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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Seg | 14.08.17

Musicalizando com... Salvador Sobral

Musicalizando com... Salvador Sobral

 

Quem era, quem é, e quem será o “Salvador” de Portugal? Até ao dia em que foi eleito representante do Festival Eurovisão da Canção em Kiev, poucos sabiam quem era Salvador Sobral.

Conhecíamos bem a sua irmã, Luísa Sobral. E sabíamos que ela tinha escolhido o seu irmão para interpretar a música que ela própria tinha composto.

 

Musicalizando com... Salvador Sobral

 

Talvez algumas pessoas já tivessem ouvido falar um pouco mais do Salvador por ter lançado, no ano de 2016, o seu primeiro álbum - “Excuse Me”, e por ter concertos agendados em algumas salas emblemáticas do país.

No entanto, o Salvador começou nestas lides da música e televisão há vários anos.

Tinha 10 anos quando participou no Bravo Bravíssimo, com uma música de Rui Veloso. Mais tarde, em 2009, concorreu ao programa Ídolos, no qual a sua irmã tinha já participado na primeira edição.

Sobre esta experiência Salvador afirma que o ajudou a lidar com os nervos e com o público, mas que é algo que não voltaria a repetir.

No entanto, a música esteve sempre presente na sua vida, e acabou por rumar aos Estados Unidos e mais tarde a Maiorca e Barcelona. Em Barcelona ficou quatro anos e estudou jazz na prestigiada escola Taller de Musics.

Em 2016 regressou a Portugal e apresentou o seu primeiro álbum "Excuse Me", editado pela Valentim de Carvalho, que acabou por ser o resultado das viagens que fez e das influências que o cantor recebeu das suas inspirações musicais de sempre.

 

Musicalizando com... Salvador Sobral

 

O disco tem a coprodução musical do pianista Júlio Resende, do compositor venezuelano Leonardo Aldrey e do próprio Salvador Sobral, tendo ainda um tema original - “I might just stay away” - de Luísa Sobral.

Até abril de 2017 pouco mais se sabia sobre Salvador Sobral, que foi dando os seus concertos sem grande alarido.

Quando a música “Amar Pelos Dois”, da autoria da sua irmã e por si interpretada no Festival da Canção, foi eleita a representante de Portugal no Festival Eurovisão da Canção, em Kiev, muita tinta correu sobre este artista, até então quase desconhecido, não só pela escolha controversa desta música, que era considerada “pouco festivaleira”, mas também pela postura e, sobretudo, pela saúde do Salvador.

 

 

No início, poucos acreditavam num desempenho melhor que o dos representantes portugueses anteriores.

No entanto, o favoritismo dado a este tema, nas casas de apostas e um pouco por todo o mundo, começou a fazer com que os portugueses tivessem uma pequena esperança de obtermos uma melhor classificação. E quando o Salvador passou à final, o desejo de vencer começou finalmente a desenhar-se e a ganhar força. Afinal, porque não?

Ainda assim, o momento em que os vários países começaram a dar boas pontuações, muitas vezes a máxima, à música portuguesa, foi de estupefação, de incredulidade misturada com alegria.

Vencer a final do Festival Eurovisão da Canção foi um marco histórico para Portugal. Foi preciso vir o Salvador para que a vitória fosse nossa, uma vitória que nunca antes tínhamos conseguido alcançar, em décadas de participações.

Há quem diga que a vitória se deveu à simplicidade e beleza da letra da Luísa, ou à simplicidade e interpretação única e sentida do Salvador. Há quem atribua essa vitória ao mistério em volta da figura do Salvador e até à sua situação clínica e saúde debilitada, que terá gerado uma onda de simpatia e solidariedade para com o artista.

Qualquer que tenha sido o motivo, levou a que o Salvador e a restante delegação portuguesa fossem recebidos em apoteose no aeroporto de Lisboa. Levou a diversas conferências de imprensa, e até a momentos nunca antes vistos na Assembleia da República.

Hoje, Salvador Sobral é visto, embora recuse esse rótulo, como um herói nacional. Quer queira quer não, todos querem vê-lo, ouvi-lo, aplaudi-lo, saudá-lo, privar com ele. Os concertos agendados depressa esgotaram.

Por muito que queira apenas seguir normalmente com a sua vida, sem grande alarido à sua volta, ainda vai demorar algum tempo até o consegui.

O que será do Salvador daqui a uns meses, ou mesmo anos, ninguém sabe. Talvez os portugueses acabem por “esquecer” este momento histórico e voltem a sua atenção para outros acontecimentos. Talvez a música que lhe trouxe a fama passe de moda e o público prefira voltar a consumir a apelidada “música de plástico”, sem grande conteúdo. Talvez o Salvador saia de cena tão discretamente como entrou. Ou, talvez, crie uma nova tendência e veja a sua carreira consolidada.

Numa entrevista que o Salvador concedeu ao Fantastic, em 2016, quando ainda ninguém sabia quem ele era, quando lhe perguntaram “Daqui a muitos anos, como gostarias de ser recordado pelo público?, Salvador respondeu: “Como uma pessoa que trouxe algo de bom e de fresco à música em Portugal.”

Por mais incertezas que tenhamos quanto ao futuro do Salvador Sobral, uma coisa é certa: o que desejou nessa altura, já o conseguiu!

 

 

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Publicado em Inominável nº 9

por Marta Segão, autora do blog Marta O meu canto e participante no blog Clube de gatos

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