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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Seg | 18.04.16

Por terras do Rei Artur #1

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Eu vivo numa ilha. E quando se vive numa ilha tem-se, por vezes, a sensação de viver num mundo à parte, como que num conto cheio de personagens excêntricas, mas onde a excentricidade é a chamada normalidade. Desta vez vou falar destas personagens e desta atmosfera alternativa, onde a vida é borbulhante, as meninas andam na rua vestidas de princesas, os meninos de super-heróis (e adultos também, um dia esbarrei contra um Homem-Aranha que vestia, no mínimo, um L) e as canções na berra ainda são as da banda sonora de Dirty Dancing, dos aqui ainda actuais, como se fosse ontem, Rod Stewart, Lionel Richie, ABBA, e muitos outros sucessos vindos desde os anos setenta. 

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No club, homens e mulheres cantam e dançam entusiasticamente, e em contraste com o que aqui tenho estado a dizer, ao som de Justin Bieber, invadindo a pista de dança e deixando-me literalmente surpresa! Mas também podemos ver, em bares com música ao vivo, o mais puro rock dançado por outro tipo de jovens, e também por gente mais madura na idade, mas de cabelos coloridos, calças rotas ou saias ultra-curtas... há oferta para todos os tipos de gostos, não há limite de idade para nada, o que se torna bastante refrescante e nos abre os horizontes.

Claro que no dia dos namorados não houve muita escolha ao ouvir rádio no horário de trabalho e levámos, eu e os meus colegas provenientes de vários países, uma injecção da banda sonora do cupido. A língua que nos une pode ser apenas oinglês, mas a dor sentida foi universal e comum a todos: existe um limite para se ouvir em modo non-stop as divas dos anos 80, 90 and so on (Adele bye bye for now, please...), por muito romântico que se seja! A cultura inglesa tem destas coisas, o passado musical não morre, o que acho maravilhoso excepto em dias como este.

 

O que me faz ldownload.jpgembrar um jovem que costuma estar numa esquina, não necessariamente sempre a mesma, de fones nos ouvidos, em tronco nu, por vezes apenas com uma gravata ao pescoço, e a cantar canções do rei da pop, Mr. Michael Jackson, a plenos pulmões, sacudindo o longo cabelo encaracolado e exibindo o peito peludo. Ele canta, dança, e está sempre com um sorriso nos lábios, mesmo quando está um frio de rachar, com um ar tão feliz que eu me perguntei, a primeira vez que o vi, se tal felicidade provinha de algum estado mental alternativo, fosse provocado por doença ou drogas. Mas a resposta dele, quando questionado, é que canta e dança porque é feliz, e quer inspirar as pessoas a o serem também. E, de facto, ele nada mais faz a não ser isso: cantar e sorrir. O que nos leva a outro facto: eu acabo sempre com um sorriso nos lábios e, por vezes, a cantarolar mentalmente o Bad...

 

Outra personagem que também quer inspirar o próximo é o homem/aspirante-a-profeta que espalha a palavra de Deus com um microfone, numa das ruas principais. Não tem um ar tão feliz (acho que para ele Deus é sério e com muito pouco senso de humor), mas também não desarma, faça chuva ou faça sol. Semana si, semana não, lá está ele a picar o cartão celestial, mas infelizmente não percebo bem o que ele diz com tanta paixão, porque o sistema de som não é o melhor. Pelo jeito não basta a fé, tem que se ter boa tecnologia! Bem mais simples e eficaz é o sistema de som da harpa tocada, também numa esquina, por um músico muito simpático que bem podia ser o Buda ocidental, tal não é a vibração zen que emite. Até passamos mais devagar na rua em que ele toca, como se de um spa musical se tratasse...

(continua)

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Publicado em Inominável nº 3
por Inês Rocha, autora do blog Alquimia do Momento

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