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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qua | 11.05.16

Comédia no cinema: é de morrer a rir!

O cinema como arte tem de tudo um pouco: romance, drama, ficção científica, suspense e obviamente comédia. E é curiosamente no riso que encontramos os primeiros grandes  sucessos do cinema. Desde muito cedo que o grande écran encontrou no humor uma forma de expressão ideal para passar mensagens.

O grande pioneiro terá sido Max Linder, logo seguido pelo eterno Charlie Chaplin. Todavia, o criador da simpática figura do Charlot teve ainda o especial condão de usar o humor como forma de intervenção. Muitos são os filmes onde aquela personagem exibe a sociedade da época através de um prisma humorístico, mas repleto de profundo sarcasmo.
Vieram outros, como Buster Keaton, que foi provavelmente um dos impulsionadores da verdadeira comédia do cinema. No pequeno filme que segue perceberão como nasceu a maioria das piadas que ainda hoje se usam! Na verdade, naquele tempo de cinema mudo, as expressões faciais e corporais eram deveras importantes.

Como é do conhecimento geral, o século XX trouxe à história mundial demasiados eventos terríveis. Duas guerras mundiais, crises financeiras, divisões do Mundo… enfim, um rol de péssimos acontecimentos. Talvez por isso (ou não!) as comédias tiveram obviamente muito sucesso. Era claramente necessário elevar a moral do povo.

E se alguns o fizeram com grande mérito, onde música, dança e algumas situações embaraçosas se misturam num cocktail quase perfeito, houve quem fizesse da comédia uma (quase) filosofia de vida. Olhemos então para o caso dos Irmãos Marx que com um conjunto de filmes fabulosos, misturando diversos tipos de personagens, conseguiram dar ao humor, até então supostamente um género menor, o realce e o valor dos grandes e bons filmes.
O excerto infra faz parte do filme “Uma noite na ópera” e a cena é simplesmente brilhante.

Entretanto nasciam as duplas de actores cómicos que tiveram enorme relevância. Primeiro foi a dupla Laurel e Hardy (Bucha e Estica), e mais tarde Abbot e Costello.

O cinema havia encontrado uma fórmula de grande sucesso. E os filmes cómicos surgiram uns atrás dos outros. Actores como o mexicano Cantinflas e o italiano Totò, a que se juntam Dean Martin e Jerry Lewis (mais uma dupla de sucesso), fizeram as delícias das multidões. Também Danny Kaye ou Bob Hope surgiram em filmes cómicos, já num pós-guerra. Sem esquecer Walter Matthau e Jack Lemmon.

A maioria destes actores cómicos, que o cinema idolatrou, foram muito mais tarde inspiradores de novos actores e realizadores.
Dentro destes últimos, Mel Brooks será quiçá o mais brilhante de todos os realizadores/actores. Dos diversos filmes destaco obviamente “Balbúrdia no Oeste”, com algumas partes de humor tipicamente nonsense. Aquele realizador fez um sem número de filmes, quase todos muito bons, de humor muito refinado e inteligente.

Os anos oitenta foram novamente pródigos em boas comédias. Uma delas foi mesmo premiada com Óscares. Trata-se da película “Quem tramou Roger Rabbit?”.

Uma mistura invulgar mas bem conseguida entre desenho animado e cinema de Hollywood.

Mas o futuro da comédia e do humor haveria de mudar. No mesmo ano de Roger Rabbit surge uma das comédias mais engraçadas dos últimos trinta anos e que dá pelo nome “Onde para a polícia?” tendo Leslie Nielsen como protagonista.

Uma comédia brilhante que teve grande sucesso originando duas sequelas, no entanto com menos êxito.
Os anos 90 trazem-nos dois filmes muito apreciados pelos amantes do bom humor. Trata-se de “Ases pelos ares”. Filmes bem conseguidos especialmente pelo seu humor também de nonsense e muita referência com graça a outros filmes.

Actualmente, o humor no cinema parece ter-se tornado fundamental. E não há realizador que não o use para ilustrar algumas partes dos seus filmes.

Mesmo Roberto Benigni no seu “A vida é bela” não deixou que o humor estivesse ausente no meio da trama e do drama. Deixa assim, nas palavras do seu filho Giosué, a grande frase:
“Ganhámos! Mil pontos! É de morrer a rir!”

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Publicado em Inominável nº 3
por José da Xã, autor dos blogs LadosAB e José da Xã 
e participante nos blogs O Bom, o Mau e o FeioA Três Mãos e És a nossa Fé!

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