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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qua | 30.03.16

Um sinal

A vulgaridade ocasionalmente toma conta das nossas vidas.

É por isso que te digo, que me apaixonei no segundo em que te vi. Todos na festa, rindo, celebrando, havias escolhido a solidão e recato da varanda. Os olhos azuis, o cabelo louro, as pernas elegantemente cruzadas deixavam antever um mundo de promessas. A postura, displicente e ao mesmo tempo elegante fizeram o resto. Uma deusa em forma de gente. Quis saber quem eras, o que fazias. Conversa inteligente, bem-humorada, irónica. E eu a sentir-me nas nuvens. Por ti comecei a escrever; disseste-me que era capaz. Durante estes seis longos anos, admirei-te a espaços e sempre mantendo uma vala de sensatez entre nós. Afinal, não passo de mais um homem casado, pai de filhos, com responsabilidades familiares.

 

Quando, após esta longa agonia te confessei o meu amor, não quiseste saber. Talvez seja demasiado velho, demasiado casado, demasiado estúpido, mas amo-te. Um sinal teu e largaria tudo. Quando me ignoraste, voltei a ser um adolescente com um coração esfrangalhado. Andei perdido, não quis saber do mundo, bebi um bocado mais que a conta, chorei em ombros amigos. 

 

Compreendo-te, aceito que me não queiras seja por que razão for. Não podemos ser amados sempre, não se deve ambicionar ocupar lugar num coração já cativo. Se um dia me quiseres, estarei cá. Sempre. Por ti e para ti.

 

Jonathan

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Publicado em Inominável nº 2
por Jonathan

 

Seg | 28.03.16

Workout a dois

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Fevereiro é o mês do Amor e dos Namorados. Então e porque não continuarmos com a nossa rotina de exercícios, mas desta vez acompanhados? A minha proposta é treinarmos com a nossa cara-metade. O que acham? Alinham?

Já é sabido que treinar acompanhado é um incentivo para todos os praticantes, pois há menos hipóteses de desistências e de falhas. Se o acompanhante for a/o nossa/o namorada/o ainda melhor, pois além de cuidarmos do corpo juntos ainda estimulamos a cumplicidade e aumentamos a libido.

 

Benefícios de treinar com o/a namorado/a ou marido/mulher

  • Fortalece a união do casal: treinar em conjunto faz com que o casal fique mais unido, incentivando-se mutuamente para alcançarem os objetivos inicialmente propostos. Além disso, passam mais tempo juntos numa atividade ao gosto dos 2.
  • Mais sexo com qualidade: qualquer atividade física proporciona grandes benefícios para a nossa saúde física e mental, inclusive a vida sexual. Assim, ganhamos mais autoestima e gostamos mais de nós, o que efetivamente melhora a qualidade do sexo.
  • Noites bem dormidas: se existem insónias e problemas em terem uma boa noite de sono, um remédio eficaz é a prática de exercício físico.
  • Sair da rotina: ao treinarmos juntos saímos das rotinas do dia-a-dia e dos trabalhos domésticos. Pratiquem uma atividade física que agrade aos dois, alternando os espaços, os cenários e até as modalidades escolhidas.
  • Não precisamos de um Personal Trainer: escusamos de gastar dinheiro com um PT, pois o nosso par irá corrigir, melhorar a nossa postura e eliminar os erros cometidos durante o treino.

Ficamos mais bonitos, mais alegres e mais saudáveis… a dobrar.

De seguida, fiquem com algumas propostas excelentes para um treino a 2:

 

Bicicleta
uns passeios de bicicleta pela ecopista, à beira-mar ou até mesmo perto de casa são sempre benéficos, interessantes e românticos.

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Caminhada/Corrida
que pode ser feita na praia, na cidade, no campo ou em qualquer outro lugar.001 (2).jpg
Natação
e porque não irmos até às piscinas mais próximas ou até ao mar e nadarmos um bocadinho?002 (2).jpg
Ténis
ou qualquer outro jogo desportivo
convém ser uma modalidade de que ambos gostem e claro, tentar sempre ganhar.004.jpg

 

E o que me dizem a um destes treinos seguido de uma corrida leve de 20 minutos?

 

E agora que já têm muito por onde escolher, que tal continuarem com esta rotina e exercitarem-se em conjunto 2 a 3 vezes por semana? Fica o desafio e já agora…

Bons Treinos!

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Publicado em Inominável nº 2
por Dona Pavlova autora do blog Dona Pavlova e participante nos blogs Aprender uma coisa nova por diaClube de Gatos do Sapo e Amigos dos Animais

Sab | 26.03.16

O Capuchinho Azul-Mirtilo #2

Na manhã seguinte, quando chegou à escola, o caos estava instalado junto à porta da sala de aulas.

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Todos tapavam os narizes e queixavam-se do cheiro horrível que empestara o ar, sem qualquer explicação.

- Que pivete! - queixavam-se uns. 

- Cheira a chulé e cebolas podres! - diziam outros.

Durante a aula todos permaneceram com as caras tapadas, tal era o cheirete que pairava no ar. Ana olhou para a Tina Rabina e viu-a muito cabisbaixa, olhos postos no chão e as bochechas vermelhas como dois tomates insuflados, e suspeitou que ela era a responsável pelo cheirete misterioso.

 

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Nessa noite, Ana observava as estrelas da janela do seu quarto e interrogava-se sobre onde andaria a sua capa azul mirtilo. Se estaria sozinha, suja e molhada, esquecida numa poça de lama qualquer e sem nenhuma menina para aquecer. Foi então que ela viu um vulto no jardim. Alguém que lhe acenou, lá de baixo, e então pôde ver que se tratava da Tina Rabina. “Mas o que está ela aqui a fazer?” - interrogou-se a Ana, que desceu imediatamente ao encontro da rapariga mais terrível da sua turma.

Quando chegou ao pé dela viu-a de lágrimas nos olhos. Curiosamente, trazia consigo o pivete a chulé e cebolas podres.
- Vim devolver-te algo que te tirei, sem pedir licença. - disse a Tina Rabina - Uma coisa que eu queria muito para mim, mas que não me pertence. - Nisto, abriu a mochila e tirou a capa azul mirtilo que quase voou para os ombros da Ana, de onde nunca devia ter saído.

 

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Ao vê-la, o coração da Ana encheu-se de alegria e felicidade.

- A minha capa! Tive tantas saudades dela! - exclamou, afagando o rosto na lã fofa tecida pela tribo das neves.

- Eu não aguento mais o cheiro horrível que ela emana desde que a tomei para mim. Nem a tristeza e culpa que ela me faz sentir todas as vezes que lhe toco. Queria usá-la, queria sentir o cheiro a bosque, chuva e frutos silvestres, mas não consigo! Além disso, pica-me as costas e deixa-me cheia de comichão e borbulhas na pele! Porque ela não é minha, nem quer ser. Ela quer voltar para ti! - desabafou a Tina Rabina, desabando num pranto de arrependimento.

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A Ana estava muito contente por rever a sua capa, que aos poucos ia retomando o seu perfume original, mas não conseguia ficar feliz perante a infelicidade da Tina Rabina. Nunca a tinha visto chorar, antes! Então, pegou-lhe na mão, sorriu-lhe, e convidou-a para um chocolatequente em sua casa. A Tina Rabina ficou muito espantada. Nunca a tinham convidado para um chocolate quente, nem para nada que fosse!

Foi então que, naquela noite, a menina doce da capa mágica que a todos encantava e a menina insuportável que transformava arco-íris em borrões tristes e indefinidos, se sentaram lado a lado, a rir, a conversar e a viajar por terras mágicas nunca antes visitadas através da capa azul mirtilo, que nesta noite tinha um brilho especial apenas por voltar ao lugar onde pertencia.

 

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Publicado em Inominável nº 2
por  Marta A. autora do blog Um dia acabo o Livro

 

 

 

Sex | 25.03.16

O Capuchinho Azul-Mirtilo

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ra uma vez uma menina pequenina de cabelos cor de abóbora que tinha tantas sardas na cara quantas estrelas há no céu, e cujo nome era doce e pequeno, como ela:Vocês sabem de quem é quem eu estou a falar, não sabem? Exactamente. Da Ana! Na noite de Natal, a sua avó surpreendeu-a com a prenda mais especial que ela já alguma vez recebera. Uma prenda feita pela misteriosa tribo das neves, Xirihbitatá, e que desde essa noite a Ana nunca mais largou.

Lembrava-se de quando a avó a colocara sobre os seus ombros, fizera um laço com os atilhos e depois lhe tapara a cabeça com o carapuço, puxando-lhe os cabelos cor de abóbora para a frente. “Perfeita! Eu sabia que ias ficar linda com ela!”. Naquele momento, Ana sentiu-se muito quentinha e confortável, e uma felicidade imensa apoderou-se dela. 

 

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Aquela era a capa mais bonita que ela já vira na vida! Era azul, da cor dos mirtilos, e para seu espanto, cheirava a bosque, a chuva e frutos silvestres. Cheiro esse que não desaparecia nunca, nem depois de a mãe a lavar com sabão azul e branco, detergentes e amaciadores. Também a protegia tanto do calor como do frio, podendo usá-la o ano inteiro, e ao contrário de todas as outras roupas que ficavam curtas à medida que ela ia crescendo, a capa azul mirtilo ia-se adaptando à sua dona e crescendo com ela, para que nunca deixasse de lhe servir. E à noite, quando ela pendurava a capa na cadeira e se enfiava na cama, um doce aroma a floresta, chuva e frutos silvestres invadia o seu quarto, ela fechava os olhos e sonhava com lugares mágicos e nunca antes visitados. Em todos eles trajava o seu capuchinho azul mirtilo e com ele sentia-se invencível. 

A Ana e a sua capa eram de tal maneira inseparáveis que já toda a gente lhe chamava Ana Mirtilo. Mas ela não era a única a adorá-la...

 

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A Tina Rabina era a miúda mais insuportável da turma da Ana. Desde o infantário que lhe atazanava a paciência. Eram pastilhas elásticas nos cabelos, lagartixas na mochila, pioneses na cadeira, bombinhas de mau cheiro nos bolsos do casaco… As maldades da Tina Rabina não conheciam limites. Ela não era apenas chata ou travessa. Ela era uma sugadora de alegria. Era como se trouxesse sempre consigo nuvens negras para tapar os dias de sol, e transformasse qualquer arco-íris num borrão triste e indefinido, apenas porque lhe apetecia.

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A próxima tropelia que a Tina Rabina estava a planear era inimaginavelmente cruel, pois o que ela mais ambicionava, nos últimos tempos, era ter uma capa azul mirtilo, igualzinha à da Ana. Igualzinha, não. Ela queria a da Ana! Ela queria-a, mais que tudo. Por isso, num dia em que a Ana a pendurou no bengaleiro para ir à casa de banho, a Tina Rabina roubou-a sem ninguém ver. Abraçou-se a ela, sentindo o maravilhoso odor a bosque, a chuva e frutos vermelhos e imaginou o quanto a Ana choraria quando visse que ela tinha desaparecido. Mas, estranhamente, em vez de sentir orgulho na sua maldade – como era costume – ela começou a sentir-se culpada. Quanto mais se abraçava à capa em busca de conforto, pior se sentia.

- Mas o que é isto?! - exclamou, irritada, sem perceber aqueles sentimentos que nunca a tinham visitado antes.
Como não queria que ninguém a visse com ela, escondeu-a no cacifo, fechada a sete chaves, pensando em como iria sair da escola com o capuchinho azul mirtilo.

 

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A Ana chorou. Chorou muito. Em casa, nem o pai, a mãe ou o irmão a conseguiam consolar. Ela nunca se sentira tão triste em toda a sua vida e naquela noite, pela primeira vez em muito tempo, não viajou para terras distantes nos seus sonhos, acompanhada do maravilhoso aroma a florestas do norte.

  

 

 

(continua)

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Publicado em Inominável nº 2
por  Marta A. autora do blog Um dia acabo o Livro

 

Qua | 23.03.16

Com Amor… na vila museu

Todos os dias podem ser românticos, mas 14 de fevereiro é especial, para quem gosta de celebrar o Amor. Uma palavra especial, um jantar especial, um mimo extra… Qualquer iniciativa que envolva partilha a dois, pode ser um  tributo ao Dia dos Namorados. E porque não uma escapadinha a dois?

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Para quem vive na cidade e gosta de natureza, ambientes bucólicos, paisagens de perder de vista, silêncio, ar puro, a data pode ser um pretexto para fugir das rotinas e (re)descobrir recantos de Portugal - como Mértola, no Baixo Alentejo. Na simpática “vila museu”, outrora importante porto do Mediterrâneo, poderá ocupar o tempo das mais variadas formas: caminhadas, visita os vários núcleos museológicos, birdwatching, atividades náuticas ou, simplesmente, nada fazer e aproveitar para relaxar e provar os sabores únicos da gastronomia local. O roteiro dependerá, somente, do tempo disponível.

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Para a estadia: entre as várias opções, destaco o Hotel Museu. Sem dúvida a melhor unidade hoteleira local. Situado junto ao rio Guadiana, o hotel alberga um núcleo museológico: o denominado “Arrabalde Ribeirinho” – uma pequena aldeia islâmica cujo espólio, hoje patente ao público, foi descoberto durante a construção das fundações do edifício. O pequeno “recinto” – onde as ruínas se localizam – situa-se no andar inferior do hotel mas é visível a partir da receção. Um ambiente clean, de decoração intemporal, onde o bom gosto e o conforto imperam. Há uma tranquilidade especial neste hotel: somente os sons da natureza invadem o espaço, transportando descontração e bem-estar.

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Para além dos espaços físicos, o hotel disponibiliza uma série de atividades náuticas e de contato com a natureza, colocando à disposição dos clientes canoas, caiaques, bicicletas e passeios no rio numa pequena embarcação.

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Da janela dos quartos virados a sul é possível ver a velhinha “Torre do Relógio” – o ex-libris de Mértola, um dos monumentos mais bonitos da vila e porventura o mais vezes pintado e fotografado. De noite ou de dia, a emblemática obra, junto à muralha virada ao rio, não passa despercebida. Para além deste símbolo arquitetónico, outros se impõem no velho burgo: o castelo e a igreja matriz. Há um mundo de outrora nas ruelas íngremes e estreitas da “vila velha”, que vale a pena descobrir e conhecer. Um património histórico e cultural único que torna Mértola uma vila especial para namorar no dia de S. Valentim (e não só).

 

 

Para comer: para além da cozinha tradicional alentejana, há na vila, e nas aldeias limítrofes, vários restaurantes onde se come bem e com uma ótima relação qualidade/preço.

Destaco o Brasileiro. Apesar do nome, não se trata de um restaurante de comida das “terras de Vera Cruz”, mas sim de um espaço dedicado à cozinha tradicional portuguesa – no caso, cozinha regional alentejana – com destaque para as “especialidades de caça”.

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No espaço gastronómico, composto por duas salas, ressalta à vista o painel de azulejos da autoria de António Duro. Uma peça decorativa ilustrativa da “vila museu” e da fauna cinegética local; o cartão-de-visita da sala mais interior (diria). Noutra sala (mais externa), as largas vidraças transportam-nos para a paisagem envolvente… Um espaço apetecível que convida a Estar e a Apreciar as delícias gastronómicas que ali se cozinham: da “perdiz de escabeche” ao “estufadinho de javali de Montaria”, das “migas de espargos verdes com secretos e/ou plumas de porco preto” à “açorda de perdiz”, entre outras mais, tudo no cardápio aguça o paladar.

 

Outras sugestões

Quinta do Vau

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casa de campo que proporciona uma vista deslumbrante sobre a vila de Mértola; um espaço onde o tempo nos dá tempo e a paz nos abriga a alma… Um ambiente (verdadeiramente inspirador) que apela à memória dos tempos e reaviva a história da vila museu. Um lugar onde tudo foi pensado para ajudar a relaxar: a simpatia no atendimento, a decoração, o perfume no ar e o silêncio absoluto em particular. Uma alquimia de coisas boas que proporcionam bem-estar.

 

 

Casa da Tia Amália
um simpático, familiar e acolhedor Hostel em Além Rio, Mértola.

Casa do Funil
casa de campo
Restaurante Tamuje
(na vila)
Restaurante Al Andaluz
(aldeia de Santana de Cambas)
Restaurante O Pescador
(sítio da Penha de Águia; é aconselhável telefonar para marcação)
Restaurante Casa Amarela
(Além Rio, Mértola)

 

E depois… há sempre um mundo natural por descobrir: a diversidade de fauna e flora do Parque Natural do Vale do Guadiana é motivo suficiente para uma estadia.

 

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Publicado em Inominável nº 2
por Maria Sebastião, autora do blog Escrita ao Luar e

participante no blog Aprender uma coisa nova por dia

 

 

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