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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qua | 09.03.16

Por Terras do Rei Artur #1

Chegou Fevereiro mas, como podem calcular, escrevo mais um capítulo deste diário aberto ainda em Janeiro. No rescaldo das festas natalícias e da entrada neste novo ano, a mergulhar nos braços frios do (agora) verdadeiro Inverno por aqui, tento superar a eminente congelação dos meus membros com idas ao ginásio (resolução de novo ano, claro!), e tendo uma capacidade de noção de moda, que eu não sabia que podia ter, com camadas e camadas de roupa. É o meu primeiro Inverno, e apesar dos choques térmicos não posso negar a beleza desta estação. Por isso decidi falar dos momentos frios no termómetro, mas cheios de calor pelas memórias que deixaram.

 

As festas “souberam a casa” não só porque a mesa foi farta em comida e comensais portugueses, mas porque estava um frio condizente com a época, embora a neve não tenha dado o ar da sua graça; aparentemente, e apesar das minhas queixas (sou demasiado friorenta!), estou numa zona privilegiada de Inglaterra, meteorologicamente falando. Sou também privilegiada nas amizades que aqui fiz, no trabalho e fora dele, para além das que já aqui tinha. Portanto, o primeiro Natal e passagem de ano num outro país foram especiais e senti-me verdadeiramente em casa!

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O frio não impediu os passeios, agora mais relaxados nas mini-férias, pelas ruas iluminadas em festa e cheias de gente, o que já é normal todo o ano, mas agora com mais azáfama. Numa destas ruas fui pela primeira vez beber um café naquele que viria a tornar-se no meu estabelecimento favorito do género: Caffe Nero. Rústico, acolhedor apesar dos tectos altos, com paredes revestidas de quadros e fotografias a preto e branco, sofás e uma lareira, livros e jogos de tabuleiro à disposição dos clientes. Já me foi dito que este estabelecimento foi uma casa de tortura, embora não tenha conseguido confirmar esse facto mas, a ser verdade, a sua energia positiva já deve ter limpo o karma! As caras são sorridentes e fumegam os capuccino, os expresso e os vários chás. Esquecemo-nos dos tempos idos marcados pela mão de ferro do juiz George Jeffreys, que condenou a enforcamento dezenas de pessoas por traição ao rei James II. A execução era feita precisamente num túnel ao lado do Nero, que dá agora acesso à rua de trás, e não consigo evitar um vislumbre respeitoso àquele caminho estreito e escuro cada vez que lá passo... nunca o atravessei e nem tenho grande vontade, confesso!

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Aproveitei também para conhecer, e vos dar a conhecer, uma localidade chamada Dulverton, uma charming little town como dizem por aqui. Assim foi, num sábado frio (claro!), numa viagem com paisagens lindíssimas de colinas e pastos verdes, num dos autocarros de Somerset, cujo bilhete ida e volta de uma viagem de hora e meia é mais barato que um bilhete do Seixal para a Cova da Piedade(!).

(continua)

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Publicado em Inominável nº 2
por Inês Rocha, autora do blog Alquimia do Momento

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