda L Pais, autora dos blogs Stone Art Books e StoneArt Portugal. 
Participante no blog Aprender uma coisa nova por dia.

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