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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Seg | 13.03.17

Cardiff e Exeter (i)

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Olá a todos!

Estamos num novo ano, mas como prometido vou falar de um passeio feito o ano passado até ao país de Gales, que fica bem perto da cidade onde moro, que é como quem diz, a cerca de uma hora e meia de distância de carro. Boas estradas e sem portagens, e em menos de nada estamos num outro país, que apesar de falar a língua inglesa tem a sua própria língua, o galês, que se traduz em algo absolutamente incompreensível. Poderíamos pensar que essa língua não é assim tao falada nos dias de hoje… errado! 33% da população entende o dialeto. Um pouco por todo o lado ouvíamo-lo nas ruas e víamo-lo escrito em cada canto.
Algo que me encantou foi a serenidade de Cardiff, capital do país. Grande, movimentada, contudo parecia um oásis de calmaria, sem stress ou pressas, com imensos espaços verdes.

Bem no centro da cidade está o castelo medieval, erigido pelos invasores da Normandia no século XI. 

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Evidentemente estava nos planos ir conhecer o castelo, e eu mal podia esperar para entrar, mas estava deleitada apenas por caminhar naquela zona da cidade, num cenário que encaixava perfeitamente o passado e o presente lado a lado, como se não houvesse linha do tempo e duas dimensões fizessem a fusão, ao invés de viverem numa realidade paralela.

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A beleza do castelo é inquestionável, mas o que mais me tocou e emocionou foi caminhar pelos túneis gelados e com um vago cheiro a mofo. 

Estes tuneis serviram como refúgio dos bombardeamentos aéreos na Segunda Guerra Mundial, e eram agora recriados os sons dos mesmos, enquanto víamos os objetos e pormenores que nos contavam a história daqueles que lá viveram dias de medo e aflição; as camas, as cozinhas com os seus tachos e panelas, tijelas e canecas, como que prontos a serem servidos e utilizados, tudo improvisado e cumprindo o seu propósito na altura. Mas não podemos deixar de imaginar o que aquelas pessoas sentiram, o que teriam já perdido com aquela guerra ou aquilo que ainda iriam perder depois…

 

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Uma outra coisa que me impressionou, como amante de livros que sou, foi a biblioteca ainda com o mobiliário original e livros antigos. As paredes ricamente ornamentadas com pinturas, metros de prateleiras iluminadas por uma fantástica luz solar, as cores da madeira com as das capas dos livros, os bustos e os lustres, a lareira enorme… Depois de passar por salões e divisões de extremo luxo e beleza, a biblioteca foi o meu canto preferido, embora eu tema pelas condições de preservação de todos aqueles livros, para mim relíquias. Lembro-me de me dirigir a uma funcionária e perguntar algo sobre os livros; numa demonstração de simpatia e na extrema tentativa de se mostrar prestável, ela pegou num deles e folheou-o à nossa frente, manipulando-o como se fosse a 347ª edição de um qualquer livro sobre não-sei-quantas sombras de não-sei-quem.

 

E enquanto ela falava olhávamos para o livro, aquele em particular com mais de 150 anos, receosos de que o papel se desfizesse naquelas mãos inconscientes. Então era assim, as pessoas que ali trabalhavam pareciam não ter consciência do privilégio desse facto, mas no fundo isso é natural quando nos habituamos numa base diária ao que nos rodeia… Não sendo esse o nosso caso, continuámos a visita àquele maravilhoso castelo medieval, agora pertencente, por doação, à cidade de Cardiff após a morte do Marquês (o proprietário) em 1947 e sendo um importante marco turístico, deliciando-nos com o seu estilo gótico e romântico.

Visitámos também o Museu de História Natural, de entrada gratuita como todos os museus nacionais, e passeámos pelas ruas e jardins de uma cidade fervilhante de atividade e boa energia… Foi um dia maravilhoso do qual trouxemos ótimas recordações, como muitos outros que por aqui passámos.

(continua)

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Publicado em Inominável nº 6
por Inês Rocha, autora do blog Alquimia do Momento

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