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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qua | 18.10.17

Na Desportiva | Do preto e branco às cores

Na Desportiva | Do preto e branco às cores

 

O desporto, em todas as suas modalidades, é uma constante na vida humana desde há centenas de anos. A maneira como o vemos desde meados do século XX – em casa, através da televisão – é quase um dado adquirido no dia-a-dia da nossa sociedade. Em Portugal, o futebol é visto, revisto e debatido nos jornais, televisões e cafés a toda a hora. Nesse hábito, apenas uma coisa mudou: o desporto em si. O futebol, ou qualquer outra modalidade que vemos hoje em dia, não é o mesmo que se via há 50 anos. As regras, equipamentos, técnicas e tácticas, modos de transmissão e tecnologias incorporadas têm vindo a alterar-se de uma maneira lenta e ininterrupta, tanto que quase não damos pela mudança. Hoje quero fazer um apanhado de algumas das maiores mudanças no desporto nas três principais vertentes: regras, tecnologia e maneira de jogar.

 

FUTEBOL: 1863

Esta é, talvez, a maior mudança da história do futebol: a regra do fora-de-jogo foi introduzida em 1863. Em moldes semelhantes aos dos dias de hoje, um jogador tinha de ter três defesas entre si e a linha de golo (alterado para dois em 1925 e para poder estar em linha com o penúltimo defesa em 1990) para poder receber um passe. Até aí, qualquer jogador à frente da linha da bola estaria fora-de-jogo, em semelhança ao que acontece no rugby. Claro que das tácticas de 1x2x7 começaram a surgir formações mais semelhantes às que temos nos dias de hoje, com um ou mais homens a avançarem até perto dos defesas mais recuados.

 

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GOLFE: 1900

O Golfe é dos desportos mais constantes ao longo do tempo – os moldes gerais que ainda vemos hoje em dia foram estabelecidos no século XV – excepto numa única vertente: o equipamento. Com os tacos a evoluírem desde os de madeira aos de titânio (que apareceram apenas em 1990), ainda assim a diferença com maior impacto no desporto foi a do desenho das bolas: a introdução das covas no início do século XX aumentou o controlo que os jogadores têm sobre a trajectória e rotação da bola.

 

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CICLISMO: 1937

1937 foi o primeiro ano em que foram utilizadas mudanças nas rodas traseiras das bicicletas. Até aí, os ciclistas tinham de sair da bicicleta, desmontar a roda traseira, virá-la e montá-la novamente para trocarem entre as mudanças de plano e montanha. Na imagem do Tour de France de 1948 vemos Gino Bartali na sua Legnano, uma das primeiras a usar este sistema. A alavanca montada na roda de trás fazia algo de muito semelhante às mudanças de hoje em dia, desviando a corrente e obrigando-a a descer ou subir um carreto.

 

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BASKETBALL: 1954

Em novembro de 1950 os Fort Wayne Pistons e os Minneapolis Lakers jogaram o jogo com o resultado mais baixo de sempre – 19-18 para os Pistons. A estratégia do treinador de Fort Wayne era simples: uma vez que não teriam argumentos para bater os campeões Lakers, teriam de jogar “sujo”; neste caso, manter a posse de bola com passes entre os seus jogadores e só atacar o cesto quando tivessem uma probabilidade grande de marcar. A vitória entediante dos Pistons ficou marcada na memória de todos os que viram o jogo. Numa altura em que a média de pontos totais por jogo rondava os 79 devido a estratégias semelhantes, a NBA acabaria por introduzir a regra do “shot clock”: as equipas atacantes passaram a dispor de apenas 24 segundos para lançar ao cesto. Na época seguinte a média de pontos subiu para os 93.

 

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BASEBALL: 1974

Com a introdução da cirurgia Tommy John, que dá a possibilidade de substituir tendões cruciais do braço por outros – saudáveis – do seu corpo (ancas, joelhos), os lançadores de baseball viram as suas potencialmente curtas carreiras serem prolongadas com sucesso.

 

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FUTEBOL AMERICANO: 1986

As repetições, ou instant replay, mudaram não só a maneira como nós vemos os jogos mas também o desenrolar dos jogos em si. A NFL, em 1986, foi a primeira liga a permitir aos árbitros consultarem estas imagens para tomarem decisões, com a NBA e a NHL a fazerem o mesmo poucos anos depois. Já este ano vemos esta regra a ser aplicada, através do videoárbitro, em várias ligas europeias de futebol.

 

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TÉNIS: 2005

Em 2006 a tecnologia digital aplicada ao desporto teve uma entrada fulgurante: o sistema hawk-eye. Este sistema permite verificar com precisão, e com um grau de certeza bastante superior ao dos juízes de linha, onde a bola bateu no chão e se foi fora ou dentro do campo. Para já, e para não prejudicar o espectáculo e a tradição, cada jogador pode apenas fazer o pedido de verificação hawk-eye três vezes (sem sucesso, caso tenha razão pode continuar a pedir) por set e mais uma nos tie-breaks. Mas adivinha-se, com o desenvolvimento da tecnologia para fazer avaliações em tempo real, que venham a substituir os juízes.

 

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NATAÇÃO: 2008

Feitos de nylon, spandex e poliuretano, os fatos-de-banho LZR Racers foram das introduções tecnológicas mais marcantes na história do desporto, ao ponto de terem sido proibidos no ano seguinte. Nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, 98% dos atletas medalhados envergavam estes fatos-de-banho; usados apenas durante um ano em competição, com eles foram batidos 97 recordes mundiais.

 

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Publicado em Inominável nº 10

por Alexandre Alvaro, autor do blog Jogo do Sério

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