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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Seg | 16.11.15

Percursos no Parque Nacional da Peneda-Gerês (parte II)

Depois do jantar, um curto passeio para disfrutar do silêncio do vale e vivenciar a aldeia. Num bar, o som de uma concertina chamou por mim. Espreitei a montra e ali estava uma ”família” inteira a jubilar de alegria… uma forma simples de estar e viver as férias na “terra” que os viu nascer. Quase todos bilingues, retornam anualmente para passarem o mês de agosto e devolverem a juventude, a alegria e o ritmo à sua aldeia natal.

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No dia seguinte, nova viagem até à vila de Castro Laboreiro. Para além da intenção de conhecer um pouco da história e cultura locais, almoçar no restaurante Miradouro do Castelo era um dos objetivos da visita. Ali comi o melhor “cabrito assado no forno”, um prato que recomendo vivamente a quem por lá passar.

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Durante a tarde, nem os chuviscos ameaçaram a boa disposição e o entusiasmo sentido durante a visita ao núcleo museológico - cujas instalações funcionam na antiga Fábrica de Chocolates de Caravelos, e à casa típica castreja (anexa), onde os visitantes podem conhecer e compreender os hábitos e costumes das gentes da região.

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De todas as informações, aquela que mais captou a minha atenção diz respeito à história relativa às “brandas” e às “inverneiras” – um tipo de povoamento baseado nas estações do ano. Todos tinham – e têm, nalguns casos – duas casas: na primavera, no verão e no outono as famílias mudavam-se para as “brandas” - situadas no planalto; nos meses mais frios viviam nas “inverneiras” – as aldeias dos vales.

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Ainda hoje existem, segundo o guia do museu, entre dez a quinze famílias que praticam essas migrações sazonais. Este regime de transumância – associado à atividade agro-silvo-pastoril, é o meio de subsistência de grande parte das famílias castrejas. O castelo medieval, quase todo ele em ruínas, é outro dos ex-libris da cultura local. No espaço circundante, numa das encostas, é possível visualizar um “monumento geológico” talhado pela natureza: uma ”tartaruga” gigante, que não passa despercebida aos observadores mais atentos.

Depois de um dia, longo e preenchido, o descanso merecido no Hotel Castrum Villae em Castro Laboreiro. Uma unidade hoteleira com quartos confortáveis e desafogados, simples mas cómoda e tranquila.

Na manhã seguinte, bem cedinho, partida em direção à Galiza. Destino: Ourense, uma cidade simpática, que integra os denominados “caminhos de santiago”. Outro percurso, outros objetivos de viagem.

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Nota: para quem não pretende prosseguir até Espanha, aconselho continuar a viagem em direção a “Terras do Barroso”, concelho de Montalegre (itinerário disponível na próxima rubrica).

 

Texto e fotos de Maria Sebastião, autora do blog Escrita ao Luar e participante no blog Aprender uma coisa nova por dia

(in revista nº 0)

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