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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Seg | 21.08.17

Tanto mar entre nós... | sob a pele'

Tanto mar entre nós... | sob a pele'

 

Não há pressa na pele papel macio 
do homem mais velho;
Não há demora na pele seda porcelana
fria do rapaz de frete.
.
Vivem sós, marcaram esse desencontro.

A pressa do rapaz é olho de águia na grana, 
não aprendeu amar. 
A demora no olhar do outro é gana, 
esqueceu-se como se ama.

 

Seria bonito de ver se o caso fosse outro,
de amor entre dois homens
encontro de gerações como oração coordenada 
pelo desejo nato desinibido
ou a simples sobreposição da pele 
à sede de hidratação
ou troca de afeto, 
solidão mordida ou apenas fome.

 

Mas não é o caso, 
embora comum é famigerado esse encontro.
Os dois foram tatuados no escuro
marcados pela vida, um será o outro amanhã.

Sendo a pele o maior órgão do corpo 
se compreendida tornar-se-ia 
e a tudo, o mais humano de nós.
Mas não é o caso o caso desse encontro. 
Aqui a pele é moeda de troca
papel de grife
embrulho 
do perfume o frasco
perfumaria 
mal tocada quebra
tanto mais trocada mais sangra.

 

A pele nunca está pronta.

Por negros pêlos de um lado 
e loiros finos fios do outro,
perfurada feito granito,
a pele eriçada é a mais bela flora 
na epiderme em choque.
Flor repisada, duro espinho
brutal arma na bainha.

 

Por fim, o acerto é feito 
: amor abjeto, a obra
o coito.

 

Vivos beijos mortos de línguas tensas,
o silêncio é o oco do desejo que sobra. 
Na pele dos dois um texto há muito redigido
é um pedido de socorro mal grafado,
o grito de um menino que foi abusado ,
gemido abafado, nada é esquecido.
O medo no ápice do orgasmo 
pede colo e paz de abrigo.

 

Agora só há pressa,
grana gasta e marcas na grama.
Aplacada a gana, os dois buscam 
no tempo o que não foram.
No escuro, a quixotesca figura se desfaz 
depois de aplacado o furor.
Os homens seguem sem rumo seu rumo, 
o que foi amplificado fica não dito.
Junto deles vai a sombra do medo, 
cravado na memória do corpo
sob a pele.

 

 

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Publicado em Inominável nº 9
por Baltazar autor do blog Depois eu conta | BRASIL

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