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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Seg | 03.07.17

There, There | Erasmus

There, There | Erasmus

 

No ano passado uma amiga minha falou-me de um programa chamado Erasmus+, em que ela estava inscrita. Eu já tinha ouvido falar do Erasmus, mas nunca do Erasmus+. Basicamente, para quem nunca ouviu falar de nenhum deles, o Erasmus é um programa em que estudantes se podem inscrever para “trocar” de país com outros alunos. Isto é bom para aprender coisas novas e conhecer novas culturas e línguas. O Erasmus+ é uma versão mais recente do Erasmus, em que o intercâmbio não dura tanto tempo (penso que no original dure um ano, mas no “novo” dura uma semana). As diferenças não se ficam por aí. O programa Erasmus+ começa no 9º ano (o ano em que eu estou) e vai até ao 12º, enquanto o Erasmus original é para estudantes universitários.

Ora, quase no mesmo dia em que me inscrevi, começou a confusão. Na inscrição perguntaram-me que curso é que eu ia escolher para o décimo (porque o programa é de dois anos, um para ir outro para receber, e há viagens diferentes para cada curso da escola) e aparentemente eu não fui clara o suficiente quando me inscrevi, e puseram me nas viagens de Humanidades, quando eu vou seguir Ciências. Mas vá lá, eu percebi a tempo que estava alguma coisa mal e consegui mudar a minha viagem e a de outra amiga minha, a Andreia (porque nós queríamos ir juntas). Entretanto descobri que íamos à Turquia. O professor que estava a organizar conseguiu que nós fizéssemos escala em Amsterdão à ida, e em Barcelona à vinda. Ou seja, o plano das viagens era: do aeroporto de Lisboa saíamos na tarde de sexta-feira para o aeroporto de Schiphol, em Amsterdão, passávamos a noite no aeroporto e depois íamos passar o dia na cidade. À noite, apanhávamos um avião para Istambul, e daí para Antalya (o Algarve da Turquia, e onde nós íamos passar a semana) e depois as famílias com quem nós íamos ficar iam-nos buscar e levar para casa quando chegássemos (domingo). Depois, no sábado de manhã apanhávamos o avião de Antalya para Istambul, e a seguir para Barcelona, passávamos o dia na cidade, e a noite no aeroporto (como Amsterdão mas invertido) e de manhã voltávamos para Lisboa.

O dia chegou, e metemo-nos no avião com destino a Amsterdão. Eu não conseguia parar quieta durante o voo (obviamente, porque estava a poucas horas de conhecer Amsterdão). Chegados a Amsterdão fomos jantar ao Burger King e nós (os alunos) fomos passear pelo aeroporto enquanto os professores ficaram nos bancos do BK. Dormimos algumas horas no aeroporto e depois apanhámos o comboio para o centro da cidade. Fomos passear durante o dia, e à noite apanhámos o avião para Istambul, onde só ficámos por uma hora (ou menos). Depois de Istambul, fomos para Antalya, num voo de menos de uma hora em que eu disse que não ia dormir mas menti.

 

 

Chegados a Antalya, estava eu podre de sono, vem um dos professores de lá a dizer que nos vai levar até ao hotel dos professores, onde as famílias estavam à nossa espera para nos levar para Manavgat, a cidade onde vivem. Nesse dia fomos à praia, a maioria do grupo, para nos conhecermos antes de estarmos na escola. Descobri duas coisas nesse dia. Uma delas foi que a mãe da Selen (a rapariga com quem fiquei) é um género de “presidente da câmara” naquela cidade, e a outra foi que eles não tinham wi-fi em casa. Por isso durante a semana, de cada vez que íamos a um café lá ia eu pedir a palavra passe do wi-fi, acompanhada pela minha tradutora.

Aquilo de que eu me lembro melhor foi de estarmos num café (não todos, porque aí seríamos pelo menos 40, mas uma grande parte) e eu e a Andreia decidimos ir pedir um café para mim e um crepe para ela. Então nós chegámos ao balcão, pedimos o que queríamos, e o empregado diz-nos que não consegue perceber o que estamos a dizer e vai chamar outro. Com o outro foi a mesma coisa: estivemos meia hora a tentar explicar o que queríamos, para no fim ele nos dizer que ia chamar outro que tinha “ inglês melhor”. Chega o gerente ao pé de nós, nós explicamos, ele faz umas caras um bocado estranhas como se estivesse a dizer “hmm acho que percebi” e nós as duas vamos para o lugar esperar. No fim conseguiram, por milagre, trazer aquilo que nós queríamos. Esse foi o mesmo dia em que provei café turco e jurei para nunca mais (aquilo é basicamente água suja. Muito suja.)

 

There, There | Erasmus

 

Não posso dizer que nos demos bem com toda a gente, especialmente em relação à host da Andreia, que pensa que é alguém na vida e se acha melhor que toda a gente, professores incluídos. Uma das coisas que ela fez e que me irritaram foi quando ela estava a falar com um dos alunos portugueses e os nossos professores o chamaram para tirar uma fotografia, e ela ficou muito indignada e disse que os professores estavam a desperdiçar o tempo dela. Ela era o oposto da minha host. A Selen foi uma das raparigas mais simpáticas que lá conheci, em conjunto com outras raparigas de outros países. Dos rapazes, fiquei amiga de um da Turquia (que me comprou um gelado) e outro da Roménia, com quem comecei a falar por ser da minha altura.

A festa de despedida, na sexta-feira à noite, foi o momento mais difícil da viagem toda. Raros foram os que não choraram, e todos nos despedimos com (múltiplos e longos) abraços e promessas de lá voltarmos. Creio que o que me fez ficar mais chorosa foi um dos amigos que eu fiz lá me abraçar e dizer “Agora tens uma segunda casa aqui”.

 

There, There | Erasmus

 

There, There | Erasmus

 

There, There | Erasmus

 

No dia a seguir tivemos que acordar cedo. Mais despedidas, desta vez das famílias com quem ficámos, e ir para o aeroporto. No aeroporto foi entrar no avião, e devo ter estado a dormir mesmo entre a mudança de avião porque só me lembro de acordar quando estávamos a aterrar em Barcelona. O dia passou bastante rápido, sem incidentes, e cheguei ao aeroporto tão cansada que nem conseguia mexer as pernas. Entre dormir e aviões, no domingo estava a aterrar em Lisboa às 8 da manhã.

Resumindo, foi uma das melhores experiências da minha vida, e espero ter a oportunidade de fazer mais viagens assim.

 

 

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Publicado em Inominável nº 4
por Maggie autora do blog Saturno

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