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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Seg | 09.05.16

Especial Ídolos - João Couto

 

O convidado especial desta edição da Inominável vem de Vila Nova de Gaia e tornou-se conhecido do público português devido à sua participação no programa “Ídolos”, no qual se sagrou vencedor! Embora considerasse que a sua imagem talvez não encaixasse naquilo que se poderia esperar de um ídolo pop pensou, e bem, que as suas qualidades enquanto músico conseguiriam ultrapassar esse pormenor e levá-lo à vitória, que acabou mesmo por conquistar.
O seu percurso no programa foi sempre muito constante, sem ter estado uma única vez em risco de ser eliminado. O momento que mais me marcou foi quando ele interpretou a música “Nothing Really Mathers”, de Mr. Probz, em que se mostrou extremamente à vontade a cantar, a sentir cada palavra, a pôr emoção em cada gesto que fazia, como se estivesse e com a maior naturalidade e simplicidade, como se fizesse aquilo todos os dias.
João Couto considera-se um perfecionista, e diz que a sua principal qualidade é o espírito de sacrifício. Tem entre os seus ídolos artistas portugueses como Rui Veloso, Miguel Araújo ou António Zambujo, tendo inclusive interpretado temas destes dois últimos em duas galas do Ídolos. Tendo sido eleito pelos portugueses como “Ídolo de Portugal”, João Couto ganhou, para além do prémio monetário e um automóvel, um contrato discográfico com a Universal Music Portugal. E o seu primeiro single, escrito e composto por Diogo Piçarra e apresentado pela primeira vez na gala final do Ídolos, já não deixa ninguém indiferente.
“Chama Por Mim” é o tema de lançamento de João Couto, que faz atualmente parte da banda sonora da telenovela Coração d’Ouro.

 

Sem Título.pngM: João, quero desde já agradecer-te, em meu nome e em nome da Inominável, por teres aceitado este convite. Começo por perguntar: o que te levou a participar no Ídolos?
J: Em primeiro lugar, muito obrigado pelo convite para esta entrevista. O que me levou a participar no Ídolos foi a vontade de colocar um desafio a mim próprio. Eu seguia o programa com atenção quando era mais novo e tinha uma relação especial com ele, mas com o passar dos anos perdi o interesse nesses formatos em geral e virei a minha atenção para outras lides musicais. No entanto, quando anunciaram o regresso do programa, por curiosidade arrisquei, e como na altura andava a trabalhar em canções minhas e a tentar marcar atuações achei que era uma maneira de deixar o meu nome a circular. Inscrevi-me sem pensar muito no que poderia acontecer e fui só mesmo com o intuito de me anunciar ao público e nada mais. Fui às pré-audições (e às audições também) com zero expectativas.
Ao confrontar-me com a enorme pressão que o programa implicava, hesitei bastante, mas motivei-me pela vontade de querer trazer música e atitudes diferentes daquelas a que os espetadores estavam habituados naquele contexto, e isso motivou-me. Passou duma brincadeira a uma missão, de certa forma.

 

M: A uma determinada altura, comentaste que não sabias se terias a imagem que talvez se esperasse de um ídolo. Enquanto concorrente, sentiste que esse era um aspeto que poderia prejudicar a tua participação ou condicionar o teu percurso?
J: A minha imagem foi o meu “tendão de Aquiles” nos primeiros castings. Conhecendo o formato, calculava que ia ser um aspeto que iriam apontar mas resolvi encarar essa suposta “fraqueza” como um “elemento diferenciador”, e levei tudo com a maior das naturalidades, sem peso na consciência. Nunca considerei mudar a minha forma de ser por causa da competição porque sabia que ia ficar postiço e o público é implacável a reparar nessas coisas. Admiti-a logo desde o início. Nunca senti que me fosse prejudicar. Sabia que alguém se haveria de identificar com a minha forma de ser. Agora a questão era quantos se iriam rever na minha participação... Era arriscado, mas ainda bem que tomei esse risco.


M: Um dos momentos menos desejados no programa é aquele em que se é nomeado e está em risco de sair, o que nunca aconteceu contigo. Como é que vivias as nomeações e expulsões dos teus colegas?
J: Em primeiro lugar, tenho que salientar que nunca ter ido aos menos votados é das coisas que mais orgulho me dá. É absolutamente esmagador quando penso bem nisso. Ser nomeado era muito provável e por vezes a mínima falha podia ser fatal e reconheço que não fui de todo infalível, e devo dizer que ter chegado ao fim sem ter estado em risco de expulsão é de um orgulho indiscritível e tenho uma gratidão imensurável ao público por isso.
Mas apesar de tudo o momento das expulsões era sistematicamente o mais difícil de ultrapassar na emissão, não só pelo suspende que construíam à volta dele mas também pelo quão imprevisíveis eram os resultados. Naturalmente houve pessoas que pela amizade enorme que criei me afetava particularmente vê-las nomeadas ou expulsas, e claro, mesmo como espetador do próprio programa ficava destroçado quando assistia a uma saída mais injusta. Mas tinha que levantar a cabeça, semana após semana porque essa era a natureza da competição.
Engraçado que achava sempre que nunca me iria emocionar em momentos de expulsão mas, em mais que uma ocasião, isso aconteceu.


M: Qual foi a interpretação em que sentiste que te conseguiste entregar totalmente, e mostrar aquilo que poderíamos esperar de ti no futuro?
J: A minha última atuação, o “Something” dos The Beatles. É aquela em que cada vez que revejo me emociono sempre, não só porque a própria música em si é maravilhosa mas porque é a atuação em que vejo que estou mais feliz. É a única que quando revejo não estou o tempo todo a apontar falhas, porque foi tão emocional e significou tanto para mim que descarto isso. Cada momento dessa atuação lembra-me o porque é que eu tenho de fazer música para o resto da vida. Nada me liberta daquela maneira e me faz encarar as pessoas com aquela determinação. E sem dúvida que será na linha daquele género musical que quero construir a minha carreira.

 

M: Qual foi o teu melhor e o teu pior momento enquanto concorrente do Ídolos?

J: Melhor momento? É difícil porque há muitos que me são especiais. A resposta fácil seria a vitória, mas esse momento em específico foi de tal maneira surreal que é difícil descrevê-lo aqui condignamente. Mas há um momento que tenho de apontar aqui que é bastante especial: a quarta gala em que cantei o “Reader’s Digest” do Miguel Araújo. Além de ter sido dedicada aos meus pais (e lembrar-me muito vivamente da reação positiva deles no estúdio), o que já por si torna o momento memorável, acho que foi o momento-chave no meu percurso como concorrente. A partir dali ninguém que via o programa tinha dúvidas de quem eu era.
Naquela atuação deixei definitivamente claro quem eu era como concorrente, como pessoa e como músico. A partir daí notei que o público, a imprensa e a crítica já me viam doutra forma. Nunca antes tinha visto tanta gente reagir a uma atuação minha. A partir daí apercebi me da “alhada” em que me meti (risos) e tinha de pegar na oportunidade de ouro que tinha e aproveitá-la da melhor maneira, e fiz por comunicar com o público através da música.Os piores momentos não aconteceram em palco mas sim nos bastidores e foi lidar com as críticas negativas dos cibernautas. Não que não estivesse à espera delas, porque estamos todos sujeitos a isso, mas é sempre difícil absorvê-las principalmente no momento de pressão que eu estava a viver. Confortei-me no apoio de quem estava comigo desde o primeiro dia, e sem eles talvez nunca tivesse ultrapassado isso tudo.

(continua)

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Publicado em Inominável nº 3
por Marta Segão, autora do blog Marta O meu canto e participante no blog Clube de gatos 

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