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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qua | 30.05.18

Play it Sam! | Uma mão cheia… de bons filmes!

 

Normalmente quem aprecia cinema tem sempre um ou mais filmes preferidos, daqueles de que se gosta só porque sim, independentemente de serem boas ou más películas. Ou é a história, ou uma personagem, um actor, ou tão-somente uma imagem que perdurou.

 

Depois há aqueles filmes que numa determinada altura vimos e achámos menos interessantes, mas que agora passados muitos anos até se tornaram num clássico… nem que seja só para o próprio.

 

Certamente que também não escapo a estes gostos claramente pessoais. Por isso venho neste número falar de alguns filmes que vi faz tanto tempo, que deixaram em mim uma boa referência, e que passaram nos grandes ecrãs essencialmente nos anos 70 e 80.

 

Este espaço temporal tem outrossim uma razão de ser, pois foi nesta altura que acordei para o gosto pela sétima arte. Alguns dos filmes que aqui apresentarei serão, quiçá, pouco conhecidos, não obstante alguns deles até terem sido premiados. Daí também nunca perceber muito bem as escolhas televisivas, especialmente da televisão em canal aberto. Mas enfim, este não é certamente assunto para hoje.

 

Começo então de forma cronológica com Um dia de cão, um filme de 1975

do realizador Sidney Lumet, com Al Pacino no papel principal. A história baseia-se num assalto a um banco, por parte de um jovem que procura dinheiro para que a namorada possa ser operada. Muito suspense e um desempenho fantástico de Pacino. Muito bom!

 

Salto para o ano de 1976, quando Brian de Palma faz Obsessão.

 

Uma história de amor aparentemente simples, mas que rapidamente se torna num drama psicológico com contornos bem estranhos e que faz deste filme uma obra fantástica. Imperdível!

 

Em 1978 Billy Wilder, quase em final de carreira, escreve e realiza O segredo de Fedora.

A história baseia-se essencialmente na explicação do “elixir da Juventude”. Será que ele existe mesmo?

Pode, pelo tema, parecer à primeira vista uma obra menor, mas esta película tem todos os ingredientes de um belíssimo filme: argumento, realização e bons actores. Marcante!

 

Damos agora um salto até 1983, quando um dos meus realizadores preferidos contracena com a mulher, Anne Bancroft, no filme “To be or not to be”.

Mel Brooks participa nesta longa-metragem como um actor de teatro, num dos poucos filmes realizados pelo coreógrafo Alan Johnson.

A acção decorre na Polónia ocupada pelo Terceiro Reich com momentos hilariantes e muito bem conseguidos. Uma comédia que é um primor!

 

Em 1985, numa breve crítica que escrevi para um jornal entretanto desaparecido, dizia logo no início: “Um Lugar no Coração é mais que as interpretações dos actores”.

Não foram inocentes os dois Óscares conseguidos por este filme. O realizador Robert Benton pegou numa história simples, mas com arte e engenho conseguiu apresentar-nos uma obra muito boa. O enredo baseia-se na luta de uma mulher pela manutenção da sua casa após a morte do marido. Todavia, neste filme surge um John Malkovich muito novo num papel de um cego, quase brilhante. Já para não falar de Danny Glover, outra presença de alto nível. Portanto, mais um filme simplesmente fantástico.

 

Poderia ainda referir muitas outras películas desta época como: “Excalibur” ou “Terra Sangrenta”, só para referir alguns que me vieram à memória, assim de supetão.

 

Mas oportunidades não faltarão para falar deles.

 

Vejam bom cinema.

 

A gente lê-se por aí!

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Publicado em Inominável nº 13

por José da Xã, autor do blog Lados AB

Ter | 29.05.18

Por terras nascidas do mar | Fenómenos meteorológicos e tradições sem Tempo #2

(continuação)

No momento presente, com a minha mãe já de volta ao continente (com muita pena dela), fazemos passeios mais arrojados, por caminhos mais sinuosos e desafiantes, vantagens de viver com alguém que conhece os segredos da ilha e faz da natureza o seu ambiente de trabalho: percorri pontos tão altos que podemos ver o lado norte e sul da ilha, embrenhei-me na natureza no mais lindo parque florestal que já vi, e fui visitar o farol fazendo um caminho tão íngreme que a subida deve ser bastante semelhante a uma via sacra! Tenho também treinado o olho para ver as aves, como os estorninhos, que cobrem o telhado da minha casa - e cantam como se estivessem na audição do “The Voice” -, as corujas e as águias de asa redonda que por aqui abundam, e que nesta altura começam a mudar de comportamento, a prepararem-se para o ritual de acasalamento.

 

A aparição inusitada de animais já começa a ser corriqueira; um destes dias, estava eu a beber um café no terraço a aproveitar o sol, apareceu-me um pombo-correio identificado com a respectiva anilha. Não trazia nenhuma mensagem, mas suponho que estava cansado e achou que ali era um bom sítio para recuperar energias. Ficou no chão, curioso, e foi literalmente a andar para dentro da minha cozinha. Deu uma voltinha, observou tudo, e saiu pelas suas próprias patas, subindo um a um os degraus que levavam ao portão que gentilmente lhe foi aberto... e lá foi ele a caminhar e a aproveitar o sol de sábado à tarde! Excesso de confiança pombalina cheia de graça...

Tenho também, a nível gastronómico, provado uma maior variedade de peixe - embora haja uma época para determinadas espécies, tendo ainda muito para descobrir - o que me faz sentir exoticamente saudável, até que compro um pão alentejano (pão alentejano é pão alentejano!) e o despacho com uma boa camada de manteiga açoriana...

Fiquei a par de algumas tradições típicas de cá; uma delas é bastante curiosa, chama-se “o menino mija” e consiste em, na época das festas natalícias, irmos a casa dos vizinhos que aguardam visitas a qualquer momento, tendo bebida à disposição, tal como algo para comer. Assim nos aconteceu e acabámos por entrar na casa de um casal que eu nunca vira, apesar de vivermos relativamente próximos e os nossos maridos serem colegas de trabalho; de repente desfilavam bebidas e doces à minha frente...”coma e beba, esteja à vontade!”. O meu filho não se fez de rogado - não conhecer as pessoas era apenas um pormenor - mantendo a descontracção típica de adolescente permanentemente esfomeado. Já uma amiga minha, que passava uns dias de férias em nossa casa na altura, não conseguia disfarçar o espanto, nem o receio de parecer lambona/continental abusadora, até que lhe foi explicado que esta hospitalidade e naturalidade fazem mesmo parte da essência açoriana. Foram de uma hospitalidade enternecedora, e ainda trouxe para casa um saco de tangerinas tão doces como o licor que se tinha bebido. Assim me estreei na tradição, mas apenas como visita, não tendo sido anfitriã, até porque estava ocupada a fazer de guia turística para a minha hóspede.

#13 por terras foto 10 - Romeiros Cabouco.jpg

(Nota: foto dos romeiros retirada da página http://secretariadobiblico-sm.blogspot.pt)

Uma outra tradição é a dos romeiros na época da Páscoa: vários grupos constituídos por homens das mais diversas idades, incluindo bastante jovens, caminham quilómetros de distância, faça chuva ou sol, de cajado na mão e manto pelas costas, cantando as suas orações. É uma tradição tão séria que os romeiros têm direito a dispensa do trabalho pelos dias que forem necessários para cumprirem a sua missão. As vozes juntas têm uma excelente projecção, e de vez em quando ouvia-os a passar, dando-me a momentânea sensação de viver num lugar sem Tempo... A devoção está tão enraizada que a comunidade de emigrantes micaelenses no Canadá mantém viva a tradição, sendo transmitida para as novas gerações.

Entretanto a Primavera já chegou e haverá algo mais para descobrir! Assim como novidades da nossa vida na terra das vacas felizes, ilustradas com fotos mais floridas certamente! Aguardem o próximo número!

 

Com amor, da ilha.

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Publicado em Inominável nº 13

por Inês Rocha, autora do blog Alquimia do Momento

 

Seg | 28.05.18

Por terras nascidas do mar | Fenómenos meteorológicos e tradições sem Tempo #1

Começo a escrever estas linhas ao som de assobios... mas não daqueles de cantarolar uma melodia engraçada e descontraída, não não... São assobios do vento que passa pelas frinchas das portas e janelas, a desvantagem de viver numa casa sem vizinhos do lado sul, com uma paisagem absolutamente maravilhosa... e exposta aos caprichos de um vento vindo desse quadrante, dando boleia a uma chuva sem piedade, que não nos permite pôr nem a ponta de uma unha do lado de fora da porta sem corrermos o risco de ficar sem ela! Quase me sinto a personagem feminina do “Monte dos Vendavais”, mas em modo menos poético porque ela não tinha de sair para ir à mercearia, ver o correio, pôr na rua o caixote da reciclagem, nem lutar contra umas portadas que não se queriam fechar... Aqui há montes, há vendavais, e neste momento uma depressão tropical - nome adequado de facto - pois é deprimente não poder sair de casa sem sentir que é uma ida não desejada ao ginásio para um treino de força.

Da mesma forma que o tempo aqui é generoso com as temperaturas, mesmo no Inverno, quando lhe dá para a má disposição não é para brincadeiras. Bem me avisaram que agora é que eu ia saber o que era vento... e é mesmo verdade! No entanto, prefiro isso às temperaturas gélidas que assolam a Europa...a meteorologia aqui por vezes sofre de alguma bipolaridade, mas ainda não endoideceu de todo! Não obstante o dia de hoje e outros semelhantes que dão o ar da sua graça de repente, temos sido abençoados com sol e temperaturas de Primavera. Esses momentos foram aproveitados para descobrir o (muito) que ainda há para descobrir. Enquanto tinha a visita materna fizemos o incontornável roteiro turístico pelas míticas lagoas e pelo mercado municipal, recheado de ananases regionais que, sem dúvida, têm uma outra doçura - o que acaba por ser uma desvantagem no sentido de que quando compramos um daqueles vulgarzitos vindos do Equador, e dos quais eu tanto gostava, agora não têm grande graça. Outra desvantagem é que estes são muito mais baratos que os da ilha, e de vez em quando lá temos que fazer uma opção pouco patriótica.

Tivemos também o fenómeno sísmico, mais de 300 abalos num dia em que foram sentidos poucos mais de 20. Nesse dia recebi bastantes telefonemas para saber se estava tudo bem, e foi assim que fiquei a saber do fenómeno, pois aqui não dão grande relevância a certos caprichos da natureza. Ia eu de carro a caminho de Ponta Delgada e nada sentira, nada ouvira, e as vacas continuavam deitadas e refasteladas, tranquilamente a ruminar a erva e – quem sabe? – alguns pensamentos sobre a actividade sísmica. Fui depois informada de que esta é de frequência diária e só muito raramente se faz sentir à superfície... acho bem! Agora que vim agraciar a ilha com a minha presença, acontecer um tsunami ou alguma má disposição vulcânica seria um péssimo sentido de humor por parte da Mãe Natureza!

(continua)

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Publicado em Inominável nº 13

por Inês Rocha, autora do blog Alquimia do Momento

Qui | 24.05.18

Animais & Mais | Será assim tão horripilante? #4

(continuação)

 

Saúde

Adoramos sempre os nossos animais e vê-los partir é uma tortura... 6 anos depois de o meu cão “Gaspar” (o que aparece na foto comigo) ser um idoso cansado que foi para o “céu dos cães”, ainda me dói quando penso que não o poderei abraçar mais e olhar para os seus olhos cor de mel.

E a notícia que tenho de vos dar não é agradável, as ratazanas têm uma esperança de vida muito curta, de dois até quatro anos, embora tenham existido alguns exemplares que viveram mais tempo. Deve fazer visitas a um veterinário para consultas de rotina, isso certamente poderá aumentar o seu tempo de vida. Esteja atento a qualquer sinal de doença, ninguém conhece melhor os nossos amigos do que nós. Até com o meu peixe eu consigo ver se algo não está bem! Seja zeloso, pois eles merecem!

ratazanaveterinário.jpg

Além disso, limpe completamente a gaiola uma vez por semana (não use lixívia), retire os dejectos pelo menos de dois em dois dias.

Ao contrário dos humanos, neste caso dentes amarelos ou laranja são sinónimo de saúde; já os dentes brancos são um sintoma de insuficiência renal!

ratazanacolinho.jpg

Gostaria de vos passar tudo que aprendi, mas não consigo, deixo só o conselho para assistirem a um vídeo e darem uma “volta” por um blogue super interessante.

Conselhos para limpar a gaiola:

(Só uma nota quanto a este vídeo, eles colocam areia de gato no WC das ratazanas, mas não o faça, há produtos mais adequados para elas)

https://youtu.be/7Oy7gOknDjs 

Um blogue criado por portugueses sobre ratazanas; visitem, está excelente!

https://ratzforum.wordpress.com

e o Facebook:

https://www.facebook.com/RatzForum?fref=ts

 

E pronto, meus queridos leitores, garanto que fiquei com uma enorme vontade de ter uma ratazana, consigo vê-las de forma completamente diferente depois de tudo o que pesquisei! É muito importante que se desfaçam preconceitos contra esta doçura de animalzinho.

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Publicado em Inominável nº 13

por Golimix autora do blog Eu tento, mas meu tento não consegue

Qua | 23.05.18

Animais & Mais | Será assim tão horripilante? #3

(continuação)

 

E o alojamento?

É fácil perceber que, infelizmente, têm de estar confinadas a uma gaiola. Mas não é “encafuá-las” lá para esperarem que nós cheguemos a casa para as soltar. Meus amigos, elas são inteligentes, por isso a gaiola deve ter estímulos para que cresçam sãs.

Obviamente que quanto maior for a gaiola, melhor, já que são animais activos e com um porte que não é de desconsiderar. Aquelas gaiolas altas e com vários patamares, iguais às das chinchilas ou furões, são as que deve ter em mente.

Do que pesquisei, aconselham cerca de dois metros quadrados por ratazana como dimensão mínima. E mesmo assim é imprescindível que saiam da gaiola para se exercitarem e explorarem o meio ambiente. Não preciso de dizer outra vez que desde que esteja alguém a vigiá-las, não é?

gaiolaarmário.jpg

As gaiolas de rede metálica permitem uma boa ventilação e permitem que elas se exercitem a trepar. Mas, não é aconselhável que o chão seja em arame, já que podem ficar com as patas presas e desenvolverem úlceras.

ratazanagaiola1.jpg

A gaiola deve estar dentro de casa ao abrigo de correntes de ar, com luz, mas sem luz directa! Ao contrário do que possam pensar, as ratazanas domésticas não são tão resistentes como os seus parentes selvagens e são facilmente afectadas pelas correntes de ar e pelo frio.

ratazanatoca.jpg

Depois, é dedicarmo-nos à decoração interior de gaiolas e permitir que possuam o que lhes é essencial - um abrigo para dormir, espaço para brincarem e interagirem com escadas, cordas, túneis, plataformas. Não será preciso dizer que roedores roem, não é?

Por isso, todos os objectos de madeira serão roídos, e talvez alguns de plástico. Mas roer também contribui para que fiquem saudáveis. Deixem coisas que elas possam “desfazer” com os dentes à vontade! Massa em espiral também é uma boa opção para este efeito.

Quanto àquela rodinha típica para os ratos, muitas vezes algumas ratazanas não lhe vêem qualquer interesse, mas experimente para ver se o seu bichinho gosta; no entanto, opte por uma de superfície lisa e sem arame.

Alimentação

São animais omnívoros e os conselhos são para que lhes dê uma ração específica, que tem a forma de granulado, pois enquanto comem aproveitam e desgastam os dentes. Felizmente, já vão existindo à venda nas lojas de animais, mas não deixe de pesquisar sobre o melhor alimento para os seus companheiros roedores.

Mesmo assim, o seu cardápio deve ter alimentos frescos, tais como frutas e vegetais. Também pode dar-lhe sementes, tais como arroz com casca, aveia, alpista e sementes de abóbora e de linhaça.

 

Não lhe dê milho cru, pode fazer-lhes mal. Cuidado com as quantidades de sementes de girassol e os amendoins, dê pouca quantidade, já que são extremamente oleaginosos e acarretarão um ganho de peso perfeitamente dispensável!

Existem alimentos quem lhes são permitidos e outros que são proibidos, pois trarão problemas ao nosso animal. Pesquise e procure, quando tiver dúvidas sobre se lhe pode dar algo ou não.

Deixo apenas algumas ideias dos alimentos proibidos:

  • Citrinos, manga e ananás;
  • amendoim cru;
  • sementes de maçã e de papoila;
  • batata doce crua;
  • banana verde;
  • batata verde crua;
  • insectos; (Não lhe passe isso pela cabeça! Ok?)
  • bebidas gaseificadas (as ratazanas não conseguem arrotar);
  • alcaçuz;
  • tofu;
  • carne crua (pense que pode conter bactérias);
  • couve vermelha ou couve de Bruxelas crua;
  • ruibarbo;
  • espinafre;
  • comidas “peganhentas”, género manteiga de amendoim (pode causar-lhes asfixia);
  • algas.

(continua)

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Publicado em Inominável nº 13

por Golimix autora do blog Eu tento, mas meu tento não consegue

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