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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Seg | 22.05.17

Viagens | Abril, águas mil

Viagens | Abril, águas mil

 

Descansem… Apesar do título, não é de chuva que vos vou hoje falar. É de água, sim, mas sob uma forma bem mais agradável. Mais concretamente, vou falar de lagos, e não de uns lagos quaisquer: estes são um dos mais belos conjuntos de lagos do mundo. Ficam na Croácia e estão rodeados por um parque natural que tem o seu nome:

Parque dos Lagos de Plitvice

 

Viagens | Abril, águas mil

 

Os lagos de Plitvice (ou Plitvička Jezera, na língua croata) estão inseridos na região calcária dos Alpes Dináricos, numa área relativamente perto da fronteira da Croácia com a Bósnia e Herzegovina. Devido a vários factores de ordem geológica e hidrológica, são um dos mais impressionantes conjuntos cársicos do mundo: uma área de floresta densa com quase 300 km2, onde vários pequenos rios e ribeiros confluem para formar uma bacia de 8 quilómetros de comprimento com 16 lagos que se sucedem uns aos outros, separados por cascatas.

 

Viagens | Abril, águas mil

 

Viagens | Abril, águas mil

 

As suas características especiais fazem deste Parque um fenómeno único em termos de abundância e diversidade da flora, com 1267 espécies de plantas já identificadas dentro do seu espaço, várias delas raras e até em perigo de extinção. Outra curiosidade do Parque é a existência de plantas carnívoras, nomeadamente a drósera (Drosera rotundifolia), a pinguicula (Pinguicula vulgaris) e a lenticularia menor (Utricularia minor).

Quanto à fauna, foram até agora registadas 157 espécies de aves, entre elas o melro-d’água (Cinclus cinclus), um pássaro raro que depende de habitats com água absolutamente limpa. O Parque abriga também 50 espécies de mamíferos, tais como arganazes, musaranhos, ouriços, martas, javalis, morcegos de 20 tipos diferentes, lobos, veados, linces, lontras, e o mais famoso de todos: o urso pardo.

Criado em 1949 e tornado Património Mundial da UNESCO em 1979, o Parque dos Lagos de Plitvice é famoso em todo o mundo e recebe anualmente mais de um milhão de visitantes. Os lagos estão divididos em dois grupos, 12 superiores (Gornja jezera) e 4 inferiores (Donja jezera), e os seus nomes derivam quase todos de acontecimentos históricos verídicos ou de lendas.

 

  

O desnível entre o primeiro (Prošćansko jezero) e o último (Novakovića brod) – que se situa cerca de 500 metros acima do nível do mar – é de 150 metros. As águas são cristalinas e têm cores que vão do cinzento ao azul e verde em todos os tons imagináveis, mudando consoante a posição dos raios solares ou os tipos e a quantidade de minerais que nelas se acumulam.

Visitar o Parque dos Lagos de Plitvice é passar um dia no paraíso. Existem 18 quilómetros de passadiços de madeira e trilhos de terra batida que serpenteiam em volta dos lagos e sobre as águas. Cada volta do caminho oferece um quadro diferente, cenários de beleza natural sucedendo-se um após o outro, vegetação aquática alternando com bosques de árvores altíssimas. Nos meses mais quentes vêem-se borboletas e pássaros, e em certas zonas há peixes em abundância e patos. No Inverno o Parque torna-se branco de neve e as águas gelam em muitos pontos, mas o seu fascínio em nada diminui. Vejam este vídeo maravilhoso:

 

 

E neste, a mesma paisagem mas com outras cores, outro ambiente:

 

 

São duas faces de um mesmo lugar.

 

Explorar o Parque demora no mínimo seis horas se se fizer todo o percurso a pé, quatro se se optar pelo barco ou autocarro para alguns dos trajectos. Apesar da grande extensão dos trilhos e da inclinação do terreno nalguns pontos, é um passeio fácil e não demasiado cansativo, acessível a toda a gente. Vêem-se muitas famílias com filhos pequenos e até carrinhos de bebé, pessoas com mobilidade reduzida; os cães são permitidos (como se vê num dos vídeos), desde que andem com trela. É completamente proibido tomar banho nos lagos – e esta é mais uma razão para evitar o Parque em dias de muito calor, porque aquela água é absolutamente tentadora.

 

 

Perto da Entrada 2, nas margens do Kozjak, o maior dos lagos, há um embarcadouro onde é possível alugar barcos a remos para passear no lago (cerca de 7,5€/hora), uma opção bem simpática quando o tempo está bom.

É também aqui que se apanha o barco para atravessar o Kozjak até à margem oposta, um dos acessos ao percurso que contorna os lagos superiores. É num destes lagos, o Galovac, que se encontra a segunda maior queda de água do Parque, a Galovački buk, onde a água se precipita com força de uma altura de 25 metros.

 

Viagens | Abril, águas mil 

 

Os lagos inferiores, embora em menor número, são a zona mais fotografada do Parque. Um longo passadiço de madeira cruza os lagos ao pé da cascata de Velike e passa depois junto à entrada inferior da caverna de Šupljara. Do miradouro ao lado da entrada superior da caverna, 80 metros acima, temos a mais fabulosa das vistas sobre estes lagos.

 

Plitvice 16.JPG

 

Veliki Slap, a queda de água mais alta de toda a Croácia, situa-se precisamente no extremo dos lagos inferiores. É o lugar onde o rio Plitvice cai de uns impressionantes 78 metros de altura e se junta à água que vem dos lagos para formar o rio Korana. Depois de passar o rio, o trilho vai subindo em ziguezague e oferece as melhores oportunidades para mais umas belas fotos dos lagos vistos de cima.

Já visitei alguns lugares em que a realidade, para mim, ficou bastante aquém do que é mostrado nas fotografias, e por conseguinte das minhas expectativas. O Parque dos Lagos de Plitvice – acreditem! – não é um deles. De facto, passa-se precisamente o contrário: é que nem as melhores fotos conseguem fazer verdadeira justiça a tanta maravilha.

 

 

Conselhos para quem visita o parque

- Levar calçado confortável e próprio para caminhar. Os trilhos são muito fáceis de percorrer, mas anda-se muito e durante várias horas.

- Levar água. Na época alta, considerar a hipótese de levar também comida, porque os locais onde se come ficam bastante cheios e com filas enormes.

- No Verão, levar um chapéu ou lenço para a cabeça. Apesar de uma parte do percurso ser em zonas com árvores, há vários trilhos onde a sombra é pouca.

- Não sair dos trilhos marcados, para não correr o risco de ter um encontro inesperado com algum animal mais selvagem e menos simpático.

- Se tiverem dificuldades com as subidas (embora nenhuma delas seja excessiva), aconselho que o percurso em volta dos lagos inferiores seja feito no sentido inverso, partindo de autocarro da Entrada 2 e apanhando o barco de regresso no final.

 

Viagens | Abril, águas mil

 

 

 

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Publicado em Inominável nº 7
por Ana CB autora do blog Viajar. Porque sim

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