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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Ter | 21.03.17

Miguel Ângelo (i)

Esta280725198_ffe073f146.jpg minha “viagem” teve o seu ponto de partida no início do ensino secundário, mais concretamente na disciplina de História de Arte. A beleza das artes plásticas é algo que se sente e se vê. Este sentimento foi aumentando com o passar da aprendiza-gem, com o estudo de vários autores/artistas, de cada obra que me foi dada a conhecer. Cada um de nós tem os seus artistas preferidos, as correntes artísticas com que nos identificamos mais e obras plásticas que nos fazem sentir intensamente.


O artista plástico de quem irei falar neste primeiro artigo é Miguel Ângelo. Um dos maiores artistas plásticos de sempre. Sou uma apaixonada pelas suas obras, esculturas, pinturas, desenhos, construções arquitetónicas, ou seja, por tudo que ele representa e por tudo o que ele criou. Passados alguns anos, pude finalmente contemplar a grandiosidade e beleza de algumas obras de Michelangelo. Sinto me uma privilegiada por isso.


A criação artística de Miguel Ângelo é sempre uma explosão de sentimentos. Ele conduz-nos ao centro da sua criação, transmitindo-nos uma grande segurança. Mostra-nos a sua personalidade e independência absoluta. Miguel Ângelo acreditava que a sensibilidade para entender e ver a beleza era um elemento fundamental ao artista criador.

Michelangelo Buonarroti nasceu no dia 6 de Março de 1475 em Caprese. Passadas poucas semanas do seu nascimento a família regressou a Florença, de onde era originária. Desde muito cedo demonstrou uma grande ambição artística. A sua primeira formação artística foi em 1488 na oficina de Domenico Ghirlandaio. Em 1489 passou a estudar escultura com Bertoldo di Giovanni, graças ao mecenato de Lourenço de Medici, o Magnífico. Governante respeitado e patrono das artes, transformou o seu palácio em morada de artistas e filósofos. Miguel Ângelo foi para Roma em 1496, e aí esculpiu uma das suas grandes obras: a pedido de um cardeal francês, ele esculpiu “Pietà”, que se encontra na Basílica de São Pedro no Vaticano. Esta “Pietà” é um ponto fundamental na evolução espiritual do artista. Ele revelou ao mundo esta impressionante cena de dor, de amor materno e morte, com apenas vinte e dois anos de idade. Esta escultura demostra a sua personalidade e rompe com todas as formas escultóricas tradicionais. Com uma audácia própria, Miguel Ângelo coloca o corpo nu de Jesus sobre as pernas de sua mãe, surpreendentemente jovem. Ela parece petrificada pela dor, que se funde no seu rosto com uma expressão de quase doçura.


A harmonia espiritual e formal concede a esta escultura uma força quase sobre-humana. Miguel Ângelo consegue “libertar” estas duas figuras, tornando-as completamente reais. Posso dizer que estar perto desta escultura transmitiu-me serenidade absoluta. Por momentos senti, bem perto, a alma do artista.

  

Foi uma das grandes e importantes figuras do Renascimento. Apesar de ter perpetuado os Papas e figuras nobres para quem trabalhou, viveu sempre em oficinas onde dava vida às pedras, e modificava as paredes para sempre com cenas irrepreensíveis. Teve uma vida de trabalho árduo e contínuo. Viveu entre sujidade, tintas, ferramentas e pedras. O artista e a sua obra ficarão para a eternidade.

(continua)

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Publicado em Inominável nº 6
por Alexandra Coelho

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