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Revista Inominável

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Qui | 25.05.17

Histórias de Arte | João Cutileiro

Histórias de Arte | João Cutileiro

 

A minha grande paixão pela escultura reflete-se nesta segunda crónica. Vou falar-vos de João Cutileiro.

O escultor João Pires Cutileiro nasceu em Lisboa a 26 de Junho de 1937. O seu pai era médico e pertencia à Organização Mundial de Saúde, pelo que as viagens foram uma constante na sua vida. Em Lisboa a família convivia com vários nomes do panorama intelectual português da altura. Nesta fase da sua vida, João Cutileiro frequentou os ateliers de António Pedro, Jorge Barradas e António Duarte, onde desta forma contactou com a pintura, o desenho, a cerâmica e a escultura. Com catorze anos realizou a sua primeira exposição individual em Reguengos de Monsaraz.

Numa das viagens para visitar o seu pai passou por Florença, onde se maravilhou com a obra de Miguel Ângelo. Confirmou assim a propensão que tinha para a escultura. Quando voltou a Lisboa frequentou a ESBAL, entre 1953 e 1954. Estes dois anos não foram muito do seu agrado, pois percebeu que nessa altura, em Portugal, o experimentalismo e a criatividade eram impedidos de existir. Entre 1955 e 1959 frequentou a Slade School of Art, em Londres. Aí desenvolveu a sua aptidão escultórica, com o seu mestre escultor Reg Butler.

Na década de sessenta, João Cutileiro começou a usar máquinas elétricas de corte de pedra, o que lhe permitiu trabalhar o mármore. Nesta década, o escultor expôs várias vezes em Lisboa e no Porto.

Em 1970 instalou-se na cidade de Lagos e criou umas das suas obras mais controversas, D. Sebastião, que foi colocado nessa mesma cidade. Esta obra confrontou o academismo existente durante o Estado Novo com a originalidade presente na sua obra.

No ano de 1971 João Cutileiro conquistou uma menção honrosa no Prémio Soquil, em Lisboa. Em 1976 e 1977, as suas esculturas e mosaicos foram apresentados em Wuppertal, Alemanha. Sucederam-se exposições em Évora nos anos de 1979, 1980 e 1981, e na cidade de Dortmund, em 1980. Nesse mesmo ano expôs em Washington e ainda na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa.

A sua origem alentejana fez com que se estabelecesse em Évora no decorrer do ano de 1985. Na sua casa está grande parte do seu trabalho escultórico.

O experimentalismo faz parte da sua obra, sem ideias pré formadas, relacionando-se com os materiais de uma forma liberal, aberta.

Cutileiro trabalha vários temas: guerreiros, flores, árvores, as figuras bífidas e a figura feminina. As temáticas abordadas pelo escultor estão ligadas entre si, outras vezes são trabalhadas simultaneamente.

As suas formas femininas transmitem-nos sensualidade, impregnadas de sedução. São trabalhadas por vezes de forma simples, outras ainda envoltas em formas da natureza.

As figuras bífidas surgem, por parte de Cutileiro, para sublinhar uma maior manifestação e profundidade do bloco de pedra com que ele trabalha. Esta é a parte que talvez se possa considerar como a mais abstrata da sua obra. Os guerreiros são claramente a parte surrealista existente no seu trabalho. São formas sugestivas, expressivas, que transformam um tema clássico em algo muito próprio do artista.

Através da escultura, João Cutileiro faz surgir seres criados à sua imagem e animados com a sua própria experiência. Ele realiza os seus trabalhos com um esforço que parece não ter limites.

A sua arte tem um estilo muito próprio, é pessoal e independente. Cutileiro considera-se um artífice, que expressa sentimentos e ideias nas obras que cria.

Alguns dos seus trabalhos podem ser observadas em Lisboa, nomeadamente no Parque Eduardo VII, e no Parque das Nações, junto ao Tejo.

 

 

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Publicado em Inominável nº 7
por Alexandra Coelho

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