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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Se tudo tiver corrido como deve ser, esta revista e este artigo terão sido disponibilizados ao mundo no dia simbólico de 1 de Junho. Se tal não tiver acontecido, recomendo que vão às definições do vosso computador/telemóvel e mudem o dia para 1 de Junho de 2018. Não é que tenha relevância ou efeito algum para a leitura deste texto, mas é-me conveniente para poder assumir que estareis a ler isto no Dia da Criança.

Contudo, contrário ao que o meu parágrafo inicial parece sugerir, não é para as crianças que quero falar hoje.

É para os pais. Sim, vós.

Quando aceitei escrever para a revista deduzi imediatamente qual seria o meu público-alvo expectável: homens e mulheres (a maioria) que lêem blogs porque os usam como um escape aos horríveis problemas domésticos, tais como ter de lidar com o cônjuge (ou a falta de um) e com a criançada acidental ou não lá de casa (mães solteiras só terão o segundo problema em princípio; já agora, estou disponível). Assumindo isto, tenho sempre tentado introduzir e explicitar vários assuntos sobre videojogos de uma maneira que fosse compreensível para qualquer leigo com um mínimo de sentido de humor.

Mas porquê? Porque é que haveria de me importar convosco? Porque é que me interessa que vós saibais um mínimo sobre um assunto aparentemente tão distante do vosso dia-a-dia? Bom, a verdade é que não é convosco que me preocupo (sem ofensa), mas sim com os vossos pequenotes, seja qual for o grau de parentesco.

Sendo um virgem assumido de quase 30 anos, apenas sou pai de tentativas falhadas, mas este facto não impede que parte daquele instinto intrínseco paternal que qualquer homem tem brote à superfície de vez em quando. O que eu vou dizer é algo horrivelmente óbvio, mas creio que deve ser reforçado ocasionalmente, não vá o pessoal esquecer-se (e já agora, fica bem da minha parte dizê-lo):

NÓS SOMOS RESPONSÁVEIS PELAS NOSSAS CRIANÇAS.

Desculpem, a tecla "shift" ficou presa. Enfim, da mesma forma que supostamente temos de vaciná-las, ou que supostamente temos de ensiná-las a atravessar a estrada, ou que supostamente temos de as afastar de música pimba, temos também, supostamente, de saber determinar se as formas de entretenimento que escolhemos para elas (ou que elas mesmo escolhem) são adequadas para as nossas crianças.

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Faço desde já notar que não vou em qualquer ponto deste texto tentar ser imparcial. Vou aplicar a minha moralidade, que adquiri através da minha cultura e vivências. Podereis aplicar as vossas à vontade. Se o meu caríssimo leitor for homem e ficar ofendido com este texto, peço que hoje, quando estiver a descarregar a sua frustração na sua família, bata apenas na sua mulher e que deixe a criança em paz. É Dia da Criança e tal. Uma abebiazinha, sim?

Pessoalmente, acho profundamente censurável que alguém fume ao pé dos próprios filhos. Acho chocante que os alimentem incorrectamente e que fiquem deficientemente nutridos (por falta ou por excesso). Acho estranhíssima a utilização de vernáculo grosseiro na presença deles. Este poderá parecer o discurso normal daquelas pessoas denominadas "flores de estufa", e não vos posso culpar que penseis isso, mas tendes de compreender que considero que numa sociedade como a portuguesa, com uma muito reduzida taxa de natalidade, cada criança e cada nascimento tornam-se individualmente mais importantes para o futuro.

No entanto, se calhar estou a exagerar. Se calhar estou a iludir-me com a falta de responsabilidade parental que estou a extrapolar a partir de alguns casos isolados menos bons. O ser humano tem tendência a fazer isso. Outrossim, reflicto que a grande maioria das pessoas que conheço não são totais incompetentes com a sua ninhada ao ponto de acidentalmente os colocarem no microondas. Não! Digo mesmo o contrário. O pessoal com quem me dou parecem-me ser bons pais.

Excepto numa coisa.c-section.png

Estava no outro dia a falar com um sujeito do qual tenho boa opinião. Ele tem duas filhas, ainda crianças. No meio da nossa discussão banal, ele disse-me uma afirmação muito curiosa: "... olha, por exemplo, as minhas filhas jogam no meu telemóvel um jogo em que fazem cesarianas...". Por esta altura a grande maioria dos meus leitores habituais já terá percebido que eu não sou efectivamente um bacalhau, portanto é confortavelmente que posso assumir que vós podereis imaginar as minhas feições e caretas humanas de incredulidade absoluta. Pedi imediatamente para que me mostrasse o tal videojogo, e de facto posso relatar que, apesar de o processo estar embelezado e simplificado, era realmente possível realizar uma cesariana à boneca no ecrã.

Outra anedota: um amigo meu tem um puto pequenito, com idade suficiente para navegar com eficácia em dispositivos móveis. Eu descobri recentemente que existem criadores de conteúdos para o Youtube (vulgo: "Youtubers") portugueses relacionados com videojogos. Quando falei deste facto ao meu amigo, ele reagiu sem surpresa e informou-me que o pequenito dele vê vídeos de pelo menos um deles. Ora eu vi alguns destes vídeos, de vários criadores, e não fiquei de modo algum impressionado com a gramática, ortografia e vocabulário deles.

Conseguis ver que estou lentamente a chegar ao busílis da questão. A verdade aparente é que parece que perdemos o controlo sobre o que é que as crianças andam a consumir nos dias de hoje, especialmente no que é relacionado com videojogos. Já não é só o canal Panda e as revistas para adultos escondidas pela casa que lhes interessam, como era antigamente. Agora há todo um conjunto de novas possibilidades tecnológicas onde eles se podem perder. Gostaria de esclarecer um detalhe: não é que eu ache que coisas deste tipo devessem ser proibidas ou reguladas. Aliás, se alguma coisa, eu acharia o contrário. Ponham o que quiserem na loja de aplicações dos telemóveis, por mim estão à vontade. Ponham o que quiserem no Youtube e tal.darkframe_videos_repreensiveis.png

O verdadeiro desafio é o de educar os pais. É o de lhes mostrar que há certos mundos que estão em constante desenvolvimento e mutação, e o dos videojogos é apenas mais um ao qual têm de estar atentos. É esse um dos meus objectivos com a coluna 2D3D, o de vos tentar manter a par de algumas coisas que vão acontecendo, de vos tentar impingir alguma cultura geral sobre videojogos, o de vos tentar dar alguma mínima perspectiva sobre o passado, presente e futuro deste passatempo e desta indústria.

Eis então, para ser redundante e para concluir, a minha mensagem para os pais deste país (se bem que acho que qualquer adulto poderá tirar algumas ilações):

Olá. Já tereis visto os vossos filhos pequeninos a querer mexer incessantemente no telemóvel. E vós dais o aparelho na esperança de terem uns míseros segundos ou mesmo minutos de silêncio infantil. Compreendo isso, mas sabei que o vosso infante poderá neste momento estar a ser introduzido a conceitos para os quais ele é demasiado novo para compreender. Poderá, porventura, até estar a jogar alguma coisa não adequada para a idade dele. Violenta de alguma forma, talvez. Poderá igualmente estar a aprender palavras e maneirismos misteriosos e anglizados. Compreendei que os vossos segundos de silêncio (merecidos, certamente) têm a consequência de uma utilização não supervisionada de um dispositivo perigoso como é um telemóvel com acesso à Internet. Gostaria de informar que esta é a melhor altura para ir ter com o vosso filho, pegar no telemóvel, desinstalar todos os videojogos moralmente questionáveis e ajudá-lo a escolher um videojogo de que ele goste e que não envolva assuntos adultos como cesarianas ou pagar impostos. Esta é uma mensagem apenas para aqueles que acham que devem ter um papel na educação dos próprios filhos. Se esse for o vosso caso, permitam-me reafirmar: é a hora!

Valete, Frates!

 (desculpai-me, mas com um título daqueles, não poderia ter deixado de fazer a referência óbvia…)

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Publicado em Inominável nº 14

por Rei Bacalhau, autor do blog O Bom, o Mau e o Feio

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(continuação)

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Como caracterizam este novo trabalho, e em que é que se assemelha, ou difere, do anterior?

O outro álbum era uma viagem por vários estados emocionais. O nome do primeiro álbum é Happiness, Love and Despair, justamente por isso.

A sonoridade do primeiro álbum é variada, as influências também, bem como a energia e os instrumentos escolhidos. No primeiro álbum aparece flauta transversal, violoncelo, piano.

No primeiro álbum também surgem baladas, um tema de reggae, de ska, um mais instrumental, enfim... Viaja por vários universos.

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Este trabalho It´s time traz várias novidades:

Surgem as vozes da Filipa Coutinho e da Waya como back vocals, o que me parece ter sido uma aposta ganha.

Também entrou uma secção de sopros (Trompete – Jorge Barroso e Trombone – Rodrigo Lage que fizeram um ótimo trabalho. Os arranjos dos sopros foram da minha autoria juntamente com o Tiago Cordeiro.

Gostaria de realçar o trabalho do Tiago Cordeiro nos arranjos, que foi fantástico.

Outra novidade foi a entrada do baixo e a saída do contrabaixo.

Em relação ao álbum anterior optei também por retirar o piano, violoncelo e a flauta transversal. Os músicos do primeiro álbum, à exceção do João Roque, também são outros.

Este trabalho tem uma energia forte, é muito ritmado, com muito "groove". Tem um alinhamento forte.

Não é tão contrastante. É mais "in your face". Direto ao assunto. Também por aí é diferente do álbum anterior, que eu diria que é menos impositivo.

Em que se assemelha? Eu diria que apesar de estarmos a explorar estilos musicais diferentes existe uma linha comum. Acho que se consegue reconhecer a identidade do Projeto, mesmo navegando por outras águas.

 

“Goodbye My Love” foi o single de apresentação do EP “It’s Time”. Sobre o que falam as vossas músicas?

As canções têm dois eixos comuns: O eixo da afirmação e o do recomeço,

Afirmar o quê? De quem já não gostamos, expressando-o de viva voz, usando "trezentas mil metáforas", se assim tiver que ser, como acontece no tema "I don´t want you". De afirmar que chegou a hora de viver em paz, de quebrar o ódio, de refrescar a alma "It´s time", de afirmar que "It´s time to be man", de enfrentar a vida e aceitar o fim de uma relação que termina numa tarde embriagada.

E um eixo de recomeço, de afirmar o fim e o início de algo novo e, para tal, precisamos de acordar "waking up".

https://youtu.be/Ru4wqzOtbCg

“It´s Time” ficou disponível, em formato digital, no passado mês de abril. Que feedback têm recebido, por parte do público relativamente a estes novos temas?

Ainda é um bocado cedo para dar uma resposta nesse sentido, mas já fomos referenciados em algumas rádios locais e em revistas online.

Também algumas entrevistas na rádio.

As pessoas gostam todas. Dizem que o som está mais coerente, segue uma linha mais definida, é enérgico, bem tocado, com altos solos. Muitos dizem que os temas vão chegar às rádios nacionais. A ver vamos!

O feedback tem sido positivo!

 

“Goodbye My Love”, “I Don´t Want You”, “It’s Time” e “Waking Up” são os temas que compõem o EP. Estão, de alguma forma, relacionados entre si, ou cada um tem uma mensagem independente?

Estão todos relacionados. Têm uma vibe que os une e uma energia e mensagem. A ideia de recomeço, de afirmação, de mudança, de acordar.

Como se o mantra do EP fosse It´s time.

 

Que projetos gostariam de ver concretizados, a nível musical, ao longo de 2018?

Essencialmente gostaríamos de rodar muito este EP, de tocar em festivais, em salas, de ter a adesão e o entusiasmo do público. Que o pessoal curtisse o som, vibrasse com os temas e que se identificasse com a mensagem de mudança que o EP quer trazer.

 

Onde é que o público poderá encontrar ou ouvir os The Norton’s Project?

Para nos encontrar para já sugiro ir à página Oficial da banda: www.facebook.com/thenortonsproject, onde vamos atualizando as datas de concertos e partilhando novidades.

Para ouvir para já pode ser no conforto do lar através das plataformas digitais como o Itunes, o Spotify, o Youtube o Deezer mas nem só de virtualismos vive o homem, de modo que a ideia é mesmo trazer o EP para o real e tocar o mais possível ao vivo e a cores.

Ainda estamos a planear a agenda de concertos.

Acho que este som tem pernas para vibrar. Só precisamos é de um spot para mostrar isso mesmo. E estou certo que vamos tocar e muito.

https://youtu.be/ZA-Ow51NvWM

Muito obrigada!

 Esta entrevista teve o apoio da Farol Música.

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Publicado em Inominável nº 14

por Marta Segão, autora do blog Marta O meu canto e participante no blog Clube de gatos

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Entrevista aos The Norton’s Project

 

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Os The Norton’s Project estão de regresso, este ano, com um novo EP.

“It’s Time”, com sonoridade entre o funk, o jazz e o soul, e composto por quatro temas - “It’s Time”, “Goodbye My Love”, “I Don´t Want You”, e “Waking Up!” - é descrito pela banda como "vibrante, enérgico, com muito ritmo e muito “groove”, com uma boa energia e mensagens fortes".

Fiquem a conhecer melhor os The Norton’s Project, nesta entrevista que o seu mentor concedeu à Inominável.

 

Quem são os The Norton’s Project?

Neste momento os The Norton´s Project são um quinteto formado por:

António Norton – Fundador do projeto, voz, letras, composição e arranjos

Tiago Cordeiro – Saxofone e arranjos

João Diogo Roque – Guitarra elétrica e arranjos

João Delgado Nunes – Baixo

Leonardo Miranda – Bateria

 

Como é que surgiu a ideia de se juntarem neste projeto?

A ideia partiu de mim - António Norton.

Desde que comecei a pensar em montar um projeto de originais que tive a ideia que gostaria de músicos na área do Jazz que pudessem improvisar livremente em espaço aberto para solos.

O Jazz para mim é uma das linguagens mais ricas e versáteis no domínio da improvisação e como também é a minha escola, surgiu naturalmente este interesse em reunir malta da área do Jazz.

Quanto à escolha dos instrumentos, sempre pensei ter uma sonoridade que englobasse o som do saxofone e da guitarra elétrica.

Estes dois instrumentos sempre foram dos meus preferidos e adoro a sua conjugação. Não tive qualquer dúvida que os queria ter neste projeto.

Para a guitarra elétrica escolhi o guitarrista e compositor João Diogo Roque.

Conheço o João há uns bons anos. Fomos colegas na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. Sabia que ele tinha seguido música e que estudava na Escola Superior de Jazz de Lisboa. Convidei-o para gravar o primeiro Cd comigo e desde então faz parte do The Norton´s Project.

O saxofone pertence ao Tiago Cordeiro. Conheço o Tiago desde os meus tempos de estudante de música na Academia dos Amadores de Música. Frequentámos as mesmas aulas de harmonia e fizemos parte de um workshop de Jazz dado pelo Saxofonista Greg Osby. Sempre gostei da sua forma de improvisar e convidei-o para rodar o primeiro álbum e, desde então, faz parte da comitiva.

O Leonardo Miranda é o baterista deste projeto. Foi-me aconselhado pelo baterista Ariel Rosa, que chegou a tocar connosco. Ficámos rendidos à sua musicalidade e juntou-se à malta.

O baixo ficou a cargo do João Delgado Nunes. Foi-me aconselhado pela malta do Trio Cadmira e acabei por o convidar para uma audição e assim passou também a fazer parte do grupo.

E assim nasceu a formação atual.

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Quais são as vossas maiores inspirações a nível musical?

Todos temos várias inspirações. Algumas que influenciaram estes temas e outras que não.

Talvez a melhor forma de responder a essa pergunta é falar sobre as nossas influências para este EP.

Nesse sentido, tivemos várias influências. Em termos de estilos musicais diria Funk, Soul e R&B.

Quanto a músicos e bandas, aqueles que nos afloram mais ao nível consciente são:

Do universo da Motown: Stevie Wonder, Sam & Dave, Booker t & the msg, Otis Redding.

De soul e R &B mais contemporâneo diria d'Angelo e José James.

Outras referências são Dave Mathews Band, Tower of power, Jamiroquai, Bruno Mars, Nile Rodgers & Chic, Jaco Pastorius, Pino Palladino, Flea e James Jamerson.

 

Em 2013 editaram o primeiro álbum “Happiness, Love and Despair”. Regressam agora, 5 anos depois, com um novo trabalho: “It’s Time”. Sentiram que estava na hora de dar este presente ao público?

Nem mais. It´s time!

Não foi propriamente pensado esperar cinco aninhos para voltar. Por mim até o teria feito mais cedo, até porque as canções já têm alguns anos, mas a verdade é que demora o seu tempo a reunir a malta, a encontrar agendas compatíveis, tempos de ensaio, de gravação, etc...

Tudo isso demora o seu tempo.

Mas este é um bom timing para o regresso em força, com muita energia e vontade de fazer música.

(continua)

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Publicado em Inominável nº 14

por Marta Segão, autora do blog Marta O meu canto e participante no blog Clube de gatos

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Publicado em Inominável nº 14

 

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É só a temperatura começar a subir e começam eles a zumbir nos nossos ouvidos. Malvados mosquitos! Porque é que só aparecem no calor? Porque é que picam mais umas pessoas do que outras? Como é que nos podemos proteger?

Vou tentar responder a estas perguntas, pois quando começa o verão ou quando viajamos para algumas zonas do planeta, é inevitável o contacto com estes seres.

Uns mais agressivos, outros a deixar marcas mais ou menos profundas e outros até mortais, o melhor mesmo é prevenir e aprender a lidar com eles.

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ALGUMAS CURIOSIDADES SOBRE OS MOSQUITOS

  • Os mosquitos machos não picam. Neste caso, as “más da fita” são as fêmeas que, para que os ovos amadureçam, necessitam de certos nutrientes, alguns deles presentes no É por isso que são “elas” que andam atrás de nós. Os machos alimentam-se dos nutrientes das plantas.
  • Sabem porque é que existe aquele zumbido insuportável? Porque algumas asas dos mosquitos chegam a bater trezentas vezes num segundo. Que horror e que canseira!
  • Os mosquitos têm diferentes horários. Por exemplo, aqueles que transmitem a Malária são mais ativos do entardecer ao amanhecer, os que transmitem o Dengue são mais ativos durante o dia e os que transmitem o Zika gostam das primeiras horas da manhã e das últimas da tarde, evitando as horas de sol
  • O desenvolvimento dos mosquitos passa por quatro etapas: ovo, larva, pupa e mosquito
  • Existem mais de 2500 espécies de mosquitos.

 

PORQUE É QUE OS MOSQUITOS SÓ APARECEM COM O CALOR?

O que acontece é que a grande maioria dos mosquitos morre porque não suportam as baixas temperaturas. Os poucos sobreviventes reduzem a sua atividade.

No tempo frio, as fêmeas diminuem a produção de ovos e, como são “espertinhas”, evitam voar para economizar energia e manter o próprio corpo aquecido. Os machos, não menos espertos, recolhem aos abrigos durante o inverno à espera de um clima mais favorável.

 

PORQUE É QUE OS MOSQUITOS PICAM MAIS UMAS PESSOAS DO QUE OUTRAS?

Isto tem muito a ver com o odor de cada pessoa. Existem dois compostos que atraem os mosquitos: o dióxido de carbono que exalamos e o ácido láctico libertado pelo corpo.

Percebe-se assim porque preferem umas pessoas a outras, dependendo dos cheiros do hálito e do suor de cada um.

Mais recentemente, algumas investigações apontam também para uma explicação desta preferência relacionada com os genes ligados ao odor corporal. O próximo passo é descobrir quais os genes específicos envolvidos nesta escolha dos mosquitos.

 

COMO É QUE NOS DEVEMOS PROTEGER DOS MOSQUITOS?

  • Aplicar repelente nas áreas expostas do corpo (braço, pernas, tornozelos, pescoço e face), evitando o contacto com as mucosas ou zonas sensíveis da
  • O repelente deve conter DEET, IR3535 ou ICARIDINA
  • DEET: na União Europeia a utilização deste composto químico (N,N-dietilmetatoluamida) não pode ser superior a 20 por cento. Este produto só deve ser usado em crianças com mais de 3 anos.
  • IR3535: este composto químico (Etilbutilacetilaminopropionato) é seguro para grávidas, sendo indicado para crianças dos 6 meses aos 2 anos, mediante orientação do médico.
  • ICARIDINA: tem uma ação mais prolongada do que os repelentes à base de DEET e pode ser utilizado por crianças a partir dos 2 anos.
  • Em cada família, uns são sempre mais "docinhos" do que outros e a eficácia de cada repelente é diferente de pessoa para pessoa.
  • Renovar a aplicação do repelente cada 3 a 4
  • Se usar protetor solar ou maquilhagem, o repelente deverá sempre ser o último produto a aplicar.
  • Preferir vestuário de cores claras e de fibras naturais, protegendo o mais possível a superfície do corpo (mangas compridas, calças e sapatos fechados).
  • Aplicar repelente ou inseticida com Permerina no vestuário e nas redes
  • Sempre que possível, usar ar condicionado e/ou dormir com rede mosquiteira.
  • Manter as portas e as janelas Se estiver num local com uma luz exterior, ligar só essa luz, pois aí estarão as osgas "concentradas e focadas" na caça aos mosquitos. Não gosto muito de osgas, mas tenho de concordar que são muito úteis em determinadas situações.
  • Sprays inseticidas, difusores elétricos e pulseiras com repelente poderão ter um efeito complementar.

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O clima quente e as chuvas favorecem o desenvolvimento em todos os estágios dos mosquitos, por isso, consoante a altura do ano e a zona para onde viajamos, assim devemos adequar as medidas de prevenção. É sempre aconselhável ir a uma consulta do viajante, fazer todas as prevenções e seguir o aconselhamento sobre as medidas adequadas a cada zona e a cada situação.

Os mosquitos, além de incomodarem e causarem picadas, são transmissores de muitas doenças, muitas delas sem vacina nem tratamento.

Basta pensarmos em doenças como a Malária, o Dengue e o Vírus Zika, entre outras, para vermos a perigosidade destes seres. Podemos, claro está, fazer a prevenção da malária, mas para outras doenças, nem prevenção medicamentosa existe. Todas as vacinas aconselhadas devem ser feitas (febre amarela, encefalite japonesa, etc...) e nem por um segundo devemos duvidar da eficácia das mesmas.

Mais de 750 mil pessoas morrem anualmente no mundo por causa de picadas de mosquitos.

A prevenção é a única forma de nos protegermos contra estes animais, que são aqueles que mais matam no mundo.

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Publicado em Inominável nº 14

por Margarida de Sá, autora do blog Dicas de Farmacêutica

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Preciso de ti agora.

Não como precisei ontem,

não como vou precisar amanhã,

agora... preciso de ti neste momento...

 

Fica comigo esta noite...

fica em mim, dentro e fora... em mim...

 

Que importa o amanhã se não estás agora?

Sinto que tenho de te sentir... agora,

sinto que me queres sentir... agora,

não como outrora, não...

de uma outra forma, bem mais profunda... agora.

 

E fica, sim fica em mim, fica em nós... agora,

e nunca, nunca mais sairás de mim...

Nunca mais irás embora...

 

Fica em mim, agora...

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 Publicado em Inominável nº 14

por Malik autor do blog Malik, uma outra forma de poesia | PORTUGAL

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(parte #3)

Enquanto a locomotiva é separada das carruagens e decorrem as manobras para a colocar na outra extremidade do comboio, temos tempo de sobra para ir comer qualquer coisa no café junto à estação ou visitar a mostra de produtos regionais especialmente preparada para quem faz esta viagem, numa sala onde estão também expostos alguns objectos em tempos usados nas operações ferroviárias. Cá fora, sob a protecção do telheiro da plataforma, a animação continua em alta, com alguns viajantes a aderirem entusiasticamente à actuação do grupo de cantares regionais.

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No regresso, o percurso é o mesmo mas vemos a paisagem de outra perspectiva, e sob outra luz. O sol está mais baixo no horizonte, refulgindo na água, e as sombras estendem-se ao lado da linha. A tarde já vai longa e a energia começa a quebrar, os ânimos estão mais tranquilos.

Depois de nova paragem no Pinhão, que aproveitamos para ver os famosos azulejos, são seis e meia da tarde quando reentramos na estação da Régua e termina a nossa viagem ao passado no Comboio Histórico do Douro.

 

Depois, para um final de dia a condizer, a melhor opção é descer até ao cais para aproveitar o pôr-do-sol numa esplanada, com um petisco e uma bebida fresca a acompanhar, e fazer um brinde: viva o Douro!

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As minhas SUGESTÕES

Passear
Miradouro de São Leonardo da Galafura
vista fantástica sobre o Douro
Estrada Nacional N222 entre Régua e Pinhão
uma das estradas mais bonitas do país

Dormir
Quinta da Travessa (Covelinhas)
Pousada do Solar da Rede (Mesão Frio)

Comer
São Leonardo (São Leonardo da Galafura)
Bar do Cais (Régua)
Pastelaria Solar d’Ouro (Régua)

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Publicado em Inominável nº 14

por Ana CB autora do blog Viajar. Porque sim

 

 

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(parte #2)

Na paragem de 10 minutos no Pinhão a carruagem é invadida por um volumoso grupo de excursionistas seniores – percebemos agora porque é que estava tão vazia, e percebemos também que se acabou a tranquilidade, mais ainda quando os cantantes de serviço decidem durante prolongados minutos assentar arraiais no (já de si exíguo) espaço entre os bancos. Realmente, animação é coisa que não falta a bordo do comboio…

 

Pela janela vão passando rapidamente árvores e arbustos, uma estação de vez em quando, molhes com barquitos atracados, quintas e solares na outra margem, sempre tendo como nota dominante o azul do rio e o verde dos socalcos vinhateiros. Está sol e calor, e sabe bem o ventinho que entra pelas janelas abertas, mesmo que isso signifique um aumento exponencial do ruído da deslocação das vetustas carruagens.

No Douro, o movimento é mais que muito. Embarcações de recreio sobrem e descem o rio, e barcos de excursões dos mais variados tipos competem em velocidade com o comboio, respondendo na mesma moeda aos apitos de saudação lançados pela locomotiva.

A linha férrea do Douro tem uma única via, e só nalgumas estações ela se divide para permitir o cruzamento de comboios que se deslocam em direcções opostas. É por isso que na estação do Tua encontramos outro comboio histórico, a aguardar pacientemente a chegada do nosso: o MiraDouro, que circula habitualmente entre Porto-São Bento e a Régua mas desta vez veio até ao Tua por qualquer razão especial. As carruagens do MiraDouro são mais recentes, foram fabricadas na década de 40 pela Schindler, na Suíça, e só deixaram de estar no serviço regular da CP em 1977. Pelo design e pelas cores dá para perceber bem a diferença de idades entre as composições dos dois comboios.

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(continua)

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Publicado em Inominável nº 14

por Ana CB autora do blog Viajar. Porque sim

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(parte #1)

Bastante antes da hora marcada para a partida, a 0186 já atrai as atenções de quem passa ao pé da estação da Régua: a locomotiva requer algumas horas de cuidados intensivos antes de começar a sua viagem, e o fumo que produz eleva-se no ar de forma bem visível, por detrás dos edifícios da estação. Isso e o barulho, claro, que o som do vapor também se ouve à distância.

 

A viagem é animada por um grupo de cantares regionais, que começam devotadamente a sua função quando ainda estamos na plataforma, enquanto as atenções do futuros viajantes se dividem entre um olhar atento aos pormenores da locomotiva e as poses da ordem em frente à dita cuja, “para mais tarde recordar”.

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Enquanto o comboio não enche, é a melhor altura para explorar o interior das carruagens, recuperadas a preceito para nos sentirmos transportados no tempo.

 

Finalmente, mesmo à hora estipulada e depois de um rapazito simpático nos ter oferecido um “cálice” (em copo plástico, claro está) de vinho do Porto, o Comboio Histórico inicia a sua viagem entre fumarolas e apitos estridentes. A carruagem está quase vazia, o que é de estranhar porque os bilhetes costumam esgotar com muitas semanas de antecedência. Melhor assim. Talvez porque os comprámos cedo, temos a sorte de ir junto à janela do lado onde corre o Douro, o que quer dizer que temos a melhor paisagem garantida durante todo o percurso.

(continua)

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Publicado em Inominável nº 14

por Ana CB autora do blog Viajar. Porque sim

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Viajar de comboio faz parte do imaginário de todos os viajantes, mesmo daqueles para quem entrar num comboio pertence à rotina das deslocações diárias casa-trabalho. Há qualquer coisa de relaxante nesta forma de deslocação. Talvez seja o som ritmado e peculiar das rodas a deslizarem sobre os carris, ou aquela oscilação típica que nos embala, ou ainda o efeito hipnótico da paisagem que desfila a alta velocidade perante os nossos olhos. O fascínio das viagens de comboio perdura desde os tempos das primeiras linhas férreas e sempre esteve muito além da sua utilidade prática como meio de transporte para cobrir mais rapidamente grandes distâncias antes da invenção dos aviões. Democráticos apesar da segregação em classes, foram desde o início utilizados tanto para transporte de mercadorias como de pessoas, e neste caso por pessoas de todas as condições socioeconómicas. Em constante evolução e renovação para se adaptarem ao progresso, os comboios continuam a ser populares em praticamente todo o mundo.

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Acompanhando a tendência da diversificação na oferta turística, a recuperação de máquinas e carruagens antigas para serem colocadas ao serviço de rotas ferroviárias particularmente atraentes também chegou a Portugal, e a CP começou há alguns anos a disponibilizar passeios em comboios históricos. O mais antigo e conhecido é o Comboio Histórico do Douro, e é nele que vou levar-nos em mais uma viagem.

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O Comboio Histórico do Douro funciona nos meses de Junho a Outubro aos sábados e domingos. Sai ao início da tarde da estação de Peso da Régua e acompanha o percurso do rio Douro até à estação de Tua, com uma breve paragem intercalar no Pinhão. A viagem para cada lado demora cerca de 80 minutos e o passeio inclui uma paragem de cerca de meia hora em Tua antes do regresso à Régua.

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A composição tem cinco carruagens históricas – três em madeira escura, duas pintadas de verde – que são puxadas pela locomotiva a vapor 0186, construída em 1925 pela Henschel & Sohn uma empresa que funcionou entre 1810 e 1957 em Kassel, na Alemanha. A 0186 foi uma de dez locomotivas que chegaram a Portugal nos anos 1924-25 como parte do pagamento da dívida da Alemanha causada pela Primeira Guerra Mundial. Pesa umas “meras” 98 toneladas e tem um esforço de tracção de quase 11 toneladas. É uma verdadeira preciosidade.

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Funcionando anteriormente a carvão mineral, em 2013 foi alterada para operar a diesel – a logística complicada e o fumo provocado pelos 1500 kg de carvão consumidos numa viagem de ida e volta entre a Régua e Tua foram substituídos pela simplicidade de abastecimento e o menor volume de 400 litros de gasóleo para o mesmo percurso.

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(continua)

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Publicado em Inominável nº 14

por Ana CB autora do blog Viajar. Porque sim

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