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Revista Inominável

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Qua | 22.03.17

Miguel Ângelo (ii)

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O Papa Júlio II incumbiu Miguel Ângelo da pintura do teto da Capela Sistina, que deve o seu nome ao Papa Sisto IV. A capela é usada para reuniões do Colégio dos Cardeais destinadas a eleger novos Papas, o conclave, e também para as cerimónias da Semana Santa. Entre 1508 e 1512 Miguel Ângelo realizou a difícil obra, uma prova de resistência e assombrosa criação. As formas de Miguel Ângelo são dotadas de força escultórica e ímpeto plástico próprio. Os frescos são uma obra monumental. O artista criou nove cenas bíblicas, referindo-se ao Velho Testamento e mostrando a Criação do Mundo, a Criação do Homem, a Descoberta do Pecado, a Expulsão do Paraíso e o Dilúvio Universal. 

Em 1534 Miguel Ângelo voltou novamente à Capela Sistina, onde pintou o Juízo Final na parede do altar.

Poderia ficar horas a absorver cada pormenor das figuras pintadas na Capela Sistina. Tive sorte, pois tendo estado lá em Dezembro não havia um “mar de turistas” excessivo, como acontece durante a maior parte dos meses do ano.

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Em 1547, o Papa Paulo III nomeou Miguel Ângelo arquiteto-chefe da Basílica de São Pedro. Nessa época, Miguel Ângelo construiu diversas obras arquitetónicas, entre elas a Praça do Capitólio, ladeada pelos Palácios dos Conservadores e dos Senadores. Entre 1561 e 1564 edificou a Igreja de Santa Maria degli Angeli. Durante a criação destas obras o artista conduziu os trabalhos da Basílica de São Pedro, edificando-lhe a grandiosa cúpula. Miguel Ângelo morreu antes de completar as obras da basílica, aos 89 anos, no dia 18 de Fevereiro de 1564.
Miguel Ângelo era introvertido e nostálgico, mas ao mesmo tempo emotivo e entusiástico. Viveu uma vida moderada, no meio dos seus trabalhos. Preferia a solidão, mergulhado na criação artística. Considerava-se acima de tudo um escultor. De facto, até a sua pintura demonstra a marca do seu talento como escultor. Miguel Ângelo definiu a escultura como a “arte de representar a matéria”. Ao esculpir o mármore, o seu material de eleição, da frente do bloco para a parte posterior, acreditava estar a libertar uma figura aprisionada dentro da pedra. Essa “figura” era a ideia que preexiste no pensamento do artista/criador. Ele dissipou a estabilidade e a rígida harmonia do Renascimento. Não hesitava em distorcer a anatomia humana e as formas arquitetónicas, em favor da manifestação de emoções.
É um sentimento único ver o trabalho magnífico de Miguel Ângelo. Espero num futuro breve conseguir ver as restantes obras que ele deixou para a posteridade.

Bibliografia: CLEMENTS, Robert J. Michelangelo`s Theory of Art; DELOGU, G. Miguel Ángel: escultor, pintor y arquitecto

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Publicado em Inominável nº 6
por Alexandra Coelho

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