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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Qua | 13.01.16

Colunista acidental nº 1

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ILHAS

Surgidas das entranhas de Vulcano

Elevam-se das ondas dos oceanos

- Encostas bordejadas por levadas -

Montanhas, que contrastam a beleza

Agreste, que lhes deu a Natureza,

Com flores, por socalcos derramadas.

 

Milénios são passados, desde os tempos

Que contam que, fugindo aos seus tormentos,

Os deuses se escondiam muitas vezes.

Por certo procuravam nestas ilhas

- Cercados por imensas maravilhas -

Carpir, ou lamentar, os seus revezes.

 

Talvez por isso Ulisses navegasse

Num rumo, que ao Olimpo o transportasse,

Além do mar sem fim, a todo o pano;
Mas fora, por Destino, já traçado,

Ser este paraíso reservado

A povo mais ilustreO Lusitano! 

 

Assim, ao ser chegada a sua hora,

Os deuses resolveram ir embora

Fazendo aos portugueses o legado.

Por cá ouvem-se agora serenatas

Cantadas, em levadas e cascatas,

Por ninfas, em dolentes tons de fado.

 

POVO 

Um povo tão pequeno, foi gigante,

Com força, que o fez ir adiante

Na saga, donde nascem os heróis,

Lançando esta Nação numa epopeia,

Tão grande, que ninguém fazia ideia,

Que havia de brilhar como mil sóis.

 

Deixando-se levar numa aventura

Que sendo, embora, quase uma loucura,

Virou um povo inteiro para o mar,

Desde os que construíram caravelas

Aos que abasteceram e aos que nelas

Entraram e as fizeram navegar.

 

Saber que, descobrir um mundo novo,

Foi feito não dum homem, mas dum povo,

Que fez do navegar o seu destino,

Só pode deslumbrar-nos co' a memória

Dos homens de coragem, de que a História,

Nos fala, num relato genuíno.

 

E lemos que fizeram descobertas,

De terras povoadas e desertas,

Em ilhas, continentes, oceanos,

Que, sempre com arrojo  e força insana,

«Passaram muito além da Taprobana»

Em saga mais de deuses, que de humanos.

 

Seguindo, ora a pé, ora embarcados,

Em busca doutras gentes, doutros lados,

Entraram nesse mundo de Meu Deus;
Com fé e com coragem verdadeiras

Ousaram arriscar outras maneiras

De ter na terra mais visões dos céus.

 

E foram tantos séculos de sonhos,

De lutas contra monstros tão medonhos,

Que ousaram, com audácia, enfrentar,

Que ao ver a Cruz de Cristo numa vela

Já todo o oceano via nela

A força que o havia de domar.

 

Só quem venera o sonho dos antigos,

Relembras feitos seus, sente os perigos,

Pode evocar egrégios como amigos.

 

NATAL DISTANTE

Sabe Deus, quantos velhinhos

Andarão pelos caminhos

Neste tempo de Natal;

Sem que o mundo à sua frente

Lhes prometa que o presente,

Não seja sempre o normal.

 

Sabe Deus, quantas crianças

Perderam quaisquer esp'ranças

Neste "estado social",

Que alimenta só ladrões,

Compadres e até vilões,

Não vendo quem passa mal.

 

Se o valor das Fundações,

Em vez de manter burlões,

Fosse dado a quem precisa;

Era o país mais honrado,

Não punha os pobres de lado,

Mostrando uma acção concisa.

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