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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Sex | 22.01.16

Eu, o cinema e o Natal #2

Desde aquele tempo mundialmente conturbado até aos dias de hoje muita coisa mudou na sétima arte, especialmente a forma como esta se dedicou a mostrar o Natal: uma época de paz e harmonia, e onde palavras como solidariedade, amizade ou família parecem fazer sentido.

Todavia, nos últimos vinte, trinta anos surgiu uma espécie de “praga” cinematográfica a que deram o pomposo nome de “Comédias Românticas”. Uma “espécie” de sétima arte claramente muito pobre mas à qual a maioria dos actores não nega a sua presença. E que conta com imenso público!

Entretanto, no dealbar dos anos noventa, e destoando um pouco das matrizes já conhecidas para as películas de Natal, surgiu um filme a que baptizaram de “Home Alone”. O estrondoso sucesso das aventuras de Kevin, ao tentar defender a sua casa contra dois ladrões na véspera do dia de Natal foi tal que, ainda hoje, não há estação de televisão que não exiba o filme durante as festas natalícias. Tornou-se quiçá tradição…

Talvez a faixa musical deste filme não seja o seu prato forte, porém fica no ouvido aquele som melodioso de uma caixa de música antiga.

Seguiram-se-lhe algumas réplicas desta película, mas apenas uma delas foi concebida com os mesmos actores (mas sem o mesmo impacto e sucesso) e passada também na época natalícia. Trata-se justamente de “Home Alone 2”.

Mas das festas que se aproximam não conta unicamente o Natal. Há outrossim o Ano Novo. E aqui as nossas televisões variam na escolha dos seus filmes para exibirem madrugada fora. Desde o “Ghostbusters” ao “Back to the Future” e passando pelas “Aventuras de Indiana Jones”, tudo é possível nas longas noites de um novo ano.

Não se esqueçam de que o cinema não é só a arte de colocar em imagens sentimentos, mas vê-los placidamente desfilar na nossa frente.

Bom… em forma de conclusão convido-vos a que a época que se aproxima seja muitíssimo bem aproveitada. Deste modo, procurem bons filmes, boas músicas e tenham assim umas Festas Felizes.

A gente lê-se por aí!

 

Texto de José da Xã autor dos blogs LadosAB e José da Xã. Participante nos blogs O Bom, o Mau e o FeioA Três Mãos e És a nossa Fé! e publicado na Inominável nº 1

Qui | 21.01.16

Eu, o cinema e o Natal! #1

Alguém imagina a época natalícia sem luzes, pinheiros, Pai Natal ou prendas? Certamente que não! Também eu partilho desta certeza! Mas acrescento àquelas premissas… o cinema!

Ora, é desta relação fraterna e muito próxima que vos venho aqui falar!

A época do Natal sempre foi, para o cinema, um manancial de ideias e razões para lançar comercialmente muito dos seus filmes. Naturalmente, alguns de notória qualidade, mas a maioria nem tanto.

A Walt Disney Company é uma das grandes produtoras americanas de filmes de, para e sobre o Natal. Na sua maioria em desenho animado, o que acarreta logo consigo uma áurea doce e imaginativa. As nossas crianças que o digam…

Mas neste espaço não se fala somente de cinema mas outrossim de música. Tal como já havia referenciado em artigo anterior, a música foi desde os primórdios uma parte integrante do cinema. E claro está que o Natal é uma das musas obrigatórias.

Num contexto mais pessoal e quando relembro o meu lhano passado, encontro neste um filme que me marcou. Essencialmente por ter sido o primeiro que vi num grande ecrã, era eu um mero gaiato!

Quem não conhece esta história bem romântica? Pois é… incrivelmente (ou talvez não!!!) este é o meu filme de Natal!

Regressando ao assunto que aqui me trouxe, reconheço que o cinema tem muitos e bons exemplos de longas-metragens com referência à época natalícia. Desde já, o primeiro de que me lembro é “The Christmas Carol”, de 1938. Um filme baseado num conto de Charles Dickens e que veio a originar muitas outras versões, algumas bem recentes!

Em 1942 é exibido “Holiday Inn”, com Bing Crosby e Fred Astaire e onde aquele canta uma das mais belas músicas de Natal, composta por Irving Berlin e que todos seguramente conhecem: “White Christmas”. Uma vez mais a boa música colocada ao dispor da sétima arte. Um filme a preto e branco e que nunca vi passar nas televisões.

Dois anos mais tarde, em plena Segunda Guerra Mundial, Vincent Minnelli realiza “Meet me in St. Louis” onde a sua futura mulher, Judy Garland, cantaria entre outras canções a celebérrima “Have Yourself a Merry Little Christmas”. Mais uma fantástica referência ao Natal, e que ainda hoje perdura.

Texto de José da Xã autor dos blogs LadosAB e José da Xã. Participante nos blogs O Bom, o Mau e o FeioA Três Mãos e És a nossa Fé! e publicado na Inominável nº 1

Qua | 20.01.16

A Décima Arte? #3

Escultura:

Ok... esta é mais difícil, mas eu desenrasco alguma coisa. Na produção de conteúdos para um jogo é possível e provável que seja necessário modelar um ou vários personagens. É um processo moroso, mas que pode fazer toda a diferença para o nível de realismo de um ambiente imersivo. Eis uma amostra do processo: 

Mas, como anteriormente, porque não dar algum poder ao jogador também? Certos jogos permitem a definição das feições de um personagem no seu processo de criação. Isto é particularmente comum em RPG's (Role Playing Games), como é o caso de Dragon Age: Inquisition, um jogo relativamente recente com uma boa quantidade de opções de personalização. Felizmente ou infelizmente, dependendo do jeito de cada um, a coisa pode dar p'ó torto: 

Literatura.

Muitos jogos têm uma história e um enredo por trás que rivalizam com obras de arte já bem estabelecidas nos alicerces da cultura. Esta afirmação, para ser totalmente justa, deve ser complementada com o facto de que alguns desses enredos baseiam-se em obras de literatura já existentes. Falo por exemplo da saga de jogos "The Witcher", baseada nos livros e histórias de um polaco, um tal Andrzej Sapkowski (admito, copiei directamente da net, nem pensei em tentar digitar tal nome). Esta saga teve um enorme sucesso e fica a dúvida se este se deve ao sistema de combate dos videojogos em questão ou à história profunda e rica e relativamente detalhada que se nos apresenta desde o início. Infelizmente, não tenho forma alguma de mostrar um exemplo disto, mas fica a referência.

Agora tenho de respirar fundo. Isto acontece-me quando começo a falar de uma obra-prima, e esta não podia faltar como exemplo num artigo deste género. Falo de um dos primeiros videojogos que considerei arte. Max Payne. Poderia fazer um artigo inteiro sobre este jogo, mas vou focar-me nos diálogos excelentes presentes no decorrer do jogo. Se é verdade que a voz do personagem é importante, há que dar o devido mérito a quem escreveu o guião. O jogo mostra a maior parte dos diálogos na forma de uma espécie de banda desenhada. Mesmo descontextualizados, podem dar uma vista de olhos pelos diálogos dos dois primeiros jogos da série AQUI.

 

Cinema.

O grande 7. A famosa aglomeração de todas as outras artes anteriores. Conseguirão os videojogos igualar os feitos do cinema? Ooooh sim, podem crer Os exemplos são inúmeros. Quase todos os jogos têm um "treila" (ou como se diz em americano, trailer) com uma animação toda xpto com finais de marketing. Mas a mim interessa-me como o cinema se consegue mostrar mesmo dentro do videojogo, num ambiente 3D. Nem mais, ataco já com um videojogo aclamado pelas animações faciais que os personagens utilizam. Nunca o joguei, mas a sua fama fez-me pensar imediatamente nele. Ora vejam: 

Agora vou usar um nome que já deve ser familiar para o público em geral (pelo menos tanto quanto o iogurte grego, lá com a velhota a mandar vir e tal), pois é um videojogo que costumo ver publicitado: Call of Duty. Nas suas incontáveis iterações, existe sempre uma história geral a seguir. Para mim, umas das melhores (ou das mais bem contadas) situa-se no videojogo Call of Duty: Black Ops, especificamente num momento em que seguimos uma memória de um antigo soldado russo (as partes em que realmente se joga estão cortadas neste vídeo). 

Onde é que eu quero chegar com isto tudo? Ok, pronto, já mais ou menos perceberam, os jogos têm muitos elementos de arte; mas... então... o que é que eles oferecem que seja novidade?

Numa palavra? Interacção.

Podem argumentar de um lado para o outro que as outras artes também fazem coisas interactivas, mas nenhuma o faz na proporção em que os videojogos fazem. Nós, como utilizadores dessa arte, podemos interagir com o mundo da maneira que quisermos e sofrer as consequências disso. Num livro a história está sempre previamente escrita. Num filme só olhamos para o que o realizador quer. Um quadro é estático.

Num videojogo está tudo dependente das acções do jogador, de uma maneira ou doutra. Nós é que escolhemos avançar ou não. Nós é que escolhemos abrir a porta de onde sai um monstro horrível ou, pior ainda, uma editora de revista furiosa com o tamanho deste artigo.

Falando nisso, se calhar acabo aqui.

Autoria: Rei Bacalhau que participa no blog O Bom, o Mau e o Feio publicado na Inominável nº 1

 

 

Ter | 19.01.16

A Décima Arte? #2

Artes Cénicas

Vou focar-me na dança, pois admito que é bastante mais fácil de arranjar exemplos. Aliás, estando apertado em termos de espaço (as senhoras editoras vão provavelmente matar-me por estar a ocupar tanta página), vou ser directo e referir como os videojogos podem ser utilizados para nos obrigar a fazer exercício e figuras parvas à frente de amigos e colegas. Observem este vídeo do jogo Just Dance, em que o objectivo é dançar consoante é mostrado pelos bonecos no ecrã. Nunca os Europe pensaram que o Final Countdown viesse a ser usado para um propósito tão... entusiasmante? Será a palavra certa? 

Pintura.

Esta é simples. No desenvolvimento de um videojogo são necessárias imagens conceptuais para os artistas 2D ou 3D saberem o que devem modelar. Essas imagens de conceito também acabam por ser mostradas ao público como uma forma inicial de marketing. A empresa de videojogos Blizzard Entertainment tem uma secção de arte conceptual totalmente dedicada ao universo de videojogos Warcraft. Recomendo que dêem uma vista de olhos AQUI (<- é preciso clicarem, desculpem lá).

Arquitectura.

Aqui podiam escrever-se teses. Passeia-se por um ambiente 3D e não se pensa que houve um artista que teve de desenhar aquela casa com maior ou menor detalhe. Quem diz casas, diz ruas, avenidas, monumentos, cidades inteiras! Paris na revolução francesa, por exemplo! No videojogo Assassin's Creed: Unity, que se desenrola nessa cidade e nesse período, os artistas da Ubisoft deram-se ao trabalho de modelar alguns monumentos com uma quantidade bastante impressionante de detalhe. O vídeo que se segue mostra alguns exemplos, particularmente a catedral de Notre Dame, comparando a versão virtual com a real. 

Estranhamente, a arquitectura nos videojogos não toma forma só através dos desenvolvedores. Certos jogos permitem-no através dos próprios utilizadores. Dois exemplos: em primeiro, um joguinho estupidamente simples mas que revolucionou a indústria. Minecraft. O jogo não tem objectivo concreto, mas o pessoal adora o facto de poder fazer construções épicas usando só os cubos muito limitados que o jogo oferece. Vejam algumas das maluquices que estes doidos construíram à pata.

 

Segundo exemplo: The Sims 4. Neste jogo de simulação de pessoas (sim, leram bem) existe um editor de casas, no qual, mais uma vez, o pessoal com aspirações a designer de interiores se solta maniacamente. Alguns resultados são bastantes bons, mesmo assim:

 

 

Autoria: Rei Bacalhau que participa no blog O Bom, o Mau e o Feio publicado na Inominável nº 1

Seg | 18.01.16

A Décima Arte? #1

Há muito que se desenrola o debate nas internets (já que o pessoal que joga videojogos nunca põe os pés na rua) sobre se os videojogos podem ou não ser considerados arte. No momento em que redijo este texto, o Wikipédia brasileiro classifica os videojogos como a Décima Arte, por comparação à Sétima Arte.

Eu não tenho a certeza se tal afirmação estaria correcta. Não consigo arranjar argumentos suficientes para convencer qualquer pessoa dessa hipótese. Consigo, no entanto, expressar a minha opinião. Veredicto final: eu não considero os videojogos arte.

Cuidado, pois o português é uma língua traiçoeira... Eu disse que não considero os videojogos arte, mas isso é apenas porque tal afirmação é demasiado geral. Vou tentar frasear a minha opinião de maneira diferente: considero que os videojogos têm todo o potencial para serem arte, mas nem todos conseguem sê-lo.

Assumamos por agora, para efeitos de simplicidade de escrita, que os videojogos são, de facto, arte. Um aspecto interessante desta arte é como ela usa um bocadinho de todas as outras artes anteriores e posteriores. Certamente não é a primeira a fazer isso; eu argumentaria que o cinema utiliza várias outras artes para o seu fim, complementando-o com as técnicas específicas à produção de um filme. Eu gostaria de dar uma ideia mais clara do que estou a dizer dando exemplos concretos. Vamos então analisar, segundo uma certa lista, a utilização das várias artes nos videojogos: Música, Artes Cénicas (aglomerado de Dança, Teatro, etc.), Pintura, Arquitectura, Escultura, Literatura e Cinema.

Música.

Esta é a mais difícil para dar exemplos, mas por excesso deles e não por falta. Quase todos os jogos têm uma banda sonora de algum tipo, sendo esta uma mania que vem desde os anos 80. É claro que a qualidade da música tem vindo a aumentar, em particular desde os anos 90, na minha opinião. Eis que aparece como primeiro exemplo um jogo de pinball que eu jogava quando era puto: Pinball Fantasies. Um dos níveis, lugubremente denominado "Stones and Bones", tinha como tema uma casa assombrada, e apesar de a música ser electrónica, parece-me ter influências claramente "Bachianas" (a música não é contínua porque o vídeo mostra todas as músicas que podiam ser tocadas ao jogar). 

O melhor estaria para vir. Começaram a colocar orquestras inteiras a tocar os temas compostos às vezes por compositores famosos. Dá uma pica totalmente diferente ganhar o jogo com a secção de sopro aos berros atrás das nossas acções heróicas. Mas há lugar para tudo, até músicas mais calmas, como é o caso de Across the Bog, uma música do jogo de estratégia Rise of Nations, que soava principalmente quando um jogador estava a construir e fazer prosperar a sua nação. 

Mas a música pode fazer parte integrante do jogo, no sentido de ser utilizada na própria jogabilidade, como demonstro com este vídeo do jogo Guitar Hero, com a música Godzilla dos Blue Öyster Cult (contextualizando: o objectivo é carregar em botões coloridos à medida que aparecem). 

Autoria: Rei Bacalhau que participa no blog O Bom, o Mau e o Feio publicado na Inominável nº 1

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