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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qui | 15.06.17

Play it Sam! | Ópera Rock ou Rock na Ópera

Play it Sam! | Ópera Rock ou Rock na Ópera

 

O cabeçalho desta secção tem, entre outros, a referência a um dos meus filmes de eleição. Sempre que revejo esta película regrido mais de quarenta anos. E por que muito que julguem impossível sinto ainda hoje a mesma emoção que senti naqueles já longínquos anos setenta.

Eis-nos então perante um filme… no mínimo épico. Não direi marcante mas indubitavelmente diferente. Chama-se

Play it Sam! | Ópera Rock ou Rock na Ópera

 

A ideia foi de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice para um espectáculo lançado na Broadway após a produção de um disco em 1970. Do teatro para o cinema foi um salto.

Há quem chame a este tipo de cinema uma “ópera Rock”. Outros enveredam pela expressão de um “musical contemporâneo”, mas o que conta é que as músicas deste filme perduram até hoje. Renovo a ideia do filme porque foi a única coisa que vi. Bom… para ser mais exacto sublinho que vi no Teatro Politeama, em Lisboa, a versão do Filipe La Féria. Curiosamente até gostei… da versão lusa!

Bom… mas o filme!

Vi-o obviamente pela primeira vez no grande écran. Só muitos anos mais tarde o voltaria a ver, desta vez em cassete magnética (vulgo vídeo) e foi claramente um dos primeiros filmes que comprei em DVD ou Blu-Ray, já não sei muito bem!

 

 

O filme conta a semana que antecede a crucificação de Cristo na cruz, com as diferentes visões dos apóstolos, nomeadamente Judas Iscariotes e a demonstração do amor eterno de Maria Madalena à figura de Jesus Cristo.

Porém, a forma como o realizador coloca toda a acção num deserto e a faz avançar em moldes claramente modernos para a época, com evidentes referências à guerra fria e a uma sociedade hippie já em decadência após do auge do Woodstock é, por assim dizer, um exemplo de como este filme também roçou a intervenção política.

A verdade é que estávamos em 1973, ano de diversos conflitos armados, especialmente no médio Oriente e da primeira grande crise petrolífera da qual, creio eu, jamais o mundo recuperou (mas isto são contas de outro rosário).

Não há no filme qualquer diálogo, pois tudo é dito e sentido ao som de muito boa música e outras tantas boas vozes. Como é a seguinte música cantada por Yvonne Eliman. Simplesmente fantástica.

 

 

A película tem diversos momentos inesquecíveis. Desde já o seu início e a forma crescente da música, que culmina na visão por entre ruínas de uma velha camioneta que transporta pessoas e artefactos para o que se seguirá.

Não vale a pena descrever mais o filme, seria demasiado fastidioso e desinteressante. Somente que é, para mim, um dos grandes filmes do século XX.

Foi nomeado para um óscar da Academia de Hollywood, o da adaptação para a melhor música.

Salto agora um par de anos, na longa tábua do tempo, para aterrar em 1975. Ano do Tommy.

 

Play it Sam! | Ópera Rock ou Rock na Ópera

 

Mais uma excelente produção discográfica colocada em celulóide. Só que desta vez com um único autor musical: Pete Townshend, da banda rock The Who.

Lembro-me de ter visto este filme numa sala de cinema entretanto extinta, em Lisboa, ali bem perto da Avenida de Roma. Após ter visionado o filme JCS, jamais imaginei que se conseguisse fazer nova película usando somente a matriz da música sem qualquer diálogo – podia falar de “West Side Story”, mas já haviam decorrido mais de 10 anos desde o lançamento daquela longa-metragem. No entanto enganei-me bem, e recordo que quando saí do cinema disse para mim que um dia compraria o disco. Algo que curiosamente nunca fiz.

Naquele tempo, ainda eu frequentava os bancos da escola, já o tema “I´m Free” era cantado por muita juventude tentando usar a canção (quase) como um slogan político. A verdade é que o 25 de Abril ainda estava demasiado presente como Revolução.

 

 

Para além da banda inglesa, outras estrelas do Rock e não só surgiram em muitas partes do filme. É o caso do jovem Elton John, que cantou uma das mais carismáticas músicas do filme: “Pinball Wizard” e

 

 

Tina Turner que aparece na película com o a não menos célebre “Acid Queen”.

 

 

 

Se juntarmos Ann-Margret, Eric Clapton e Jack Nicholson temos assim um elenco de artistas e músicos dignos do melhor registo.

O filme conta a história do padrasto que proíbe o enteado de revelar de qualquer forma um crime que presenciou. Este bloqueio mantém-se até ser adulto. O resto… bom… o resto merece ser visto!

Foi ainda nomeado para dois óscares e outros diversos prémios, tendo ganho pelo menos um Globo de Ouro.

 

 

Temos então dois filmes fantásticos onde a falta de discurso directo é substituída por belíssimas canções que perduram passados todos estes anos.

As novas tecnologias associadas à televisão e à música poderão proporcionar (quase) o mesmo ambiente que eu senti quando assisti ao filme.

Cinema é indubitavelmente entretenimento e animação. E estas películas valem mesmo a pena!

 

A gente lê-se por aí!

 

 

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Publicado em Inominável nº 8

por José da Xã autor do blog Lados AB

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