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Revista Inominável

A revista para lá da blogosfera!

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28
Mar17

Tudo pelos Animais

Inominável

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Muito se fala acerca da protecção animal, especial-mente desde que o assunto passou a ocupar as páginas dos jornais e entrou nas agendas políticas de alguns partidos. As redes sociais também têm ajudado a que este tema passasse a ser mais divulgado e a que muito mais pessoas se apercebessem do que se passa um pouco por todo o lado. 

 

Basta abrirmos o Facebook para deparamos com inúmeros casos de abandono, atropelamentos, ninhadas não desejadas largadas no lixo, maus tratos de donos incompetentes e acima de tudo a dificuldade crescente de quem não consegue ficar indiferente ao sofrimento animal. Não há quem não se alegre quando vê um resgate bem-sucedido ou a notícia de mais um animal que saiu das ruas, onde estão sujeitos a todos os perigos. Mas - e há sempre um mas… - e depois?


A verdade é que não existem casas para todos os animais que nascem neste país e a esterilização, estranhamente, ainda é um assunto tabu para grande parte da população, pelo que todos os dias surgem novas ninhadas que vão engrossando o número de animais que precisam de ser cuidados.
Os canis municipais são, a maior parte deles, depósitos de animais sem quaisquer condições, onde grassa a doença e onde muitos e muitos animais acabam por ser mortos quantas vezes apenas para dar lugar a outros. Basta um animal ser mais velho ou precisar de cuidados veterinários para ser abatido.
As associações, que vivem da boa vontade dos voluntários e dos donativos que vão angariando, já ultrapassaram há muito a sua capacidade e lutam todos os dias com a impossibilidade de proporcionar cuidados dignos aos animais que tentam proteger. E os chamados protectores, gente que não consegue ignorar a fome ou a doença de um animal desprotegido, não têm fundos ilimitados.

 

O Tudo Pelos Animais, grupo de solidariedade animal criado no Facebook, nasceu da consciência de tudo o que atrás foi exposto e visa, primariamente, acorrer a necessidades urgentes de alimentação a abrigos e particulares tentando, pela quantidade, adquirir ração directamente às fábricas que a produzem, rentabilizando ao máximo os donativos que recebem, donativos estes que lhes são entregues pelos amigos do grupo e graças aos apelos que vão fazendo através da página.


Em cerca de 3 anos, desde que iniciaram o projecto, conseguiram comprar mais de 30 toneladas de ração a um preço mais baixo que o do mercado, que distribuíram por várias associações e protectores particulares, contribuindo efectivamente para aliviar um pouco o esforço de quem não desiste desta luta inglória. Paralelamente, recolhem e distribuem mantas, casotas, camas, medicamentos, tudo o que possa ser reutilizado pelos animais e contribuem sempre que possível para o pagamento de cirurgias de animais errantes entregues a associações ou contas de veterinários em casos particulares extremos.

 

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O Tudo Pelos Animais nasceu de um projecto pessoal, mais uma vez provando que qualquer um de nós pode realmente fazer a diferença. Basta dar o primeiro passo e encontrarmos outras vontades que se lhes queiram juntar.

Por quem não se pode defender, com eles, por eles, Tudo pelos Animais

 

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COMO AJUDAR

Consegues dispensar 5€/mês? Ou qualquer outra quantia?
Junta-te ao Tudo Pelos Animais e ajuda-os a ajudar quem mais precisapaw banner.jpg

Donativos
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IBAN: PT50-0023-0000-45437941152-94
BIC/SWIFT: BCOMPTPL

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E-mail: cremilde.marques@gmail.com
FB: Tudo Pelos Animais

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Publicado em Inominável nº 6

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24
Mar17

Carnaval

Inominável

Escarlate sentou-se, por fim. As luzes ao longe contrastavam aguçadamente com a escuridão que a cercava. A ela e à rapariga.


A rapariga, Ignis, caminhava de um lado para o outro, umas vezes manobrando distraidamente o punhal que trazia, outras lançando pequenas chamas para o chão, vendo a neve a derreter a seus pés quando entrava em contacto com o fogo. Era mais impaciente do que Escarlate, menos resignada e daria tudo para estar no centro da vila, em vez de estar ali.


Dali a pouco Escarlate seria substituída pela guardiã de Ignis, e o seu turno ficaria completo por aquela noite. Ignis, por sua vez, tinha ainda algumas horas à sua frente antes de poder juntar-se à festa de Carnaval no centro da vila, que costumava durar até de manhã.


O som de passos na neve deixou Ignis em alerta, mas antevendo a forma da sua guardiã por entre as sombras, não se sobressaltou.


Escarlate levantou-se, passou a sua própria lança e espada a Sora e sorriu para Ignis.


- A festa está longe de terminar. – Apontou.


Como que sublinhando a afirmação de Escarlate, a música pareceu subir de tom, mas talvez tenha sido apenas causado pelo silêncio a que as três mulheres se remeteram, de forma a ouvirem o ruído que vinha de longe.


Sora sorriu.


- É Carnaval e o Carnaval não tem exactamente um fim. Vai-se arrastando até ao ano seguinte.


De certa forma, era verdade. Demorava semanas até as decorações das casas serem retiradas, os doces que se distribuíam nessa noite continuavam a ser partilhados durante meses, e à medida que o ano ia passando e um novo Carnaval se anunciava, o rumor ia subindo de tom até ser de novo hora de festejá-lo. Não havia máscaras neste Carnaval; havia magia.


Escarlate bocejou, tocou no ombro de Ignis, num gesto que era ao mesmo tempo de carinho e encorajamento, e despediu-se. Pensou em passar pela festa antes de se recolher, mas estava demasiado cansada e os seus pés acabaram por arrastá-la para o caminho de volta a casa.


Sora guardou a espada no cinto, espetou a lança na neve e estendeu as duas mãos fechadas na direcção de Ignis, incitando-a a optar. A rapariga olhou para a sua guardiã e em vez de indicar com um dedo a mão que escolhia, fez com que as suas próprias mãos irrompessem em chamas, pousando-as sobre as de Sora, que arquejou, sorvendo o ar frio da noite. Ignis riu quando Sora abriu a mão esquerda, agora suja com o chocolate que derretera. Depois, fechou as mãos flamejantes e estas voltaram à sua cor normal, pálida.


Todas as noites havia dois responsáveis a guardar a entrada de Aperus. Os habitantes da vila revezavam-se; novos ou velhos, possuía cada um o que era necessário para proteger aquele pedaço de terra no topo do mundo. Para começar, tinham fogo que lhes saía das mãos com facilidade, que os aquecia e iluminava. Depois, como protecção e, quando necessário, como arma, tinham as lanças e as espadas ou punhais, os paus ou os arcos, de acordo com o que mais lhes aprouvesse. Alguns – como Sora e Escarlate tinham feito – partilhavam armas, por não terem preferência. Ignis elegia o punhal: era perita a manejá-lo contra qualquer inimigo que se aproximasse o suficiente para que ela o apunhalasse, e a atirá-lo de forma certeira para o mesmo efeito a quem não se atrevesse a chegar perto.

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O inimigo só sabia que era o inimigo quando já era tarde demais para ser outra coisa qualquer.

A princípio, escutando em silêncio os distintos barulhos da noite, não notaram um leve ruído de passos a subir a montanha. Foi já quando um rosto – onde só se distinguia practicamente o branco dos olhos no emaranhado de trapos sujos que parecia cobri-lo dos pés à cabeça – assomou no topo da montanha que Sora se levantou, mas Ignis chegou lá primeiro: a parte romba do punhal, o cabo negro robusto de madeira esculpida, acertou em cheio no peito do desconhecido. Por momentos ela conseguiu ler nos olhos dele surpresa e dor; depois, ele levou a mão ao peito e caiu inerte com um baque surdo no chão alvo.

 

Sora guardou a espada no cinto, espetou a lança na neve e estendeu as duas mãos fechadas na direcção de Ignis, incitando-a a optar. A rapariga olhou para a sua guardiã e em vez de indicar com um dedo a mão que escolhia, fez com que as suas próprias mãos irrompessem em chamas, pousando-as sobre as de Sora, que arquejou, sorvendo o ar frio da noite. Ignis riu quando Sora abriu a mão esquerda, agora suja com o chocolate que derretera. Depois, fechou as mãos flamejantes e estas voltaram à sua cor normal, pálida.


Todas as noites havia dois responsáveis a guardar a entrada de Aperus. Os habitantes da vila revezavam-se; novos ou velhos, possuía cada um o que era necessário para proteger aquele pedaço de terra no topo do mundo. Para começar, tinham fogo que lhes saía das mãos com facilidade, que os aquecia e iluminava. Depois, como protecção e, quando necessário, como arma, tinham as lanças e as espadas ou punhais, os paus ou os arcos, de acordo com o que mais lhes aprouvesse. Alguns – como Sora e Escarlate tinham feito – partilhavam armas, por não terem preferência. Ignis elegia o punhal: era perita a manejá-lo contra qualquer inimigo que se aproximasse o suficiente para que ela o apunhalasse, e a atirá-lo de forma certeira para o mesmo efeito a quem não se atrevesse a chegar perto.


O inimigo só sabia que era o inimigo quando já era tarde demais para ser outra coisa qualquer.
A princípio, escutando em silêncio os distintos barulhos da noite, não notaram um leve ruído de passos a subir a montanha. Foi já quando um rosto – onde só se distinguia practicamente o branco dos olhos no emaranhado de trapos sujos que parecia cobri-lo dos pés à cabeça – assomou no topo da montanha que Sora se levantou, mas Ignis chegou lá primeiro: a parte romba do punhal, o cabo negro robusto de madeira esculpida, acertou em cheio no peito do desconhecido. Por momentos ela conseguiu ler nos olhos dele surpresa e dor; depois, ele levou a mão ao peito e caiu inerte com um baque surdo no chão alvo.

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Publicado em Inominável nº 6
por Carina Pereira autora do blog Contador d'Estórias

 

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23
Mar17

O que ler a seguir

Inominável

Escolher o próximo livro nem sempre é uma opção linear.
Eu sei, soa um pouco ridículo, afinal é só ir à estante e tirar um dos livros por ler.
Se estão para ler é porque a estante os recebeu por serem leituras desejadas, e o que importa a ordem de leitura se todos estão ali para o mesmo?

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Na estante das pessoas que compram livros à medida do seu ritmo de leitura esta questão é, realmente, descabida. Mas nas estantes (sim, várias estantes) das pessoas que acumulam livros porque não conseguem não o fazer, a escolha da próxima leitura implica toda uma decisão sobre prioridades.
E sim, esse drama existe na vida desta vossa amiga.


Muitas vezes é ainda durante a leitura em curso que a dúvida começa a assolar-me. À medida que o número de páginas restantes diminui, os olhares que lanço à estante deixam de ser meras observações (adorações, vá) para se converterem na angústia de decidir o senhor que se segue. Como optar? Como escolher apenas um, se a sofreguidão de ler todos assume contornos doentios? Respiro fundo e bebo um copo de água. Não serve de nada, mas mal não faz. Tento focar-me. A presente leitura ainda está em curso e não posso dispersar-me a ponto de não acompanhar convenientemente os desenvolvimentos. Não me faltava mais nada do que chegar à última página e não perceber o fim, porque me detive a orientar decisões sobre o livro seguinte no momento decisivo da trama. Já aconteceu. A decisão sobre o livro seguinte foi adiada. Voltei, claro, a reler o final do livro com a cabeça no lugar, isto é, no livro.


Mas, e para complicar um pouco, as minhas opções não se resumem aos livros da estante. Como leio sempre vários livros ao mesmo tempo (apesar de, sim, haver um que assume o papel do “principal”), pode dar-se o caso de, terminado um, seguir para outro já iniciado. E aqui volto à pescadinha de rabo na boca. Prosseguir para qual? Deito uma olhadela às lombadas na mesinha de cabeceira e, inevitavelmente, chego à conclusão que alguns dos livros moram lá há tempo demais. A situação assume contornos tais que às vezes já nem me lembro de que tratam tais livros. Pois é, eu assumo que deixo livros a meio, mas não é um processo fácil, é muitas vezes um desmame doloroso. Mas chega sempre o dia da limpeza.

Além dos livros por ler e dos livros a meio, tenho também os livros emprestados. Esses convém ler primeiro para fazer boa vizinhança e devolver aos donos o mais rápido possível. Imagino que se estejam a questionar para que quero eu livros emprestados. Já vos estou a ver desse lado a franzir as testas. Pois é uma pergunta válida para a qual eu tenho uma resposta perfeitamente lógica. Pelo menos na minha cabeça. Poupança é o motivo imediato. Para quê gastar dinheiro se posso ler sem comprar? É claro que é melhor ler um livro nosso, não exige tantas cautelas e pode-se sublinhar e fazer anotações (sim, eu pertenço a esse grupo de monstros). Mas essa não é a única razão para morarem livros emprestados cá em casa. Há pelo menos mais duas. Começo pelo “pedir um livro sem pensar”. Sou muitas vezes apanhada no calor do momento, significa que, quando alguém me fala de um livro com entusiasmo só há uma palavra que se forma na minha cabeça: “QUERO!” E verbalizo, ou seja, peço emprestado sem pensar que já há uma pilha de livros emprestados em casa. A outra razão é mais cruel. Acontece quando são os amigos que me obrigam a aceitar o empréstimo, os malvados! Na verdade, nem precisam de insistir por aí além, um simples “tens de ler” basta para me levar à certa.

 

Bom, mas com tantas hipóteses a ponderar a leitura seguinte continua por decidir. Chego a seleccionar um pequeno grupo de livros e leio o início de cada um deles. O que me agarrar ganha. Nem sempre se verifica esse agarramento, o que representa todo um outro drama. Deitar à sorte também é uma opção, assim como pedir a opinião do marido (enfim, mais ou menos como deitar à sorte).

 

Contudo, nem sempre me submeto a este processo cansativo. Vezes há em que um livro me escolhe. E isso, caros amigos leitores, é um processo milagroso que não posso explicar, mas que afianço ser garantia de uma leitura perfeita (ou perto disso).


Sobre os livros que nos escolhem guardo, acima de tudo, uma sensação de leveza e alívio por não ter de me consumir com decisões. E algumas histórias. Conto-vos da próxima vez.

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Publicado em Inominável nº 6

por Márcia Balsas, autora do blog Planeta Marcia

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22
Mar17

Miguel Ângelo (ii)

Inominável

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O Papa Júlio II incumbiu Miguel Ângelo da pintura do teto da Capela Sistina, que deve o seu nome ao Papa Sisto IV. A capela é usada para reuniões do Colégio dos Cardeais destinadas a eleger novos Papas, o conclave, e também para as cerimónias da Semana Santa. Entre 1508 e 1512 Miguel Ângelo realizou a difícil obra, uma prova de resistência e assombrosa criação. As formas de Miguel Ângelo são dotadas de força escultórica e ímpeto plástico próprio. Os frescos são uma obra monumental. O artista criou nove cenas bíblicas, referindo-se ao Velho Testamento e mostrando a Criação do Mundo, a Criação do Homem, a Descoberta do Pecado, a Expulsão do Paraíso e o Dilúvio Universal. 

Em 1534 Miguel Ângelo voltou novamente à Capela Sistina, onde pintou o Juízo Final na parede do altar.

Poderia ficar horas a absorver cada pormenor das figuras pintadas na Capela Sistina. Tive sorte, pois tendo estado lá em Dezembro não havia um “mar de turistas” excessivo, como acontece durante a maior parte dos meses do ano.

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Em 1547, o Papa Paulo III nomeou Miguel Ângelo arquiteto-chefe da Basílica de São Pedro. Nessa época, Miguel Ângelo construiu diversas obras arquitetónicas, entre elas a Praça do Capitólio, ladeada pelos Palácios dos Conservadores e dos Senadores. Entre 1561 e 1564 edificou a Igreja de Santa Maria degli Angeli. Durante a criação destas obras o artista conduziu os trabalhos da Basílica de São Pedro, edificando-lhe a grandiosa cúpula. Miguel Ângelo morreu antes de completar as obras da basílica, aos 89 anos, no dia 18 de Fevereiro de 1564.
Miguel Ângelo era introvertido e nostálgico, mas ao mesmo tempo emotivo e entusiástico. Viveu uma vida moderada, no meio dos seus trabalhos. Preferia a solidão, mergulhado na criação artística. Considerava-se acima de tudo um escultor. De facto, até a sua pintura demonstra a marca do seu talento como escultor. Miguel Ângelo definiu a escultura como a “arte de representar a matéria”. Ao esculpir o mármore, o seu material de eleição, da frente do bloco para a parte posterior, acreditava estar a libertar uma figura aprisionada dentro da pedra. Essa “figura” era a ideia que preexiste no pensamento do artista/criador. Ele dissipou a estabilidade e a rígida harmonia do Renascimento. Não hesitava em distorcer a anatomia humana e as formas arquitetónicas, em favor da manifestação de emoções.
É um sentimento único ver o trabalho magnífico de Miguel Ângelo. Espero num futuro breve conseguir ver as restantes obras que ele deixou para a posteridade.

Bibliografia: CLEMENTS, Robert J. Michelangelo`s Theory of Art; DELOGU, G. Miguel Ángel: escultor, pintor y arquitecto

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Publicado em Inominável nº 6
por Alexandra Coelho

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21
Mar17

Miguel Ângelo (i)

Inominável

Esta280725198_ffe073f146.jpg minha “viagem” teve o seu ponto de partida no início do ensino secundário, mais concretamente na disciplina de História de Arte. A beleza das artes plásticas é algo que se sente e se vê. Este sentimento foi aumentando com o passar da aprendiza-gem, com o estudo de vários autores/artistas, de cada obra que me foi dada a conhecer. Cada um de nós tem os seus artistas preferidos, as correntes artísticas com que nos identificamos mais e obras plásticas que nos fazem sentir intensamente.


O artista plástico de quem irei falar neste primeiro artigo é Miguel Ângelo. Um dos maiores artistas plásticos de sempre. Sou uma apaixonada pelas suas obras, esculturas, pinturas, desenhos, construções arquitetónicas, ou seja, por tudo que ele representa e por tudo o que ele criou. Passados alguns anos, pude finalmente contemplar a grandiosidade e beleza de algumas obras de Michelangelo. Sinto me uma privilegiada por isso.


A criação artística de Miguel Ângelo é sempre uma explosão de sentimentos. Ele conduz-nos ao centro da sua criação, transmitindo-nos uma grande segurança. Mostra-nos a sua personalidade e independência absoluta. Miguel Ângelo acreditava que a sensibilidade para entender e ver a beleza era um elemento fundamental ao artista criador.

Michelangelo Buonarroti nasceu no dia 6 de Março de 1475 em Caprese. Passadas poucas semanas do seu nascimento a família regressou a Florença, de onde era originária. Desde muito cedo demonstrou uma grande ambição artística. A sua primeira formação artística foi em 1488 na oficina de Domenico Ghirlandaio. Em 1489 passou a estudar escultura com Bertoldo di Giovanni, graças ao mecenato de Lourenço de Medici, o Magnífico. Governante respeitado e patrono das artes, transformou o seu palácio em morada de artistas e filósofos. Miguel Ângelo foi para Roma em 1496, e aí esculpiu uma das suas grandes obras: a pedido de um cardeal francês, ele esculpiu “Pietà”, que se encontra na Basílica de São Pedro no Vaticano. Esta “Pietà” é um ponto fundamental na evolução espiritual do artista. Ele revelou ao mundo esta impressionante cena de dor, de amor materno e morte, com apenas vinte e dois anos de idade. Esta escultura demostra a sua personalidade e rompe com todas as formas escultóricas tradicionais. Com uma audácia própria, Miguel Ângelo coloca o corpo nu de Jesus sobre as pernas de sua mãe, surpreendentemente jovem. Ela parece petrificada pela dor, que se funde no seu rosto com uma expressão de quase doçura.


A harmonia espiritual e formal concede a esta escultura uma força quase sobre-humana. Miguel Ângelo consegue “libertar” estas duas figuras, tornando-as completamente reais. Posso dizer que estar perto desta escultura transmitiu-me serenidade absoluta. Por momentos senti, bem perto, a alma do artista.

  

Foi uma das grandes e importantes figuras do Renascimento. Apesar de ter perpetuado os Papas e figuras nobres para quem trabalhou, viveu sempre em oficinas onde dava vida às pedras, e modificava as paredes para sempre com cenas irrepreensíveis. Teve uma vida de trabalho árduo e contínuo. Viveu entre sujidade, tintas, ferramentas e pedras. O artista e a sua obra ficarão para a eternidade.

(continua)

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Publicado em Inominável nº 6
por Alexandra Coelho

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20
Mar17

Fotografar... #2

Inominável

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Uma fotografia pode transportar-nos para um imaginário, para sentimentos ou recordações. Mesmo uma fotografia mais purista, com domínio da técnica só será uma boa foto se nos transmitir algo.
No entanto, a fotografia não acaba no momento em que as cortinas se fecham e o sensor regista “o que viu”.

IMG_2923.jpgÉ precisamente aqui que reside a primeira grande decisão: qual o formato em que queremos guardar o nosso negativo digital? RAW (cru) ou JPEG (com compressão)? Pessoalmente não hesito, e escolho o formato RAW! O ficheiro JPEG está já altamente processado pela câmara e contém apenas, sensivelmente, 25% da informação da imagem. Na edição, se considerarmos o ficheiro JPEG, faltará a parte da informação que foi deitada no lixo. O RAW não tem esse handicap. No entanto, como em tudo, há um senão: é necessário muito mais espaço para guardar os dados. Por exemplo, para uma câmara de 20MP a mesma fotografia pode ter 5Mb se estiver em formato JPEG, e rondar os 25Mb no formato RAW. É uma opção que tem de ser tomada no momento da fotografia. Queremos ficar com apenas ¼ da informação, ou com a totalidade dos dados no nosso negativo?

 

A minha recomendação é de que fotografem sempre em formato RAW. Por ter fotografado algum tempo em formato JPEG, perdi a oportunidade de trabalhar algumas fotografias de modo a aprimorar o resultado final. Não esperem, como eu, por arrependimentos futuros, para que numa fase em que já dominem a fotografia e edição de imagem necessitem de dados que nunca chegaram a ter. Voltarei a este tema quando se abordar a edição fotográfica.

 

Uma das técnicas que nos permite transmitir sentimentos ou transportar-nos para os nossos imaginários é a velocidade de obturação. Podemos criar congelamentos perfeitos dos motivos, ou exposições prolongadas, recorrendo aos arrastamentos dos motivos ou dos enquadramentos da fotografia.


Antes de uma abordagem à fotografia de modo 100% manual (a acontecer em próximos artigos), vou explicar os modos pré-concebidos pelos fabricantes das vossas câmaras. Seja Canon, Nikon, Sony, Pentax ou qualquer outra marca, todas as SLR’s (*) têm um modo denominado de “Prioridade à Velocidade”. Ou seja, o fotógrafo define qual a velocidade pretendida para criar a sua fotografia, e a máquina decide qual a abertura necessária, em função da quantidade de luz, para efetuar o registo. Esse modo surge no seletor de programas com a designação Tv nas máquinas Canon e com a letra S nas restantes.

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Por exemplo, se quisermos efetuar um congelamento instantâneo do motivo, devemos utilizar uma velocidade de obturação elevada, de forma a garantir um bom detalhe em todos os pontos da fotografia. São bons exemplos a passagem de um avião a alta velocidade, o rebentamento das ondas contra as rochas, ou a queda de um pingo.

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Se por outro lado, queremos dar a sensação de arrastamento dos motivos, como nos casos de quedas de água, luzes de carros, ou nuvens, devemos optar por uma velocidade menor, expondo os motivos um pouco mais, de forma a criar uma suavidade de arrastamento. Nestes casos, recomendo a imobilização da câmara com recurso, por exemplo, a um tripé.

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Há que ter em atenção que tratando-se de um modo em que apenas controlamos uma das variáveis, podemos não conseguir o resultado tão desejado… há fotografias que só conseguimos obter quando, do nosso lado, controlamos todas as variáveis: o formato do ficheiro, a velocidade, a abertura, a sensibilidade, as distâncias focais e hiperfocais, etc. Ou seja, controlo total para o resultado perfeito.

No próximo texto abordarei o conceito da abertura do diafragma e a sua influência sobre o resultado final.

 

Até lá, boas fotos
(e não se esqueçam de as fazer em formato RAW!)

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(*)  SLR (Single Lens Reflex) refere-se a máquinas fotográficas com sistema de espelhos semi-automático e pentaprisma.

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Publicado em Inominável nº 6

por Gil Cardoso

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17
Mar17

Cores do Mundo (ii)

Inominável

CEMITERIO DE MIROGOJ

Zagreb, Croácia

É estranho pensar num cemitério como um local colorido, mas a verdade é que em Mirogoj, o maior cemitério da capital croata, a cor é o elemento dominante, e contribui para o seu carácter único.

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PORTO CERVO

Costa Esmeralda, Sardenha

Há influências gregas, espanholas e mouriscas na arquitectura de Porto Cervo, onde os tons da terra e do mar se misturam em harmonia perfeita.

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SARCHI

Alajuela, Costa Rica

As carretas (carros de bois) tradicionais, declaradas Património Imaterial da Humanidade pela Unesco, são o maior expoente da riqueza artesanal da Costa Rica.

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JUZCAR

Andaluzia, Espanha

Neste pueblo blanco, a cor rainha é o azul. Em 2011, as casas de Júzcar foram todas pintadas desta cor, numa manobra publicitária para o lançamento do filme “Os Smurfs” - e assim continuam até hoje.

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SANTA FE

Novo México, EUA

A herança índia e espanhola reflecte-se na cultura e no colorido desta cidade do sul dos Estados Unidos.

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MERCADO DOS LAVRADORES

Funchal, Madeira

No centro do Funchal, este famoso Mercado é fresco, animado e colorido. Há flores e frutas de todas as espécies, e é impossível resistir a provar (e comprar!) tantas delícias.

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CEMITERIO FELIZ DE SAPANTA

Maramures, Roménia

O nome diz tudo. É no norte da Roménia que está situado aquele que é certamente o cemitério mais original do mundo. Original e vibrante de cor, celebrando a vida dos que ali estão sepultados.

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AVEIRO

Portugal

Há quem lhe chame “a Veneza de Portugal” – pelos seus coloridos moliceiros, pelos edifícios Arte Nova em tons pastel, pelo canal que atravessa a cidade, e pela belíssima ria em que está inserida.

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Publicado em Inominável nº 6

por Ana CB autora dos blogs Viajar. Porque sim.Gene de traça, e
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16
Mar17

Cores do Mundo (i)

Inominável

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KLIMA

Milos, Grécia

Na aldeia piscatória mais bem conservada da ilha de Milos, as portas e janelas das antigas casas dos pescadores são uma explosão de cor junto ao azul-turquesa do mar Egeu.

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SIGHISOARA

Transilvânia, Roménia

Sighișoara é uma das cidades mais bonitas da Roménia, rica em história e em cores.

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CASAS DE HUNDERTWASSER

Viena, Áustria

O arquitecto Friedensreich Hundertwasser deixou a sua marca colorida em muitos lugares. Este conjunto de apartamentos em Viena e a sua antiga casa na mesma cidade (hoje um museu) são dois ícones do seu legado.

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BAZAR DAS ESPECIARIAS

Istambul, Turquia

Também conhecido como Bazar Egípcio, é um mundo de cor e cheiros no coração de Istambul.

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CEMITERIO DE MIROGOJ

Zagreb, Croácia

É estranho pensar num cemitério como um local colorido, mas a verdade é que em Mirogoj, o maior cemitério da capital croata, a cor é o elemento dominante, e contribui para o seu carácter único.

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PORTO CERVO

Costa Esmeralda, Sardenha

Há influências gregas, espanholas e mouriscas na arquitectura de Porto Cervo, onde os tons da terra e do mar se misturam em harmonia perfeita.

(continua)

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Publicado em Inominável nº 6

por Ana CB autora dos blogs Viajar. Porque sim.Gene de traça, e
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14
Mar17

Cardiff e Exeter (ii)

Inominável

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Uma outra cidade que gostamos de visitar fica também perto de casa e proporciona sempre um passeio agradável e um almoço fora da rotina. Falo de Exeter, que surgiu primeiro como cidade romana, após a chegada dos romanos ao Southwest, por volta de 50 a.C. Foi construído um forte em madeira, e foi a partir do lugar desse forte que foi erigida mais tarde a cidade, após a partida dos soldados romanos, que no entanto não tinham conhecido grande resistência da parte da tribo celta que lá habitava originalmente. 

Existiam também os banhos públicos romanos, onde as pessoas não tomavam apenas banho, aquele espaço era a rede social da época em que as pessoas conviviam.

Ruínas destes banhos romanos foram encontradas por baixo da catedral da cidade em 1971, em boas condições, aquando das escavações para a construção de um parque de estacionamento subterrâneo.
Hoje em dia, em redor desta catedral muitas pessoas se estendem na relva em dias de sol (não tem necessariamente de ser um dia de calor, basta que haja sol). Ela impressiona-nos, como todas as catedrais, pela sua grandiosidade e beleza arquitetónica, tornando-se o epicentro de uma atividade fervilhante em seu redor, com restaurantes, gelatarias e esplanadas.

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E foi assim que lá fui de propósito para regressar ao restaurante italiano Bella Italia, que descobrimos em Londres na última noite do ano passado.

Posso afirmar sem sombra de dúvida que é o melhor restaurante italiano onde entrei, considerando que nunca visitei Itália. Que delícia, Mamma mia! Para além das pastas e risottos que servem, têm pizzas – esse prato típico servido em fatias que a mim nunca me fascinou e sempre considerei mais como um snack do que como uma refeição decente… até ver e provar a pizza do Bella Italia: a melhor da minha vida!

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Com brócolos, camarão e salmão, mozarela cremoso, e um travo algo picante mas imediatamente suplantado por outro algo doce… a conjugação perfeita de sabores e texturas, a ser acompanhada por uma taça de vinho tinto. Atendimento rápido e competente, pessoal extremamente simpático, em especial a jovem que atendeu o nosso pedido, de nacionalidade espanhola e que se despediu com um simpático “obrigado”, dando-nos ainda mais vontade de regressar após tal acolhimento, como se a gula não fosse já motivo suficiente!

Parando com a divagação gastronómica, regresso à cidade e à sua história para vos falar de Rougemont Castle (nome assim dado devido à cor vermelha das suas pedras). 

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Este é o castelo histórico de Exeter, construído no lado norte das muralhas romanas. Este castelo é mencionado na obra de Shakespeare “Ricardo III”, numa referência à visita deste rei a Exeter em 1483. O tribunal de Devon (o distrito) localizou-se neste castelo por volta de 1607, e as três bruxas de Devon (as ultimas pessoas em Inglaterra a serem executadas na forca por bruxaria) foram aqui julgadas.

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Devido ao tribunal aqui ter existido desde essa altura até 2004, houve enormes mudanças no seu interior, incluindo o desaparecimento de paredes, tendo sido vendido finalmente a um empreendedor que queria transformar o sítio no “Covent Garden do Southwest”.

Hoje em dia a fachada é o que sobrevive com a aparência original, e em seu redor existem parques públicos mantidos pelo estado.

Em suma, e após tudo o que vos contei, em todas as cidades e localidades de Inglaterra encontramos uma história ou particularidade, espelhando a riqueza histórica e cultural de um continente tão lindo e antigo, do qual fazemos todos parte. Adoro ser portuguesa, encanta-me tudo o que descubro em Inglaterra e anseio por conhecer mais de outros países…mas, acima de tudo, sinto-me feliz por ser europeia! Embora, já lá diz o ditado, nem tudo sejam rosas, e existam muitas coisas que são “para inglês ver”... mas isso fica para a próxima edição!

See ya soon!

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Publicado em Inominável nº 6
por Inês Rocha, autora do blog Alquimia do Momento

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13
Mar17

Cardiff e Exeter (i)

Inominável

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Olá a todos!

Estamos num novo ano, mas como prometido vou falar de um passeio feito o ano passado até ao país de Gales, que fica bem perto da cidade onde moro, que é como quem diz, a cerca de uma hora e meia de distância de carro. Boas estradas e sem portagens, e em menos de nada estamos num outro país, que apesar de falar a língua inglesa tem a sua própria língua, o galês, que se traduz em algo absolutamente incompreensível. Poderíamos pensar que essa língua não é assim tao falada nos dias de hoje… errado! 33% da população entende o dialeto. Um pouco por todo o lado ouvíamo-lo nas ruas e víamo-lo escrito em cada canto.
Algo que me encantou foi a serenidade de Cardiff, capital do país. Grande, movimentada, contudo parecia um oásis de calmaria, sem stress ou pressas, com imensos espaços verdes.

Bem no centro da cidade está o castelo medieval, erigido pelos invasores da Normandia no século XI. 

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Evidentemente estava nos planos ir conhecer o castelo, e eu mal podia esperar para entrar, mas estava deleitada apenas por caminhar naquela zona da cidade, num cenário que encaixava perfeitamente o passado e o presente lado a lado, como se não houvesse linha do tempo e duas dimensões fizessem a fusão, ao invés de viverem numa realidade paralela.

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A beleza do castelo é inquestionável, mas o que mais me tocou e emocionou foi caminhar pelos túneis gelados e com um vago cheiro a mofo. 

Estes tuneis serviram como refúgio dos bombardeamentos aéreos na Segunda Guerra Mundial, e eram agora recriados os sons dos mesmos, enquanto víamos os objetos e pormenores que nos contavam a história daqueles que lá viveram dias de medo e aflição; as camas, as cozinhas com os seus tachos e panelas, tijelas e canecas, como que prontos a serem servidos e utilizados, tudo improvisado e cumprindo o seu propósito na altura. Mas não podemos deixar de imaginar o que aquelas pessoas sentiram, o que teriam já perdido com aquela guerra ou aquilo que ainda iriam perder depois…

 

003.jpg

Uma outra coisa que me impressionou, como amante de livros que sou, foi a biblioteca ainda com o mobiliário original e livros antigos. As paredes ricamente ornamentadas com pinturas, metros de prateleiras iluminadas por uma fantástica luz solar, as cores da madeira com as das capas dos livros, os bustos e os lustres, a lareira enorme… Depois de passar por salões e divisões de extremo luxo e beleza, a biblioteca foi o meu canto preferido, embora eu tema pelas condições de preservação de todos aqueles livros, para mim relíquias. Lembro-me de me dirigir a uma funcionária e perguntar algo sobre os livros; numa demonstração de simpatia e na extrema tentativa de se mostrar prestável, ela pegou num deles e folheou-o à nossa frente, manipulando-o como se fosse a 347ª edição de um qualquer livro sobre não-sei-quantas sombras de não-sei-quem.

 

E enquanto ela falava olhávamos para o livro, aquele em particular com mais de 150 anos, receosos de que o papel se desfizesse naquelas mãos inconscientes. Então era assim, as pessoas que ali trabalhavam pareciam não ter consciência do privilégio desse facto, mas no fundo isso é natural quando nos habituamos numa base diária ao que nos rodeia… Não sendo esse o nosso caso, continuámos a visita àquele maravilhoso castelo medieval, agora pertencente, por doação, à cidade de Cardiff após a morte do Marquês (o proprietário) em 1947 e sendo um importante marco turístico, deliciando-nos com o seu estilo gótico e romântico.

Visitámos também o Museu de História Natural, de entrada gratuita como todos os museus nacionais, e passeámos pelas ruas e jardins de uma cidade fervilhante de atividade e boa energia… Foi um dia maravilhoso do qual trouxemos ótimas recordações, como muitos outros que por aqui passámos.

(continua)

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