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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

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Havia uma luz na escuridão do bosque; como que sabendo que ela estava perdida, como que guiando-a a fugir de um frio que ela já não sabia se vinha também de fora, ou já só de dentro. Perguntava-se, para manter a cabeça ocupada e afastada de pensamentos mais sombrios, se um oásis poderia também ser uma fonte de luz e de calor no meio da escuridão gelada. Se todas a alucinações não seriam, afinal, todas elas um qualquer oásis impossível de alcançar. Custava-lhe acreditar que aquilo fosse fruto da sua imaginação, no entanto, mas como explicar uma bola incandescente a pairar no ar? A princípio julgara ser uma fogueira, mas as fogueiras não se movem assim, não se movem de todo. As fogueiras têm raiz e, se se espalham, a raiz fica sempre em qualquer parte da terra e não em círculos, baloiçando acima do chão. Também as estrelas cadentes aterram a certa altura. Aquele fogo não era algo que ela tivesse já visto. Ainda assim, caminhou ao seu encontro.


O fogo, o fogo que ela via a rodar, incandescente, pairando aqui e ali, era afinal palpável, tal como era o calor que deste emanava. Ela sentiu-o ao aproximar-se, um calor maior do que seria esperado provir daquela pequena esfera. A mulher que o controlava olhou-a, os seus olhos como duas poças escuras, indecifráveis. Não pareceu estranhar a sua presença, mas também não fez nenhum trejeito que a fizesse adivinhar tê-la reconhecido.


Ela suspirou, alívio a passar-lhe pelo rosto; pensara estar perdida, afinal não estava. Não soubera ao certo com o que contar, seguira apenas as instruções que lhe tinham dado mas, agora, a mulher na escuridão, a esfera de fogo levitando, tudo fazia sentido. Faltava-lhe ainda acomodar todas as peças de um quebra-cabeças que vinha a tentar decifrar há anos, mas estava no bom caminho.


A mulher olhou-a, aceitou o papel que ela lhe deu e leu-o com atenção ajustando o fogo à altura do papel que segurava. Fitou-a de novo, longamente.


- Segue-me. – disse depois, resoluta. A bola de fogo desapareceu dentro do seu casaco de pele, escuro como a noite que agora atravessavam. Ela seguiu a mulher, um pequeno aceno com a cabeça sem ter a certeza de que a mulher o tivesse visto, mas esta não parecia duvidar que ela fizesse exactamente o que lhe fora pedido, e caminhou ainda mais para o interior do bosque, sem esperar.


Escarlate, fora o nome que lhe tinham dado. O da mulher, viria a saber dias depois. Escarlate respirou fundo e, depois de uma leve hesitação, mergulhou também nas trevas.

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Publicado em Inominável nº 5
por Carina Pereira autora do blog Contador d'Estórias

 

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Fotografar... uma forma de exprimir sentimentos, sensações e uma forma de os registar.

Para mim, tirar uma fotografia é muito mais do que um simples carregar no botão. E a foto não começa nem termina ali, no exato segundo em que o negativo fica registado.

 

Estudar e perceber a luz, seja ela direta ou indireta, natural ou artificial, é o primeiro 001.jpgpasso para registar uma imagem, um momento, um sentimento, pois a fotografia é isso mesmo: registar luz. 

Para isso, as nossas câmaras estão equipadas com um sensor e com uma objetiva. A função do primeiro é a de registar em formato digital tudo aquilo que a objetiva “vê”, usando para isso um princípio básico denominado Triângulo da Exposição.

 

Terminologias como velocidade de obturação, abertura do diafragma e ISO vão passar a fazer parte das páginas da Inominável. Mas o que são afinal estas coisas com nomes menos comuns? Vou explicar cada um deles de uma forma o mais simples possível, e estabelecer paralelos com comportamentos do nosso quotidiano de forma a, sem usar uma linguagem demasiado técnica, expor a importância da combinação destes três elementos.

 

A velocidade de obturação é medida em segundos ou partes de segundo. As câmaras apresentam esta medida numa escala de tempo que pode ser, por exemplo, de 1/320. Isto quer dizer que temos de dividir o segundo em 320 partes iguais, e a luz vai passar por entre a objetiva durante apenas uma dessas frações de segundo.

 

Muitas vezes vemos as fotos desfocadas, sinal claro de arrastamento dos motivos. Apesar de poder ser uma técnica, não se aplica como tal em todos os casos!

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Sabemos que podemos controlar o tempo que deixamos passar a luz pela nossa objetiva até ao sensor. Poderemos também controlar a quantidade de luz? Sim, obviamente! É o segundo lado do triângulo: a abertura do diafragma!

 

As objetivas têm na sua construção umas lamelas que abrem ou fecham em função da quantidade de luz que deixamos entrar. Uma vez determinada a velocidade, podemos escolher a abertura mais ajustada às nossas fotografias. Essas aberturas aparecem referenciadas nas camaras como fX.Y. Não querendo maçar ninguém com a tabela onde se explica o que são f-stops de abertura, fico-me apenas por uma forma mais direta:

 

Quanto maior for o número do vosso “f”, menor será a abertura da objetiva. Logo, menor quantidade de luz passa para o interior do sensor. Imaginem, por exemplo, que estão a regar um jardim com uma mangueira. Essa mangueira é larga na extremidade, e quando a água sai, tem um determinado caudal, relacionado com a secção da mangueira e com a pressão da água. Quando estrangulam a mangueira, aumentam não só a distância que a água percorre após sair do interior da mangueira, mas também a quantidade de água que sai. No fundo, e passando isso para uma terminologia mais fotográfica, passam de um f2.8 para um f7.1, por exemplo.

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Finalmente, o ISO! Mas o que é isso do ISO?
ISO é a sigla de International Organization for Standardization e, tal como na explicação da abertura, não vou esmiuçar a tabela complexa. Vou referir apenas que o ISO nos permite definir a sensibilidade ótica que o sensor tem à entrada de luz.

 

As máquinas apresentam esse valor sempre com o prefixo ISO, seguido de números. Quanto menor o ISO, menor a predisposição do sensor à luz. Não quer isto dizer que devemos fotografar com os valores de ISO o mais baixo possíveis, nada disso! Até pelo contrário, mas deixemos essa discussão para outros artigos mais à frente, ok? Contudo, há um contra a considerar: quanto mais elevado for o ISO, e por sua vez a sensibilidade, maior será a quantidade de ruído que a vossa foto tem. O ruído é vulgarmente chamado de grão. Imaginem por exemplo a abertura das vossas íris. Por vezes abrem os vossos olhos de forma a ver com mais clareza, ou fecham as pálpebras para reduzir a entrada de luz e ver ao longe com mais detalhe. Isto é a sensibilidade dos vossos olhos. Da mesma forma, o sensor da máquina tem de ser informado de como se devem comportar os “seus olhos”.

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Espero ter cativado o vosso interesse por este tema, que tem tanto para explorar. Convido-vos a acompanhar os próximos textos e espero poder ajudar a levar mais longe a paixão pela fotografia, essa arte em que sentimentos e enquadramentos estão sempre ligados ao conhecimento e ao domínio da técnica.


Boas fotos!

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Publicado em Inominável nº 5
por Gil Cardoso

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O domínio dos quenianos e etíopes nas provas de atletismo de fundo é avassalador desde que começaram a competir em grandes campeonatos, mas recentemente começou a ser óbvio um padrão: a grande maioria desses corredores são Kalenjin, um povo de pouco menos de 5 milhões de pessoas, oriundo do extinto vulcão Elgon na província do Rift Valley, Quénia.

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ESTATÍSTICAS
As estatísticas sobre os corredores de fundo deste povo são tão insólitas ao ponto de parecerem irrealistas:

  • Desde 1980, mais de 70% das medalhas em provas de fundo em Jogos Olímpicos, Mundiais de Atletismo e Mundiais de Cross-Country foram para Quenianos; os Kalenjin, apesar de serem pouco mais de 10% da população do Quénia (e 0,06% da população mundial), arrebataram mais de 3/4 dessas medalhas.
  • Até hoje, 17 norte-americanos correram a Maratona em menos de 2 horas e 10 minutos; 32 Kalenjins fizeram-no em Outubro de 2011.
  • 5 estudantes de liceu norte-americanos correram a milha em menos de 4 minutos; o liceu de St. Patrick, na cidade Kalenjin de Iten, chegou a ter 4 alunos que corriam a milha em menos de 4 minutos, ao mesmo tempo.

As razões para este domínio são várias e nenhuma deles oferece uma resposta total.

 

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CULTURA E GEOGRAFIA

  • Roubo de gado de outras tribos. O roubo de gado era uma parte importante da vida tradicional Kalenjin; não era malvisto desde que as vítimas do assalto fossem de outra sub-tribo Kalenjin, o que implicava que teriam de o fazer a grandes distâncias da sua aldeia, e sempre o mais rapidamente possível. Um guerreiro, muren, que o fizesse ganharia com isso prestígio e mulheres – o que pode ter levado a um mecanismo de selecção natural que favorecesse os mais rápidos em longas distâncias. Esta explicação tem sido constantemente afastada, mas recentemente tem sido evidente um padrão de bons corredores de fundo provenientes de tribos que, tradicionalmente, tinham esta prática – os Oromo da Etiópia, os Sebei do Uganda (que vivem do outro lado do Monte Elgon).
  • Correm ou andam mais que o normal. Muitos dos Kalenjin que chegaram a corredores de nível inter-nacional vêm de zonas rurais pobres, e muito pro-vavelmente (cerca de 80%) teve de correr ou andar até à escola – comparando, estes alunos têm, em média, mais 30% de capacidade aeróbica que os seus semelhantes.
    Ainda assim, este não é um factor de exclusão (há exemplos de grandes corredores que iam de autocarro), nem suficiente (muitos dos alunos que correm para a escola têm capacidades aeróbicas medianas).
  • Força mental e resistência à dor. Os jovens Kalenjin, com 15 anos, passam por uma cerimónia de iniciação violenta, durante a qual não podem fazer um som de dor, um esgar de fraqueza. Em corridas longas, aguentar o esforço é essencial.
  • Nasceram em altitude. Viver e treinar em altitude é uma componente essencial para a capacidade aeróbica de um atleta, sobretudo enquanto o corpo está em evolução. Os Kalenjin são um bom exemplo disso e a sua evolução deu-se de maneira diferente da de outros povos que vivem em altitude (falarei disso na parte da Genética).
  • Não estão em guerra. Ao contrário de muitos povos com características culturais e genéticas semelhantes, o Quénia tem passado por um período político relativamente estável, à parte alguma violência pós-eleitoral. O que me leva ao ponto seguinte:

 

IMERSÃO/DINÂMICA:

  • A cidade de Iten, situada em território Kalenjin, é hoje um grande funil onde se juntam, no topo, a grande maioria dos melhores corredores mundiais (entre 500 a 1500 de cada vez) e saem, por baixo, apenas os melhores. A imersão dos atletas no desporto é enorme: os atletas dormem em quartos com o nome de grandes maratonas mundiais, vemos atletas medalhados correrem lado a lado com os mais jovens. Tal como acontece com o futebol americano e o basquetebol nos EUA, a velocidade na Jamaica, o futebol no Brasil e em Portugal, toda a atenção do país e da população se concentra na corrida de fundo.
  • Também como acontece com outros desportos noutros países (futebol em Portugal e no Brasil, praticamente todos os desportos nos EUA), o atletismo é uma das principais maneiras que os Quenianos têm para fugir à pobreza e subir socialmente. Com um rendimento per-capita anual de 750€, o potencial monetário de ser um corredor de nível internacional é maior do que para um jovem dos EUA que assine um contracto na NBA. E com muitos dos Kalenjin a dedicarem-se sobretudo a uma vida rural, não existe uma carreira profissional ou académica para adiar e praticamente nenhum risco em experimentar o atletismo; correr permite-lhes sonhar com uma vida melhor, em termos financeiros. Todos os anos há um sistema de bolsas de estudo para que jovens quenianos vão estudar nas universidades americanas da Ivy League, e uma das provas de selecção é uma corrida de 1.500m.

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“É óbvio que encontrar talento escondido na corrida de fundo não é exclusivo do Quénia. E, tal como o sprint na Jamaica, é precisamente a sistematização do processo pelo qual se encontra esse talento que faz com que se pareça menos com acaso e mais como filtragem táctica. A pergunta real é se encontrar esse talento é mais provável de acontecer no Quénia, especificamente entre os Kalenjin, e se isso se prende com características biológicas inatas.”

David Epstein, The Sports Gene

GENÉTICA

Este é o tema mais sensível dos três, uma vez que estamos a falar de diferenças raciais. Há casos bem conhecidos de investigadores científicos que, sobre este tema, encontraram vantagens genéticas nalguns atletas mas que não partilharam esses resultados com receio das consequências que as suas implicações raciais – e não só raciais, aqui também se põe a questão de talento natural vs. trabalho e treino – poderiam ter na discussão científica e social.

  • Pernas grandes, gémeos e tornozelos finos. Um estudo dinamarquês de 1998, ao investigar as várias razões genéticas que poderiam estar na base da performance dos Kalenjin, descobriu que os Quenianos eram mais baixos que os Dinamarqueses, mas que as suas pernas correspondiam a uma percentagem maior da altura. Para além disso, o volume da parte inferior da perna era 15 a 17% menor do que no caso dos Dinamarqueses. Isto é extremamente relevante, uma vez que a perna funciona como um pêndulo, e quanto menor o peso da extremidade, menor a energia gasta para a mover. Os corredores Kalenjin que participaram no estudo tinham menos meio quilo na parte inferior das pernas (uma diferença que se vê até entre os Kalenjin corredores e os não-corredores), o que resulta em cerca de 8% de poupança de energia por quilómetro.
  • Tipo de corpo nilótico. Os Kalenjin têm um corpo muito esguio (útil, como vimos antes, para a poupança de energia durante a corrida). Este tipo de corpo desenvolveu-se em zonas quentes e secas, uma vez que as proporções esguias funcionam melhor para o arrefecimento do corpo, um factor muito importante para a economia de energia durante uma corrida longa.
  • Evolução em altitude. É conhecido que treinar em altitude aumenta a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue, e melhor do que treinar é nascer em altitude, porque permite que o corpo se adapte durante a sua evolução. Mas então porque não há mais corredores do Nepal, ou dos Andes? A resposta não tem apenas a ver com a questão do tipo de corpo, mas também como cada povo se adaptou a viver em altitude. A quantidade de oxigénio no sangue é determinada pela quantidade de hemoglobina que temos e quanto oxigénio essa hemoglobina transporta. Os habitantes dos Andes respondem à falta de oxigénio com um aumento da quantidade de hemoglobina, o que implica um sangue mais viscoso e que circula com menos facilidade, nada ideal para a prática de desporto prolongado. Os tibetanos têm níveis de hemoglobina normais e quantidades de oxigénio transportado baixas (normais em altitude), mas as quantidades elevadas de oxído nítrico aumentam a velocidade de passagem do sangue nos pulmões, levando a uma respiração mais rápida e profunda; aumenta a quantidade de oxigénio no sangue, mas leva a um gasto maior de energia, também negativo na prática de desporto. Um estudo dos Amhara, da Etiópia (muito próximos e com um tipo de corpo semelhante aos Kalenjin), revelou que estes têm uma quantidade de hemoglobina normal e uma quantidade de oxigénio transportado normal também – mas muito pouco normal nestas altitudes. Quando descem para altitudes próximas do nível do mar aumenta a quantidade de oxigénio transportado para valores próximos do máximo possível, sem gastarem mais energia por isso.

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Nenhum destes factores explica, sozinho, a preponderância absurda que etíopes e quenianos, sobretudo Omoro e Kalenjin, têm nas corridas de fundo. As questões genéticas parecem ter uma importância grande, mas não podemos descurar os factores culturais – Fernanda Ribeiro, medalha de ouro dos 10.000m, também corria para a escola – e sociais – o efeito funil de procura exaustiva de talento para um determinado desporto é a razão principal para o domínio que os EUA têm no basquetebol mundial. Enquanto que outros países como a Finlândia, EUA e Reino Unido, as grandes potências mundiais do fundo entre as Grandes Guerras, têm ficado mais lentos (entre 1983 e 1998 o número de homens norte-americanos que correram a maratona em menos de 2h20m desceu de 267 para 35, no Reino Unido de 137 para 17, a Finlândia não apurou um único atleta de fundo para os Jogos Olímpicos de 2000), os Quenianos focaram toda a sua atenção neste desporto, por razões socio-económicas. Mas também porque, por razões genéticas (sobretudo nesta era de especialização em tudo, incluíndo no desporto), é muito mais provável encontrarmos o próximo recordista da maratona em Iten do que no resto do mundo.

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Publicado em Inominável nº 5
por Alexandre Alvaro

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Os bomber jackets são uma tendência à qual ninguém fica indiferente: uns gostam, outros não – eu tenho aprendido a gostar. Nestas peças as cores neutras são as mais requisitadas e por esse motivo as mais difíceis de encontrar nas lojas, por outro lado, há sempre quem goste de arriscar um pouco mais e fugir dos “clássicos”.
Estas são algumas dicas e sugestões para este inverno:

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A TER EM CONTA:
Os bomber jackets não são uma peça exclusivamente desportiva, podem ser utilizados em conjuntos mais formais ou descontraídos.

PARA FAZER SOBRESSAIR:
Misturem uma saia lápis e uns saltos altos;
Um bomber jacket metalizado vai fazer sobressair qualquer conjunto.

GAFE FASHION:
Cuidado com conjuntos demasiado desportivos, não queremos que pareça que acabámos de sair do ginásio.

COMO USAR:

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ONDE COMPRAR:
• ZARA
• Mango

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Publicado em Inominável nº 5
por Sofia Silva autora do blog La Principessa

 

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Já viram os filmes que eu recomendei em Junho? Gostaram?
(Estou já a assumir que quem leu o meu derradeiro texto foi a correr ver os filmes que aqui indiquei, o que logicamente me parece pouco provável…)
Como não gosto das coisas pela metade, passemos de seguida a outros filmes para mim marcantes e dos quais guardo óptimas recordações.

Começo naturalmente pelo Casablanca, que foi durante muitos anos o meu “Filme”. Ele tinha tudo o que eu gostava no cinema: uma história, drama, paixão, amor, suspense, boa música, grande realização e acima de tudo fantásticos actores!

Todavia, o tempo haveria de colocar no meu caminho outras longas-metragens que me encheram superlativamente. Começo então pela Europa, onde nos anos 70 um realizador alemão teve o seu auge. Chamava-se Rainer Werner Fassbinder. No entanto, é em 1980 que realiza Lili Marleen, um filme para mim mítico, já que foi o primeiro que vi daquele realizador. Muitos outros se seguiram, todavia aquele… deixou cunho na minha memória.

No entanto, os anos 60 e 70 estão carregados de muitos e bons filmes. Desde “2001 – Odisseia no Espaço” de Stanley Kubrick, a “O Bom, o Mau e o Feio” de Sergio Leone, passando pelo “Leopardo” de Luchino Visconti, a verdade é que foram duas décadas com filmes fantásticos. A escolha entre eles torna-se assim quase impossível.

Mas antes destes anos, mais propriamente em 1959, precisamente o ano em que nasci, é apresentado Ben-Hur, um filme mítico vencedor de 11 Óscares da Academia Americana. Esta longuíssima metragem marcou-me pela imponência. Lembro-me de que o vi pela primeira vez no antigo cinema Tivoli e foi para mim marcante. Um filme que jamais esquecerei. Saliento que revi-o diversas vezes na televisão mas, ou é da idade ou do local, a verdade é que já não sinto o mesmo efeito de outrora.

Passemos então aos anos doirados dos “The Beatles”. Desta década surgiu, entre muitos, um filme que foi primeiramente visionado pelo meu pai em Angola aquando da sua vida militar, do qual ainda guardo o bilhete do cinema (imagine-se!!!), e que muitos anos mais tarde vi, não no cinema, mas na televisão. Refiro-me obviamente a Lawrence da Arábia. Entre vários “monstros” do cinema, como Anthony Quinn e Omar Sharif, que se apresentavam já como actores consagrados, Peter O’Toole foi o actor perfeito para a longa-metragem, dando ao enredo a pujança que este merecia. Uma obra-prima que ganhou um número infindável de prémios.

Os anos 70 trazem consigo tantos e bons filmes que tenho uma natural dificuldade em escolher entre “Taxi Driver”, “Tubarão”, ou “O Caçador”. Podia também aqui trazer “Apocalipse Now” ou simplesmente falar de “Rocky”. No entanto, opto por Voando sobre um ninho de cucos, um filme que não deixa ninguém indiferente. O realizador Milos Forman dá a Jack Nicholson a hipótese de brilhar e este não se faz rogado, arrecadando o Óscar para melhor actor. Um momento de cinema ímpar.

Como já falei dos anos oitenta, passo directamente e para terminar para o filme que vejo nem que seja os segundos da pena a cair. Chama-se Forrest Gump e neste filme Tom Hanks torna-se finalmente uma verdadeira estrela de cinema. Não é que nos filmes anteriores deste actor com origens lusas ele não tivesse representado ao mais alto nível. Porém, neste filme Tom ultrapassou a fronteira da mediania para se tornar um grande actor.

Creio que com esta carteira de filmes muitos de vós vão ter com que se entreter durante algum tempo.
Pelo menos até ao próximo número.
A gente lê-se por aí!

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Publicado em Inominável nº 5
por José da Xã, autor dos blogs LadosAB e José da Xã 
e participante nos blogs O Bom, o Mau e o FeioA Três Mãos e És a nossa Fé!

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Os convidados desta edição da rubrica Musicalizando são os Shout!, um grupo que transmite, através da sua música, toda a energia, alegria e sonoridade do Gospel.
Fundada em 1995, esta banda surgiu para acompanhar a cantora Sara Tavares no seu primeiro trabalho, tendo desde então colaborado com diversos artistas, como Santos & Pecadores, Adelaide Ferreira ou Rui Veloso, entre outros.
Para celebrar os 20 anos de carreira, os Shout! preparam-se para lançar o quinto álbum da banda. “Make It Right” é o single de apresentação de um trabalho que promete surpreender e mostrar uma nova sonoridade mais atual.

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Como é que nasceram os Shout!?
Os Shout! nasceram em Março de 1995 com o objetivo de acompanhar a cantora Sara Tavares, após esta ter ganho o 1º Chuva de Estrelas e o Festival da Canção. Por iniciativa da Ani Fonseca (manager da Sara) e do Dale Chappell (o então professor de canto da Sara e futuro diretor vocal dos Shout!) surge esta colaboração resultando no álbum “Escolhas”, o primeiro álbum português com uma sonoridade mais Gospel. A primeira formação era composta por 21 cantores, escolhidos por casting, que se identificassem com a mensagem e estilo musical. O nome Shout! foi escolhido “quase” por sorteio. Nas várias propostas apresentadas, este foi o que teve mais votação.
E assim ficou Sara Tavares & Shout!.

 

Porque é que optaram pelo gospel?
Na sua maioria os cantores do Shout!, à semelhança da Sara, tinham influência da Igreja Evangélica, e embora o Gospel não fosse um estilo de música muito ouvido ou consumido em Portugal, era muito promovido na Igreja. O teor da mensagem inspiradora, assim como a atitude com que era transmitida, era transversal a todos os cantores do Shout!. A influência dos coros Gospel vinda dos Estados Unidos e a possibilidade de “brincar” com tantas vozes foi um desafio.

 

Consideram que o Gospel é um estilo ainda pouco ouvido e valorizado em Portugal?
Sim! Por tradição Portugal não é um país consumidor “natural” do Gospel. É um estilo de música mais utilizada e conhecida no universo da Igreja Evangélica onde, aí sim, é mais familiar. No entanto, nestes últimos anos, com o aparecimento de outros coros Gospel portugueses e por outras influências externas musicais, começou a ser um pouco mais valorizado. Sinceramente, achamos que contribuímos muito para que isso acontecesse, o que muito nos agrada.


Paralelamente ao vosso trabalho a nível dos Shout! têm colaborado com outros artistas portugueses na criação de arranjos para temas desses mesmos artistas. Conseguem destacar uma dessas colaborações que mais prazer vos tenha dado em participar?
É impossível destacarmos apenas uma delas. Todos os artistas com quem temos colaborado são grandes nomes da música portuguesa e músicos que admiramos, tais como Boss Ac, Rui Veloso, Ala dos Namorados – cujo tema “Caçador de Sóis” foi nomeado para tema do ano 2015 –, João Gil, etc. Não podemos no entanto deixar de salientar a colaboração com a cantora beninense Angélique Kidjo no Rock in Rio. Esse foi de facto um momento especial para nós!


Que balanço fazem destes 20 anos de carreira? O que é que ainda gostariam de concretizar?
Tem sido um processo de crescimento e aprendizagem constantes. Ao longo destes 20 anos fomos evoluindo como grupo e individualmente, fazendo do Shout! aquilo que é hoje. O balanço é bastante positivo, mas claro que queremos muito mais. Talvez um concerto no Meo Arena, ver um dos nossos temas associados a uma grande marca portuguesa, ou sermos reconhecidos internacionalmente... Acho que todos nós queremos sempre mais!

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Vem aí o vosso quinto álbum. Como é que caracterizam este novo trabalho? Que mudanças nos traz?
Este próximo disco dá continuidade à nossa evolução como artistas. Tem sido um percurso natural e sentimos necessidade de voltar a gravar originais. As várias influências que temos e a nossa identidade como grupo acabaram por se ir revelando e resultaram neste conjunto de músicas que estamos a gravar. É certamente um álbum diferente daquilo a que acostumámos o público e estamos ansiosos pelas reações.

 

Já têm alguma data prevista para o lançamento deste trabalho?
Queremos trabalhar estes novos temas com calma e sem a pressão de termos uma data para lançamento do disco. Mas será em 2017!


Muito obrigada pela vossa disponibilidade!

Podem saber mais sobre os Shout! em:
Página oficial e Facebook.

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Publicado em Inominável nº 5
por Marta Segão, autora do blog Marta O meu canto e participante no blog Clube de gatos 

 

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Dezembro é o mês da chegada do inverno e do frio.
É também o mês do Natal e é o tempo daquelas receitas que nos deixam com água na boca e que nos fazem pecar…
Por isso, não podia deixar de vos trazer uma receita fantástica, ex-libris desta época, do nosso país: o Bolo Rei. E para não fugir ao tema desta Inominável,“Fogo”, aconselho a fazerem esta receita nos fornos a lenha tradicionais… não se irão arrepender! Mas antes, fiquem com a lenda do Bolo Rei.

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Reza a lenda que o Bolo Rei representa os presentes que os três Reis Magos deram ao menino Jesus aquando o seu nascimento, tendo pois mais de 2000 anos. A côdea representa o ouro, as frutas (cristalizadas e secas) representam a mirra e o aroma do bolo representa o incenso. A verdade é que a forma do bolo aparenta uma coroa cheia de pedras preciosas. 

Para além desta simbologia, a fava e o brinde, que caíram em desuso alegadamente por questões de segurança e higiene alimentar, também têm uma explicação segundo a lenda: os reis magos, quando viram a estrela que anunciava o nascimento de Jesus, disputaram entre si quem seria o primeiro a ofertar o menino. Como não se entenderam, um padeiro confeccionou o bolo e colocou-lhe a fava e o que a apanhasse seria o primeiro a entregar o presente ao menino. Segundo a lenda, não se sabe a quem saiu a fava e quem foi o primeiro a entregar o presente. Até há bem pouco tempo, a quem saísse a fava teria como dever pagar e ofertar o Bolo Rei seguinte.

Já o brinde era considerado um presente, algo como um amuleto que dava sorte a quem o encontrasse. Infelizmente, a tradição deixou de ser o que era, e o uso destes dois símbolos foi proibido. E quem nunca “esburacou” o Bolo Rei para encontrar o brinde que coloque o dedo no ar. Por isso, nesta minha versão de Bolo Rei, se quiserem e forem saudosistas como eu, podem colocar o brinde e até mesmo a fava. 

 

Aqui fica a Receita:

650 g de farinha sem fermento
30 g de fermento fresco
100 g de margarina
100 g de açúcar
180 ml água
1 cálice de vinho do Porto
250 g de frutas cristalizadas e frutos secos
2 ovos + 1 ovo para pincelar
1 colher de sobremesa de sal
1 brinde
1 fava

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Comece por ativar o fermento juntando-lhe 150 gr de farinha e 80 ml de água. Dissolva e deixe a repousar por 15 minutos.
Entretanto junte aos ovos o açúcar, a margarina e mexa bem com as mãos. Coloque a seguir o vinho do Porto, a água restante, a farinha e o sal e amasse até ficar com uma massa homogénea. Junte então a massa de fermento e volte a amassar até ficar macia. Misture as frutas, molde uma bola e deixe repousar por 30 minutos numa taça polvilhada com farinha.

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Passado esse tempo, coloque a assar sobre papel vegetal e dê-lhe a forma de bolo rei. Espete no bolo, neste momento, a fava e o brinde envolto em papel vegetal. Deixe repousar por mais 50 minutos.

 

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Quando a massa estiver levedada, pincele o bolo com um ovo batido, decore com a fruta e vai ao forno previamente aquecido nos 180º durante 30/35 minutos.

 

 

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Se tiver um forno de lenha, experimente e comprove as diferenças.

Sirva acompanhado com um cálice de vinho do Porto ou com um chá, rodeado da família e à frente da lareira.

Bom Apetite!

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Publicado em Inominável nº 5por Dona Pavlova autora do blog Dona Pavlova e participante nos blogs Aprender uma coisa nova por diaClube de Gatos do Sapo e Amigos dos Animais

 

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Até os mais optimistas admitirão que o ser humano é das criaturas mais monstruosas à face da Terra. Acho estranhíssimo que nos filmes de fantasia sejam sempre os humanos a fugir do dragão em vez de ser o contrário, tendo em conta a reputação violenta que os humanos deveriam ter. Por exemplo, já ninguém se surpreende quando mais uma guerra qualquer começa, seja entre estados independentes, seja uma guerra civil ou religiosa ou seja o que for.

 

Resumidamente, andar à porrada sobre coisas supérfluas aparenta estar-nos geneticamente predisposto. Felizmente, nem todas as guerras se travam com armas, mas nem por isso deixam de ser violentas. No mundo dos videojogos, um exemplo de um conflito desse tipo é a Guerra das Consolas.

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(Antes que penseis que estou a falar a sério,
faço notar que esta guerra é uma espécie de piada na Internet,
como decerto tereis compreendido.)

 

Eu mantenho-me relativamente informado sobre o mundo dos videojogos, mas não posso partir do princípio que todas as pessoas em todas as faixas etárias o façam também.
Este artigo tem um objectivo (quase) puramente informativo, sendo que eu gostaria de introduzir alguma cultura geral sobre um tema que, se provavelmente não é interessante nem novo para quem não é um leigo, pode ser útil para um progenitor que não compreenda a reacção de desapontamento do seu descendente quando este vê que recebe uma Xbox no Natal em vez de uma Playstation, ou vice-versa.
"Mas não são exactamente a mesma coisa?"
Bom... sim e não. Vou tentar ser o mais lacónico possível, pois este não é um assunto particularmente fácil de explicar. Ou não para mim, pelo menos.

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Olhemos para o campo de batalha. No centro dele estão recursos preciosos, chamados "consumidores", que todos os beligerantes, ou fabricantes de consolas, almejam gananciosamente possuir. Cada facção tenta obter o máximo número de consumidores possível, usando todo o tipo de estratagemas para o conseguir. Por exemplo, certas consolas têm videojogos exclusivos que nenhuma outra tem, implicando que se um utilizador quiser jogar esse videojogo específico, terá obrigatoriamente de ter essa consola.
O factor principal de decisão para um consumidor (ou pelo menos o mais discutido) aparenta ser a capacidade de processamento de cada equipamento. Analogamente falando, o quão bom o motor da máquina é. O problema é que o mesmo jogo em consolas diferentes é visualmente muito parecido, com apenas subtis diferenças no desempenho. Para mim, estes factores não seriam suficientemente relevantes para andar a discutir com pessoas anónimas em fóruns.
No entanto...
"Ah, a PlayStation mostra mais 10 píxeis que a Xbox!"
"Ah, a Xbox tem aquele jogo exclusivo!"

 

Para alguém que seja de fora deve parecer muito peculiar toda a futilidade de uma pessoa se enervar por causa de umas caixas de plástico com electrónica oriental lá dentro. Nesse aspecto, eu concordaria, pois considero-me "alguém de fora" porque não tenho uma consola de oitava geração. Sim, já vamos na oitava, estas guerras já vêm desde os anos 80. Mal comparando a coisa, sou como um alemão que tenha nascido no início da Guerra dos Trinta Anos.
Qualquer pessoa com um mínimo de noção de como o mundo funciona já terá percebido que o que eu tenho estado a descrever não é em nada dessemelhante de qualquer rivalidade comercial entre marcas doutros produtos normais, tipo champôs ou jornais ou carros. A grande diferença, repito, é que são os próprios consumidores a fomentar a guerra (se o fazem por brincadeira ou não, isso já não sei).
É tipo o futebol. Claques diferentes vestem-se de cores diferentes e imediatamente a reputação de milhares de mães portuguesas é questionada e a legitimidade dos pais deitada abaixo por gestos bovinos. Depois começam as cadeiras a voar, sem razão absolutamente alguma.

 

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O mesmo não acontece na Guerra das Consolas porque é certo e sabido que os totozinhos que jogam videojogos não saem de casa, impossibilitando o contacto físico. No máximo, se enraivecidos, catapultam o objecto mais próximo deles numa direcção aleatória enquanto gritam com o familiar ingénuo que foi perguntar o que raio se passava e porque carga d'água estava o cão em cima do armário.

 

Se ainda se lembrarem, é tipo aquele vídeo do puto alemão a berrar maniacamente para o computador.
Para concluir, sabeis agora que existe uma guerra invisível a decorrer nas veias corruptas da Internet. É perfeitamente possível que o vosso filho totó (ou outro familiar masculino) esteja a lutar por um dos lados do conflito. Consequentemente, se estiverdes a planear surpreendê-lo com uma consola nova, tentai em primeiro lugar perceber (pelos vossos próprios métodos) que tipo de facção ele defende, se alguma.
Na pior das hipóteses, ele poderá ser algo bem mais nefasto: poderá pertencer ao culto sobranceiro da chamada "Raça Mestre PC", uma minoria elitista e eugénica no mundo dos consumidores de videojogos. Mas essa será outra história.

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Publicado em Inominável nº 5
por Rei Bacalhau que participa no blog O Bom, o Mau e o Feio

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Hoje em dia usamos o termo psicopata para descrever alguém que tenha um comportamento violento. Mas ninguém sabe o que significa “psicopata”, ou até mesmo “sociopata”. Podemos ver nas notícias a polícia a avisar as pessoas de que a pessoa que eles procuram é um sociopata (por exemplo, o Pedro Dias), mas como ninguém nos media explica o que é um sociopata e as pessoas têm preguiça de procurar, toda a gente vai logo saltar para conclusões, na sua maior parte erradas, sobre o que é um sociopata.

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Ser um psicopata e ser um sociopata são coisas completamente diferentes, embora de um ponto de vista psicológico venham do mesmo problema: transtorno de personalidade anti-social. Os termos “psicopata” e “sociopata” são usados para distinguir o tipo de comportamento, pois há grandes diferenças entre um e outro (ao contrário do que muitas pessoas pensam, um sociopata não é um psicopata). 

O transtorno de personalidade anti-social tem vários sintomas fáceis de diagnosticar:

Incapacidade de se conformar com as normas sociais e respeitar as leis;

Mentiras e enganos constantes, e manipulação de outros indivíduos;

Impulsividade e falta de planeamento das suas ações;

Irritabilidade e agressividade elevadas, levando a lutas físicas frequentes;

Despreocupação face à sua segurança ou de outros, irresponsibilidade;

Falta de remorsos ou indiferença quanto a uma ação que magoou outro.

 

Estudos indicam que os psicopatas nascem assim, provavelmente por causa da sua genética. Análises ao cérebro de psicopatas mostram que estes têm determinadas partes do seu cérebro pouco desenvolvidas, partes essas que se pensa que controlam as emoções e a impulsividade. Ao contrário de um psicopata, um sociopata não nasce assim, ele torna-se assim devido a um crescimento com abuso físico ou psicológico. Isto, contudo, não exclui a possibilidade de um psicopata também ter sofrido algum tipo de trauma.

 

Os psicopatas costumam ser vistos pela sociedade como encantadores e de confiança, com capacidade de manterem um emprego normal e até terem uma família. Contudo, eles sentem dificuldade em apegar-se a alguém. Em vez disso, as relações que eles estabelecem são superficiais, e formadas de uma maneira a que possam ser manipuladas pelo psicopata. Eles não sentem qualquer culpa ou remorso por aquilo que fazem porque simplesmente não têm capacidade para isso. Um sociopata, embora também tenha dificuldade em aproximar-se emocionalmente dos outros, pode formar ligações com outros que tenham os mesmos ideais. Os sociopatas têm mais dificuldade em manter empregos por muito tempo, ou em dar a ideia de terem uma família normal.

 

Tanto os psicopatas como os sociopatas tentam viver uma vida normal, ignorando o seu problema, o que os pode tornar perigosos. No entanto, o mais perigoso entre os dois será o psicopata, que tem mais facilidade em distanciar-se emocionalmente das suas ações. Quando um psicopata comete um crime, ele fá-lo com um grande cuidado e planeamento, de maneira a minimizar os riscos para si próprio, ao contrário de um sociopata, que age por impulso, pouco se preocupando com o risco que está a correr. Como um psicopata não sente qualquer emoção, nem remorsos ou culpa relacionados com as suas ações, a dor dos outros não o afeta, e eles são capazes de pensar com frieza, diferenciando-se dos sociopatas, que ao serem impulsivos são presos pelos seus crimes muito mais facilmente que um psicopata. Muitos serial killers famosos são ou eram psicopatas: a falta de emoção permite-lhes matar quem quiserem sem sentirem qualquer tipo de remorso.

 

Embora esteja presente frequentemente, a violência não é um sintoma de transtornos anti-sociais. Nem todos os psicopatas ou sociopatas são violentos, e é importante saber isso.

 

Fonte: https://psychcentral.com/blog/archives/2015/02/12/differences-between-a-psychopath-vs-sociopath/

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Publicado em Inominável nº 5
por Maggie

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Bom dia ‘migas!


Tenho um stress com o meu parceiro. Nós moramos juntos há imenso tempo – dois meses inteiros, acho que até já mais um ou dois dias. Achámos que estava na hora de dar o passo depois de duas semanas intensas de namoro. Sei que assim não parece muito, mas não me julguem, ‘tá? Que eu já não vou para nova, as minhas amigas estão todas casadas e a ter filhos e eu já estou a perder a competição há demasiado tempo.


Mas atenção! Gosto mesmo dele! Somos supé (!) compatíveis. Gostamos de sair à noite para beber um copo (ou muitooos), conversamos imenso, usamos Snapchat que nem doidos (‘tou sempre com uma coroazinha de flores na cabeça e olhos muita giros). Só há mini-micro-problema.


Ele é pouco aventureiro. Não gosta de carinhos públicos, não gosta de sair da rotina, percebem? A maior loucura que consegui levá-lo a fazer foi um dia... eu não gosto de dizer sexo por isso vou dizer “ler Saramago”, tá bem?


Então, dizia eu: ele só quer ler Saramago na cama e àquela hora certa que é ali antes de deitar. Ora eu gosto de agitar um pouco as coisas. A maior loucura que consegui foi levá-lo a ler Saramago no sofá! Mas gostava que pudéssemos ler Saramago no tapete, no carro, na praia, na sala da casa dos pais dele. Fazer como tantas pessoas fazem e, sei lá, ler Saramago num banquinho de um jardim público, ‘tão a ver?


Isto não quer dizer que ele não leia muito bem, que lê! Só que só lê no mesmo sítio à mesma hora, como o padre a dar a missa aos Domingos de manhã – e quem me dera que fosse de manhã! E agora com o frio a instalar-se eu queria muito, muito cumprir com ele uma fantasia antiga minha que era ler Saramago à lareira.


Ele fica logo furioso só com a sugestão, sabem? Que não temos lareira, que não é preciso ler fora de casa, que faz fagulhas, que depois aquece muito, que uma vez em pequeno queimou a gadelha por estar sem cuidado junto à lareira, que a borracha do... livro... derrete e eu ainda engravido, que é alérgico a carvão, enfim. Um dia destes, para tentar recriar o ambiente acendi uma vela e ele perguntou logo se eu estava a tentar incendiar a casa...

 

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Cara ‘miga.


É um facto que a geração atual tem uma reação menos boa com Saramago. Dizem que escreve sem vírgulas, que é maçador, chato e isso, assumimos nós, poderá dar azo a confusões por parte do seu namorado.


Acreditamos, assim, que a solução está em apostar numa literatura mais da moda: que tal ler Harry Potter, as cinquenta sombras de grey ou crepúsculo?


Explicamos:
Se ler Harry Potter poderá usar a varinha e, consequentemente, fazer uma boa lareira. É. Acredite: diz quem leu que através da varinha é possível - com a devida fórmula mágica - criar fogo. E mesmo que não seja uma lareira muito atiçada, sempre é melhor uma fogueirita pequenita que nada…


Já se ler as cinquenta sombras de grey poderá obrigá-lo a usar o chicote no chão da sala, com a fogueira em fundo, para fazerem ambos… meditação. E mesmo que a cara amiga não sinta o fogo muito aceso, com tanto instrumento meditativo poderá, pelo menos, deleitar-se com a imagem do seu mais do que tudo usando cabedal.

 

Por fim, com o crepúsculo as lareiras são menos frequentes uma vez que, segundo os entendidos, os vampiros não têm frio. Mas a cara amiga aqui apimenta as coisas e dá uso à sua amizade com os lobos. É! Fala com um amigo quentinho, convence o seu namorado a ir acampar num dia de frio e aquecem-se os três numa tenda, com a lareira cá fora para se aquecerem.


Que lhe parece?


Ler Saramago tem as suas virtudes e, acreditamos nós, no convento de Mafra teria necessariamente de acender as lareiras. Acontece, no entanto, que os fantasmas de D. João V a tentar emprenhar a D. Maria Josefa podem causar algum trauma no seu BF.


Use uma das nossas dicas e depois escreva-nos, contando como correu.assinatura.jpg

 

 

 

 

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Publicado em Inominável nº 5
pelas nossas consultoras Maria das Palavras autora dos blogs Maria das Palavras e Consultório de Prendas.  e M.J. autora do blog E agora? Sei lá!
Ambas participam no blog Aprender uma coisa nova por dia

 

 

 

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