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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qui | 10.03.16

Por Terras do Rei Artur #2

Chegados a Dulverton, apanhámos (mais) um choque térmico, e também um choque geográfico: a charming little town publicitada pela rede de autocarros consistia numa rua principal, a que chamam High Street, uma igreja e algumas lojas. É uma vila situada num vale, rodeada de uma bruma romântica, e de uma natureza quase selvagem, onde podemos visitar o Parque Nacional de Exmoor, bastante afamado no distrito, mas infelizmente os nossos pobres pés quase congelados mostraram dolorosos sinais de recusa a essa aventura. Encaminharam-nos, em vez disso, até um restaurante bastante pequeno chamado Mortimer’s, familiar e com uma maravilhosa lareira acesa que devolveu a vida às nossas extremidades dormentes.

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Foi então que pude começar a apreciar o que me rodeava: nada mais que uma sala ampla, com mesas bem distribuídas, louceiros de madeira, e prateleiras onde estava armazenada a lenha e exposto algum artesanato para vender. A atender apenas uma jovem mulher, enérgica e borbulhante de alegria, a cantarolar, evidentemente feliz com o seu pequeno e pitoresco negócio. Imensas especialidades da casa, desde os bolos expostos até ao vinho caseiro. Estando acompanhada de um adolescente, claro que tive que provar o hambúrguer feito com especiarias, cebola caramelizada, queijo Brie e salada, tudo bem equilibrado dentro de um pão meio doce, morno e tostado, acompanhado de uma taça bem cheia de batatas fritas inglesas (por dentro são meio cozidas). A entrada foi uma baguette quente, que mergulhávamos em pedaços no azeite temperado com alecrim. Só pela refeição, pelo ambiente humano (onde todos falavam entre si sem olharem para iPhones e afins) e atendimento caloroso, compensou! Despedi-me até à Primavera e, com forças renovadas, fomos conhecer a All Saints Church, que nos proporcionou uma autêntica viagem ao passado, como todas as igrejas aqui.

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Pelas ruas vimos várias pessoas vestidas para a caça, outras a passear os seus cães (na sua maioria galgos devidamente equipados para o frio), e foi o meu filho quem reparou, admirado, que havia muita população jovem num sítio tão pacato, o que nos faz perceber o quão diferente pode ser a maneira de estar de quem cresce num sítio assim, sendo neste país inegável a comunhão e o respeito que existe pela natureza. Percorremos também um caminho pedestre ao longo do rio, onde nos maravilhámos com a beleza que nos rodeava, e o regresso a casa foi de sensação de satisfação por termos visitado um sítio tão bonito... e pelo ar condicionado do autocarro!

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A baixa temperatura também não impede as saídas nocturnas, nem os corpos semi-nus das mulheres inglesas, confiantes e seguras de si mesmas, independentemente do tipo de corpo que possam ter. Isso deve-se, em grande parte, a esta sociedade muito menos machista, onde elas não são subjugadas à ditadura 86-60-86, sendo apreciadas pelo sexo masculino na plenitude das suas curvas (que em muitos casos são bem generosas), e sendo mais solicitadas pelos maridos e namorados para ir “beber uns copos” do que para ir para a cozinha fazer o jantar (almoço não é um hábito aqui). Neste aspecto nós, mulheres portuguesas, somos mais talentosas sem dúvida, mas se calhar relaxamos e divertimo-nos menos! Sendo o mês de Fevereiro o mês oficial dos namorados, aqui parece ser todas as semanas, há um constante flirt no ar na night out inglesa, movido a álcool também é claro, mas devendo-se muito a uma mentalidade menos preconceituosa na maneira de vestir, estar e se exprimir. “All you need is love” foi cantada pelo grupo mais famoso de Inglaterra, e sem dúvida adapta-se na perfeição ao estado de espírito do seu povo. Não sei como será o dia dos Namorados por aqui (imagino que seja bastante bom para o comércio local) mas faço questão de estar atenta para partilhar com vocês, entre outras tantas coisas que ainda tenho, e terei, para contar!


See you soon! 

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Publicado em Inominável nº 2
por Inês Rocha, autora do blog Alquimia do Momento

 

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