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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

Seg | 18.01.16

A Décima Arte? #1

Há muito que se desenrola o debate nas internets (já que o pessoal que joga videojogos nunca põe os pés na rua) sobre se os videojogos podem ou não ser considerados arte. No momento em que redijo este texto, o Wikipédia brasileiro classifica os videojogos como a Décima Arte, por comparação à Sétima Arte.

Eu não tenho a certeza se tal afirmação estaria correcta. Não consigo arranjar argumentos suficientes para convencer qualquer pessoa dessa hipótese. Consigo, no entanto, expressar a minha opinião. Veredicto final: eu não considero os videojogos arte.

Cuidado, pois o português é uma língua traiçoeira... Eu disse que não considero os videojogos arte, mas isso é apenas porque tal afirmação é demasiado geral. Vou tentar frasear a minha opinião de maneira diferente: considero que os videojogos têm todo o potencial para serem arte, mas nem todos conseguem sê-lo.

Assumamos por agora, para efeitos de simplicidade de escrita, que os videojogos são, de facto, arte. Um aspecto interessante desta arte é como ela usa um bocadinho de todas as outras artes anteriores e posteriores. Certamente não é a primeira a fazer isso; eu argumentaria que o cinema utiliza várias outras artes para o seu fim, complementando-o com as técnicas específicas à produção de um filme. Eu gostaria de dar uma ideia mais clara do que estou a dizer dando exemplos concretos. Vamos então analisar, segundo uma certa lista, a utilização das várias artes nos videojogos: Música, Artes Cénicas (aglomerado de Dança, Teatro, etc.), Pintura, Arquitectura, Escultura, Literatura e Cinema.

Música.

Esta é a mais difícil para dar exemplos, mas por excesso deles e não por falta. Quase todos os jogos têm uma banda sonora de algum tipo, sendo esta uma mania que vem desde os anos 80. É claro que a qualidade da música tem vindo a aumentar, em particular desde os anos 90, na minha opinião. Eis que aparece como primeiro exemplo um jogo de pinball que eu jogava quando era puto: Pinball Fantasies. Um dos níveis, lugubremente denominado "Stones and Bones", tinha como tema uma casa assombrada, e apesar de a música ser electrónica, parece-me ter influências claramente "Bachianas" (a música não é contínua porque o vídeo mostra todas as músicas que podiam ser tocadas ao jogar). 

O melhor estaria para vir. Começaram a colocar orquestras inteiras a tocar os temas compostos às vezes por compositores famosos. Dá uma pica totalmente diferente ganhar o jogo com a secção de sopro aos berros atrás das nossas acções heróicas. Mas há lugar para tudo, até músicas mais calmas, como é o caso de Across the Bog, uma música do jogo de estratégia Rise of Nations, que soava principalmente quando um jogador estava a construir e fazer prosperar a sua nação. 

Mas a música pode fazer parte integrante do jogo, no sentido de ser utilizada na própria jogabilidade, como demonstro com este vídeo do jogo Guitar Hero, com a música Godzilla dos Blue Öyster Cult (contextualizando: o objectivo é carregar em botões coloridos à medida que aparecem). 

Autoria: Rei Bacalhau que participa no blog O Bom, o Mau e o Feio publicado na Inominável nº 1

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