Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Ter | 31.01.17

Fogo

imagem2.jpg

 

Havia uma luz na escuridão do bosque; como que sabendo que ela estava perdida, como que guiando-a a fugir de um frio que ela já não sabia se vinha também de fora, ou já só de dentro. Perguntava-se, para manter a cabeça ocupada e afastada de pensamentos mais sombrios, se um oásis poderia também ser uma fonte de luz e de calor no meio da escuridão gelada. Se todas a alucinações não seriam, afinal, todas elas um qualquer oásis impossível de alcançar. Custava-lhe acreditar que aquilo fosse fruto da sua imaginação, no entanto, mas como explicar uma bola incandescente a pairar no ar? A princípio julgara ser uma fogueira, mas as fogueiras não se movem assim, não se movem de todo. As fogueiras têm raiz e, se se espalham, a raiz fica sempre em qualquer parte da terra e não em círculos, baloiçando acima do chão. Também as estrelas cadentes aterram a certa altura. Aquele fogo não era algo que ela tivesse já visto. Ainda assim, caminhou ao seu encontro.


O fogo, o fogo que ela via a rodar, incandescente, pairando aqui e ali, era afinal palpável, tal como era o calor que deste emanava. Ela sentiu-o ao aproximar-se, um calor maior do que seria esperado provir daquela pequena esfera. A mulher que o controlava olhou-a, os seus olhos como duas poças escuras, indecifráveis. Não pareceu estranhar a sua presença, mas também não fez nenhum trejeito que a fizesse adivinhar tê-la reconhecido.


Ela suspirou, alívio a passar-lhe pelo rosto; pensara estar perdida, afinal não estava. Não soubera ao certo com o que contar, seguira apenas as instruções que lhe tinham dado mas, agora, a mulher na escuridão, a esfera de fogo levitando, tudo fazia sentido. Faltava-lhe ainda acomodar todas as peças de um quebra-cabeças que vinha a tentar decifrar há anos, mas estava no bom caminho.


A mulher olhou-a, aceitou o papel que ela lhe deu e leu-o com atenção ajustando o fogo à altura do papel que segurava. Fitou-a de novo, longamente.


- Segue-me. – disse depois, resoluta. A bola de fogo desapareceu dentro do seu casaco de pele, escuro como a noite que agora atravessavam. Ela seguiu a mulher, um pequeno aceno com a cabeça sem ter a certeza de que a mulher o tivesse visto, mas esta não parecia duvidar que ela fizesse exactamente o que lhe fora pedido, e caminhou ainda mais para o interior do bosque, sem esperar.


Escarlate, fora o nome que lhe tinham dado. O da mulher, viria a saber dias depois. Escarlate respirou fundo e, depois de uma leve hesitação, mergulhou também nas trevas.

 ______________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 5
por Carina Pereira autora do blog Contador d'Estórias

 

Seg | 30.01.17

Fotografar... #1

Fotografar... uma forma de exprimir sentimentos, sensações e uma forma de os registar.

Para mim, tirar uma fotografia é muito mais do que um simples carregar no botão. E a foto não começa nem termina ali, no exato segundo em que o negativo fica registado.

 

Estudar e perceber a luz, seja ela direta ou indireta, natural ou artificial, é o primeiro 001.jpgpasso para registar uma imagem, um momento, um sentimento, pois a fotografia é isso mesmo: registar luz. 

Para isso, as nossas câmaras estão equipadas com um sensor e com uma objetiva. A função do primeiro é a de registar em formato digital tudo aquilo que a objetiva “vê”, usando para isso um princípio básico denominado Triângulo da Exposição.

 

Terminologias como velocidade de obturação, abertura do diafragma e ISO vão passar a fazer parte das páginas da Inominável. Mas o que são afinal estas coisas com nomes menos comuns? Vou explicar cada um deles de uma forma o mais simples possível, e estabelecer paralelos com comportamentos do nosso quotidiano de forma a, sem usar uma linguagem demasiado técnica, expor a importância da combinação destes três elementos.

 

A velocidade de obturação é medida em segundos ou partes de segundo. As câmaras apresentam esta medida numa escala de tempo que pode ser, por exemplo, de 1/320. Isto quer dizer que temos de dividir o segundo em 320 partes iguais, e a luz vai passar por entre a objetiva durante apenas uma dessas frações de segundo.

 

Muitas vezes vemos as fotos desfocadas, sinal claro de arrastamento dos motivos. Apesar de poder ser uma técnica, não se aplica como tal em todos os casos!

002-003.png

Sabemos que podemos controlar o tempo que deixamos passar a luz pela nossa objetiva até ao sensor. Poderemos também controlar a quantidade de luz? Sim, obviamente! É o segundo lado do triângulo: a abertura do diafragma!

 

As objetivas têm na sua construção umas lamelas que abrem ou fecham em função da quantidade de luz que deixamos entrar. Uma vez determinada a velocidade, podemos escolher a abertura mais ajustada às nossas fotografias. Essas aberturas aparecem referenciadas nas camaras como fX.Y. Não querendo maçar ninguém com a tabela onde se explica o que são f-stops de abertura, fico-me apenas por uma forma mais direta:

 

Quanto maior for o número do vosso “f”, menor será a abertura da objetiva. Logo, menor quantidade de luz passa para o interior do sensor. Imaginem, por exemplo, que estão a regar um jardim com uma mangueira. Essa mangueira é larga na extremidade, e quando a água sai, tem um determinado caudal, relacionado com a secção da mangueira e com a pressão da água. Quando estrangulam a mangueira, aumentam não só a distância que a água percorre após sair do interior da mangueira, mas também a quantidade de água que sai. No fundo, e passando isso para uma terminologia mais fotográfica, passam de um f2.8 para um f7.1, por exemplo.

004-005.png

Finalmente, o ISO! Mas o que é isso do ISO?
ISO é a sigla de International Organization for Standardization e, tal como na explicação da abertura, não vou esmiuçar a tabela complexa. Vou referir apenas que o ISO nos permite definir a sensibilidade ótica que o sensor tem à entrada de luz.

 

As máquinas apresentam esse valor sempre com o prefixo ISO, seguido de números. Quanto menor o ISO, menor a predisposição do sensor à luz. Não quer isto dizer que devemos fotografar com os valores de ISO o mais baixo possíveis, nada disso! Até pelo contrário, mas deixemos essa discussão para outros artigos mais à frente, ok? Contudo, há um contra a considerar: quanto mais elevado for o ISO, e por sua vez a sensibilidade, maior será a quantidade de ruído que a vossa foto tem. O ruído é vulgarmente chamado de grão. Imaginem por exemplo a abertura das vossas íris. Por vezes abrem os vossos olhos de forma a ver com mais clareza, ou fecham as pálpebras para reduzir a entrada de luz e ver ao longe com mais detalhe. Isto é a sensibilidade dos vossos olhos. Da mesma forma, o sensor da máquina tem de ser informado de como se devem comportar os “seus olhos”.

006-007.png

Espero ter cativado o vosso interesse por este tema, que tem tanto para explorar. Convido-vos a acompanhar os próximos textos e espero poder ajudar a levar mais longe a paixão pela fotografia, essa arte em que sentimentos e enquadramentos estão sempre ligados ao conhecimento e ao domínio da técnica.


Boas fotos!

______________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 5
por Gil Cardoso

Sex | 27.01.17

Nascidos do Vulcão

O domínio dos quenianos e etíopes nas provas de atletismo de fundo é avassalador desde que começaram a competir em grandes campeonatos, mas recentemente começou a ser óbvio um padrão: a grande maioria desses corredores são Kalenjin, um povo de pouco menos de 5 milhões de pessoas, oriundo do extinto vulcão Elgon na província do Rift Valley, Quénia.

IMG_5443.PNG

ESTATÍSTICAS
As estatísticas sobre os corredores de fundo deste povo são tão insólitas ao ponto de parecerem irrealistas:

  • Desde 1980, mais de 70% das medalhas em provas de fundo em Jogos Olímpicos, Mundiais de Atletismo e Mundiais de Cross-Country foram para Quenianos; os Kalenjin, apesar de serem pouco mais de 10% da população do Quénia (e 0,06% da população mundial), arrebataram mais de 3/4 dessas medalhas.
  • Até hoje, 17 norte-americanos correram a Maratona em menos de 2 horas e 10 minutos; 32 Kalenjins fizeram-no em Outubro de 2011.
  • 5 estudantes de liceu norte-americanos correram a milha em menos de 4 minutos; o liceu de St. Patrick, na cidade Kalenjin de Iten, chegou a ter 4 alunos que corriam a milha em menos de 4 minutos, ao mesmo tempo.

As razões para este domínio são várias e nenhuma deles oferece uma resposta total.

 

podium-olympqiue-kenya-2004-kemboi-kipruto-koech.j

CULTURA E GEOGRAFIA

  • Roubo de gado de outras tribos. O roubo de gado era uma parte importante da vida tradicional Kalenjin; não era malvisto desde que as vítimas do assalto fossem de outra sub-tribo Kalenjin, o que implicava que teriam de o fazer a grandes distâncias da sua aldeia, e sempre o mais rapidamente possível. Um guerreiro, muren, que o fizesse ganharia com isso prestígio e mulheres – o que pode ter levado a um mecanismo de selecção natural que favorecesse os mais rápidos em longas distâncias. Esta explicação tem sido constantemente afastada, mas recentemente tem sido evidente um padrão de bons corredores de fundo provenientes de tribos que, tradicionalmente, tinham esta prática – os Oromo da Etiópia, os Sebei do Uganda (que vivem do outro lado do Monte Elgon).
  • Correm ou andam mais que o normal. Muitos dos Kalenjin que chegaram a corredores de nível inter-nacional vêm de zonas rurais pobres, e muito pro-vavelmente (cerca de 80%) teve de correr ou andar até à escola – comparando, estes alunos têm, em média, mais 30% de capacidade aeróbica que os seus semelhantes.
    Ainda assim, este não é um factor de exclusão (há exemplos de grandes corredores que iam de autocarro), nem suficiente (muitos dos alunos que correm para a escola têm capacidades aeróbicas medianas).
  • Força mental e resistência à dor. Os jovens Kalenjin, com 15 anos, passam por uma cerimónia de iniciação violenta, durante a qual não podem fazer um som de dor, um esgar de fraqueza. Em corridas longas, aguentar o esforço é essencial.
  • Nasceram em altitude. Viver e treinar em altitude é uma componente essencial para a capacidade aeróbica de um atleta, sobretudo enquanto o corpo está em evolução. Os Kalenjin são um bom exemplo disso e a sua evolução deu-se de maneira diferente da de outros povos que vivem em altitude (falarei disso na parte da Genética).
  • Não estão em guerra. Ao contrário de muitos povos com características culturais e genéticas semelhantes, o Quénia tem passado por um período político relativamente estável, à parte alguma violência pós-eleitoral. O que me leva ao ponto seguinte:

 

IMERSÃO/DINÂMICA:

  • A cidade de Iten, situada em território Kalenjin, é hoje um grande funil onde se juntam, no topo, a grande maioria dos melhores corredores mundiais (entre 500 a 1500 de cada vez) e saem, por baixo, apenas os melhores. A imersão dos atletas no desporto é enorme: os atletas dormem em quartos com o nome de grandes maratonas mundiais, vemos atletas medalhados correrem lado a lado com os mais jovens. Tal como acontece com o futebol americano e o basquetebol nos EUA, a velocidade na Jamaica, o futebol no Brasil e em Portugal, toda a atenção do país e da população se concentra na corrida de fundo.
  • Também como acontece com outros desportos noutros países (futebol em Portugal e no Brasil, praticamente todos os desportos nos EUA), o atletismo é uma das principais maneiras que os Quenianos têm para fugir à pobreza e subir socialmente. Com um rendimento per-capita anual de 750€, o potencial monetário de ser um corredor de nível internacional é maior do que para um jovem dos EUA que assine um contracto na NBA. E com muitos dos Kalenjin a dedicarem-se sobretudo a uma vida rural, não existe uma carreira profissional ou académica para adiar e praticamente nenhum risco em experimentar o atletismo; correr permite-lhes sonhar com uma vida melhor, em termos financeiros. Todos os anos há um sistema de bolsas de estudo para que jovens quenianos vão estudar nas universidades americanas da Ivy League, e uma das provas de selecção é uma corrida de 1.500m.

footprints-kenyan-runners-m1.jpg

“É óbvio que encontrar talento escondido na corrida de fundo não é exclusivo do Quénia. E, tal como o sprint na Jamaica, é precisamente a sistematização do processo pelo qual se encontra esse talento que faz com que se pareça menos com acaso e mais como filtragem táctica. A pergunta real é se encontrar esse talento é mais provável de acontecer no Quénia, especificamente entre os Kalenjin, e se isso se prende com características biológicas inatas.”

David Epstein, The Sports Gene

GENÉTICA

Este é o tema mais sensível dos três, uma vez que estamos a falar de diferenças raciais. Há casos bem conhecidos de investigadores científicos que, sobre este tema, encontraram vantagens genéticas nalguns atletas mas que não partilharam esses resultados com receio das consequências que as suas implicações raciais – e não só raciais, aqui também se põe a questão de talento natural vs. trabalho e treino – poderiam ter na discussão científica e social.

  • Pernas grandes, gémeos e tornozelos finos. Um estudo dinamarquês de 1998, ao investigar as várias razões genéticas que poderiam estar na base da performance dos Kalenjin, descobriu que os Quenianos eram mais baixos que os Dinamarqueses, mas que as suas pernas correspondiam a uma percentagem maior da altura. Para além disso, o volume da parte inferior da perna era 15 a 17% menor do que no caso dos Dinamarqueses. Isto é extremamente relevante, uma vez que a perna funciona como um pêndulo, e quanto menor o peso da extremidade, menor a energia gasta para a mover. Os corredores Kalenjin que participaram no estudo tinham menos meio quilo na parte inferior das pernas (uma diferença que se vê até entre os Kalenjin corredores e os não-corredores), o que resulta em cerca de 8% de poupança de energia por quilómetro.
  • Tipo de corpo nilótico. Os Kalenjin têm um corpo muito esguio (útil, como vimos antes, para a poupança de energia durante a corrida). Este tipo de corpo desenvolveu-se em zonas quentes e secas, uma vez que as proporções esguias funcionam melhor para o arrefecimento do corpo, um factor muito importante para a economia de energia durante uma corrida longa.
  • Evolução em altitude. É conhecido que treinar em altitude aumenta a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue, e melhor do que treinar é nascer em altitude, porque permite que o corpo se adapte durante a sua evolução. Mas então porque não há mais corredores do Nepal, ou dos Andes? A resposta não tem apenas a ver com a questão do tipo de corpo, mas também como cada povo se adaptou a viver em altitude. A quantidade de oxigénio no sangue é determinada pela quantidade de hemoglobina que temos e quanto oxigénio essa hemoglobina transporta. Os habitantes dos Andes respondem à falta de oxigénio com um aumento da quantidade de hemoglobina, o que implica um sangue mais viscoso e que circula com menos facilidade, nada ideal para a prática de desporto prolongado. Os tibetanos têm níveis de hemoglobina normais e quantidades de oxigénio transportado baixas (normais em altitude), mas as quantidades elevadas de oxído nítrico aumentam a velocidade de passagem do sangue nos pulmões, levando a uma respiração mais rápida e profunda; aumenta a quantidade de oxigénio no sangue, mas leva a um gasto maior de energia, também negativo na prática de desporto. Um estudo dos Amhara, da Etiópia (muito próximos e com um tipo de corpo semelhante aos Kalenjin), revelou que estes têm uma quantidade de hemoglobina normal e uma quantidade de oxigénio transportado normal também – mas muito pouco normal nestas altitudes. Quando descem para altitudes próximas do nível do mar aumenta a quantidade de oxigénio transportado para valores próximos do máximo possível, sem gastarem mais energia por isso.

IMG_5444.PNG

Nenhum destes factores explica, sozinho, a preponderância absurda que etíopes e quenianos, sobretudo Omoro e Kalenjin, têm nas corridas de fundo. As questões genéticas parecem ter uma importância grande, mas não podemos descurar os factores culturais – Fernanda Ribeiro, medalha de ouro dos 10.000m, também corria para a escola – e sociais – o efeito funil de procura exaustiva de talento para um determinado desporto é a razão principal para o domínio que os EUA têm no basquetebol mundial. Enquanto que outros países como a Finlândia, EUA e Reino Unido, as grandes potências mundiais do fundo entre as Grandes Guerras, têm ficado mais lentos (entre 1983 e 1998 o número de homens norte-americanos que correram a maratona em menos de 2h20m desceu de 267 para 35, no Reino Unido de 137 para 17, a Finlândia não apurou um único atleta de fundo para os Jogos Olímpicos de 2000), os Quenianos focaram toda a sua atenção neste desporto, por razões socio-económicas. Mas também porque, por razões genéticas (sobretudo nesta era de especialização em tudo, incluíndo no desporto), é muito mais provável encontrarmos o próximo recordista da maratona em Iten do que no resto do mundo.

 ______________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 5
por Alexandre Alvaro

Qui | 26.01.17

Tendências de A a Z

Os bomber jackets são uma tendência à qual ninguém fica indiferente: uns gostam, outros não – eu tenho aprendido a gostar. Nestas peças as cores neutras são as mais requisitadas e por esse motivo as mais difíceis de encontrar nas lojas, por outro lado, há sempre quem goste de arriscar um pouco mais e fugir dos “clássicos”.
Estas são algumas dicas e sugestões para este inverno:

001.jpg

A TER EM CONTA:
Os bomber jackets não são uma peça exclusivamente desportiva, podem ser utilizados em conjuntos mais formais ou descontraídos.

PARA FAZER SOBRESSAIR:
Misturem uma saia lápis e uns saltos altos;
Um bomber jacket metalizado vai fazer sobressair qualquer conjunto.

GAFE FASHION:
Cuidado com conjuntos demasiado desportivos, não queremos que pareça que acabámos de sair do ginásio.

COMO USAR:

002.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

003.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

004.jpg

ONDE COMPRAR:
• ZARA
• Mango

 ______________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 5
por Sofia Silva autora do blog La Principessa

 

Qua | 25.01.17

Os meus filmes - Parte 2

Já viram os filmes que eu recomendei em Junho? Gostaram?
(Estou já a assumir que quem leu o meu derradeiro texto foi a correr ver os filmes que aqui indiquei, o que logicamente me parece pouco provável…)
Como não gosto das coisas pela metade, passemos de seguida a outros filmes para mim marcantes e dos quais guardo óptimas recordações.

Começo naturalmente pelo Casablanca, que foi durante muitos anos o meu “Filme”. Ele tinha tudo o que eu gostava no cinema: uma história, drama, paixão, amor, suspense, boa música, grande realização e acima de tudo fantásticos actores!

Todavia, o tempo haveria de colocar no meu caminho outras longas-metragens que me encheram superlativamente. Começo então pela Europa, onde nos anos 70 um realizador alemão teve o seu auge. Chamava-se Rainer Werner Fassbinder. No entanto, é em 1980 que realiza Lili Marleen, um filme para mim mítico, já que foi o primeiro que vi daquele realizador. Muitos outros se seguiram, todavia aquele… deixou cunho na minha memória.

No entanto, os anos 60 e 70 estão carregados de muitos e bons filmes. Desde “2001 – Odisseia no Espaço” de Stanley Kubrick, a “O Bom, o Mau e o Feio” de Sergio Leone, passando pelo “Leopardo” de Luchino Visconti, a verdade é que foram duas décadas com filmes fantásticos. A escolha entre eles torna-se assim quase impossível.

Mas antes destes anos, mais propriamente em 1959, precisamente o ano em que nasci, é apresentado Ben-Hur, um filme mítico vencedor de 11 Óscares da Academia Americana. Esta longuíssima metragem marcou-me pela imponência. Lembro-me de que o vi pela primeira vez no antigo cinema Tivoli e foi para mim marcante. Um filme que jamais esquecerei. Saliento que revi-o diversas vezes na televisão mas, ou é da idade ou do local, a verdade é que já não sinto o mesmo efeito de outrora.

Passemos então aos anos doirados dos “The Beatles”. Desta década surgiu, entre muitos, um filme que foi primeiramente visionado pelo meu pai em Angola aquando da sua vida militar, do qual ainda guardo o bilhete do cinema (imagine-se!!!), e que muitos anos mais tarde vi, não no cinema, mas na televisão. Refiro-me obviamente a Lawrence da Arábia. Entre vários “monstros” do cinema, como Anthony Quinn e Omar Sharif, que se apresentavam já como actores consagrados, Peter O’Toole foi o actor perfeito para a longa-metragem, dando ao enredo a pujança que este merecia. Uma obra-prima que ganhou um número infindável de prémios.

Os anos 70 trazem consigo tantos e bons filmes que tenho uma natural dificuldade em escolher entre “Taxi Driver”, “Tubarão”, ou “O Caçador”. Podia também aqui trazer “Apocalipse Now” ou simplesmente falar de “Rocky”. No entanto, opto por Voando sobre um ninho de cucos, um filme que não deixa ninguém indiferente. O realizador Milos Forman dá a Jack Nicholson a hipótese de brilhar e este não se faz rogado, arrecadando o Óscar para melhor actor. Um momento de cinema ímpar.

Como já falei dos anos oitenta, passo directamente e para terminar para o filme que vejo nem que seja os segundos da pena a cair. Chama-se Forrest Gump e neste filme Tom Hanks torna-se finalmente uma verdadeira estrela de cinema. Não é que nos filmes anteriores deste actor com origens lusas ele não tivesse representado ao mais alto nível. Porém, neste filme Tom ultrapassou a fronteira da mediania para se tornar um grande actor.

Creio que com esta carteira de filmes muitos de vós vão ter com que se entreter durante algum tempo.
Pelo menos até ao próximo número.
A gente lê-se por aí!

______________________________________________________________________

Publicado em Inominável nº 5
por José da Xã, autor dos blogs LadosAB e José da Xã 
e participante nos blogs O Bom, o Mau e o FeioA Três Mãos e És a nossa Fé!

Pág. 1/5