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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Ter | 17.10.17

Play it Sam! | O fantástico cinema a dois tons!

Play it Sam! | O fantástico cinema a dois tons!

 

O tema deste número, como já foi referido algures nesta revista, é o preto e branco. Então vamos lá falar de cinema sob esta curiosa aposta.

Neste sentido, os primórdios do cinema são justamente monocromáticos. Primeiro com filmes quase caseiros, onde o mais antigo que consegui descobrir é o de Louis Le Prince em 1888.

 

 

No ano seguinte viria o filme de Thomas Edison que a seguir se representa:

 

 

Daqui para o verdadeiro cinema foi um salto. Mesmo a preto e branco, porque só em 1929 se conseguiria fazer o primeiro filme a cores. Foi a Warner Bros, com o seu sistema Technicolor.

Ora bem, no dealbar do século XX, mais propriamente em 1907, a estrela masculina do cinema, Max Linder, surge num filme denominado “Iniciação de patins”, onde aquele actor decide aprender a patinar no gelo. Com relativo sucesso…

 

 

Todavia, a sucessão de filmes que surgiram a partir deste trouxeram-nos até hoje algumas das figuras mais carismáticas do cinema tanto a preto e branco como mudo, como era usual na época.

O inovador Charlie Chaplin, a bela Florence Lawrence (quiçá a primeira grande diva do cinema), o já referido Max Linder, o lendário Rudolfo Valentino, o inesquecível Douglas Fairbanks e a memorável Mary Pickford foram alguns dos muitos artistas que tiveram enorme sucesso no cinema monocromático.

Também Portugal teve os seus êxitos a preto e branco. Todos nós conhecemos de sobra e já vimos inúmeras vezes os filmes dos anos trinta e quarenta realizados por Cottinelli Telmo, Arthur Duarte ou António Lopes Ribeiro.

Contudo, é ainda na época do preto e branco que nasce para o cinema luso e internacional o melhor realizador português. Falo, como devem calcular, do mestre Manoel de Oliveira. O seu inesquecível filme Aniki Bóbó foi, em 1942, um marco no cinema da época, muito habituado a filmes associados ao regime vigente na altura.

 

 

A partir deste filme, a sétima arte em Portugal passaria naturalmente a ser muito diferente.

Mas regressando a Hollywood, a verdadeira Meca do cinema mundial, temos até quase ao fim da Segunda Guerra Mundial algumas longas metragens a preto e branco que, não obstante a sua monocromaticidade (nem imagino se esta palavra existe mesmo!!!), não deixaram de ser enormes sucessos.

Trago assim para aqui o filme Casablanca (curiosamente, a película donde retirei o nome desta secção), que em 1942 conseguiu ser um estrondoso sucesso e que perdura até à actualidade.

 

 

Já mais recentemente Steven Spielberg realizou a “Lista de Schindler”, um filme também ele a preto e branco ou quase. Uma película que nos leva para uma época em que só havia duas opções: a favor ou contra.

 

 

O cinema, mesmo a duas cores (considerando eventualmente que o preto é cor), teve e ainda tem esta vantagem, porventura sublime, de corporizar muitas das nossas bizarras ideias sobre o mundo que nos rodeia, pois por muito que queiramos nem tudo o que nos rodeia é preto ou branco.

Infelizmente, cinzentismo também existe. E o cinema soube (sabe) mostrá-lo ao Mundo como ninguém.

Como aqui:

 

 

A gente lê-se por aí!

 

 

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Publicado em Inominável nº 10

por José da Xã, autor do blog Lados AB

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