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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qui | 14.12.17

Tanto mar entre nós... | Quando uma mulher ama

DESOLADA
ELA PERGUNTA: por que demora e não esqueço 
meu primeiro amor que foi levado pelo vento?

 

CANSADA
ELA CHORA: chego ao trono da insensatez desfeito 
sozinha com a dor de ser nesta vida passageira.

 

SOLITÁRIA
ELA PENSA: um de nós espelha a humanidade inteira 
somos fagulha, rastro na órbita do solidão
cada um é centelha que brilha um instante. 
O tempo habita os corações, é como a traça. 
O tempo constrói sua casa perfurando tecidos 
deixa marcas, abre passagens.
Para a traça a ruína é morada,
para o coração cansado o tempo não passa.

 

(Os pensamentos dela sangram, 
têm ritmo, têm pulso 
e duram no tempo mesmo se dorme; 
Os pensamentos dela
são estrias abertas na epiderme dum oceano, 
fagulha centelha na órbita do engano)

 

INQUIETA
ELA CONCLUI: se o amor é dor profunda na carne,
a marca não some;
se o amor é evento distante, a dor não se mostra;
mas se aquele amor habita companheiro 
o pensamento
é para a vida inteira ferida viva que dói, 
mata e não sangra

 

 

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Publicado em Inominável nº 11

por Baltazar autor do blog Depois eu conta | BRASIL

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