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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Fátima Santos retrato (15).jpg

As primeiras letras, as leituras ouvidas, foi de minha mãe que as soube, às tardes e pelas noites, em contos que ela me lia ou inventava. Quando me fiz de idade, frequentei a escola que, ao tempo, era a soma dos salpicos que as salas de aula faziam pela cidade. Calhou-me uma sala enorme por cima de uma adega. Tinha para recreio uma varanda e, do outro lado duma rua estreita, fazia-se pão e cheirava a estevas e a lume.

Num dia, o meu pai levou-nos para África. Fomos num navio e foi por lá que fiz o exame da quarta, depois que subi a serra de Chelas num lento e inesquecível comboio. Por lá me cresci de chuvas e rios e trovoadas. E cheiros. Odores ainda mais intensos que o cheiro inolvidável que tinha a minha mala de ir à escola. E um dia, como fui, voltei.

Foram-me então tempos de luta. Tempos de mordaça, em que pedagogia se conjugava com descalço nos pés dos meninos que ensinava, até que chegou aquele Abril e o dealbar da sua madrugada. E foi em liberdade que criei os meus filhos. Disso, e do mais que sou e tenho, agradeceria aos deuses se neles acreditasse.

De vez em quando, escrevo. Escrevo sempre. Ficaram-me em papel um livro de contos e um romance e outros contos e poemas dispersos. De vez em quando, faço um desenhito apenas para consolo do tanto que gosto.

De minha biografia não sei mais do que isto. Ou não sei dizê-lo. Ou nem mais biografia eu tenho para além de que nasci em Lagos num Janeiro de quarenta e oito e sou do nome que me deram e aqui lavro.

Maria de Fátima Marques Correia Santos

 

Maria de Fátima Marques Correia Santos, nasceu em Lagos, Portugal, em 1948
Mantem os blogues tristeabsurda e repensando
Colabora no blog e na revista electrónica Samizdat
Integra um grupo que realiza, em Lagos e arredores, tertúlias de literatura dita
Em 2009 publicou o Papoilas de Janeiro, um livro de textos em prosa
Com poesia esparsa em vários livros em co-autoria, integra os Volumes II (2007) e VII(2012) das antologias ditas Cinco Poetas de Lagos
Em 2012 um conto seu foi seleccionado pelo júri dos novos talentos FNAC literatura
e está publicado por essa editora

Nos intervalos da escrita gosta de desenhar e publica alguns dos resultados dessa sua actividade no blog intimarte

  

 

 

 

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Publicado em Inominável nº 2

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Lutar, nunca desistir - O Cantinho da Milu

O Cantinho da Milu é uma Associação Protectora de Animais, sem fins lucrativos, situada em Setúbal e fundada e gerida pela Emília Silva, carinhosamente tratada por Milu.

twice

 Nascida e criada em Angola numa família que prezava o amor pelos animais, ali viveu até 1975, ano em que imigrou para Portugal. Em 1993, quis o destino que ao passar pelo Marquês de Pombal, em Lisboa, encontrasse uma cadelinha com pouco mais de 2 meses, em péssimo estado. A Milu recolheu-a e em boa hora o fez, pois além de lhe ter sido diagnosticada uma parvovirose, teve também que, pouco tempo depois, ser operada aos intestinos. A Twice - assim foi chamada a pequena sobrevivente - foi a primeira cadela da Milu em Portugal e acabou por a marcar profundamente, tendo sido talvez a grande responsável pelo rumo que a sua vida tomou.

cantinho

Nos anos seguintes a Milu cruzou-se com muitos mais animais abandonados, doentes, maltratados e acidentados. Não sendo capaz de ficar indiferente, foi prestando assistência e aumentan-do o número de cães recolhidos, até que em Fevereiro de 2007 adquiriu um terreno para os acolher a todos, realizando um sonho que começara a tomar forma quando a sua vida se cruzou com a da Twice, que hoje é a imagem do albergue.

 

Nasceu, assim O Cantinho da Milu, que em Abril de 2011 foi oficialmente constituída como Associação Protectora de Animais, sem fins lucrativos. Neste albergue vivem, à data de hoje, cerca de 650 cães, a maior parte dos quais totalmente a cargo do Cantinho, a que a Milu dedica todo o seu tempo, numa luta constante para que possam todos viver com o máximo bem-estar possível recebendo os cuidados de que necessitam.

 

Em Janeiro, graças ao sucesso de uma campanha de Crowdfunding – e a todos os que, de alguma forma, contribuíram – o Cantinho da Milu conseguiu construir a Casa dos Velhinhos onde os residentes seniores, necessitados de conforto extra mas, infelizmente, com menos probabilidades de serem adoptados, poderão viver resguardados não só do frio no Inverno, como do calor excessivo no Verão.

 

casa dos velhinhos

 

cantinho

A Milu é a prova de que uma única pessoa pode fazer a diferença. Com muito trabalho e dedicação, conseguiu lançar a primeira pedra de um projecto que, ao longo dos anos, tem vindo a conquistar apoios e a construir parcerias que lhe permitem manter o espaço onde os animais que outros descartaram, maltrataram ou ignoraram, são cuidados e protegidos, enquanto aguardam que alguém se encante por eles e lhes dê uma família.

 

São 650 cães, e este número, infelizmente, não pára de crescer. Todas as ajudas são bem-vindas. Se puderem ajudar, seja com bens, donativos ou mão-de-obra, estarão a contribuir para um projecto meritório que vos vai fazer acreditar que é possível fazermos mais e melhor.

 

E se passarem pela zona de Setúbal, façam uma visita ao Cantinho da Milu e verifiquem, pessoalmente, o cuidado e o carinho com que todos ali são tratados.

paw banner.jpg

 

Donativos
IBAN: PT50 0036 0043 9910 0460 8641 2
BIC: MPIOPTPL
Número Solidário: 760 301 230
Contactos
E-mail: adoptar@ocantinhodamilu.com
Website: www.ocantinhodamilu.com
FB: O Cantinho da Milú

 

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Publicado em Inominável nº 2

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Este é, por assim dizer, a primeira de muitas películas que Hollywood teve o cuidado de nos oferecer durante todos estes anos, onde o amor foi tratado e vivido de forma muito dramática. Quase dando razão ao belo soneto de Luís de Camões:

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer

Deixemos por agora a poesia e regressemos ao cinema. E a outra história de amor… também ela mal resolvida. Chamo aqui o filme do qual retirei o nome deste espaço: Casablanca.

De 1942, este drama romântico tem tudo para ser um dos melhores filmes do mundo (encontra-se no top 10 mas em lugares diferenciados, variando conforme a entidade promotora). Não foi unicamente a presença de Bogart ou de Ingrid Bergman que deram a excelência à película. Mas a sua história, onde o drama de um amor conflituoso é elevado a tal êxtase que marca qualquer espectador. O excerto da parte final do filme, e que aqui deixo, reflecte o verdadeiro drama de quem (muito) ama.

Dando um ligeiro salto no tempo aterramos em 1951, onde sob a direcção de John Houston surge “The African Queen”. Com dois intérpretes fantásticos, novamente Humphrey Bogart e desta vez Katharine Hepburn, esta é uma daquelas histórias de amor que ninguém quer esquecer. E eu muito menos, pois adoro o filme.

O ano de 1961 traz-nos, a meu ver, um dos filmes mais fantásticos de Hollywood: “West Side Story”. Com música do maestro Leonard Bernstein, esta película atravessou todas as fronteiras que a idade costuma colocar, tornando-se um verdadeiro clássico.

Mais tarde, em 1966, pelas mãos do realizador francês Claude Lelouch surge uma longa-metragem que comoveu a sétima arte… e não só. Com um nome simples - “Um homem e uma mulher” - este filme, para além de ter sido marcante para a época, relata uma história de amor e amizade de forma muito peculiar. Conta também com uma música simplesmente inesquecível. Ora oiçam…

Poderia escrever um número infindável de páginas com referências a filmes onde o amor é o tema central. Dramas, comédias, musicais… enfim, um ror de películas fantásticas e sublimes.

Desde “Serenata à Chuva” com Gene Kelly, ou “Shall we Dance” com Fred Astaire e Ginger Rodgers, passando por “Os homens preferem as Loiras” com Marilyn Monroe, ou “Grease” com John Travolta e Olivia Newton-John, até terminarmos quiçá em “Cinema Paraíso” ou em “A vida é Bela”, ou porque não “O Carteiro de Pablo Neruda”, todos eles apresentam-se como óptimos exemplos de que o amor é a razão principal da existência do ser humano…

No entanto, vou referir somente um… “Forrest Gump” de seu nome. A história sincera do amor de um jovem - Forrest – com um ligeiro défice de inteligência, por uma jovem – Jenny – e que atravessa todo o filme, é o exemplo acabado de… “All you need is love”.

Termino assim com as palavras que são do próprio Forrest: “I’m not a smart man but I know what love is!”

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Publicado em Inominável nº 2
por José da Xã, autor dos blogs LadosAB e José da Xã 
e participante nos blogs O Bom, o Mau e o FeioA Três Mãos e És a nossa Fé!

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Alguém será capaz de imaginar o cinema sem o tema do amor? Alguém conseguirá calcular quantos filmes se fizeram sob a capa de um dos sentimentos mais incondicionais da natureza humana?

Só na Índia, um dos países com maior produção cinematográfica do mundo, as histórias de amor apresentadas no grande “écran” sucedem-se. Naturalmente, são as enormíssimas comunidades espalhadas pelo mundo as grandes consumidoras deste tipo de cinema, quase sempre acompanhado de músicas e danças. Um dos filmes mais célebres é o Sholay e remonta a 1975, sendo um excelente exemplo do que acabei de escrever.

Mas o amor como grande impulsionador do cinema está outrossim presente na indústria cinematográfica ocidental. E desde os primórdios. Actores como Douglas Fairbanks, Rudolfo Valentino e obviamente Charlie Chaplin usaram o amor, com todas as suas venturas e desventuras, como tema residente dos filmes que realizaram, produziram e em que participaram. Eis então uma curta-metragem com mais de 100 anos onde o maior de todos os actores de cinema surge na sua tão característica figura de Charlot. O filme chama-se “The Tramp” e deve ser visto na sua totalidade para que entendam toda a mensagem.

Conforme decorria o século XX, mais se acentuavam as longas-metragens sobre o tema do amor. Um dos melhores filmes de Hollywood (neste momento está em 4º lugar em algumas listas!) tem como base para além de uma guerra (outro dos frequentes temas no cinema!), uma história de amor. Falo de “E Tudo o Vento Levou”. Um longuíssimo filme que tem marcado gerações. Uma longa-metragem que todos nós, provavelmente, já vimos. No meu caso mais que uma vez.

 (continuação)

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Publicado em Inominável nº 2
por José da Xã, autor dos blogs LadosAB e José da Xã 
e participante nos blogs O Bom, o Mau e o FeioA Três Mãos e És a nossa Fé!

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Um conto virtual, fantástico e piroso

(continuação)

 

Jogaram a tarde inteira juntos, despachando  vilões à velocidade tremenda que os poderes de ambos permitiam.

 

[Spartan]: Hey, I have to go now.. :-(
[Fuzzybunny]: y, me 2
[Spartan]: I really enjoyed questing with you, can I add you to my friends list? Maybe we can quest some more if you want?
[Fuzzybunny]: y, ok, i here tomorow
[Spartan]: Ok, I'll see you tomorrow then, if not sooner! ;-)
[Fuzzybunny]: kk, bye, ty!
Spartan added to friend list.
Spartan has gone offline.
Fuzzybunny has gone offline.
[Fuzzybunny] has come online.

 

Fuzzybunny, fiel à espécie de compromisso feito com o seu companheiro, entrou no jogo no dia seguinte, mas este ainda não estava online. Decidiu esperar. A verdade é que apreciara imenso a companhia daquele estranho, já que ele mantivera uma espécie de conversa agradável a que Fuzzybunny respondera omelhor que sabia. Sentiu-se inesperadamente decepcionado por o seu mais recente colega não estar disponível para jogar ainda, aparentemente. Esperou uns 20 minutos, tratando doutros assuntos. Decidiu depois aventurar-se sozinho.

 

[Spartan] has come online.

 

"Ah! Finalmente! Deixa lá ver se ele fala comigo..."

 

[Spartan]: Hey! Good afternoon! Are you busy? Wanna go kill some baddies? :-D
[Fuzzybunny]: hi, yes, lets go xD

 

A falta de expressividade escrita de Fuzzybunny não era análoga à excitação subconsciente que sentia ao saber que mais uma tarde de diversão certa se avizinhava.

Nos tempos seguintes, Fuzzybunny e Spartan tornaram-se aventureiros inseparáveis, e progrediam a igual passo na sua ascensão até ao nível máximo do jogo, derrotando milhares de inimigos, contornando desafios, avançando nas suas capacidades e explorando novas zonas magníficas do jogo. Interagiam tanto que até o inglês de Fuzzybunny melhorou, o que permitiu numa conversa banal específica fazer duas descobertas inesperadas.

 

[Spartan]: This new area we're in looks so much like my country!
[Fuzzybunny]: ah really? i never asked you where you from, actually...
[Spartan]: Oh? yeah... I think we never discussed it... I'm from Portugal :-)

 

Fuzzybunny arregalou os olhos, duvidando do que lia. Há dois meses que falava em inglês com um português como ele!

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[Fuzzybunny]: lol, mas entao es portugues? xD ganda cena

[Spartan]: Olha... essa agora! LOL
[Spartan]: Temos andado feitos tontos a falar inglês quando afinal!... Quer dizer, para ser mais correcta tenho de dizer que sou portuguesa, com "a" no fim :-)

 

Nenhuma afirmação poderia ter fulminado Fuzzybunny com maior efeito. Uma portuguesa? Uma rapariga? Num jogo online de fantasia medieval?

 

[Fuzzybunny]: ganda cena xD

 

O facto, objectivamente irrelevante, foi para Fuzzybunny um factor que cada vez mais o motivava a jogar aquele jogo específico, pois sentia naquelas aventuras digitais com uma portuguesa misteriosa um alívio desconhecido, como se aquelas horas o completassem, se não  como homem, como ser humano. Isto tudo sem sequer ter noção do aspecto dela ou da sua voz. A personalidade amistosa, extrovertida,  divertida e inteligente dela atraía-o. Quando sozinho, punha-se a suspirar sem querer enquanto esperava pelas palavras mágicas:

 

[Spartan] has come online.

 

Houve sucessos e insucessos. Houve dias melhores e piores. Num dia eram devorados por um dragão. Noutro encontravam um artefacto raro e poderoso. Mas faziam tudo juntos. Alguns meses depois chegaram finalmente ao nível máximo, mas nem aí o desafio era menor, pois havia sempre alguma coisa a fazer. Concordaram em usar um programa para comunicarem vocalmente. Aí ele ouviu-lhe a voz pela primeira vez, que resplandecia a mesma personalidade que observava no mundo virtual. Finalmente souberam os nomes verdadeiros um do outro. Que interessava, enfim? A única coisa que sabiam era que já não sabiam jogar um sem o outro, tão habituados estavam. Os dias, semanas e meses passavam-se. A amizade entre os dois solidificara-se. Apenas uma coisa restava.

 

[Fuzzybunny]: olha la, queria perguntar te uma coisa
[Spartan]: Claro! Diz lá
[Fuzzybunny]: sabes que vai fazer um ano que a gente se conhece?
[Spartan]: Olha.. a sério!? Já tanto tempo? Nem me lembrava :-)
[Fuzzybunny]: pois, eu estava a perguntar me se nesse dia nao gostarias de combinar qualquer coisa, no "mundo real" xD
[Spartan]: Ah..
[Spartan]: Bom... calha a que dia? Não sei, desculpa :-/
[Fuzzybunny]: dia 14 fevereiro

 

A resposta tardou. O simbolismo do dia não escapara a Spartan.

 

[Spartan]: Sim, pode ser :-)

 

Combinaram o local e a hora.

Naquele dia de S. Valentim, nem Fuzzybunny nem Spartan ficaram online. Nem estiveram sozinhos.

 <3

 

fb_sp_2.png

 

 

Notas do autor:

Um jogo MMO (Massive Multiplayer Online Game) é qualquer jogo que tenha uma grande quantidade de jogadores num mesmo mundo virtual. O diálogo está escrito de forma a imitar o mecanismo de chat típico de um MMO, ou seja, "[nome_personagem]: mensagem". Outras mensagens de jogo relevantes podem também aparecer no chat. Os erros ortográficos e gramaticais no diálogo de Fuzzybunny são propositados. A utilização de abreviaturas no chat facilita a comunicação, pois são rápidas de escrever e ler. Algumas traduções:

  • y - "Yes" ou "Yeah"
  • u - "You"
  • ty - "Thank you"
  • gl - "Good luck"
  • np - "No problem"
  • k ou kk - "Ok"
  • 2 - "too"

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Publicado em Inominável nº 2
por Rei Bacalhau que participa no blog O Bom, o Mau e o Feio

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Um conto virtual, fantástico e piroso

fuzzybunny1.png

 

 [Fuzzybunny] has come online.

 

Fuzzybunny estava só naquele dia de S. Valentim. Decidiu tentar esquecer-se desse facto escondendo-se no seu refúgio virtual, ou seja, no seu jogo MMO de escolha.

Ele tinha algumas missões de jogo em atraso e decidiu finalmente completá-las, a ver se conseguia subir de nível. Estava ansioso por isso, pois subir de nível implicava que aprenderia um feitiço novo de ataque, o que lhe permitiria assassinar pixéis mais rapidamente.

 

Começou pela primeira missão, que consistia em matar uma quantidade de goblins. Nada de novo nem de desafiante. Os goblins desapareciam comicamente por entre as bolas de fogo que Fuzzybunny conjurava do nada nas mãos delicadas do seu avatar feminino mago. A última missão era, não surpreendentemente, matar o goblin chefe, como sempre acontecia. Ora, neste caso, Fuzzybunny compreendeu mal a descrição da missão, e ao tentar matar digitalmente o seu alvo, percebeu que a missão era demasiado difícil para ser feita por uma pessoa.

 

Fuzzybunny has died.

 

"Ora bolas." Fuzzybunny, persistente, não desistiu e formulou uma nova táctica olhando para o seu arsenal de feitiços. "Talvez se eu usar a barreira de gelo..."

 

Fuzzybunny has died.

 

"Não, claramente não."

Nova tentativa. O chefe estava a 50% de vida. As bolas de fogo e explosões enchiam o ecrã. Os números representativos do dano inundavam os olhos reais de Fuzzybunny. Saltava, desviava-se, defendia-se, lançava um bloco de gelo, teletransportava-se, atacava. Estava prestes a ficar sem recursos para poder continuar a lutar. Tinha pouca vida e não tinha escapatória possível. Resignou-se a voltar o personagem na direcção da última mocada por parte do monstro e a aceitar o golpe final para tentar de novo.

 

Fuzzybunny was healed by 1337 hit points by Spartan.

 

O indicador de vida enchera-se de novo. A luta continuaria. Um terceiro personagem ataca o infame monstro e rouba a sua atenção. Fuzzybunny nem hesitou. Preparou o melhor feitiço dele para incinerar o que restava do seu alvo. Num glorioso espectáculo de sistemas de partículas e texturas escarlates e fogosas, o goblin chefe finalmente cai, derrotado. A missão está completa.

 

[Fuzzybunny]: ty for heal and help

[Spartan]: No problem! I saw you were having some trouble soloing that guy. Might as well help out! :-)

[Fuzzybunny]: y, ty, bye and gl

[Spartan]: Thanks!

spartan.png

 

Fuzzybunny preparou-se para ir buscar a sua merecida recompensa, mas notou que o seu salvador tinha ficado no mesmo sítio. Era um paladino anão do mesmo nível que Fuzzybunny. Ele tinha a capacidade de curar outros, mas não conseguia fazer tantos danos. Aparentava estar à espera que o monstro reaparecesse para o poder matar também, mesmo sem ajuda. Apesar de estar a querer jogar sozinho, Fuzzybunny supôs que seria melhor dar-lhe uma ajudinha durante uns minutos. Depois continuaria sozinho. Quid pro quo.

 

[Fuzzybunny]: u need help with quest?

[Spartan]: Ah, well, I'm sure I can figure out a way to kill him, I don't want to bother you. Thank you kindly though!

[Fuzzybunny]: np, i help, y?

[Spartan]: Well, ok, I won't say no, hehe :-D

Spartan has invited Fuzzybunny to a group.

 

Agora, foi a vez de Fuzzybunny demonstrar sem medos todo o horrível poder dos elementos que aquele jogo proporcionava. Sabendo que tinha alguém que lhe restauraria os pontos de vida, quando o monstro chefe reapareceu Fuzzybunny extinguiu-o como um fósforo.

 

[Spartan]: Yay, that was easy! Thank you!

[Fuzzybunny]: np

 

Foram ambos juntos a correr pelos prados e florestas daquele belo mundo virtual. Chegaram a um certo local e reclamaram as suas recompensas.

Fuzzybunny ia preparar-se para se despedir do seu companheiro desta mais recente aventura, quando de repente...

 

[Spartan]: Say, I noticed we have some quests in common. Would you like to team up?

 

Já esperava tal pergunta, apesar de não lhe apetecer de modo algum fazer uma equipa. Depois pensou que o facto de estar sozinho naquele dia simbólico não implicava que não o podia partilhar com um estrangeiro qualquer do outro lado da Europa.

 

[Fuzzybunny]: k xD

[Spartan]: Great! Let's start by the ones that are nearest.

 

Fuzzybunny sentia-se mal por o seu inglês ser tão pobre. Quando encontrava algum inglês no jogo, como aparentava ser o caso, sentia-se na necessidade de se desculpar.

 

[Fuzzybunny]: my english bad, i no talk, only kill xD

[Spartan]: lol! That's alright! I'll talk for the both of us

 

(continua amanhã)

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Publicado em Inominável nº 2
por Rei Bacalhau que participa no blog O Bom, o Mau e o Feio

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Joana França nasceu a 2 de abril de 1986, em Lisboa, e é cantora, autora e também atriz. Desde muito cedo que começou a pisar os palcos do teatro, passando também  pela televisão. Passou pelo Parque Mayer, participando em duas Revistas à Portuguesa, e fez parte do Musical Amália de Filipe Lá Feria, onde interpretou a irmã de Amália, Celeste Rodrigues.

 

Em 2007, como vocalista da banda portuguesa de Pop/Rock “Pluma”, Joana deu-se a conhecer como cantora, tendo os seus temas integrado as bandas sonoras de várias novelas da TVI e SIC. Em televisão, contou com participações nas séries “Camilo em Sarilhos”, “Maré Alta” e “Bem-vindos a Beirais” entre outras.

 

Joana assinou contrato com a editora Farol Música, tendo editado em Junho de 2015, nas plataformas digitais, o seu EP “This…Is Me”. O single escolhido para apresentação deste trabalho foi “Try”. Esse mesmo single faz parte da banda sonora da telenovela “Os Nossos Dias II”. O segundo single deste EP, intitula-se “Turn It All Around”. Joana França esteve, em novembro de 2015, no programa Grande Tarde, onde teve oportunidade de apresentar este novo single, que consta também da nova compilação online da Farol Música - H1T2016.

 

A Joana é a convidada desta edição da rubrica Musicalizando, a quem desde já agradeço, em meu nome e em nome da Inominável, por ter aceitado este convite.

 

Imagem 1.jpg

M: Joana, começo por perguntar, como nasceu esta paixão pela música?

JF: Desde já muito obrigada pelo convite e pelo vosso apoio. Desde pequena, a música sempre esteve presente na minha vida. Fazia parte da nossa casa e das nossas vidas. Por isso não sei mesmo quando me apaixonei pela música porque na realidade nunca vivi sem ela.

 

M: Contando já com experiências em diversas áreas, nomeadamente, teatro, televisão e música, pergunto com qual delas mais se identifica, e lhe dá mais prazer?

JF: Todas. São amores diferentes. São formas de fazer artes distintas por isso não consigo mesmo dizer qual delas gosto mais. Na realidade a minha realização total acontece quando consigo que todas se conciliem.

 

M: Para além de cantora, a Joana é também autora, tendo escrito o tema “Try”. De onde vem a sua inspiração?

JF: Eu sou a autora de todas as letras do meu EP. A minha inspiração vem da minha maneira de ver e estar na vida. Eu acredito que o Ser Humano não foi feito para estar só, mas para vivermos todos juntos, nos ajudarmos uns aos outros, cuidarmos uns dos outros e crescermos uns com os outros. Por isso tento passar uma visão de conjunto e não de individualidade e egocentrismo, o grande mal que assola todas as civilizações.

 

M: Considera que, hoje em dia, para além de uma boa voz e saber interpretar uma letra, ser autor é também um requisito quase obrigatório para se ser bem-sucedido no mundo da música?

JF: Não o vejo como requisito associado ao sucesso, mas vejo-o como um dos elementos para completar o puzzle do “Artista”. Na realidade a interpretação de algo que foi composto pelo intérprete muda toda a performance.

 

M: Como define o seu estilo musical?

JF: Defino como estilo Pop querendo puxar ainda mais para o Soul. (risos)

 

M: Os temas “Try” e “Turn It All Around” são cantados em inglês. Considera que é mais fácil expressar-se nesta língua, ou que será, de alguma forma, mais fácil atingir sucesso além-fronteiras, cantando em inglês?

JF: Ambas. Cantar numa das línguas universais, sem dúvida, que facilita muita coisa, como o passar fronteiras sem se perder a mensagem do tema, mas na realidade, para mim é a forma mais intuitiva de compor.

 

M: Qual tem sido o feedback que tem recebido do público?

JF: Muito positivo. Na realidade há uma frase que se repete quando comentam os meus temas: “É diferente”! Ainda bem. Mission accomplished.

Imagem 2.jpg

 

 

M: Para quem não conhece a Joana, o EP “This…Is Me” pode dar a conhecê-la melhor?

JF: Sem dúvida. Foi esse o objetivo, também.

 

M: O lançamento do primeiro álbum já tem data marcada?

JF: Ainda não. Este EP foi um “filho” muito querido que envolveu muito trabalho e muita gente. Prefiro esperar e deixar que ele dê os seus frutos, para já.

 

M: Onde vamos poder ouvir a Joana?

JF: Onde o público me colocar e me quiser! (risos)

 

M: Joana, muita sorte para a sua carreira!

JF: Mais uma vez muito obrigada e o maior sucesso para vocês, também.

 

Para ficarem a par de todas as novidades sobre a Joana França aqui ficam os respetivos links:

https://www.facebook.com/joanafranca2014/

https://twitter.com/officialjoanaf

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Publicado em Inominável nº 2
por Marta Segão, autora do blog Marta O meu canto e participante no blog Clube de gatos 

 

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Direcção editorial

Maria Alfacinha - O meu alpendre

Magda L Pais - Stoneartportugal

 

Revisão

Ana CB - Viajar. Porque sim.

 

Anexo

Cláudia Oliveira - A Mulher que Ama Livros 

Magda L Pais - Stone Art Books

 

Divagações

Vanessa - Nuages Dans Mon Cafe 

A Miúda - A Miuda

 

Estar no ponto e Workout

Dona Pavlova - Dona Pavlova

Rita Fonseca - Happy & Healthy

 

Viagens

Maria Sebastião Escrita ao Luar

Ana CB - Viajar. Porque sim.

 

Correio (Pouco) Sentimental

Maria das Palavras - Maria das Palavras 

M.J. - E Agora Sei Lá

 

Repórter Ninja

Neurótika Webb - A Galinha da Vizinha

 

2D3D

Rei Bacalhau - O Bom, o Mau e o Feio

 

Palavras cruzadas

Paulo Freixinho - Palavras Cruzadas

 

Play It Sam

José da Xã - Lados AB

 

O Espaço azul entre as nuvens

Jonathan

 

Por terras do Rei Artur

Inês Rocha - Alquimia do Momento

 

There, There

Maggie

Martim

 

Um dia conto uma história

Marta A. - Um dia acabo o Livro

 

Tendências de A a Z

Sofia Silva - La Principessa

 

Musicalizando

Marta - Marta O meu canto e Clube de gatos

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Enquanto me preparava para escrever este texto, parecia que tudo o que lia, ou ouvia, as pessoas com quem me cruzava, as palavras que escolhia, me falavam de Amor. É natural. A mente humana tem a capacidade de nos alertar, mesmo que inconscientemente, para o que procuramos, ou precisamos ver, quando estamos concentrados numa determinada questão. Deixo aqui apenas dois exemplos:

Na Humans of New York – página do FB que recomendo – no meio de tantos e tantos outros testemunhos encontrei esta reflexão: “Todas as grandes histórias de amor parecem ser acerca da atracção física. Romeu e Julieta não sabiam se gostavam dos mesmos livros ou filmes. (o que sentiam) Era apenas físico.” Mas aquilo de que o autor destas palavras, viúvo recente da mulher com quem esteve casado 62 anos, sente mais falta é dos pequenos gestos que partilhavam.

Ele tentou matá-la, porque ainda a ama, era o título escolhido por uma outra publicação – que não recomendo de todo, embora seja difícil ignorá-la – e sobre a qual ouvi dizer (espantada, confesso, porque ainda não perdi a capacidade de me espantar): “Enfim… o amor que sentia enlouqueceu-o!” E o suspiro com que rematou a frase parecia lamentar o facto de que ninguém estaria disposto a matá-la.

Ah, o Amor…

Que palavra – e conceito! – tão estranho e incompreendido.

Somos parcos no uso da palavra, reservando-a para momentos solenes, evitando-a porque nos é desconfortável proferi-la em voz alta, porque somos – ou pensamos ser – julgados pela excessiva demonstração do que sentimos, porque tememos a cobrança do que afirmamos. Limitamo-nos. Retraímo-nos. E distraímo-nos tanto que nem nos apercebemos de que o Amor é muito mais que o amor romântico que os poetas cantam.

“All You Need is Love” foi o tema escolhido para o mês de Fevereiro. Lançámos o desafio aos Inomináveis e aqui está o resultado. E bem a propósito temos uma nova coluna, a Corações Inomináveis, que pretende divulgar quem por Amor – neste caso aos animais – tenta mudar o Mundo em que vivemos.

Esperamos que gostem.

Maria Alfacinha

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